quinta-feira, 7 de novembro de 2019

May Blitz - 'May Blitz' (Vertigo, 1970)

✨ Ritchie Blackmore, 1970

🦅 Willie Nelson, 1993

Review: ⚡ KARKARA - ‘Crystal Gazer’ (2019) ⚡

Da cidade francesa de Toulose chega-nos o exótico álbum de estreia do tridente KARKARA. Oficialmente lançado no final do passado mês de Outubro sob a forma física de CD (através do selo discográfico inglês Stolen Body Records), vinil (numa edição padronizada, disponibilizada pela Stolen Body Records, e ainda noutra de edição autoral, personalizada e limitada a uma prensagem de apenas 100 cópias disponíveis) e cassete (pelo modesto selo francês Ghost Lizard Diffusion – unicamente especializado neste formato – e ultra-limitada a 30 cópias existentes), este ‘Crystal Gazer’ vem ungido e purificado por um hipnótico, obscuro, letárgico e psicotrópico Krautrock que nos desancora da gravidade consciencial para nos verter e desmaiar no frio, negro e solitário manto astral, e tingido e ritmado pela fervilhante fusão de um tribalístico, carnavalesco, burlesco e ritualístico Psych Rock & Surf Rock extravagantemente trajados por um profundo misticismo oriental que nos domina, fascina e obriga a dançá-lo de forma detida e apaixonada. A sua sonoridade de textura e formosura étnica traz-nos os perfumados, quentes e inebriados ares da velha e mítica Pérsia, empoeirando e embaciando a percepção da nossa lucidez com uma intensa e deslumbrante sensualidade, e incitando todos os nossos membros corporais a serpenteá-la da mesma forma que uma serpente Naja dameja os magnetizantes bailados da flauta indiana. Na composição deste terapêutico e ataráxico elixir – capaz de despertar e aflorar o que de mais íntimo e prazeroso se esconde nas labirínticas profundezas da nossa espiritualidade – está uma guitarra afrodisíaca que se manifesta em ondulantes, eróticos, vaidosos e dançantes riffs fervidos e corroídos em efeito Fuzz, e se extravia e enlouquece em alucinantes, distorcidos, electrizantes e atordoantes solos de elevada toxicidade, um baixo magnético de reverberação empolada, ziguezagueante, bailante e fibrada, uma bateria tribal a trote de uma ritmicidade constante mas empolgante, um delirado sintetizador de frequência cósmica, um enigmático didgeridoo de idioma e difusão alienígena, e ainda uma voz messiânica que lidera toda esta sagrada peregrinação pelas sedosas e bronzeadas dunas do deserto árabe. O artwork – soberbamente detalhado, colorido e aureolado por uma ambiência indígena – é da autoria da Dead Flag Studios que traduzira com desarmante precisão para o universo visual tudo o que a musicalidade de ‘Crystal Gazer’ edifica no imaginário do ouvinte. Este é um álbum de natureza singular que me maravilhara do primeiro ao derradeiro tema. São 42 minutos de uma arrebatadora cerimónia tribalista que nos faz elevar as mãos na direcção das estrelas e embater repetidamente os pés despidos no verdejante solo de uma selva entregue a si mesma. Deixem-se contagiar e converter pela exótica sublimidade de KARKARA e testemunhar na primeira pessoa toda a acalorada erupção de um dos álbuns mais incomuns de 2019.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

🍁 David Gilmour

🥁 Keith Moon // The Who

🔥 Deep Purple - "Into the Fire" (1970)

🍕 Cardiel - "Tabla" @ Sesiones Pizzatánicas (2018)

Review: ⚡ Pseudo Mind Hive - ‘Of Seers and Sirens’ (2019) ⚡

Um ano depois de lançado (e aqui elogiado) o fantástico álbum de estreia ‘From Elsewhere’ dos australianos Pseudo Mind Hive, eis que este jovem quinteto sediado na carismática cidade de Melbourne regressa agora com a apresentação do seu segundo trabalho de longa duração, denominado ‘Of Seers and Sirens’ e disponibilizado tanto em formato digital através da sua página de Bandcamp oficial como sob a forma física de vinil pela mão do selo discográfico local Salty Dog Records. Fundamentado num pardacento, intrigante, intoxicante e lodacento Heavy Psych que se deixa envolver e cortejar por um imponente, sideral, cerimonial e magnetizante Heavy Prog de opulenta vocação setentista, este portentoso ‘Of Seers and Sirens’ conjuga na perfeição contemplativas, embriagadas e lenitivas passagens de melódico deslumbramento com hipnotizantes, sísmicas e arrepiantes ressonâncias saturadas por uma vulcânica, intensa e titânica efervescência. A sua sonoridade enigmática, morfínica, obscura e sorumbática hasteia, delineia e pincela no imaginário do ouvinte toda uma bucólica e esbatida paisagem de um Outono crepuscular oxigenado a agradável melancolia. Conseguem imaginar o lisérgico psicadelismo dos seus compatriotas Holy Serpent combinado com a ácida destilação transudada pelos britânicos Uncle Acid & the Deadbeats e a esotérica liturgia superiormente celebrada pelos suecos Salem’s Pot? Então alcançaram os psicotrópicos, esfíngicos e lamacentos domínios de Pseudo Mind Hive. Das flamejantes, epopeicas, monolíticas e galopantes avalanches que nos despertam e dominam, até às sublimadas, maravilhosas e relaxadas atmosferas que nos paralisam e enfeitiçam, somos influenciados por duas guitarras trajadas a soberania que se agigantam em vultosos, mântricos e poderosos riffs e se eterizam em inspirados, vertiginosos e delirados solos, um mágico sintetizador, criador de uma encantadora ambiência alienígena que se adensa por todo o álbum, um místico teclado de dominantes, faustosos, imperiosos e majestosos bailados, um baixo ensombrado, de reverberação murmurada e canalizada em linhas sinuosas, hipnóticas e vigorosas, uma retumbante bateria de ritmicidade rumorosa, cintilante, inflamante e revoltosa, e ainda uma voz avinagrada, cristalina, acidificada e diabrina que sobrevoa e entoa pelos corados e desmaiados céus de ‘Of Seers and Sirens’. De estender ainda a adulação ao magnífico artwork de contornos mitológicos que fora brilhantemente concebido pelo já conceituado ilustrador germânico Max Loeffler. Este novo registo de Pseudo Mind Hive possui o raro dom de desafiar a nossa compreensão e em nós fundar uma nova religião. Juntem-se a este cativante ritual de incontida adoração ocultista e sintam-se empoderar pelos brumosos, misteriosos e irresistíveis desígnios de ‘Of Seers and Sirens’.

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