quarta-feira, 26 de outubro de 2022
Review: 🐓 Moundrag - 'Hic Sunt Moundrages' (2022) 🐓
O peculiar power-duo
francês Moundrag – formado pelos irmãos Colin e Camille –
acaba de descortinar o seu primeiro trabalho de longa duração, intitulado ‘Hic
Sunt Moundrages’ e lançado nos formatos LP, CD e digital através do carimbo
discográfico da sua conterrânea Modulor Music. Conduzida e nutrida por
um pomposo, dançante, extravagante e glorioso Heavy Prog inspirado em
icónicas bandas do território setentista como Deep Purple, Atomic
Rooster, YES, Genesis e Emerson, Lake & Palmer,
magicada a experimentalismo sónico e centrifugada a psicadelismo caleidoscópico,
esta caprichada obra do talentoso dueto enraizado na cidade francesa de Rennes
exala toda uma refrescante, harmoniosa, fantasmagórica e contagiante fragância
sonora que não deixará ninguém indiferente. Nas asas de um dramático, enfático e majestoso
órgão que se agiganta em intrigantes, furiosos, ostentosos e esvoaçantes
bailados capazes de nos rodopiar e fazer delirar, nas circenses acrobacias de uma talentosa, estonteante, tonitruante e
aparatosa bateria que nos presenteia e incendeia com vistosos e labirínticos solos
de apurada tecnicidade e destravada celeridade, e na aristocrática docilidade de vocais clericais, proféticos,
estéticos e astrais que nos descrevem imersivas histórias de uma galopante distopia
causada pelo Homem, somos envolvidos e revolvidos na serpenteante e revoltosa corrente
sanguínea de ‘Hic Sunt Moundrages’ sem nunca encontrarmos uma porta de
saída. São 42 minutos compartimentados por cinco temas – sendo que o derradeiro
encerra toda uma reinante, extensa, opulenta e edificante obra-prima de ousada composição,
bem demonstrativa de toda a imperial sagacidade e imperturbável cumplicidade que esta irmandade respira – que nos enfeitiçam e atiçam sem qualquer misericórdia. Este é
um álbum audacioso, anguloso e magnânimo – climatizado a miraculosa beleza e texturizado a propulsiva
destreza – que nos esbranquiça o semblante, dilata as pálpebras e bronzeia o
nosso peito de um dourado revivalismo. Uma imponente orquestra, superiormente
musicada por apenas dois músicos, que nos engole e impregna de inquebrável fascinação.
Uma das mais impactantes surpresas musicais do ano está aqui, na irresistível,
intocável e proeminente nobreza de Moundrag. Saúdem os Reis.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Modulor Music
Os irmãos Moundrag vão estar de visita a Portugal nos próximos meses de
novembro e dezembro com quatro datas assinaladas. Apontem nas vossas agendas:
30/11 – Woodstock 69, Porto
01/12 – ADAO, Barreiro
02/12 – Texas Bar, Leiria
03/12 – Rock with Benefits, Fafe
terça-feira, 25 de outubro de 2022
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
domingo, 23 de outubro de 2022
sexta-feira, 21 de outubro de 2022
Review: 🐉 WIZRD - 'Seasons' (2022) 🐉
Dentro do
espectro Jazz que conta com ousadas, mas bem-sucedidas, ramificações a sub-géneros do Rock,
a cidade-capital norueguesa Oslo respira muito boa saúde e recomenda-se
vivamente. Bandas como Kanaan, Sex Magick Wizards, Soft Ffog
e Krokofant perfilam-se como sendo algumas das minhas bandas locais de
eleição, e agora posso acrescentar uma nova a esta restrita lista de notáveis: WIZRD.
Este quarteto de estudiosos da música Jazz – constituído por integrantes de algumas das bandas já supracitadas – acaba de lançar o seu delicioso, sumarento e
auspicioso álbum de estreia ‘Seasons’, pela mão do influente selo
discográfico norueguês Karisma Records através dos formatos LP, CD e
digital. Combinando um enleante, festivo, criativo e triunfante Progressive
Rock de inspirações colhidas a históricas referências britânicas como Gentle
Giant, Genesis e Emerson, Lake & Palmer com um aliciante,
espirituoso, sorridente e sumptuoso Indie Rock solarizado por irresistíveis
melodias, a sui generis sonoridade de ‘Seasons’ é ainda ornamentada
e envernizada por uma fresca e colorida aura jazzística que lhe confere toda
uma afrodisíaca e paradisíaca elegância. A passo trôpego entre a edénica simplicidade
e a caótica complexidade, WIZRD passeia-se livremente – de forma
graciosa, luxuosa e envaidecida – pelos seus cheirosos, frondosos e labirínticos
jardins sonoros. Na condução desta admirável digressão, musicada a sublimada
beleza e transbordante emoção, pelo seráfico universo de ‘Seasons’, estão
vocais joviais de pele aveludada, límpida e açucarada, uma guitarra esplendorosa
que tanto se apazigua em delgados, escorregadios e desanuviados acordes, como
se desassossega numa escadaria de solos electrizantes, ziguezagueantes e cerebrais, um baixo magnetizante
de pulso fluído, ritmado e saltitante, teclados quiméricos de bailados
polposos, faustosos e celestiais, e uma bateria esdrúxula de ritmicidade
precisa, inventiva e estonteante que provocara a constante salivação dos meus
ouvidos. São 43 minutos atestados de incessante deslumbramento, incensados a consumada
venustidade, condimentados por climas contrastados e compartimentados por caramelizadas
baladas de espírito bucólico e destravadas galopadas à rédea solta. Um álbum
verdadeiramente preclaro que me ofuscara e conquistara sem a mais pequena
timidez. ‘Seasons’ simboliza a técnica e o sentimento ao serviço da
música. Um álbum delicado, ensolarado e bem-disposto que nos contagia e
