terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Review: 🌿 Belzebong - 'The End is High' (2026, Heavy Psych Sounds) 🌿

★★★★☆
Depois de uma longa
e silenciosa abstinência com oito anos de duração que se seguira na ressaca deixada pelo lançamento
de ‘Light the Dankness’ (aqui trazido e elogiado), o fumarento quarteto
polaco Belzebong dá novamente lume ao seu borbulhante bongo, e dele exala
a esverdeada e vil fumaça do seu novo álbum intitulado ‘The End is High’, editado pela
companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds através dos formatos
LP, CD e digital. Climatizada por um escaldante, rugoso, resinoso e intoxicante
Stoner Doom de marcha lenta e um forte odor canábico, a brumosa, pesada,
encorpada e pantanosa sonoridade deste tão aguardado novo trabalho de Belzegong
provoca no ouvinte uma plena sensação de bem-estar, relaxamento, sonolência,
sedação e a despersonalização. Incensado pelo quente e narcotizante bafo do
demónio, ‘The End is High’ vem atestado de Tetrahidrocanabinol
(THC) que nos enevoa a lucidez, turva a visão e incendeia de fascinação. De
pálpebras tombadas, narinas dilatadas e cabeça pesadamente baloiçada de ombro
em ombro, perseguimos compenetrada e devotamente as enleantes danças de duas guitarras diabrinas
que se engrandecem, enegrecem e enrijecem em pegajosos, urticantes, trevosos e
anestesiantes riffs – desdobrados em slow-motion, e flamejados
pela incandescência e crocância do efeito Fuzz – de onde sobrevoam, gritam
e ecoam avinagrados, virulentos, bolorentos e embruxados solos, a carregada reverberação de um baixo opressivo que se enaltece com base nas linhas sufocantes, hipnóticas, herméticas e possantes, e na violenta sismicidade de uma potente bateria locomovida a altiva, vulcânica, titânica e explosiva ritmicidade. Contando ainda com a sua já característica utilização de cirúrgicos recortes de samples oriundos de clássicos filmes de culto,
os druidas Belzebong embrumam-nos num nebuloso, submerso, perverso e
poderoso ritual de essência instrumental que nos seduz, cativa e conduz ao lado
eclipsado da religião. São 35 minutos abrasivos, governados por uma
psicotrópica, sorumbática e pestilenta feitiçaria que prontamente nos converte
em seus fiéis peregrinos. Morfínico, alucinógeno, sisudo e ritualístico, ‘The
End is High’ amortalha-nos num inescapável estado de letargia que
mentalmente nos passeia numa devota romaria de encontro ao altar do profano. Este é um
álbum intensamente avassalador, magnético, enfático e arrebatador que nos
estremece e estarrece com as suas sísmicas vibrações demoníacas. A defumação da
alma. Inalem os malignos e peçonhentos vapores de Belzebong e experienciem todo o inquebrável
vigor deste seu apoteótico regresso ao fabrico de discos.
