quarta-feira, 12 de abril de 2023
terça-feira, 11 de abril de 2023
segunda-feira, 10 de abril de 2023
Review: 🌅 Edena Gardens - 'Agar' (2023) 🌅
Nem seis meses
passaram desde o lançamento do muito aguardado álbum de estreia de Edena
Gardens (review aqui), e este talentoso tridente dinamarquês
acaba de nos apresentar o seu sucessor – ‘Agar’ – através do insuspeito
selo discográfico El Paraiso Records (LP, CD e digital). Orvalhado e
velejado por um ensolarado, reflexivo, imaginativo e colorido Psychedelic
Rock de revitalizante fragância oceânica (situado entre o magnético Drone
de uns Earth e o lado mais atmosférico dos “surfistas” californianos The
Mermen) e um apurado, explorativo, lenitivo e enfeitiçante Contemporary
Jazz de desarmante elegância onírica que vive da sensibilidade e dos
detalhes, este bonanceiro ‘Agar’ pincela no imaginário do ouvinte um ruborizado
céu crepuscular, um pacífico mar azul-turquesa que se estende até onde a vista
pode alcançar, e um dourado, ondulado e extenso areal que emoldura este
nirvânico retrato de um verão já findado. De olhar semi-selado e inebriado, sorriso
golpeado no rosto, cabeça vagarosamente pendulada de ombro em ombro, e espírito
recostado num verdadeiro oásis de afago sensorial, adormecemos confortavelmente
nos sedosos, frescos e arenosos lençóis desta prazerosa, embriagada e esponjosa
hipnose. Uma estética, odorosa e edénica brisa sonora que areja a nossa alma e
nos deixa inebriados de uma imperturbável sensação de pleno bem-estar. Deixem-se
absorver e naufragar a bordo de uma guitarra alucinógena (que se passeia entre
a calidez desértica de um Ry Cooder e a lugubridade nocturna de um Bill
Frisell) por entre os deslumbrantes, encaracolados e uivantes acordes – cuidadosamente
desatacados de um labiríntico novelo – e trepidantes, ácidos e ecoantes solos
que se multiplicam num estonteante jogo de espelhos, um murmurante baixo de
inquebrável solidez que vigia e sombreia de perto todas as evasões da guitarra,
uma bateria acrobática e tribalista – de ritmicidade desenvolta – que troteia
toda esta harmoniosa ondulação, e ainda um mágico sintetizador – de presença esporádica
– que se adensa em polposos e melancólicos coros celestiais. São 47 minutos de purificante
luzência que nos eteriza e faroliza de encontro à doce ataraxia. ‘Agar’
irradia toda uma etérea beleza que comoverá até o mais rochoso dos corações. Uma
sempiterna maré baixa de águas diamantinas, mornas e espumosas que nos abraçam
e beijam os pés desnudos. Uma obra inspiradora, expurgadora e imersiva que nos
bronzeia e prazenteia sem qualquer moderação. Esta é a minha praia. Banhem-se no seu azul e escutem o canto da sereia.