extasia. Confortem-se neste oásis musical de afago sensorial, e vivenciem com
detida fascinação um dos meus álbuns favoritos de 2022.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Karisma Records
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Review: 🪐 ZONG - 'Astral Lore' (2022) 🪐
Cinco anos
após o nascimento do seu homónimo álbum de estreia (aqui trazido e imoderadamente
aclamado), o tridente australiano ZONG está finalmente de regresso com o
lançamento do segundo trabalho, intitulado ‘Astral Lore’ e editado a
duas mãos nos formatos físicos de CD-R e vinil pela britânica Cardinal Fuzz
(responsável pela distribuição no Reino Unido e Europa) e pela norte-americana Little
Cloud Records (responsável pela distribuição em solo americano). Prosseguindo
a sua emancipadora, exploratória e conquistadora odisseia cósmica – farolizada
pelos fogosos e pulsantes viveiros estelares, empoeirando-se nas multicoloridas
e fantasmagóricas nebulosas, e driblando a gravidade dos solitários astros que
se vão desenterrando e revelando no negro solo que pavimenta um firmamento repetidamente desdobrado
– a banda sediada na cidade costeira de Brisbane (Queensland) tem
em ‘Astral Lore’ um álbum climatizado por um ambiental, místico, ritualístico
e celestial Heavy Psych de umbrosos ecos Black Sabbath’icos
e essência instrumental que nos desancora a consciência terrestre, escancara as
portas da percepção, e transcende aos mais altos céus do Cosmos bocejante. De
olhar semi-selado, cabeça aturdida e espírito embriagado, somos eclipsados e magnetizados
pela mântrica sonoridade de ZONG, à terapêutica e transformadora boleia
de uma guitarra persa que se arvora em proféticos, serpenteantes, deslumbrantes
e esotéricos Riffs de onde esvoaçam solos ecoantes, ácidos, entorpecidos
e intoxicantes, um baixo magnetizante de linhas murmurantes, sombreadas, pausadas
e ondeantes, e uma bateria flamejante de ritmicidade expressiva, criativa e enleante.
O fantástico artwork de vistoso esplendor cósmico pertence ao virtuoso
ilustrador - e baterista da banda - Henry Bennett. São 44 minutos de reflexiva,
etérea e progressiva levitação, embalados e baralhados num atordoante vórtice
centrifugado em slow-motion, que nos desagua na ataráxica e alienígena vacuidade
sideral. Um vertiginoso mergulho nas profundezas da lisergia, onde todos os
nossos sentidos desmaiam num perfeito oásis sensorial. Petrificados num imperturbável
estádio de sonambulismo, jornadeamos pelos desertos cósmicos de ‘Astral Lore’
com transbordante fascinação. Uma sagrada peregrinação de consagração
espiritual que nos encaminha aos braços do Nirvana. Vivenciem com detida veneração
este renovado capítulo da mágica epopeia ZONG, e regressem dele completamente regenerados
e depurados.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Cardinal Fuzz
➥ Little Cloud Records
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
domingo, 16 de outubro de 2022
sábado, 15 de outubro de 2022
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Review: 🌋 Smokes of Krakatau - 'Smokes of Krakatau' (2022) 🌋
Oriundas da Polónia
– a meca europeia da música Doom – chegam-nos as pesadas, fumarentas, lodacentas
e esverdeadas ressonâncias nasaladas pelo power-trio Smokes of
Krakatau com o seu impactante álbum de estreia, de designação homónima e lançado
através dos formatos digital e CD numa edição autoral. Norteada por um resinoso,
demoníaco, canábico e montanhoso Psychedelic Doom de mãos dadas a um imperioso,
ardente, inclemente e majestoso Proto-Doom, a pardacenta e empolada
sonoridade de ‘Smokes of Krakatau’ vem ainda condimentada com ofuscantes
feixes de uma endeusada luzência psicadélica e espacial que lhe confere toda
uma aura imersiva, reflexiva e espiritual. Num constante pendulo entre a seráfica
lisergia e a vulcânica euforia, a densa negrura e a leve brancura, a barulhenta
tempestade e a surda bonança, a sangrenta impetuosidade e a invernal acalmia,
somos embalados e climatizados pelos contrastados climas e estados de espírito
do álbum. Uma gratificante e redentora experiência sensorial que não deixará
ninguém indiferente. Chamejado por uma guitarra soberana que se robustece em dominantes,
flamejantes, monolíticos e intoxicantes Riffs – gaseificados, distorcidos
e escaldados a crepitante efeito Fuzz – e embevece em solos espectrais, lampejantes,
leves e ecoantes, murmurado pelo quente bafo de um baixo carregado a linhas
ventosas, nervudas, sisudas e poderosas, galopado por uma enérgica bateria de
ritmo endiabrado, incisivo, expressivo e desenfreado, e rugido por uma voz
felina, agressiva, urticante e abrasiva, este primeiro registo de longa duração,
forjado pelo tridente sediado na cidade de Poznań, encerra um temível vulcão
em vistosa erupção que gorgoleja magma polposa, faúlhas incandescentes, e
incensa toda a atmosfera de vapores sulfurosos que se agigantam e nos encobrem.
O fantástico artwork que dá rosto a ‘Smokes of Krakatau’ aponta
os seus créditos de autor à ilustradora polaca Maryjka Babiak. São 57
minutos atestados de forte actividade sísmica que estremecerá e estarrecerá o ouvinte.
Uma estreia gloriosa e um importante contributo para o enriquecimento da já
abastada e portentosa cena Doom que há muito governa a Polónia.
















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