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domingo, 22 de fevereiro de 2026
sábado, 21 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Review: 🍽️ Sacri Suoni - 'Time to Harvest' (2026, Electric Valley Records) 🍽️
De Itália chega-nos o novo álbum da formação milanesa Sacri Suoni, intitulado ‘Time to Harvest’ e editado pelo influente selo discográfico local Electric Valley Records através dos formatos LP, cassete e digital. Este quarteto italiano encarvoa-se num esfíngico, lento, carregado, cinzento e monolítico Psychedelic Doom de propulsão cósmica que pendula entre dramáticas ambiências infernais de intimidante negrura e fantasmagóricas paisagens invernais de silêncios sepulcrais. Numa constante alternância entre o leve e o pesado, o tenso e o relaxado, o sufocante e o arejado, ‘Time to Harvest’ tanto revolve o ouvinte numa violenta, virulenta e demoníaca combustão infernal que o flameja sem só nem piedade, como o envolve numa embriagante, onírica e devaneante suspensão sacramental que o desamarra da gravidade terrestre. Conjugando a sorumbática e esmagadora explosividade de bandas como Electric Wizard, Windhand, Monolord, YOB e Bongripper com a mística e transformadora religiosidade de outras referências como OM e White Buzz, a enfeitiçante, melancólica, catártica e atemorizante sonoridade de Sacri Suoni mumifica-nos num perfeito estádio mesmérico que nos aterra e soterra na abissal pretura do vazio sidérico. Uma inescapável hipnose – oxigenada por um incenso psicotrópico – que nos faz levitar e gravitar em torno de duas guitarras soberanas que se agigantam em arrastados, rugosos, trevosos e encorpados riffs – consumidos pela queimante distorção – de onde são filtrados fluorescentes, fugidios, escorregadios e delgados solos de condimentada acidez, um baixo obeso de nervudas, tesas, coesas e sisudas linhas desenhadas a negrito, e uma trovejante bateria detonada a vigorosa, bombástica, enfática e fogosa ritmicidade. ‘Time to Harvest’ é um álbum altivo, massivo, morfínico, fúnebre e opressivo que nos anoitece, enluta e empalidece de desolada letargia. São 38 minutos viciantes – de uma imersiva e invasiva sedução – que nos envidraça o olhar e prende a respiração. Uma fascinante dança entre a tormenta e a quietude. Cerimonial, ocultista, intimista e emocional, este é um registo soberano que nos estarrece com a sua vil arrogância e amolece com a sua sensível elegância. Um disco de climas contrastados que vive de tempestades e bonanças. É impossível ouvi-lo apenas uma vez, duas ou três.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Review: 🦧 Orangotango - 'Empyrean' (2026) 🦧
Acordados de uma
longa hibernação de quase cinco anos de duração, o tridente ofensivo português Orangotango
está de regresso à produção de nova música com o lançamento do seu terceiro álbum
de estúdio, denominado ‘Empyrean’ e editado sob as formas de CD e digital
com o respectivo selo autoral. Baloiçada entre um delirante, místico, afrodisíaco
e intoxicante Psychedelic Rock de vertiginosa e estrepitosa propulsão
astral, e um arenoso, sisudo, fogoso e carnudo Desert Rock que surfa
voluptuosas e sedosas dunas, a cinematográfica, envolvente, eloquente e
seráfica sonoridade de ‘Empyrean’ comunga o mesmo ADN de bandas como Colour
Haze, Sungrazer, Karma to Burn, The Atomic Bitchwax e Somali
Yacht Club. Vibrante, entusiástica, bombástica e enfeitiçante, a colorida, entretida
e tropical sonoridade de Orangotango lança o ouvinte num aventuroso e emocionante
safari pelas exóticas e virginais selvas de um psicadelismo inflamante que lhe
subtrai a lucidez e o atesta de um febril estádio de intensa embriaguez. De cabeça
rodopiante, olhar semi-cerrado, narinas dilatadas e a pele bronzeada pelo
sedutor fulgor de ‘Empyrean’, somos desenraizados da gravidade terrestre
e catapultados para os braços da eterna noite cósmica. Uma admirável odisseia
