domingo, 9 de outubro de 2016

Review: ⚡ The Judge - 'The Judge' (2016) ⚡

Da cidade de St. Louis (Missouri, EUA) chega-nos o primeiro álbum do quarteto norte-americano The Judge. Fundamentada num robusto, obscuro e poderoso Hard Rock talhado nos dourados 70’s e fascinantemente adornada e conduzida por um elegante, delirante e sedutor Heavy Blues, a sonoridade de ‘The Judge’ representa a admirável consonância entre o peso e a leveza, a rudeza e a ternura, a conturbação e a serenidade. Lançado no dia 22 de Julho nos formatos físicos de CD e vinil pela mão do selo californiano Ripple Music, este ‘The Judge’ é um álbum para ser absorvido detidamente à sombra da penumbra. A sua luciférica e inquisidora musculosidade – de feições Sabbath’icas – é dominada e guiada por uma atmosfera etérea e encantadora que nos mantém envoltos numa agradável hipnose. A portentosa guitarra envaidece-se em riffs dançantes, monolíticos e intrigantes que desaguam em inflamantes, desgovernados e alucinantes solos capazes de nos abastecer de uma intensa adrenalina. O baixo soberano de bafo possante, denso e tenebroso adensa-se numa tirânica avalanche que sombreia toda a ambiência de ‘The Judge’. A bateria emocionante e extravagante – de intensas e atraentes acrobacias – esporeia toda esta ritmada cavalgada, enquanto que uma voz frígida, límpida e sedosa se galanteia com vistosa e espantosa lubricidade. Este é um disco de natureza imensamente enigmática à qual nenhum comum mortal conseguirá permanecer indiferente. Juntem-se a este narcotizante e nebuloso ritual e testemunhem a sagrada eclosão da alma pelos despovoados e invernosos trilhos do obscurantismo. Um dos melhores discos de 2016 está aqui.

© Dale TerBush

Rock N' Roll Celebration!

Led Zeppelin

Ozzy Osbourne @ Don Kirshner’s Rock Concert (Santa Monica, 1975)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Radio Moscow - "Broke Down" (live, 2013)

💥Earthless💥

🎧 Space Slavery - 'Space Slavery' (2016)

The Common People - "I Have Been Alone" (1969)

Review: ⚡ Stone Witches - 'Vision Fissure' (2016) ⚡

É ainda a desanuviar da intensa e nebulosa ressaca provocada pela detida exposição ao álbum de estreia do power-trio australiano Stone Witches que vos escrevo estas palavras. ‘Vision Fissure’ vem saturado de um ensolarado Psych Rock de ares contemplativos e veraneios aliado a um distorcido e erosivo Garage Rock resgatado dos lisérgicos 60’s. A mágica e radiosa atmosfera deste álbum remete-nos para o verão californiano de pés mergulhados nas douradas e quentes areias, cabelos serpenteados pela revitalizante brisa marítima, prancha de surf debaixo do braço e olhar içado pelo oceano adentro. Uma fascinante, mélica e embriagante hipnose que nos adorna e bronzeia com constância do primeiro ao último tema. Dissolvam-se neste prazeroso caleidoscópio ao som de uma guitarra etérea e narcotizante que se espreguiça em deslumbrantes e muito agradáveis riffs, um baixo meditativo de pausados, densos e possantes murmúrios, uma estimulante bateria de passada tanto serena quanto enfurecida e uma voz distante e ecoante que sobrevoa todo este sonho acordado. ‘Vision Fissure’ é morfina via auditiva. Um poderoso sedativo que nos abranda o batimento cardíaco, sela as pálpebras, tomba o rosto sobre o peito e na nossa alma instaura uma perfeita e inamovível sensação de bem-estar. Depois de comungado detidamente este álbum não é nada fácil dissipar toda a anestesia que nos plenifica e domina, e vestir novamente a lucidez. Stone Witches tem o dom de nos paralisar, encantar e massajar a circulação da consciência distendendo-a para os sagrados domínios da almejada ataraxia. Deixem-se desmaiar e afundar nas profundezas oníricas de ‘Vision Fissure’ e vivenciar um pleno estádio de transe. Este é um álbum incontornável a todos os astronautas espirituais e um poderoso contributo ao já bíblico ano musical de 2016.

Pink Floyd: 'Live at Pompeii' foi há 45 anos.

⚡️ Black Sabbath ⚡️

domingo, 2 de outubro de 2016

Lowrider - "Upon the Dune" (1999)

Review: ⚡ Mothers of the Land - 'Temple Without Walls' (2016) ⚡

Da capital austríaca chega-nos o formoso e requintado álbum de estreia do quarteto Mothers of the Land apelidado de ‘Temple Without Walls’. Fundamentado num musculado, torneado e elegante Hard Rock oleado e temperado por um deslumbrante, aprazível e delirante Heavy Psych, este disco de fragância setentista transpira uma hipnotizante sensualidade que depressa nos assalta e conquista. Lançado esta primavera nos formatos físicos de CD e cassete, ‘Temple Without Walls’ é – sem qualquer dúvida – um dos álbuns mais agradáveis e memoráveis de 2016. A robustez caminha de mãos dadas com a delicadeza criando uma atmosfera intensamente etérea que nos envolve e encanta do primeiro ao último tema. É verdadeiramente extasiante deixarmo-nos conduzir à boleia de duas guitarras indomáveis e serpenteantes que se transcendem voluptuosamente em majestosos riffs e vertiginosos solos capazes de nos incendiar de euforia. Um baixo pulsante e reverberante de linhas densas, vigorosas, dançantes e imponentes que nos fazem murmurá-lo instintivamente, e ainda uma emocionante bateria de refinadas e fascinantes acrobacias que se liberta numa admirável, poderosa e estonteante cavalgada. ‘Temple Without Walls’ é um álbum verdadeiramente magnífico e estarrecedor que merece ser degustado com total entrega e consequentemente reverenciado sem qualquer inibição. São 45 minutos de sublime primor convertido em estado musical. Uma perfeita caravana movida a lubricidade que nos deixa de pálpebras recolhidas, cabeça desassossegada num pendor de ombro a ombro e ouvidos em constante salivação. Inebriem-se na mélica, adorável e excitante sonoridade de Mothers of the Land que vos passeará a alma pelos domínios mais paradisíacos e erógenos da espiritualidade.