segunda-feira, 15 de agosto de 2022

🦇 Geezer Butler // Black Sabbath

Early Moods - "Return To Salem's Gate" (2022, RidingEasy Records)

Review: 🕷 Early Moods - 'Early Moods' (2022) 🕷

★★★★★

Originárias da cidade hollywoodesca de Los Angeles (Califórnia, EUA) chegam-nos as dominantes, trevosas e intrigantes ressonâncias emanadas do primeiro registo de longa duração forjado pelo mefistofélico quinteto Early Moods. De designação homónima e devidamente carimbado com o influente selo da companhia discográfica californiana RidingEasy Records através dos formatos LP, CD e digital, este seu primeiríssimo álbum – descortinado dois anos após o lançamento do EP de estreia ‘Spellbound’ – vem assombrado por um umbroso, musculado, lubrificado e tenebroso Proto-Doom de roupagem clássica e deflagrado por um flamejante, vertiginoso, glorioso e escaldante Heavy Metal de pronuncia britânica. Combinando duas mãos cheias de egrégias influências como Black Sabbath, Pentagram, Candlemass, Iron Maiden, Judas Priest, Witchfinder General, Trouble, Saxon, Motörhead e Saint Vitus, a épica sonoridade de ‘Early Moods’ agiganta-se num monolítico tsunami de tensa, densa e exuberante negrura que empalidecerá o rosto, estancará o fôlego e envidraçará o olhar de quem nele ousar comungar. A sua sonoridade fogosa, decrépita, esotérica e grandiosa é hasteada e capitaneada por duas guitarras siamesas – de opulenta caligrafia Iommi’esca – que se amontoam em endiabrados, claustrofóbicos e encarvoados Riffs de marcha tirânica, e esvoaçam em ecoantes, ciclónicos e alucinantes solos de virulenta acidez, um baixo pesadamente sombreado de bafagem baloiçante, acentuada e intimidante, uma combativa, altiva e galopante bateria de bombos troantes e pratos faíscantes, e vocais límpidos, melódicos e avinagrados que emprestam toda uma vistosa fosforescência à cega pretura que maquilha todo o corpo do álbum. São 42 minutos atestados de uma infecciosa, horripilante e cerimoniosa feitiçaria que nos mantém suspensos num imperturbável estádio de profundo sonambulismo. Este é um registo verdadeiramente abrasivo, avassalador e sufocante que nos circunda e espartilha. Um disco nervudo, sisudo e jupiteriano que nos ofusca, seduz e conduz ao lado eclipsado da religiosidade. Profanem e angustiem a vossa alma na distópica, misantrópica e atordoante fogosidade dos californianos Early Moods, e experienciem com insana veneração toda esta diabólica radiação. Um dos meus álbuns favoritos de 2022 está aqui. Empoderem-se nele.

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 RidingEasy Records

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Hällas - "The Wind Carries the Word" (2022)

Head Over Heels - "Road Runner" (1971)

Flied Egg - "Oke-Kus" (1972)

Herbie Hancock - 'Mwandishi' (1971)

🦎 New Riders Of The Purple Sage - "You Angel You" (1974)

The Dirty Streets - "Tryin' Too Hard" (2013)

🔊 Kate Bush

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

🎁 Jerry Garcia // Grateful Dead (01/08/1942 🌹 09/08/1995)

🎨 Victor Moscoso

Shingetsu - "Oni" (1979)

Review: 🕊 My Sleeping Karma - 'Atma' (2022) 🕊

★★★★★

Superando os tempos turbulentos que enegreceram as suas vidas pessoais – e que, consequentemente, acabariam por colocar também à prova os alicerces que hasteiam a vitalidade da banda –, os budistas germânicos My Sleeping Karma desaguam finalmente nas bonanceiras águas de ‘Atma’, onde expurgam e curam as suas almas, e daí resulta a endeusada criação de um dos trabalhos mais sublimes e inspiradores da sua já respeitável discografia. Lançado muito recentemente nos formatos LP, CD e digital através da influente discográfica austríaca Napalm Records, este sexto álbum de estúdio simboliza o tão desejado regresso – e numa forma invejável, devo antecipar – desta largamente estimada formação alemã. Recorrendo uma vez mais à fórmula musical que os celebrizara, estes druidas celebram uma nova liturgia espiritual onde o meditativo, transformador, reparador e imaginativo Post-Rock de terapêutico aroma oriental – aliado a temperos de um arejado Space Rock e um mântrico Psychedelic Rock – é o elemento catalisador essencial. A sua sonoridade incensada evolui de obscuros, pesados e fatídicos estados que nos travam a respiração e inundam o olhar de lágrimas, para preclaros, desanuviados e paradisíacos céus saturados de uma luzência esperançosa que nos devolve o sorriso e desperta para uma poderosa e contagiosa revolução consciencial. De pálpebras tombadas, corpos baloiçados, chakras alinhados, zonas erógenas do cérebro massajadas, e em suspenso num etéreo estado de ofuscante deslumbramento sensorial, somos sedados e embalados num místico, catártico e absorvente groove de estímulo perceptual que nos conduz ao tão almejado nirvana. Da sombreada prostração à ensolarada libertação obedecemos a um guia espiritual que nos é ofertado pelos My Sleeping Karma, cumprindo a dissolução do Ego, a transgressão física, pensamentos de calma, paz e pureza, e – assim – alcançando a verdade superior e a ulterior compreensão da vida. Gravitado numa afrodisíaca simbiose instrumental – onde dialogam uma guitarra messiânica de ajardinados acordes desenhados a incessante beatitude e desarmante sensibilidade, um baixo pulsante de bafo quente, fluído e ondeante, uma bateria tribal de ritmos imersivos, criativos e estimulantes, e um quimérico sintetizador que borrifa toda esta onírica atmosfera com poeira estelar – ‘Atma’ encerra uma purificante hipnose de celebração hinduísta que nos converte prontamente em seus devotos discípulos. Uma verdadeira ode à resiliência. É relevante, ainda, apontar os holofotes ao primoroso artwork que contém uma mensagem de premência e importância cruciais, superiormente ilustrador pelo talentoso alemão Sebastian Jerke. Está assim encontrado o antídoto sonoro para desmoronar o zeitgeist que domina os nossos tempos, e fazer florescer dos escombros um epidémico sentimento que congregue esperança, amor, beleza e força. Mal posso esperar por comungá-lo ao vivo no emblemático festival SonicBlast que se aproxima, felizmente, a passos apressados.

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