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domingo, 9 de abril de 2023
sábado, 8 de abril de 2023
sexta-feira, 7 de abril de 2023
quinta-feira, 6 de abril de 2023
quarta-feira, 5 de abril de 2023
Review: ☄️ Apodemus - 'Atlas' (2023) ☄️
Depois de no
outono de 2020 ter exibido e desconstruído o impactante EP ‘Signal’ (review aqui)
do electrizante tridente russo Apodemus, sou agora impelido a replicar elogiosas palavras a esta fantástica banda localizada na cidade de Níjni Novgorod, motivado
pelo seu novíssimo álbum ‘Atlas’ que desabrochara no final do passado
mês de março através do exclusivo formato digital. Resultada de um renhido,
fascinante e transpirado jogo de forças entre um hipnotizante, serpenteante, alucinógeno
e delirante Heavy Psych (que ocasionalmente se fantasia de um letárgico,
reflexivo e cinematográfico Post-Rock) de vistosa caligrafia arábica a
fazer recordar os saudosos Blaak Heat Shujaa, e um montanhoso, fibrótico,
vulcânico e gorduroso Stoner Metal (que tanto se encrespa e escalda num sulfuroso, fumarento
e viscoso banho de lava à boa moda dos clássicos Corrosion of Conformity,
como se perde e encontra em rodopiantes bailados Progressivos de
indiscreta inspiração trazida dos Elder), a sonoridade cerimonial, imersiva,
camaleónica e integralmente instrumental de ‘Atlas’ passeia-se livremente
entre uma ardente, sísmica e euforizante turbulência – carburada a todo o vapor
– que nos agita e sobreaquece o motor, e uma fresca, oceânica e primaveril placidez – ensolarada
a esbatida embriaguez – que nos embevece e adormece. De alma atestada por
um edénico misticismo, embalamos – à sónica boleia de nirvânicas, ácidas,
longas e psicotrópicas jams – numa poderosa, estonteante, deslumbrante
e vertiginosa propulsão consciencial que nos viaja pelas labirínticas linhas de
que é feito o tecido do Cosmos. Uma odisseia incisiva, mântrica, messiânica e
evolutiva pelos infindáveis desertos que pavimentam a nossa espiritualidade,
farolizados e seduzidos por uma guitarra felina que ruge riffs intoxicantes,
incandescentes, arenosos e altamente viciantes de onde são expelidos escorregadios,
esguios, luzidios e ziguezagueantes solos venenosos, um baixo pérsico de linhas
magnéticas, ondulantes, dançantes e eróticas, e uma bateria tribalista – de
propensão ritualista – que saltita por entre tambores galopantes e pratos intensamente
flamejantes. São 60 minutos de uma esponjosa, odorosa e profética hipnose que nos
dissolve e revolve num imenso oceano de borbulhante mescalina. Uma sagrada peregrinação
de sentidos centrifugados, trilhada debaixo dos céus incendiados pelo enrubescido
Sol poente, com destino ao consagrado Paraíso. Deixem-se empoeirar nas incensadas,
fantasmagóricas e coloridas nebulosas que vagueiam pela atmosfera de Apodemus,
e catapultar para as profundezas insondáveis do espaço alienígena sem a mais
pequena vontade dele regressar. ‘Atlas’ é um verdadeiro trampolim que
nos iça para lá do lado eclipsado da Lua. Saltem para as costas deste indomável cometa, lavrem
o negro solo cósmico e driblem as coordenadas do espaço-tempo.
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terça-feira, 4 de abril de 2023
segunda-feira, 3 de abril de 2023
domingo, 2 de abril de 2023
sábado, 1 de abril de 2023
🍿 Cinema & TV de Janeiro, Fevereiro e Março
Peaky
Blinders S06 (2022) de Steven Knight ★★★★★
The Pale Blue Eye (2022)
de Scott Cooper
★★★☆☆
Black Snake Moan (2006)
de Craig Brewer
★★★★☆
The Fabelmans (2022) de Steven Spielberg ★★★★☆
Doraibu mai kâ (2021) de Ryûsuke Hamaguchi ★★★★☆
Curb Your Enthusiasm S011 (2021) de Larry David ★★★★☆
The Banshees of
Inisherin (2022) de Martin McDonagh ★★★★☆
Edvard Munch: Un cri dans la nature (2022) de Sandra Paugam ★★★★☆
Son of Sam: The Hunt
for a Killer (2017) de Richard Curson Smith & Hannah James ★★★★☆
Inherent Vice (2014) de Paul Thomas
Anderson ★★★☆☆
Such Hawks Such
Hounds (2008) de Jessica Hundley & John Srebalus ★★★★☆
Warrior (2011) de Gavin O’Connor ★★★★☆
Amarcord (1973) de Federico Fellini ★★★★☆
The Big Sleep (1946) de Howard Hawks ★★★★☆
Stranger Things S04 (2022) de Matt Duffer &
Ross Duffer ★★★★★
No Country for Old Men (2007) de Ethan Coen &
Joel Coen ★★★★★
Seven Psychopaths (2012)
de Martin McDonagh ★★★☆☆
Missing (2023) de Nicholas D.
Johnson & Will Merrick ★★★☆☆
To Kill A Mockingbird
(1962) de Robert Mulligan ★★★★☆
50 anos do Hot Clube de Portugal (1998) de Cristina Antunes ★★★★☆
1923 S01 (2023)
de Taylor Sheridan ★★★★★
Reservoir Dogs (1992) de Quentin Tarantino ★★★★★











