sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

🐎 Horse - 'Horse' (1970)

🐍 Poison Ivy // The Cramps

☕️ Jerusalem - 'Jerusalem' (1972)

Review: ⚡ Madmess - 'Rebirth' (2021) ⚡

★★★★★

Na primavera de 2019 testemunhava e descrevia a sónica colisão de um asteroide de grandes dimensões e chamado ‘Madmess’ com o planeta Terra (fenómeno aqui transposto para a escrita), e hoje – ainda impregnado num estado de transbordante fascinação e febril torpor – vejo-me forçado a desdobrar elogiosas e apaixonadas palavras sobre o novíssimo álbum deste electrizante power-trio português que acaba de me proporcionar uma das mais prazerosas, longínquas e aventurosas evasões conscienciais de que tenho memória. Intitulado ‘Rebirth’ e devidamente carimbado com o selo da companhia discográfica londrina Hassle Records nos formatos digital, CD e vinil, este segundo e portentoso trabalho de Madmess – formação que alterna a sua morada de residência entre as cidades de Porto e Londres – vem incensado por um intoxicante, cinematográfico, imersivo e viajante Heavy Psych com vista para as estrelas, de mãos dadas com um labiríntico, sinuoso, glorioso e místico Heavy Prog de nutridas composições. A sua sonoridade desmedidamente deslumbrante, alucinógena e purificante – que pendula entre uma orvalhada, reflexiva e enregelada letargia, e uma vulcânica, vibrante e selvática euforia – rasga as amarras da gravidade terrestre e – montado num luminoso cometa que perfura o negro tecido cósmico – embala o ouvinte numa enlouquecedora vertigem, driblando o magnetismo de planetas solitários, empoeirando a alma nas fantasmagóricas nebulosas que deambulam pela imensa vacuidade, mergulhando no ofuscante brilho de abrasivas fornalhas estelares, e resvalando nas costuras fronteiriças de um Universo bocejante. Toda uma fantástica odisseia tridimensional – de libertação sensorial e consagração espiritual – que nos exulta e catapulta à delirante boleia de uma guitarra messiânica – gaseificada a crepitante distorção – que se robustece na majestosa ascensão de mastodônticos, incandescentes, fumegantes e ciclónicos Riffs, e endoidece numa efervescente inundação de solos ziguezagueantes, ácidos, venenosos e atordoantes, um possante baixo de ventosa reverberação canalizada em linhas ondeantes, espessas, escuras e hipnotizantes, uma impetuosa bateria de explosividade superiormente domesticada a um toque rutilante, acrobático, enfático e retumbante, e vocais muito esporádicos – de pele sideral, lustrosa e espectral – que apenas inflamam o derradeiro tema desta irretocável obra-prima do psicadelismo actual. O seráfico artwork que confere rosto a esta xamânica monção de aromas psicotrópicos aponta os seus créditos autorais à talentosa ilustradora/tatuadora portuguesa Lory Cervi, e vem recordar que somos seres espirituais a vivenciar uma experiência humana ao invés de seres humanos a vivenciar uma experiência espiritual. São cerca de 45 minutos naufragados e centrifugados num colorido, arrebatado e caleidoscópico rebuliço capaz de nos distorcer a sóbria percepção do espaço-tempo. Um registo verdadeiramente afrodisíaco que percorre e entope as zonas mais erógenas do nosso cérebro. Vai ser demasiado fácil enquadrar estas quiméricas jams de sublimes roteiros intergalácticos por entre os mais medalhados álbuns florescidos neste jardim musical de 2021.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

🔥 Ritchie Blackmore // Deep Purple

🎁 Carmine Appice // Vanilla Fudge & Cactus (15/12/1946)

🚇 Jimi Hendrix - Hear My Train a Comin' (1967)

