domingo, 3 de outubro de 2010

Jack Kerouac


“Oh, uma rapariga daquelas assusta-me imenso. Eu era capaz de abandonar tudo e atirar-me aos seus pés, e se ela não me quisesse eu muito simplesmente ir-me-ia embora para me atirar do cume do mundo.”

Sal em "On the Road"

Cinzento

Estava assombrado… Aqueles olhos que em tempos foram dóceis e ternos, estavam, hoje, aterrorizados, petrificados. Dizem as pessoas da aldeia que fora persuadido a caminhar pelos negros e densos bosques adentro, e não voltara mais. “Que segredos encerram aquelas sombrias árvores?” Perguntava uma mulher aos céus. A chuva intensificou-se… O vento dançava em redor daquelas almas apavoradas pela persistente dúvida… um resplandecente trovão clarificou as suas expressões atónicas. De mãos dadas decidiram subir a montanha em direcção aos bosques. “Eles vão voltar?” Perguntou-me uma inocente criança de 6 anos de idade, ao qual eu respondi “Não sei!”

Em viagem...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Oh!

Agora que o vento acalmou, que as folhas dançantes do plátano caíram em terra e que toda a agitação vigorosa retomou ao seu estado hibernal, encontro-me junto da janela do meu quarto a observar a suave respiração da noite. Está uma noite fria lá fora… Deveria suspirar e acalmar este peso que sobrevoa os meus ombros, … mas sinto-me distante (ou melhor: ainda me sinto onde há tão pouco tempo estive).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Kyuss - Day One


Don't be sad for what will never be
Be glad you didn't have to see
This time became a part of me
And now this burning memory

The sun will break the night till dawn
And then we'll tell some tales again
And when the time has come and gone
The wind will carry on and on

domingo, 29 de agosto de 2010

Tudo

Foi tanto, foi Tudo… O que põe termo á vida das palavras? Dos olhares? Dos sorrisos? Do amor? Foi tão longo e profundo este sono que nos envolveu... Que nos embalou vida fora. Vivemos paralelamente a tudo e a todos! Foi tudo tão natural, tão apetecido, tão perfeito. Crentes no “sonho americano" construímos um presente e futuro só nosso. Éramos o que e quem realmente queríamos ser. Como algo pode parar o curso de um rio? Apagar a luz da lua? Esconder o sol?! Dedico, agora, todo o meu tempo a tentar compreender isso… não me conformo com este vazio de fundamentos. Hoje, ecoa em mim tudo o que me disseste, tudo o que me choraste, tudo o que me sorriste, tudo o que me dedicaste, Tudo! E é tanto,… é TUDO!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

These Roads don't move!


Esta estrada, chamada “vida”, está repleta de peregrinos em busca de boleia. Todos têm um destino, um objectivo… Numa manhã hibernal de muito frio, lá estavas tu, junto á estrada, de cabisbaixa, sentada numa velha mala de pele castanha. Eu parei e abri a porta. Tu olhaste-me, sorriste e entraste no carro. Não me falaste do teu destino, apenas te recostaste e adormeceste enquanto o vento dançava com os teus belos e compridos cabelos cor de pôr-do-sol. Eu seguirei rumo ao infinito. Enquanto existirem estradas que alimentem esta sede, eu continuarei a cruzá-las. Seguiste vida comigo, debaixo do sol, da lua, das estrelas… estrada fora. Se um dia quiseres sair… ficar por uma velha e inóspita aldeia junto á estrada, eu encostarei e deixar-te-ei sair. Eu pertenço a estas estradas… estradas estas, que não se movem.

Dirty Mary Crazy Larry (1974), John Hough


4/5

Cinderella Man (2005), Ron Howard


5/5

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

The Ballad of Cable Hogue (1970), Sam Peckinpah


4/5

Diário de uma assassina


Da janela de sua casa, Ela aguarda discretamente o regresso do seu esposo. Lá fora, a chuva e a forte trovoada assombram aquela fria noite de inverno. As ruas estão desertas e inóspitas. As “chamas” dos faróis de um negro Cadillac rompem aquela densa escuridão e cessam em frente á sua janela. É ele. Está de regresso a casa, para satisfação da sua amada que o observa atravessar apressadamente a rua, desprotegido da chuva, em direcção á porta de entrada. Ela solta os cortinados e apaga as luzes do interior.•

Mary Shelley, 28 anos, viúva.