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sábado, 14 de setembro de 2019
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Review: ⚡ Sex Magick Wizards - 'Eroto Comatose Lucidity' (2019) ⚡
Da cidade-capital de Oslo
(Noruega) acaba de chegar um dos álbuns por mim mais aguardados do ano,
e a crescente expectativa não poderia ter saído mais saciada de todo este (im)paciente
processo. ‘Eroto Comatose Lucidity’ é o estrambólico álbum de estreia
do talentoso e extravagante quarteto nórdico Sex Magick Wizards e fora
hoje mesmo lançado tanto em formato digital (através das mais relevantes
plataformas digitais) como sob a forma física de CD e vinil (pela mão do
modesto selo discográfico local Finito Bacalao Records). Superiormente norteado
por um magnetizante, orquestral, bizarro e intrigante Prog Rock – de
ambiência revivalista, ocultista e de antena apontada aos egrégios britânicos King
Crimson – e brilhantemente tiquetaqueado e condimentado por um esquizofrénico,
insano, irreverente e labiríntico Avant-garde Jazz à boa moda de singulares
referências como Miles Davis ou John Coltrane, este místico
ritual liderado e doutrinado pelos druidas Sex Magick Wizards tem o dom
de nos enfeitiçar do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade é tingida a um
exotismo selvático e a um ousado e inesperado experimentalismo que confere
total liberdade criativa a cada um dos quatro instrumentos, embalando e
progredindo a passos largos e tortuosos por uma carnavalesca, mas domesticada, improvisação
que me envolvera, fascinara e agitara com violento entusiasmo. Na esmerada e abastada
composição desta sónica e erótica exteriorização apelidada de ‘Eroto
Comatose Lucidity’ está um mirabolante saxofone de espirito indomesticado,
livre e insubordinado que – não obedecendo a qualquer regra, senão à sua
própria loucura – é soprado e transviado para alucinadas e desorganizadas espirais
que nos distorcem e entontecem, uma sagaz bateria – abençoada e dominada pela
maestria jazzística – que se lança em vivazes e tenazes acrobacias de
toque cuidado, lustroso, primoroso e inspirado, uma principesca e enigmática guitarra Hendrix’eana
que tanto empresta alguma lucidez à burlesca ambiência do álbum com adoráveis, provocantes
e facilmente sussurráveis Riffs, como se perde e encontra entre copiosos,
delirantes, provocantes e luxuosos solos, e ainda um hipnótico contrabaixo de
linhas bamboleantes, empoladas, aveludadas e pulsantes que diligencia e
obscurece todas as desatinadas ramificações musicais de Sex Magick Wizards.
Este é um álbum pensado a executado a uma talentosa complexidade que
prontamente me desarmara e conquistara. Um registo tremendamente orgiástico que
– com desarmante sabedoria e irrepreensível sinergia – mistura e conjuga os
mais contrastados géneros musicais, resultando num expressivo diálogo
instrumental que me deixara boquiaberto. É ainda de sentidos embriagados e
membros cansados pela ardente e eloquente lubricidade transpirada por todos os poros de ‘Eroto
Comatose Lucidity’, que tudo em mim grita: estamos na honrosa presença
de um dos mais fortes candidatos a disco do ano. Ingressem neste grotesco cortejo
e vivenciem com total deslumbramento e veneração toda a contagiante destreza e
estranheza de Sex Magick Wizards. Que álbum!
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quinta-feira, 12 de setembro de 2019
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Review: ⚡ Saturna - 'Atlantis' (2019) ⚡
Da cidade de Barcelona
chega-nos ‘Atlantis’, o quarto e novo álbum de estúdio do talentoso
quarteto espanhol Saturna. Lançado hoje mesmo exclusivamente em formato
digital – mas com a garantia deixada de que no início de 2020 será convertido
numa edição física em CD – este renovado trabalho da banda catalã alberga um
majestoso, melódico, despótico e poderoso Hard Rock de indiscreta inspiração
setentista que me deslumbrara com imensa expressividade. A sua
sonoridade revestida a uma apaixonante ambiência vintage passeia-se numa
fluída alternância de estados sonoros onde musculadas, monolíticas, titânicas e
pesadas galopadas – que nos desprendem a cabeça e aceleram os batimentos
cardíacos – desaguam em envolventes, mélicas, edénicas e eloquentes baladas que
nos desmaiam as pálpebras e enternecem o espírito. E é esta bipolaridade
musical – superiormente executada – que faz de ‘Atlantis’ um
disco de plena e imediata fascinação à primeira audição. Sintam a intrigante imponência
de duas nobres guitarras que se consolidam na vistosa ascensão de pomposos, altivos,
maciços e fibrosos Riffs, e se desprendem na sónica libertação de
uivantes, ácidos, alucinados e borbulhantes solos de elevada majestosidade, os
reverberantes rugidos de um possante baixo Rickenbacker valvulado a
linhas encorpadas, tensas, grossas e torneadas, a fogosa presença de uma bateria
esporeada a potente explosividade, e ainda a impactante simetria de uma voz melodiosa,
temperada, oleada e vigorosa que lidera com chamativa distinção todo este primoroso
álbum de Saturna. De destacar e elogiar ainda o ostentoso artwork
minuciosamente delineado e colorido pelo artista espanhol Jondix, que
conta também com a colaboração da célebre Branca Studio no que à
produção do design e layout diz respeito. ‘Atlantis’
é um distinto registo, atestado e condecorado por refinadas e caprichosas composições,
que combina na perfeição a principesca altivez com a maviosa delicadeza. ‘Atlantis’
assume-se como um magnífico álbum, forjado, moldado e perfumado por um estético
e carismático revivalismo emprestado pelos dourados 70’s que lhe confere
toda uma diferenciada classe capaz de inspirar, prender e namorar todo aquele
que nele se abrigar. Empoderem-se nele.
