sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sleep - 'Jerusalem' (1996)

🎖 Heavy 40th Birthday Isaiah Mitchell (Earthless)

Atomic Rooster - "Friday The Thirteenth" (1970)

Review: ⚡ Sex Magick Wizards - 'Eroto Comatose Lucidity' (2019) ⚡

Da cidade-capital de Oslo (Noruega) acaba de chegar um dos álbuns por mim mais aguardados do ano, e a crescente expectativa não poderia ter saído mais saciada de todo este (im)paciente processo. ‘Eroto Comatose Lucidity’ é o estrambólico álbum de estreia do talentoso e extravagante quarteto nórdico Sex Magick Wizards e fora hoje mesmo lançado tanto em formato digital (através das mais relevantes plataformas digitais) como sob a forma física de CD e vinil (pela mão do modesto selo discográfico local Finito Bacalao Records). Superiormente norteado por um magnetizante, orquestral, bizarro e intrigante Prog Rock – de ambiência revivalista, ocultista e de antena apontada aos egrégios britânicos King Crimson – e brilhantemente tiquetaqueado e condimentado por um esquizofrénico, insano, irreverente e labiríntico Avant-garde Jazz à boa moda de singulares referências como Miles Davis ou John Coltrane, este místico ritual liderado e doutrinado pelos druidas Sex Magick Wizards tem o dom de nos enfeitiçar do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade é tingida a um exotismo selvático e a um ousado e inesperado experimentalismo que confere total liberdade criativa a cada um dos quatro instrumentos, embalando e progredindo a passos largos e tortuosos por uma carnavalesca, mas domesticada, improvisação que me envolvera, fascinara e agitara com violento entusiasmo. Na esmerada e abastada composição desta sónica e erótica exteriorização apelidada de ‘Eroto Comatose Lucidity’ está um mirabolante saxofone de espirito indomesticado, livre e insubordinado que – não obedecendo a qualquer regra, senão à sua própria loucura – é soprado e transviado para alucinadas e desorganizadas espirais que nos distorcem e entontecem, uma sagaz bateria – abençoada e dominada pela maestria jazzística – que se lança em vivazes e tenazes acrobacias de toque cuidado, lustroso, primoroso e inspirado, uma principesca e enigmática guitarra Hendrix’eana que tanto empresta alguma lucidez à burlesca ambiência do álbum com adoráveis, provocantes e facilmente sussurráveis Riffs, como se perde e encontra entre copiosos, delirantes, provocantes e luxuosos solos, e ainda um hipnótico contrabaixo de linhas bamboleantes, empoladas, aveludadas e pulsantes que diligencia e obscurece todas as desatinadas ramificações musicais de Sex Magick Wizards. Este é um álbum pensado a executado a uma talentosa complexidade que prontamente me desarmara e conquistara. Um registo tremendamente orgiástico que – com desarmante sabedoria e irrepreensível sinergia – mistura e conjuga os mais contrastados géneros musicais, resultando num expressivo diálogo instrumental que me deixara boquiaberto. É ainda de sentidos embriagados e membros cansados pela ardente e eloquente lubricidade transpirada por todos os poros de ‘Eroto Comatose Lucidity’, que tudo em mim grita: estamos na honrosa presença de um dos mais fortes candidatos a disco do ano. Ingressem neste grotesco cortejo e vivenciem com total deslumbramento e veneração toda a contagiante destreza e estranheza de Sex Magick Wizards. Que álbum!

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

🍒 Stevie Nicks // Fleetwood Mac (1976)

Brant Bjork - "Too Many Chiefs..Not Enough Indians" (1999/2019)

Review: ⚡ Saturna - 'Atlantis' (2019) ⚡

Da cidade de Barcelona chega-nos ‘Atlantis’, o quarto e novo álbum de estúdio do talentoso quarteto espanhol Saturna. Lançado hoje mesmo exclusivamente em formato digital – mas com a garantia deixada de que no início de 2020 será convertido numa edição física em CD – este renovado trabalho da banda catalã alberga um majestoso, melódico, despótico e poderoso Hard Rock de indiscreta inspiração setentista que me deslumbrara com imensa expressividade. A sua sonoridade revestida a uma apaixonante ambiência vintage passeia-se numa fluída alternância de estados sonoros onde musculadas, monolíticas, titânicas e pesadas galopadas – que nos desprendem a cabeça e aceleram os batimentos cardíacos – desaguam em envolventes, mélicas, edénicas e eloquentes baladas que nos desmaiam as pálpebras e enternecem o espírito. E é esta bipolaridade musical – superiormente executada – que faz de ‘Atlantis’ um disco de plena e imediata fascinação à primeira audição. Sintam a intrigante imponência de duas nobres guitarras que se consolidam na vistosa ascensão de pomposos, altivos, maciços e fibrosos Riffs, e se desprendem na sónica libertação de uivantes, ácidos, alucinados e borbulhantes solos de elevada majestosidade, os reverberantes rugidos de um possante baixo Rickenbacker valvulado a linhas encorpadas, tensas, grossas e torneadas, a fogosa presença de uma bateria esporeada a potente explosividade, e ainda a impactante simetria de uma voz melodiosa, temperada, oleada e vigorosa que lidera com chamativa distinção todo este primoroso álbum de Saturna. De destacar e elogiar ainda o ostentoso artwork minuciosamente delineado e colorido pelo artista espanhol Jondix, que conta também com a colaboração da célebre Branca Studio no que à produção do design e layout diz respeito. ‘Atlantis’ é um distinto registo, atestado e condecorado por refinadas e caprichosas composições, que combina na perfeição a principesca altivez com a maviosa delicadeza. ‘Atlantis’ assume-se como um magnífico álbum, forjado, moldado e perfumado por um estético e carismático revivalismo emprestado pelos dourados 70’s que lhe confere toda uma diferenciada classe capaz de inspirar, prender e namorar todo aquele que nele se abrigar. Empoderem-se nele.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Kanaan – "Öresund" (Live from Øra)