Review: ⚡ Solarius - 'Universal Trial' EP (2021) ⚡

★★★★★

A infatigável companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds acaba de exumar e revelar uma verdadeira relíquia sonora que estivera perdida nos abismos do esquecimento durante longos quinze anos. Gravado de forma inteiramente analógica no já remoto ano de 2006 dentro dos estúdios Don Pierre – situados na cidade de Gotemburgo – e produzido pelo renomado Don Alsterberg (responsável pela orientação de consagradas bandas suecas como Graveyard, Blues Pills, Horisont e Junip), o renascido ‘Universal Trial’ representa o EP de estreia da então jovem e desconhecida banda sueca Solarius, liderada pelo virtuoso guitarrista/vocalista Jonatan Ramm que, logo após a conclusão deste pequeno registo, acabaria por ingressar nos recém-formados Graveyard e – como consequência disso – desmantelar este quarteto tão promissor. Contando com pouco mais de uns ingratos 20 minutos de duração – compartimentados em apenas quatro temas que se complementam na perfeição – este belíssimo EP de Solarius desprende toda uma adorável fragância vintage de onde facilmente se reconhece, apalada e saboreia um encorpado, cativante, chamejante e oleado Hard Rock simbioticamente entrelaçado num majestoso, requintado, serpenteado e libidinoso Heavy Blues. A sua sonoridade de vigor, tonalidade e primor setentistas – que espelha influências extraídas de clássicas referências como Led Zeppelin, Leaf Hound, May Blitz e Captain Beyond, e é detentora de um forte vínculo genético a bandas da contemporaneidade nórdica como os próprios Graveyard, Brutus, Blues Pills, Horisont e Siena Root – baloiça-se de forma harmoniosa entre reconfortantes, deslumbrantes e melífluas baladas que nos fazem salivar os ouvidos, e portentosas, sinuosas e empolgantes galopadas que nos fazem vibrar os membros e sentidos. Na composição deste poderoso afrodisíaco de curta durabilidade, mas irretocável sagacidade e transbordante veneração, envaidece-se uma guitarra luxuosa de provocantes, aprumados, inflamantes e lubrificados Riffs contaminados pelo arenoso efeito Fuzz, e solos electrizantes, orgiásticos, bombásticos e euforizantes, murmura um baixo irresistivelmente groovy de reverberação motorizada a linhas protuberantes, elásticas, magnéticas e palpitantes, uma inaudita bateria de ritmicidade apimentada, sofisticada, vivaz e expedita, um carismático órgão de mugidos polposos, empinados, opulentos e melodiosos, e duas vozes reinantes, proféticas e contrastantes – uma áspera e cáustica de rugidos felinos, e a outra sóbria e polida de vestes aristocráticas – que ora alternam o seu protagonismo, ora se auxiliam num formidável coro vocal. ‘Universal Trial’ é um EP confecionado à minha imagem. Um registo glamoroso que residira demasiado tempo na penumbrosa solidão e que agora vê todos os holofotes para si apontados. Ofusquem-se no seu brilho diamantino e satisfaçam o vosso desejo de requinte.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

☀️ Zack Oakley - "Freedom Rock" (2021, Kommune Records)

🦂 Scorpions (live, 1977)

🦉 PJ Harvey @ From the Basement

🗿 Moura - 'Moura' (2020, Spinda Records)

🤠 Dickey Betts // Allman Brothers Band

📸 Joe Sia

🎁 Ted Nugent (13/12/1948)

🥁 Nick Mason // Pink Floyd (France, 1972)