terça-feira, 10 de setembro de 2019
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Review: ⚡ Benguela Blues Connection - 'S/T' (2019) ⚡
Baterista por predefinição –
mais comummente reconhecido pelo seu trabalho de baquetas empunhadas ao serviço
de Fast Eddie Nelson – o músico português Nuno Carromeu decidira olhar-se
ao espelho, acumulando e canalizando toda a sua inspiração musical para o seu
primeiro projecto a solo apelidado de Benguela Blues Connection, e –
devo antecipar sem demoras – o resultado do mesmo não poderia ser mais do meu
agrado. Lançado muito recentemente pela já afamada editora discográfica lusitana
Raging Planet sob a forma física de vinil (reduzido a uma prensagem ultra-limitada
de apenas 300 cópias existentes), este magnífico álbum de designação homónima simboliza
o ponto de encontro entre um elegante, rústico, radiofónico e serpenteante Blues-Rock
de orientação revivalista e paladar Jimi Hendrix’eano, um edénico,
envolvente, atraente e messiânico Desert Rock à boa e velha moda de ‘Jalamanta’
(Brant Bjork, 1999) e ainda um dançante, carnavalesco, fogoso e empolgante Zamrock
de calor e odor africanos, criando assim todo um exótico, aromático e irresistível cocktail
sonoro que prontamente me colocara os ouvidos em constante salivação. Senhorio
de todos os instrumentos que se entrelaçam e harmonizam em eloquentes diálogos
entre si, Nuno Carromeu pode muito bem orgulhar-se da veraneia sonoridade
por ele pensada e tricotada, que de forma tão agradável se passeia e galanteia pela longevidade
deste álbum de rica e singular personalidade. Ao volante de uma endeusada guitarra que se envaidece em uivantes, alucinógenos, bronzeados e delirantes acordes, um baixo Funky
& Groovy de linhas ondulantes, eróticas, torneadas e
hipnotizantes, uma soberba bateria jazzística de ofegante galope tribalista e toque desembaraçado, cintilante,
provocante e inspirado que tiquetaqueia e capitaneia todo o álbum com
desarmante perícia, ousadia e sensibilidade, e ainda uma passageira voz de textura megafónica
que ecoa pelas calejadas e ensolaradas paisagens de ‘Benguela Blues Connection’,
somos embalados das idosas margens do rio Mississippi onde o carismático
Delta-Blues fora lavrado, exorcizado e hasteado, até uma sagrada peregrinação
desértica – acima de aveludadas, arenosas e amorenadas dunas e debaixo das
fervilhantes e vibrantes lufadas suspiradas por um intenso e vigilante Sol que
se debruça no firmamento – de destino apontado a um verdadeiro oásis onde a
nossa alma se esbate, banha e deleita. De estender também as mais elogiosas
palavras ao impactante artwork – a fazer recordar o mítico trabalho
visual do pintor alemão Mati Klarwein que confere rosto ao histórico e
revolucionário registo ‘Bitches Brew’ (Miles Davis, 1970) –
superiormente ilustrado pelo talentoso artista português Ricardo Reis e
onde os nossos olhos mergulham e naufragam por entre a estonteante profusão de
cores e a conjugação de elementos. ‘Benguela Blues Connection’ é um álbum ritualista
de sublimada e consumada beleza que nos afaga todos os sentidos e eteriza a
alma num inebriante estádio de profundo relaxamento. Não vai ser fácil
despertar deste paraíso de indução auditiva que nos massajara e consagrara ao
longo dos 38 minutos que balizam o primeiro e o derradeiro tema. Um primoroso e
caprichoso registo – detentor de uma aliciante aura meditativa e profética – que apressadamente
nos converte em seus devotos discípulos. Estamos indubitavelmente na presença
de um dos mais veneráveis discos do ano que promete batalhar de forma aguerrida por um dos lugares
mais invejáveis da listagem final onde estarão perfilados e medalhados os
melhores álbuns de 2019.
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domingo, 8 de setembro de 2019
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