segunda-feira, 10 de abril de 2023

Finnforest - "Elvin" (1976)

Review: 🌅 Edena Gardens - 'Agar' (2023) 🌅

★★★★★

Nem seis meses passaram desde o lançamento do muito aguardado álbum de estreia de Edena Gardens (review aqui), e este talentoso tridente dinamarquês acaba de nos apresentar o seu sucessor – ‘Agar’ – através do insuspeito selo discográfico El Paraiso Records (LP, CD e digital). Orvalhado e velejado por um ensolarado, reflexivo, imaginativo e colorido Psychedelic Rock de revitalizante fragância oceânica (situado entre o magnético Drone de uns Earth e o lado mais atmosférico dos “surfistas” californianos The Mermen) e um apurado, explorativo, lenitivo e enfeitiçante Contemporary Jazz de desarmante elegância onírica que vive da sensibilidade e dos detalhes, este bonanceiro ‘Agar’ pincela no imaginário do ouvinte um ruborizado céu crepuscular, um pacífico mar azul-turquesa que se estende até onde a vista pode alcançar, e um dourado, ondulado e extenso areal que emoldura este nirvânico retrato de um verão já findado. De olhar semi-selado e inebriado, sorriso golpeado no rosto, cabeça vagarosamente pendulada de ombro em ombro, e espírito recostado num verdadeiro oásis de afago sensorial, adormecemos confortavelmente nos sedosos, frescos e arenosos lençóis desta prazerosa, embriagada e esponjosa hipnose. Uma estética, odorosa e edénica brisa sonora que areja a nossa alma e nos deixa inebriados de uma imperturbável sensação de pleno bem-estar. Deixem-se absorver e naufragar a bordo de uma guitarra alucinógena (que se passeia entre a calidez desértica de um Ry Cooder e a lugubridade nocturna de um Bill Frisell) por entre os deslumbrantes, encaracolados e uivantes acordes – cuidadosamente desatacados de um labiríntico novelo – e trepidantes, ácidos e ecoantes solos que se multiplicam num estonteante jogo de espelhos, um murmurante baixo de inquebrável solidez que vigia e sombreia de perto todas as evasões da guitarra, uma bateria acrobática e tribalista – de ritmicidade desenvolta – que troteia toda esta harmoniosa ondulação, e ainda um mágico sintetizador – de presença esporádica – que se adensa em polposos e melancólicos coros celestiais. São 47 minutos de purificante luzência que nos eteriza e faroliza de encontro à doce ataraxia. ‘Agar’ irradia toda uma etérea beleza que comoverá até o mais rochoso dos corações. Uma sempiterna maré baixa de águas diamantinas, mornas e espumosas que nos abraçam e beijam os pés desnudos. Uma obra inspiradora, expurgadora e imersiva que nos bronzeia e prazenteia sem qualquer moderação. Esta é a minha praia. Banhem-se no seu azul e escutem o canto da sereia.

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 El Paraiso Records

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Review: ☄️ Apodemus - 'Atlas' (2023) ☄️