espacial de afago sensorial, dilatação consciencial e floração espiritual que
nos jornadeia pelas distorcidas coordenadas do espaço-tempo, driblando o magnético
abraço de colossais e solitários planetas que se desenterram e desvelam no
negro solo sideral, trespassando fantasmagóricas e matizadas nebulosas que
vagueiam livremente pela vacuidade cósmica, e escorregando pelas alucinantes tubagens
de monstruosos buracos negros que tudo aspiram no seu caminho. Depois de dois álbuns povoados por temas
aparentados e integralmente instrumentais, este novo registo do trio portuense é
governado por uma surpreendente heterogeneidade que tem como principais inovações
o acréscimo de vocais em dois dos temas que o compõem (o convidado especial Miguel
Vieira cerra firmemente os dois punhos no microfone e empresta a sua elástica, avinagrada
e melódica voz ao antepenúltimo “None of Us Have Lived”, e o próprio
baterista da banda Filipe Ferreira enrijece, enegrece e estremece o
penúltimo “So Long” com recurso aos seus rugosos, urticantes e
cavernosos clamores), assim como a inesperada e carismática presença da tão nossa guitarra portuguesa de
musicados sentimentos superiormente dedilhados pelo músico convidado Dani
Valente. De resto, a base é a de sempre: uma escaldante guitarra de resinosos,
ondulados, torneados e infecciosos riffs – electrificados e chamejados pelo crocante
e flamejante efeito Fuzz – de onde são desatados solos fugidios, luzidios,
escorregadios e alucinados, um baixo monolítico de linhas sombreadas, tonificadas,
carregadas e reptilianas, e uma bateria potente de ritmos violentos, explosivos,
abrasivos e turbulentos. O chamativo artwork que nos convida a passar os
olhos pela lente de um poderoso telescópio com vista desimpedida para o coração
de um Cosmos pulsante e em constante transformação aponta os seus créditos de
autor à talentosa ilustradora portuguesa Echo Echo Illustrations. São 50
minutos saturados de um misticismo ultraterrestre que nos seduz, conduz e abandona
à deriva no espaço. Um banho de imersão na incandescente lava de um vulcão. Uma
sónica germinação perceptual pela infinidade astral. Uma estonteante aceleração
ao volante de um velho Ford Mustang – de vidros abertos, motor ronronante
e olhar afogueado, cravado no firmamento desfocado pelo Sol – a desbravar as poeirentas
estradas que trilham os imensos desertos da alma. Este é, de longe, o álbum mais sofisticado e progressista de Orangotango. Um registo simultâneamente viril e frágil, apressado e sossegado, rochoso e aquoso. Bem-vindos à Sumatra.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Review: 🌞 Rostro del Sol - 'Universo 25' (2026, Stoners Dealer Records) 🌞
Cinco anos após
o lançamento do seu impactante álbum de estreia ‘Rostro del Sol’ (aqui
analisado) e sensivelmente dois anos após a projecção do sedutor sucessor ‘Blue
Storm’ (aqui examinado), a minha banda mexicana de eleição Rostro
del Sol edita agora o seu tão aguardado novo álbum intitulado ‘Universo
25’ que merecera a confiança das companhias discográficas Echodelick Records, Clostridium Records, Stoners Dealer Records e Smogles
Records. Este registo de dimensão piramidal, tipologia puramente
instrumental e natureza conceptual – inspirado no cruel experimento laboratorial
com esse mesmo nome que na década de 1960 levara ao trágico colapso de toda uma populosa
e desregrada comunidade de roedores vigiada sob a orientação do psicólogo e
etólogo americano John B. Calhoun que na ressaca desse vil estudo viria a
constatar que “os efeitos da superpopulação em ratos de laboratório foram um
sombrio modelo experimental para prever o futuro da raça humana.” –,
trata-se da obra mais completa e desafiante criada até à data pela banda domiciliada
na Cidade do México. Com base numa formação de habilidosos músicos
parcialmente renovada e uma cuidada e inspirada concepção arquitectada e
