terça-feira, 16 de agosto de 2022
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
Review: 🕷 Early Moods - 'Early Moods' (2022) 🕷
Originárias da cidade hollywoodesca
de Los Angeles (Califórnia, EUA) chegam-nos as dominantes,
trevosas e intrigantes ressonâncias emanadas do primeiro registo de longa
duração forjado pelo mefistofélico quinteto Early Moods. De designação homónima e devidamente carimbado com o influente selo da companhia discográfica californiana RidingEasy
Records através dos formatos LP, CD e digital, este seu primeiríssimo álbum – descortinado
dois anos após o lançamento do EP de estreia ‘Spellbound’ – vem assombrado
por um umbroso, musculado, lubrificado e tenebroso Proto-Doom de
roupagem clássica e deflagrado por um flamejante, vertiginoso, glorioso e
escaldante Heavy Metal de pronuncia britânica. Combinando duas mãos
cheias de egrégias influências como Black Sabbath, Pentagram, Candlemass,
Iron Maiden, Judas Priest, Witchfinder General, Trouble,
Saxon, Motörhead e Saint Vitus, a épica sonoridade de ‘Early
Moods’ agiganta-se num monolítico tsunami de tensa, densa e
exuberante negrura que empalidecerá o rosto, estancará o fôlego e envidraçará o
olhar de quem nele ousar comungar. A sua sonoridade fogosa, decrépita, esotérica e
grandiosa é hasteada e capitaneada por duas guitarras siamesas – de opulenta caligrafia
Iommi’esca – que se amontoam em endiabrados, claustrofóbicos
e encarvoados Riffs de marcha tirânica, e esvoaçam em ecoantes, ciclónicos
e alucinantes solos de virulenta acidez, um baixo pesadamente sombreado de bafagem
baloiçante, acentuada e intimidante, uma combativa, altiva e galopante bateria de bombos troantes e pratos faíscantes, e vocais límpidos, melódicos e avinagrados que
emprestam toda uma vistosa fosforescência à cega pretura que maquilha todo o corpo do álbum.
São 42 minutos atestados de uma infecciosa, horripilante e cerimoniosa feitiçaria
que nos mantém suspensos num imperturbável estádio de profundo sonambulismo. Este
é um registo verdadeiramente abrasivo, avassalador e sufocante que nos circunda e
espartilha. Um disco nervudo, sisudo e jupiteriano que nos ofusca, seduz e conduz ao lado eclipsado da religiosidade. Profanem e angustiem a vossa alma na distópica, misantrópica e atordoante fogosidade dos
californianos Early Moods, e experienciem com insana veneração toda esta
diabólica radiação. Um dos meus álbuns favoritos de 2022 está aqui. Empoderem-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ RidingEasy Records
domingo, 14 de agosto de 2022
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
terça-feira, 9 de agosto de 2022
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
Review: 🕊 My Sleeping Karma - 'Atma' (2022) 🕊
Superando os tempos turbulentos que enegreceram as suas vidas pessoais – e que,
consequentemente, acabariam por colocar também à prova os alicerces que
hasteiam a vitalidade da banda –, os budistas germânicos My Sleeping Karma
desaguam finalmente nas bonanceiras águas de ‘Atma’, onde expurgam
e curam as suas almas, e daí resulta a endeusada criação de um dos trabalhos
mais sublimes e inspiradores da sua já respeitável discografia. Lançado muito
recentemente nos formatos LP, CD e digital através da influente discográfica
austríaca Napalm Records, este sexto álbum de estúdio simboliza o tão
desejado regresso – e numa forma invejável, devo antecipar – desta largamente estimada
formação alemã. Recorrendo uma vez mais à fórmula musical que os celebrizara,
estes druidas celebram uma nova liturgia espiritual onde o meditativo, transformador,
reparador e imaginativo Post-Rock de terapêutico aroma oriental – aliado
a temperos de um arejado Space Rock e um mântrico Psychedelic Rock
– é o elemento catalisador essencial. A sua sonoridade incensada evolui de obscuros,
pesados e fatídicos estados que nos travam a respiração e inundam o olhar de
lágrimas, para preclaros, desanuviados e paradisíacos céus saturados de uma
luzência esperançosa que nos devolve o sorriso e desperta para uma poderosa e
contagiosa revolução consciencial. De pálpebras tombadas, corpos baloiçados, chakras
alinhados, zonas erógenas do cérebro massajadas, e em suspenso num etéreo estado
de ofuscante deslumbramento sensorial, somos sedados e embalados num místico, catártico
e absorvente groove de estímulo perceptual que nos conduz ao tão almejado
nirvana. Da sombreada prostração à ensolarada libertação obedecemos a um guia
espiritual que nos é ofertado pelos My Sleeping Karma, cumprindo a
dissolução do Ego, a transgressão física, pensamentos de calma, paz e pureza, e
– assim – alcançando a verdade superior e a ulterior compreensão da vida. Gravitado
numa afrodisíaca simbiose instrumental – onde dialogam uma guitarra messiânica
de ajardinados acordes desenhados a incessante beatitude e desarmante
sensibilidade, um baixo pulsante de bafo quente, fluído e ondeante, uma bateria
tribal de ritmos imersivos, criativos e estimulantes, e um quimérico sintetizador
que borrifa toda esta onírica atmosfera com poeira estelar – ‘Atma’
encerra uma purificante hipnose de celebração hinduísta que nos converte
prontamente em seus devotos discípulos. Uma verdadeira ode à resiliência. É relevante,
ainda, apontar os holofotes ao primoroso artwork que contém uma mensagem
de premência e importância cruciais, superiormente ilustrador pelo talentoso
alemão Sebastian Jerke. Está assim encontrado o antídoto sonoro para desmoronar
o zeitgeist que domina os nossos tempos, e fazer florescer dos escombros
um epidémico sentimento que congregue esperança, amor, beleza e força. Mal
posso esperar por comungá-lo ao vivo no emblemático festival SonicBlast
que se aproxima, felizmente, a passos apressados.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Napalm Records


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