quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

((O))mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm


fuckin' GONGA


Baroness muito longe da amplificação que os caracteriza


Oh, the desert scene..


* alarme para o resto da vida que falta viver *


Paradise or Oblivion [2012] de Roxanne Meadows


Homem do Bussaco @ Bruno Aleixo


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Agora que todos os nossos sonhos se cruzaram...

Os primeiros raios lançados pelo sol rasgaram aquele céu grisalho, aquela persiana semi aberta e iluminaram o teu rosto. Escorregaram ao longo das tuas curvas faciais e aprisionaram-se nos teus longos e ondulados cabelos cor de noite. As tuas pálpebras confessaram manter-se recolhidas. Respiravas suavemente, num pêndulo onírico pela infinidade da tua inconsciência. E ali estava eu, a teu lado, embebido em todo aquele encanto resplendoroso. Poderia estar milhões de anos a olhar-te que nunca me cansaria. Existiriam sempre descobertas que me perpetuariam em ti. Existiriam sempre os mais convincentes motivos para que viajássemos juntos muito para lá do horizonte da eternidade. É aí que pertencemos. É aí que habitamos. Sempre.

Adeus, Lisboa.

Lisboa ainda se esperneava nessa tímida madrugada quando decidi sair subtilmente da cama. Malas arrumadas e estantes vazias habitavam aquele quarto. Seria essa a última noite naquele quarto. Seria essa a última noite em Lisboa. Lisboa, cidade de um sonho persistentemente renovado. Cidade que recolhe velhos amores, velhas promessas, velhos planos. Cidade que recolhe visões de uma vida que nunca foi verdadeiramente minha. Cidade a quem confessei amor eterno, a quem prometi ancorar a minha vida e hastear todo um futuro. Mas a maré foi mais forte que tudo isso, e arrastou-me consigo para bem longe de Lisboa, para bem perto de ti. Abandonei secretamente a cidade e amordacei todas as manifestações nostálgicas que me tentaram deter. Já a caminho de mim mesmo, olhei uma última vez para essa cidade que ficará para sempre bem demarcada no meu peito. Para essa cidade de quem o esquecimento se recorda. O tejo abraçava o seu corpo com ternura. O sol afunilava ao longo das mais recônditas ruas que definham o seu corpo e as gaivotas acordavam os pescadores. E eu, de maxilares cerrados, tentava concentrar-me no firmamento da minha nova estrada. Existem livros que merecem resignar-se à condição de que não serão terminados, e há outros que merecem ser iniciados, desenvolvidos e terminados com a mais convicta tinta que corre nas nossas vidas. Agora sim, estava a caminho de mim mesmo. Estava a caminho de ti. 

Adeus, Lisboa. Adeus.