executada entre 2024 e 2025, este talentoso, aventureiro e espirituoso sexteto
azteca tem em ‘Universo 25’ uma pitoresca, colorida, ritmada e
carnavalesca fanfarra de reluzente brilho vintage, doce fragância oriental, emancipação
sensorial e consagração espiritual, que mistura um elegante, extravagante,
majestoso e desarmante Jazz-Rock irrepreensivelmente executado na senda
de vultosas referências do género tais como Colosseum, Soft Machine, Ian
Carr’s Nucleus, Mahavishnu Orchestra, Frank Zappa, Sweet
Smoke, Soft Heap, Iceberg e Psicomagia, um condimentado,
cerebral, sensacional e caprichado Progressive Rock de graciosas feições
sinfónicas que colhe inspiração em clássicas referências como Mogul Thrash,
Matching Mole, Arti & Mestieri, Nuova Idea, Banco
del Mutuo Soccorso, Semiramis e Sloche, e um caleidoscópico,
deslumbrante, reconfortante e exótico Psychedelic Rock de radioso clima Canterbury’esco
com agradáveis ecos de Caravan, suor e calor latino a fazer recordar os picantes Chango,
e um dançante e apimentado corante Funk à boa moda de Cymande. Místico,
prismático, delirante e afrodisíaco, este terceiro trabalho de Rostro del
Sol é um psicotrópico banquete onde nos divertimos e saciamos os mais ousados
e exigentes desejos de requinte. Um registo verdadeiramente conquistador – de
essência cerimonial e presença monumental – que nos incendeia e prazenteia numa
sagrada devoção. Estonteante, nutritiva, inventiva e enfeitiçante, a camaleónica
e histriónica sonoridade de ‘Universo 25’ trauteia por industriosas, movediças,
portentosas e inebriantes composições que nos deixam de pupilas dilatadas,
queixos tombados e bocas salivantes. Um emaranhado novelo de instrumentos em sónica
e simbiótica debandada que se vai deslindando, organizando e desfilando sob o
nosso olhar esbugalhado, ouvidos esfaimados, espírito empolgado e dominado por uma
inapagável sensação de ardente fascinação que nos trava a respiração. Neste borbulhante,
multicolorido e fumegante caldeirão são remexidos uma maravilhosa guitarra de vistosa
e extravagante caligrafia árabe que se manifesta vaidosamente em enleantes,
magnéticos, estéticos e serpenteantes riffs de onde são desatados angulosos, virtuosos,
caleidoscópicos e ácidos solos, um hipnótico baixo que nos incita a percorrer e
sussurrar as suas pulsantes, elásticas, enfáticas e vagueantes linhas, uma
bateria circense de desembaraçadas, aparatosas, vertiginosas e alucinadas acrobacias
realizadas a fina sensibilidade jazzística, um embruxado teclado de absorventes
e harmoniosos bailados eruditos e imponentes e polposos mugidos cósmicos, um esdrúxulo
saxofone de gritos estimulantes, histéricos, burlescos e ziguezagueantes, e bailantes
congas tribais de provocantes ritmos tropicais. A distinta ilustração de
atmosfera alienígena e mutante que confere rosto a esta irretocável criação
musical é da responsabilidade da artista espanhola Elena Ibañez. São 50
minutos desassossegados de um sensacional, mirabolante e vibrante carnaval – de
poderosa absorção e constante mutação – que nos prende e surpreende a cada
audição. Um álbum tremendamente sedutor, oxigenado a criatividade sem
fronteiras e administrado por um experimentalismo sem barreiras, que pendula
entre misteriosas, brumosas e sonolentas ambiências mergulhadas em anestésica introspecção,
e transpiradas, desavergonhadas e luxuriosas galopadas de instrumentos hiperativos
que se lançam em entusiásticas e garridas correrias desenfreadas. Muito eu
esperava deste novo rasgo criativo de Rostro del Sol e tudo ele meu deu.
‘Universo 25’ é um álbum assombroso que toca a perfeição e um fortíssimo
candidato a melhor álbum de um ano de 2026 que promete vir a ser musicalmente
abastado.
Presenteio-vos com alguns códigos para download
gratuito que poderão ser usados em: www.bandcamp.com/yum
mz4g-j3wr
9ypn-gsld
3u9l-u45c
wmth-jm2w
c8zj-ygs4
su38-b7ha
swvt-wvqb
psgy-hygw
unhq-cqz4


