📸 Jean-Claude Deutsch

Review: ⚡ Hypnotic Floor - 'Odd Conjectures' (2021) ⚡

★★★★☆

No início de 2020 escrevia aqui apaixonadas palavras acerca do apetitoso álbum de estreia dos austríacos Hypnotic Floor – intitulado ‘Foggy Bog Eyes’ – e hoje sinto-me impelido a replicar o elogio ao seu muito aguardado sucessor ‘Odd Conjectures’, acabado de ser lançado sob a alçada do influente selo discográfico local StoneFree Records nos formatos digital, CD e vinil. Sobrevoado por um odoroso, relaxante, deslumbrante e ensolarado Psychedelic Rock de beleza West Coast, tiquetaqueado por um absorvente, imersivo, contemplativo e eloquente Krautrock de aroma oriental, e apimentado por um efervescente, movediço, vulcânico e contagiante Garage Rock de satélites apontados a referências australianas como King Gizzard & the Lizard Wizard, The Murlocs e ORB, este camaleónico, divertido e caramelizado ‘Odd Conjectures’ balanceia-se entre etéreas passagens de profética sublimidade e eufóricas pirotecnias de enérgica fogosidade. A sua sonoridade imensamente vaporosa, charmosa e excitante – condimentada a climas distintos e desdobrada a ritmos desiguais – mantém-nos a ela atrelados, bem como reféns de um inapagável estádio de rutilante encantamento, do primeiro ao derradeiro tema. Mergulhados nas profundezas da doce fascinação, somos seduzidos e dançados por duas primorosas guitarras de tintura e textura psicadélicas que se entrançam na rendilhada edificação de amarelecidos, obcecantes, serpenteantes e aprumados Riffs – encrostados pelo crocante efeito Fuzz – e destrançam na vistosa caligrafia de solos venenosos, arábicos, seráficos e desorientadores, um baixo bamboleante de linhas magnetizantes, bulbosas, fibrosas e saltitantes, uma elegante bateria de pendor jazzístico que se envolve e revolve em cadências expressivas, tribais, desembaraçadas e criativas, e uma voz timoneira de pele acidificada, robotizada, espectral e aristocrática, ocasionalmente sombreada de perto por um celestial coro vocal que se estende aos restantes membros da banda. Este é um álbum desaforado, atraente e bem-humorado, aspergido por uma melódica frescura e remexido por uma cósmica fervura, que não deixará ninguém recostado à indiferença. Nunca a fria letargia e a escaldante euforia se confundiram tanto como em ‘Odd Conjectures’. Permitam-se cortejar pela buliçosa graciosidade de Hypnotic Floor, e embarquem neste extravagante, temulento e extasiante carnaval de plena satisfação sensorial.

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 StoneFree Records

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

♟ Stevie Nicks // Fleetwood Mac

🎁 J Mascis // Dinosaur Jr. (10/12/1965)

⛽️ The Doors

Review: ⚡ Glowing Brain - 'Brain Dust' (2021) ⚡

★★★★☆

Com o epicentro localizado na cidade de Oakland (Califórnia, EUA) chegam-nos as ondas sísmicas do radical power-trio Glowing Brain que acabara de desabrochar e dinamitar o seu muito aguardado álbum de estreia. Denominado ‘Brain Dust’ e oficialmente lançado hoje mesmo pela mão do selo discográfico The Ghost Is Clear Records sob as formas digital e vinil, este seu primeiro registo de longa duração presenteia e inflama o ouvinte com uma efervescente combustão de pura adrenalina. Munido de um enérgico, vibrante, possante e frenético Heavy Rock de revoltosa atitude Punk e um electrizante, fogoso, rumoroso e alucinante Thrash Metal de destravado galope Hardcore, este borbulhante, vulcânico e fumegante ‘Brain Dust’ combina a impetuosidade de Motörhead, a ferocidade de High on Fire e a ardência de Kylesa num brutal explosivo de ingestão imprópria para cardíacos. São dez temas de pavio curto, mas de uma devastadora potência sem escape possível, que nos pontapeiam, esmurram e afogueiam num selvático motim centrifugado a enlouquecedora intensidade. Com o mercúrio a cabecear os píncaros dos termómetros, sem fôlego e corações acelerados, somos embalados, engolidos e trucidados na febril vertigem valvulada à sónica boleia de uma guitarra voraz – escaldada em chamejante distorção – que dispara estonteantes, combativos, incisivos e fulminantes Riffs de onde redemoinham solos ácidos, ziguezagueantes, esvoaçantes e delirados, um baixo viril de linhas quentes, pesadas, empoladas e potentes, uma incansável bateria metralhada a alta rotação e escoiçada a tonitruante comoção, e uma voz bélica – gritada a sangrenta e acintosa rugosidade – que apimenta e estimula todo este fogo impossível de extinguir. Um implacável rolo compressor que não deixará ninguém ileso. O artwork que representa a evasão consciencial – sarapintado a psicadélica coloração – pela incomensurável vastidão espacial aponta os seus créditos de autor ao ilustrador Clint Baechle / Boca de Fuma Studio. Regressem deste fervoroso ‘Brain Dust’ esgotados, combalidos e derrotados, com os punhos ensanguentados, sobrolhos abertos e maxilares deslocados.

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 The Ghost Is Clear Records