sexta-feira, 29 de abril de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Review: Siena Root ao vivo no Hard Club (Porto)
Perspectivava-se um concerto
de insuspeita qualidade e assim se materializou. A banda sueca Siena Root brindou todos os presentes
com um concerto verdadeiramente apaixonante e de ressaca duradoura a todas as
testemunhas que na noite de ontem se deslocaram até ao Hard Club na cidade do Porto. Num ritual promovido pela Garboyl Lives (entidade responsável
pela organização do festival Sonic Blast
Moledo), onde as bandas de abertura foram os Vircator e os The Black
Wizards em concertos comemorativos do “pontapé de saída” da sua tour europeia conjunta (aos quais desejo
as maiores felicidades fora de portas, regressando a casa com a auto-estima
fortalecida por sinceros e sublimes elogios falados nos mais diversos idiomas), a subida
ao palco destes hippies escandinavos
de instrumentos ungidos pelos 70’s representou o já esperado culminar da emoção
vivida até ao momento. Quanto a mim, estava mesmo em frente a uma das bandas mais
impactantes da minha formação enquanto entusiasta musical, e isso estimulava
ainda mais toda aquela euforia que se agigantava em mim. E se deles já esperava
nada menos do que um concerto de uma vida, a verdade é que saí do Hard Club de
coração completamente estarrecido e lucidez embaciada com toda aquela magia em
estado musical. Fundamentados num Psych
N’ Blues deslumbrante envolvido num Prog
Rock carismático e elegante, Siena
Root instauraram na plateia toda uma intensa comoção de êxtase que a adornou e enlevou
do primeiro ao último tema. Este quinteto nórdico de sonoridade absorvida pela
misticidade setentista passeou-se fluidamente
pela sua admirável discografia para crescente exaltação de uma plateia
completamente embriagada. Foi verdadeiramente hipnotizante comungar todo o resplandecente
encantamento transpirado pelos Siena
Root numa sagrada celebração orquestrada por um baixo Rickenbacker de linhas robustas, pulsantes e dançantes, uma
guitarra fascinante e delirante que se transcendia em vertiginosos solos e
inflamantes riffs, um teclado envaidecido
de alucinantes e penetrantes divagações, uma bateria efusiva de acrobacias Bonham’eanas, e uma voz torneada e sedosa
que nos massajara e enfeitiçara ao longo de toda esta intensa e inabalável
hipnose. De salientar ainda o extraordinário entrosamento entre os músicos que, numa dinâmica espantosa e contagiante, conseguem domesticar e harmonizar todos os momentos
de prazerosa e agitada esquizofrenia musical, provocando em nós verdadeiros momentos de ingovernável
alvoroço que desaguam noutros de etéreo e narcotizante relaxamento. No final do concerto, estes cinco eremitas - agora de instrumentos repousados e amplificadores desligados - vergaram-se numa prolongada vénia em agradecimento a toda uma plateia de olhar radioso que os aplaudia de forma efusiva e demorada. Foi difícil
aceitar que toda aquela atmosfera cerimoniosa havia chegado ao fim. Siena Root motivará sempre em mim um nostálgico
suspiro de quem sabe ter vivenciado um dos concertos mais especiais da sua
vida.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Review: ⚡ Astral Son - 'Astral Son' ⚡ (2015/2016)
Astral
Son
é o projecto pessoal do multi-instrumentista holandês Leonardo. Este astronauta musical inteiramente dedicado a
divagações espaciais nutridas pelo Krautrock,
Space Rock e o Neo Psych em sedutora e harmoniosa uniformidade, tem em ‘Astral
Son’ um álbum de natureza imensamente hipnótica e fascinante que nos embala
numa constante sagrada levitação pela verticalidade da alma. Lançado em 2015 no
formato de vinil via Headspin Records, este disco acaba de
receber um tratamento especial por parte do selo alemão Sulatron records ao relançar – no passado mês de Março – esta verdadeira
preciosidade estelar pela primeira vez em formato de CD. A sua sonoridade envolvente tem em nós um efeito tremendamente
anestésico que nos faz experienciá-lo de corpo inanimado. Em contraste à
paralisia corporal que nos amortalha, a nossa consciência é mergulhada num admirável
e penetrante túnel sensorial que nos afunila de encontro aos sedosos braços do trance. É demasiado fácil flutuarem pela
atmosfera alucinógena de ‘Astral Son’ à boleia de uma
guitarra messiânica que nos encanta e serena com os seus acordes contemplativos
e delirantes solos, um baixo de linhas morosas, robustas e serpenteantes, uma
bateria de condução relaxante, um sintetizador dançante, criador de uma
encantada e sidérica nebulosidade, e ainda uma voz profética que nos orienta
nesta apaixonante odisseia pelo Cosmos bocejante. Este é um álbum que merece ser
comungado com total entrega. Um álbum de enorme beleza que nos massaja e inebria
ao longo dos nove temas que o habitam. Dissolvam-se detidamente na mágica e prazerosa essência
de ‘Astral
Son’ e no final sentir-se-ão regressar de uma das mais distantes
e enriquecedoras evasões espirituais da vossa existência.
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Sulatron Records
domingo, 24 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Review: ⚡ Elephant Tree - 'Elephant Tree' ⚡ (2016)
É ainda de alma cedida a um
estado de profunda hipnose que vos escrevo esta review inteiramente dedicada ao novo e homónimo trabalho do
quarteto londrino Elephant Tree
lançado hoje mesmo via Magnetic Eye Records
(nos formatos físicos de CD e LP). Munido de um tirânico e harmonioso Psych Doom que se agiganta em riffs poderosos, vociferantes e megalíticos,
este ‘Elephant
Tree’ tem o dom de nos absorver e perturbar. É instintivo responder ao
seu reverberante rugido com um firme e oscilante movimento corporal que nos
alavanca a consciência de encontro a domínios espirituais nunca antes pisados. Sintam
a prazerosa fúria de uma guitarra que nos amotina com os seus riffs maciços, lentos e trovejantes, e vergasta
com fecundantes e erosivos solos que nos serpenteiam e trespassam. Obscureçam o
semblante na imponente presença de um baixo inquisidor que sussurra pulsantes,
pesadas e torneadas linhas na nossa direcção. Deixem-se dominar pela prazerosa
fúria de uma bateria fulgurante que se conduz com impressionante e estimulante orientação
rítmica, e cabeceiem o sagrado êxtase ao som de vocais hipnóticos, translúcidos
e fantasmagóricos que sobrevoam com ternura e elegância toda esta radiosa
combustão. ‘Elephant Tree’ representa uma das mais impactantes surpresas
de 2016. Sintam-se extraviar Cosmos adentro numa redentora detonação nutrida
pelo intenso e melodioso som de Elephant
Tree. De salientar ainda a sublime presença de um tema acústico, calmo e mélico
que intervala e contrasta na perfeição com a restante ambiência de influência Dopesmoker’eana (dos titânicos Sleep) que nos envolve e desgasta a lucidez.
Entreguem as rédeas da vossa alma a este ‘Elephant Tree’ e sejam testemunhas
privadas de toda esta euforia sedada. Obedeçam a um dos melhores registos de Psych Doom dos últimos anos.
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Magnetic Eye records
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