terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

☀️ Slow Season - "Evil Words" (2016, RidingEasy Records)

🥁 Chaka Khan // Rufus (1975)

🎁 Camel - 'Camel' (28/02/1973)

Review: 🍂 Siena Root - 'Revelation' (2023) 🍂

★★★★★

Com cerca de 25 anos de frutífera carreira onde se contam duas mãos cheias de álbuns, a camaleónica formação escandinava Siena Root habita hoje os píncaros de um dourado estado de invejável maturidade, e o seu mais recente trabalho de longa duração – intitulado ‘Revelation’ e lançado nos formatos físicos de CD e LP pela mão da editora discográfica germânica Atomic Fire – é prova disso mesmo. Com uma inegociável fidelidade para com o clássico movimento sonoro Roots Rock, que abraça um adornado, afrodisíaco, místico e apimentado Blues Rock de enleantes serpenteios e alta costura, um radioso, perfumado, colorido e formoso Psychedelic Rock de clima primaveril e intensa doçura, e ainda um verdejante, rústico, crepuscular e reconfortante Folk Rock luzência sessentista, o apaixonante quarteto sueco enraizado na cidade-capital de Estocolmo continua a trilhar a sua bonita jornada pelas artérias musicais que o celebrizaram. Embrulhada numa aura de desarmante beleza fabular, a sedosa, enfeitiçante e glamorosa sonoridade de ‘Revelation’ vive da sensibilidade e dos detalhes. Contando ainda com vestígios de um fresco, reflexivo e romanesco Progressive Rock de aragem nórdica, sagrados mantras de deslumbrante paladar indiano e uma elegante camada jazzística a condimentar todos os seus temas, este 10º álbum de Siena Root é uma inspiradora ode revivalista – com uma indelével marca de autenticidade – que aquietará as marés da nossa alma, massajará o nosso cérebro e colocará a nossa espiritualidade de vento em popa. Baloiçado entre açucaradas baladas acústicas e afogueadas desgarradas à boa e velha moda de Siena Root, este cuidado, aprimorado e balsâmico registo da banda promete saciar os mais ousados desejos dos mais auspiciosos sonhadores. De corpo bamboleado, sorriso desabrochado, rosto corado e olhar desmaiado, somos levados à fascinante boleia de uma voz soberbamente encerada que – com um enternecedor e sublimado glamour –  se passeia e galanteia livremente, uma guitarra trovadora que floresce em airosos, esplendidos e deleitosos acordes de onde trepam solos ziguezagueantes, luminosos e vagueantes, um baixo saltitante de linhas pulsantes, flácidas e ondeantes, uma adorável bateria tiquetaqueada a refinada precisão e virtuosa emoção, um teclado litúrgico de polposos, enigmáticos e seráficos mugidos. Como instrumentos convidados estão ainda uma quimérica sitar de frondosos devaneios, um exótico clavinet animadamente swingado a transpirada sedução e ainda uma refrescante flauta de sopros acetinados. ‘Revelation’ é um álbum verdadeiramente mirífico e transformador que nos rodeia e encandeia com o seu deífico resplendor. Percam-se na magnificência miraculosa de Siena Root e encontrem-se relaxadamente recostados num real oásis de afago sensorial e consagração espiritual.

 

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 Atomic Fire

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

🦅 Lynyrd Skynyrd @ The Old Grey Whistle Test (1975)

🍂 Siena Root - "Dusty Roads" (2023, Atomic Fire Records)

🎁 Cactus - 'One Way... Or Another' (24/02/1971)

Review: 🚀 Dead Shrine - 'The Eightfold Path' (2023) 🚀

★★★★★

É ainda de alma sedada, cabeça pesada e visão turva que escrevo estas inebriadas palavras na ressaca da experiência transcendental que foi comungar o álbum de estreia de Dead Shrine – o novíssimo projecto a solo do virtuoso multi-instrumentista neozelandês Craig Williamson, mentor de outros projectos de grande relevância como Datura, Lamp of the Universe e Arc of Ascent – intitulado ‘The Eightfold Path’ e lançado hoje mesmo sob a forma digital e numa ultra-limitada edição em CD de apenas 300 cópias físicas disponíveis com o carimbo do seu selo discográfico caseiro Astral Projection. Incensado por um resinoso, libidinoso e intoxicante Heavy Psych de odor canábico que se embrulha harmoniosamente num montanhoso, vigoroso e flamejante Heavy Rock de ressonâncias setentistas, este primeiro passo discográfico (um grande salto, na verdade) de Dead Shrine solta as amarras conscienciais e catapulta a alma do ouvinte para um sónico escapismo pelas costuras fronteiriças de um rodopiante Cosmos em caótica ebulição. A sua sonoridade euforizante, efervescente e magmática – remexida num borbulhante caldeirão consumido pelas intensas lavaredas – provoca em nós toda uma inapagável combustão espiritual de propulsão astral. Embalados na vertigem desta redentora odisseia que penetra o brumoso tecido cósmico, somos insanamente centrifugados por uma guitarra – locomovida a alta rotação e ensopada numa urticante, fogosa e crocante distorção – que se serpenteia em Riffs viscosos, polposos e efervescentes de onde são vertidos alucinados, embriagados e caleidoscópicos solos temperados a uma acidez psicadélica, sombreados pela pesada reverberação de um baixo nervudo, sisudo e monolítico, açoitados pelas rutilantes baquetas de uma bateria pautada a explosiva, altiva e incisiva robustez, e ainda farolizados pela voz xamânica, melódica e refrescante que vagueia livremente por este revoltoso mar de chamas. ‘The Eightfold Path’ é uma sísmica erupção de vibrante adrenalina que nos agarra pelos colarinhos. Um mastodôntico tsunami de endorfinas que nos engole. Apertem bem os cintos, cerrem os maxilares e agarrem firmemente o trémulo volante de um barulhento e trepidante muscle car que arranca furiosamente a duas rodas e se perde a alta velocidade pelos desdobráveis firmamentos das autoestradas estelares sem nunca olhar para trás.

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