★★★★☆

Depois de no outono de 2020 ter exibido e desconstruído o impactante EP ‘Signal’ (review aqui) do electrizante tridente russo Apodemus, sou agora impelido a replicar elogiosas palavras a esta fantástica banda localizada na cidade de Níjni Novgorod, motivado pelo seu novíssimo álbum ‘Atlas’ que desabrochara no final do passado mês de março através do exclusivo formato digital. Resultada de um renhido, fascinante e transpirado jogo de forças entre um hipnotizante, serpenteante, alucinógeno e delirante Heavy Psych (que ocasionalmente se fantasia de um letárgico, reflexivo e cinematográfico Post-Rock) de vistosa caligrafia arábica a fazer recordar os saudosos Blaak Heat Shujaa, e um montanhoso, fibrótico, vulcânico e gorduroso Stoner Metal (que tanto se encrespa e escalda num sulfuroso, fumarento e viscoso banho de lava à boa moda dos clássicos Corrosion of Conformity, como se perde e encontra em rodopiantes bailados Progressivos de indiscreta inspiração trazida dos Elder), a sonoridade cerimonial, imersiva, camaleónica e integralmente instrumental de ‘Atlas’ passeia-se livremente entre uma ardente, sísmica e euforizante turbulência – carburada a todo o vapor – que nos agita e sobreaquece o motor, e uma fresca, oceânica e primaveril placidez – ensolarada a esbatida embriaguez – que nos embevece e adormece. De alma atestada por um edénico misticismo, embalamos – à sónica boleia de nirvânicas, ácidas, longas e psicotrópicas jams – numa poderosa, estonteante, deslumbrante e vertiginosa propulsão consciencial que nos viaja pelas labirínticas linhas de que é feito o tecido do Cosmos. Uma odisseia incisiva, mântrica, messiânica e evolutiva pelos infindáveis desertos que pavimentam a nossa espiritualidade, farolizados e seduzidos por uma guitarra felina que ruge riffs intoxicantes, incandescentes, arenosos e altamente viciantes de onde são expelidos escorregadios, esguios, luzidios e ziguezagueantes solos venenosos, um baixo pérsico de linhas magnéticas, ondulantes, dançantes e eróticas, e uma bateria tribalista – de propensão ritualista – que saltita por entre tambores galopantes e pratos intensamente flamejantes. São 60 minutos de uma esponjosa, odorosa e profética hipnose que nos dissolve e revolve num imenso oceano de borbulhante mescalina. Uma sagrada peregrinação de sentidos centrifugados, trilhada debaixo dos céus incendiados pelo enrubescido Sol poente, com destino ao consagrado Paraíso. Deixem-se empoeirar nas incensadas, fantasmagóricas e coloridas nebulosas que vagueiam pela atmosfera de Apodemus, e catapultar para as profundezas insondáveis do espaço alienígena sem a mais pequena vontade dele regressar. ‘Atlas’ é um verdadeiro trampolim que nos iça para lá do lado eclipsado da Lua. Saltem para as costas deste indomável cometa, lavrem o negro solo cósmico e driblem as coordenadas do espaço-tempo.

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sábado, 1 de abril de 2023

King Crimson - "Lark's Tongues in Aspic Pt 2" @ The Midnight Special (1973)

Fleetwood Mac - "Rhiannon" @ The Midnight Special (1976)

Linda Ronstadt - "The Fast One" @ The Midnight Special (1972)

Goblin - "Endless Love" (2000)

Museo Rosenbach - 'Zarathustra' (1973)

🍿 Cinema & TV de Janeiro, Fevereiro e Março

Peaky Blinders S06 (2022) de Steven Knight   ★★★★★
The Pale Blue Eye (2022) de Scott Cooper   ★★★☆☆
Black Snake Moan (2006) de Craig Brewer   ★★★★☆
The Fabelmans (2022) de Steven Spielberg   ★★★★☆
Doraibu mai kâ (2021) de Ryûsuke Hamaguchi   ★★★★☆
Curb Your Enthusiasm S011 (2021) de Larry David   ★★★★☆
The Banshees of Inisherin (2022) de Martin McDonagh   ★★★★☆
Edvard Munch: Un cri dans la nature (2022) de Sandra Paugam   ★★★★☆
Son of Sam: The Hunt for a Killer (2017) de Richard Curson Smith & Hannah James   ★★★★☆
Inherent Vice (2014) de Paul Thomas Anderson   ★★★☆☆
Such Hawks Such Hounds (2008) de Jessica Hundley & John Srebalus   ★★★★☆
Warrior (2011) de Gavin O’Connor   ★★★★☆
Amarcord (1973) de Federico Fellini   ★★★★☆
The Big Sleep (1946) de Howard Hawks   ★★★★☆
Stranger Things S04 (2022) de Matt Duffer & Ross Duffer   ★★★★★
No Country for Old Men (2007) de Ethan Coen & Joel Coen   ★★★★★
Seven Psychopaths (2012) de Martin McDonagh   ★★★☆☆
Missing (2023) de Nicholas D. Johnson & Will Merrick   ★★★☆☆
To Kill A Mockingbird (1962) de Robert Mulligan   ★★★★☆
50 anos do Hot Clube de Portugal (1998) de Cristina Antunes   ★★★★☆
1923 S01 (2023) de Taylor Sheridan   ★★★★★
Reservoir Dogs (1992) de Quentin Tarantino   ★★★★★