quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Review: ⚡ Orangotango - ‘Sumatra’ (2018) ⚡

O muito promissor power-trio português Orangotango acaba de lançar no formato físico de CD o seu tão ansiado álbum de estreia ‘Sumatra’ e consequentemente estimular a subida do Produto Interno Bruto (PIB) nesta ponta final do ano. Natural do concelho de Valongo (Porto) esta jovem formação de essência instrumental explora de forma aventureira e audaciosa os territórios de um meditativo, cósmico, místico e lenitivo Psych Rock que se amplifica, fervilha, obscurece e tonifica num ardente, dinâmico e provocante Stoner Rock de bafagem Doom’esca capaz de nos contagiar, agredir e inebriar com a sua poderosa exuberância. A exótica, entusiástica e fibrótica sonoridade de ‘Sumatra’ – temperada pelo clima tropical – remete-nos para um alucinante safari que desbrava toda uma selva inexplorada pelo homem. São 30 minutos que nos bronzeiam e afogueiam num intenso estádio de efervescência. Sintam toda a excitante ardência ressoada pelos Orangotango ao conjugado som de uma vulcânica guitarra que se robustece, aviva e estremece em calorosos, ritmados e vigorosos riffs, e se nebuliza, transcende e eteriza em deslumbrantes, ácidos e atordoantes solos empoeirados e afagados pelas estrelas, um possante baixo de linhas conduzidas a impetuosidade, vigor, primor e expressividade, e uma explosiva e portentosa bateria movida a extravagantes, arrojadas, talentosas e incisivas acrobacias. São estes os três ingredientes que em alegre consonância fazem de ‘Sumatra’ uma abrasadora, picante e sedutora iguaria. De destacar ainda pela positiva o fabuloso artwork de créditos devidamente apontados ao Deletra Creative Studio superiormente pensado, desenhado e tingido com base numa indiscreta inspiração tribal que casa na perfeição com a natureza sonora que este registo encerra. Estamos indubitavelmente na presença de uma das mais exaltáveis surpresas sonoras de origem lusa que promete euforizar, revolver e rufar todos os corações que nele ousarem ingressar. Aventurem-se nele.

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📀 Haunt - 'If Icarus Could Fly' (17-05-2019)

❓ Earthless // Genres and where Earthless fits

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

✝ Black Sabbath // Sabbath Bloody Sabbath tour (1974)

Review: ⚡ Birnam Wood - ‘Wicked Worlds’ (2018) ⚡

Da grande e populosa cidade norte-americana de Boston (pertencente ao estado de Massachusetts, EUA) chega-nos ‘Wicked Worlds’, o estrondoso novo álbum do prepotente quarteto Birnam Wood. Oficialmente lançado no passado dia 19 de Novembro tanto em formato digital (com a sempre louvável possibilidade de download gratuito) como em formato físico de CD, este quarto registo da banda escuda-se num nebuloso, obscuro, pesado e assombroso Stoner Doom de exalação psicotrópica devidamente diluído num altivo, musculado, torneado e combativo Heavy Rock locomovido a alta rotação. A sua sonoridade deveras intrigante, enérgica e impactante conjuga na perfeição a explosividade, o peso, a ardência e a velocidade numa provocante execução que nos atesta e infesta de adrenalina. É à catalisadora boleia de um pêndulo que tanto nos sepulta num fumarento, narcotizante e sonolento estádio mental, como nos cospe violentamente na vertiginosa direcção da redentora euforia, que este tirânico ‘Wicked Worlds’ se ostenta e define aos ouvidos de quem nele ancorar a sua atenção. Agarrem firmemente as rédeas desta alucinante galopada que vos esporeia, revolve e afogueia sem a mais pequena moderação. Sintam o fogoso, ácido e espinhoso trago de Birnam Wood na configuração de duas guitarras Sabbath’icas que se consolidam e amuralham no hastear de riffs tenebrosos, luciféricos, dominantes e majestosos, e se desprendem na admirável libertação de intoxicantes, luminosos, luxuosos e atordoantes solos, um opulento baixo de linhas pujantes, sísmicas, tensas e reverberantes, uma bateria impulsiva, turbulenta e incisiva de clara propensão ofensiva, e ainda uma voz furiosa, áspera, espectral e tumultuosa que capitaneia toda esta decrépita embarcação pelos lutuosos e brumosos oceanos da distopia. De enaltecer ainda o principesco e refinado artwork de vestes góticas – superiormente arquitectado e ilustrado pelo artista gráfico Cryptworm – que maquilha com capricho e precisão esta profana liturgia. ‘Wicked Worlds’ é um vultoso álbum de natureza conturbada que nos envolve, agita e absorve na sua carregada, turva e enfeitiçada obscuridade. Deixem-se hipnotizar, petrificar e atemorizar pela demoníaca radiação desta nova poção mágica confecionada pelos Birnam Wood e enfrentem como puderem toda a potência transpirada por um dos álbuns mais místicos e ritualísticos de 2018.

