quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Review: 🔥 Graveyard - 'Fever' (2026, Nuclear Blast) 🔥

★★★★★

Do alto das suas duas décadas de marcante existência, os célebres Graveyard continuam a trilhar o seu triunfante caminho discográfico ao sabor do que lhes vai na alma sem nunca perderem os seus traços idiossincráticos. Depois de um começo norteado por um enigmático, provocante e vampírico Proto-Doom de reconfortante agasalho Folk vigiado e assombrado de perto pelas formosas, sedutoras e gloriosas diabruras do Blues – como está bem presente nos seus carismáticos e consagrados álbuns ‘Graveyard’ e ‘Hisingen Blues’ – que lhes valera um meteórico salto olímpico na sua reputação, a talentosa banda sueca domiciliada na cidade costeira de Gotemburgo foi modelando e metamorfoseando a sua musicalidade sem nunca ancorá-la demoradamente num determinado estilo, e isso revestia de surpresa a atmosfera reinante de cada novo álbum por eles lançado. Foi com esse espírito aventureiro que em 2023 desembrulhara – e aqui avidamente elogiara – o seu último trabalho ‘6’ (um álbum de natureza reflexiva, passiva e sombria, abraçado por um pardo, húmido e fechado nevoeiro de forte odor marítimo sem faróis que o consigam rasgar) e agora – na ressaca de múltiplas degustações – vejo-me tomado e incendiado pela intensa ardência que deflagra e crepita no seu recém-nascido sétimo registo de longa duração intitulado ‘Fever’ e editado pela célebre companhia discográfica germânica Nuclear Blast Records. Governada por um despojado, fogoso, rochoso e musculado Hard Rock de tracção setentista, agrilhoado a um atrevido, picante, provocante e torneado Blues Rock de sedução intimista, a impetuosa, crua, nua e garbosa sonoridade de ‘Fever’ – amarelecida e envelhecida pelo espírito vintage – transpira fogosidade infernal, rugosidade e toda uma intensidade emocional que nos exorciza as tormentas. Povoado por estimulantes, incisivas, corrosivas e viciantes canções de fácil digestão – consumidas pela crocante, electrizante e abrasiva distorção do efeito fuzz – que nos inquietam e inflamam sem moderação, esta arrogante, sincera e apaixonante obra de Graveyard tem o dom de nos tomar de assalto e incendiar o coração. Deixem-se caçar pelas guitarras predatórias de chamejantes, dominantes e irresistíveis riffs que ficam retidos na ponta da nossa língua e de onde são desatados solos escorregadios, fugidios e alucinados, um baixo quente de linhas possantes, tensas e ondulantes, uma bateria dinâmica de ritmos altivos, explosivos e desembaraçados, e uma voz urticante, felina e liderante de rugidos com mélico hálito a bourbon. A fantástica ilustração que confere rosto a esta poderosa erupção de endorfinas é da inconfundível autoria do dotado e afamado ilustrador holandês Maarten Donders. Viril, magnético, febril e afrodisíaco, ‘Fever’ é um emocionante disco de total transparência sentimental, acelerado a alta rotação e que em nós provoca toda uma redentora combustão impossível de extinguir. O grito da Fénix. “Este pode tratar-se mesmo do nosso melhor álbum lançado até à data.” – preconizou a banda no momento do anúncio do mesmo. Quanto a mim, não consigo ascendê-lo ao sagrado patamar dos impossíveis ‘Graveyard’ (2008) e ‘Hisingen Blues’ (2011), mas este ‘Fever’ é, decerto, um álbum que merece todo o nosso colo, carinho e profunda admiração. Um disco que à sua imagem roça a perfeição.

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