🥁 Keith Moon // The Who @ Monterey Pop (1967)

© Jazzinphoto

🏴 Kira Roessler // Black Flag (1984)

Review: ⚡ Benguela Blues Connection - 'S/T' (2019) ⚡

Baterista por predefinição – mais comummente reconhecido pelo seu trabalho de baquetas empunhadas ao serviço de Fast Eddie Nelson – o músico português Nuno Carromeu decidira olhar-se ao espelho, acumulando e canalizando toda a sua inspiração musical para o seu primeiro projecto a solo apelidado de Benguela Blues Connection, e – devo antecipar sem demoras – o resultado do mesmo não poderia ser mais do meu agrado. Lançado muito recentemente pela já afamada editora discográfica lusitana Raging Planet sob a forma física de vinil (reduzido a uma prensagem ultra-limitada de apenas 300 cópias existentes), este magnífico álbum de designação homónima simboliza o ponto de encontro entre um elegante, rústico, radiofónico e serpenteante Blues-Rock de orientação revivalista e paladar Jimi Hendrix’eano, um edénico, envolvente, atraente e messiânico Desert Rock à boa e velha moda de ‘Jalamanta’ (Brant Bjork, 1999) e ainda um dançante, carnavalesco, fogoso e empolgante Zamrock de calor e odor africanos, criando assim todo um exótico, aromático e irresistível cocktail sonoro que prontamente me colocara os ouvidos em constante salivação. Senhorio de todos os instrumentos que se entrelaçam e harmonizam em eloquentes diálogos entre si, Nuno Carromeu pode muito bem orgulhar-se da veraneia sonoridade por ele pensada e tricotada, que de forma tão agradável se passeia e galanteia pela longevidade deste álbum de rica e singular personalidade. Ao volante de uma endeusada guitarra que se envaidece em uivantes, alucinógenos, bronzeados e delirantes acordes, um baixo Funky & Groovy de linhas ondulantes, eróticas, torneadas e hipnotizantes, uma soberba bateria jazzística de ofegante galope tribalista e toque desembaraçado, cintilante, provocante e inspirado que tiquetaqueia e capitaneia todo o álbum com desarmante perícia, ousadia e sensibilidade, e ainda uma passageira voz de textura megafónica que ecoa pelas calejadas e ensolaradas paisagens de ‘Benguela Blues Connection’, somos embalados das idosas margens do rio Mississippi onde o carismático Delta-Blues fora lavrado, exorcizado e hasteado, até uma sagrada peregrinação desértica – acima de aveludadas, arenosas e amorenadas dunas e debaixo das fervilhantes e vibrantes lufadas suspiradas por um intenso e vigilante Sol que se debruça no firmamento – de destino apontado a um verdadeiro oásis onde a nossa alma se esbate, banha e deleita. De estender também as mais elogiosas palavras ao impactante artwork – a fazer recordar o mítico trabalho visual do pintor alemão Mati Klarwein que confere rosto ao histórico e revolucionário registo ‘Bitches Brew’ (Miles Davis, 1970) – superiormente ilustrado pelo talentoso artista português Ricardo Reis e onde os nossos olhos mergulham e naufragam por entre a estonteante profusão de cores e a conjugação de elementos. ‘Benguela Blues Connection’ é um álbum ritualista de sublimada e consumada beleza que nos afaga todos os sentidos e eteriza a alma num inebriante estádio de profundo relaxamento. Não vai ser fácil despertar deste paraíso de indução auditiva que nos massajara e consagrara ao longo dos 38 minutos que balizam o primeiro e o derradeiro tema. Um primoroso e caprichoso registo – detentor de uma aliciante aura meditativa e profética – que apressadamente nos converte em seus devotos discípulos. Estamos indubitavelmente na presença de um dos mais veneráveis discos do ano que promete batalhar de forma aguerrida por um dos lugares mais invejáveis da listagem final onde estarão perfilados e medalhados os melhores álbuns de 2019.

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domingo, 8 de setembro de 2019

Chelsea Wolfe - "Deranged for Rock & Roll" (2019, Sargent House)

🌇 RUSH!

Led Zeppelin // Miami Beach (19/02/1969)

📸 David E. LeVine

🦇 Black Sabbath // Paranoid Sessions

Ian Gillan // Deep Purple (1972)

🦅 Eric Clapton, 1969

📸 Gered Mankowitz

☮ Grace Slick & Janis Joplin

Mammatus - "Pierce the Darkness" (The Coast Explodes, 2007)

Desert'Smoke: A Space Odyssey