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Mike Eginton // Earthless

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

❄️ Arctic - "Over Smoked" (live)

ORB (Melbourne, 2018)

Review: ⚡ Son Cesano - ‘Submerge’ (2018) ⚡

Do centro da Suíça (mais concretamente de Schwytz) chega-nos uma das mais agradáveis surpresas musicais do ano. Refiro-me ao maravilhoso álbum de estreia ‘Submerge’ do jovem quarteto Son Cesano. Oficialmente lançado no início do presente mês de Dezembro sob a forma física de CD e vinil (ambos reduzidos a uma prensagem ultra-limitada a 500 e 250 cópias existentes) numa edição autoral, este muito promissor primeiro trabalho da banda helvética fundamenta-se num gracioso, edénico, deslumbrante e majestoso Psych Rock de clima veraneio que se enfatiza, desenvolve e revolve num vigoroso, enérgico, sidérico e poderoso Heavy Psych de aragem estelar. Tal como o seu título sugere, ‘Submerge’ tem o dom de nos mergulhar num ataráxico estádio mental onde a nossa alma se bronzeia, eteriza e deleita do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade de propensão cinematográfica – tricotada a delicadeza, emoção, devoção e beleza – viaja-nos ao longo de uma admirável narrativa sensorial e espiritual de onde é impossível – e tampouco desejado – escapar. São cerca de 52 minutos envolvidos, nutridos e aureolados por uma sublimidade embriagante que nos namora e levita aos sagrados domínios do transe. Deixem-se embevecer de prazer ao fascinante som de duas guitarras viajantes que dialogam em atraentes, esplêndidos e desarmantes acordes, e em solos verdadeiramente sonhadores, magistrais e arrebatadores, um hipnótico baixo de reverberante ondulação que se propaga com base em linhas desenhadas a robustez, sensualidade e fluidez, e uma bateria diligente que tiquetaqueia com sentimento, desembaraço e ardência toda esta magnânima ode epicurista. ‘Submerge’ é um álbum imensamente apaixonante que nos tomba as pálpebras, pacifica, eteriza e glorifica a espiritualidade. Um irresistível disco regado a capricho, harmonia e misticismo que certamente tocará a alma de quem nele se refugiar. Son Cesano podem muito bem orgulhar-se deste seu espantoso registo de estreia que me deixara não só a salivar, como a desesperar por um novo álbum que dê continuidade à espirituosa e caprichosa odisseia que ‘Submerge’ encerra. Um disco para escutar de forma detida e consequentemente divagar de forma descomprometida pelas profundezas do Cosmos interior.

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★ Duane Allman | Allman Brothers Band

Pink Floyd '71

📸 Bernard Allemane

🎙 Khruangbin - "Como Me Quieres" (@ KCRW)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Review: ⚡ Domkraft - ‘Flood’ (2018) ⚡

O pujante power-trio de origem nórdica Domkraft está de regresso com o lançamento do seu novo álbum designado de ‘Flood’. Oficialmente lançado no passado mês de outubro pela mão do selo discográfico norte-americano Blues Funeral Recordings sob a forma física de CD e vinil, este terceiro trabalho de longa duração da formação sueca (sediada na cidade-capital de Estocolmo) presenteia e incendeia todos os seus discípulos com uma estrondosa, monolítica e portentosa descarga de um reverberante, astral, intenso e possante Psych Doom em adorável parceria com um lodacento, fervilhante, ácido e temulento Sludge Metal. A sua sonoridade provocante, vigorosa, ostentosa e atordoante – fervida e consumida pelo efeito fuzz – amortalha-nos num psicotrópico negrume estelar e faz-nos pendular entre a redentora euforia e a doce letargia. E é esta constante transição entre dois estádios mentais tão contrastados que faz de ‘Flood’ um álbum de natureza intrigante, complexa e impactante. Sintam-se arremessar violentamente na vertiginosa direcção dos astros à alucinante e magnetizante boleia de uma guitarra que se enegrece na elevação de majestosos, densos, obscuros e poderosos riffs e se enlouquece na dispersão de delirantes, exóticos, psicotrópicos e trepidantes solos, um baixo fibrótico e bafejante de linhas pulsantes, massivas, tensas e hipnotizantes, uma bateria explosiva de clara propensão ofensiva, e uma voz gutural, colérica, evangélica e espectral que ecoa pela negra vastidão cósmica de Domkraft. São cerca de 42 minutos atestados de uma sísmica intensidade que nos estremece, endoidece e atira para fora da órbita consciencial. ‘Flood’ é um álbum messiânico que nos eteriza e canaliza de encontro às entranhas do espaço sideral. Deixem-se absorver por este forte vórtice e embarcar numa profunda hipnose capaz de nos exorcizar a alma e a dispersar pelas fronteiras da infinidade celestial. Obedeçam à tirania do riff e testemunhem um dos discos mais perturbadores de 2018