domingo, 13 de novembro de 2022
sábado, 12 de novembro de 2022
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
Review: 🍄 The Wild Century - 'Organic' (2022) 🍄
Depois de no
passado ano ter sido intensamente ofuscado pelo álbum ‘5’ (aqui
copiosamente elogiado), o fabuloso quinteto holandês The Wild Century –
domiciliado na cidade de Breda – descortina agora o seu novo álbum ‘Organic’,
lançado pela companhia discográfica alemã Tonzonen Records através dos
formatos LP, CD e digital. Embrulhado num imersivo, lisérgico, caleidoscópico e
explorativo Psychedelic Rock de efervescência Jimi Hendrix’eana
e vibrante, deslumbrante e festiva coloração sessentista, num elegante, swingado,
perfumado e inebriante Blues-Rock de estética The Doors’eana,
e num irreverente, apimentado, ritmado e fervente Garage-Rock sintonizado
na mesma frequência de The Stooges, o terceiro álbum destes hippies
da era moderna envolve, contagia e revolve o ouvinte num ácido e alucinógeno revivalismo
trazido dos psicadélicos anos 60, adulterado por um corante de sofisticada
contemporaneidade. Dissolvidos nas profundezas deste LSD sonoro e
centrifugados numa febril hipnose em forma de repetitiva espiral, ‘Organic’
tem a capacidade de nos desfocar a lucidez e atestar de uma etérea embriaguez. São
38 minutos saturados de um mântrico encantamento que nos enevoa, embevece e
atordoa. Embarquem nesta multicolorida, palpável, tântrica e inescapável narcose
climatizada por uma guitarra druídica que se meneia em sumarentos, narcóticos,
prismáticos e obcecantes riffs de onde esvoaçam penetrantes,
escorregadios, fugidios e alucinantes solos de intoxicante acidez, um baixo
polposo de ondulantes, fluídas, flexíveis e magnetizantes linhas desenhadas a
negrito, uma expressiva bateria escoiceada a dinâmica, fogosa, aparatosa e
criativa ritmicidade, um harmonioso teclado de intrigantes, esponjosos, aquosos
e refrescantes mugidos, uma mágica cítara de fragância oriental e afago mental,
e vocais deleitosos de feições tanto educadas e melosas quanto gritadas e
espalhafatosas. ‘Organic’ vive por entre sedadas, seráficas e sublimadas
baladas de radiância crepuscular, que se vão desenvolvendo e remexendo até alcançar
um clímax verdadeiramente nirvânico, e chamejantes, deliradas e empolgantes correrias
de transbordante euforia que nos dilatam as pupilas, aumentam a tensão arterial
e dispersam os sentidos. Don’t panic, it’s organic.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Tonzonen Records
terça-feira, 8 de novembro de 2022
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Review: ⛵️ Son Cesano - 'Emerge' (2022) ⛵️
No final de
2018 submergia pela primeira vez nas profundezas do universo onírico dos suíços
Son Cesano, a propósito do lançamento do seu impactante álbum de estreia
‘Submerge’ (crónica aqui), e hoje levito aos mais longínquos e recônditos
lugares do Cosmos à boleia do seu novíssimo e belíssimo álbum ‘Emerge’, recém-nascido
e editado de forma autoral nos formatos LP, CD e digital. Este segundo trabalho
de longa duração do encantador quarteto helvético conserva uma beleza contemplativa,
de brilho diamantino, que nos veleja e corteja pelos inacabáveis,
imperturbáveis e aconchegantes oceanos astrais de um cinematográfico, imersivo,
lenitivo e catártico Post-Rock abrilhantado por um embalante, caleidoscópico,
magnético e deslumbrante Psychedelic Rock. A sua sonoridade irresistivelmente odorosa,
reflexiva e libidinosa – de clima primaveril, luzência vespertina e estética
pastoril – provoca no ouvinte uma plena paz interior, um olhar lacrimejante e sonhador,
e um sorriso melancólico. De forma fluída, airosa e entretida, ‘Emerge’ viaja-nos
numa mística e edénica odisseia – de afago sensorial e consagração espiritual –
pelos frondosos, admiráveis e luminosos jardins celestiais. São 47 minutos de fascinante
transcendência pelos pulsantes e vibrantes corais dos mares espaciais. Uma prazerosa
massagem cerebral exercida por esta terapêutica música de essência instrumental,
onde se enfatizam duas guitarras imaginativas que se entrançam e destrançam em delicados,
sublimados, luzidios e encaracolados acordes que oscilam entre a fresca e
arrepiante suavidade e a nervuda e trovejante gravidade, um baixo meditativo de
linhas oleadas, baloiçantes e sombreadas que persegue de perto todas as evasões
das guitarras, e uma bateria eloquente de toque cintilante, jazzístico e cativante
que dita o compasso deste maravilhoso sonho musicado. ‘Emerge’ é um
álbum verdadeiramente magistral. Um registo ataráxico, condimentado a beleza
lapidar e norteado a sufocante embevecimento, que vive a meio caminho entre a embriagante
delicadeza e a retumbante rudeza, a endeusada brancura e a sisuda negrura. Recostem-se confortavelmente, rebaixem as
pálpebras, respirem calma e profundamente, e ascendam aos paradisíacos céus de Son
Cesano. Um dos melhores álbuns do ano está aqui. Vivenciem-no sem
moderação.
domingo, 6 de novembro de 2022
sábado, 5 de novembro de 2022
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Review: 💄 White Coven - 'White Coven' (2022) 💄
Quatro anos
volvidos sobre o lançamento do triunfante álbum de estreia ‘Overseas’
forjado pelo populoso colectivo espanhol White Coven (aqui
trazido e reverenciado), a formação domiciliada na cidade de Saragoça
regressa à estrada com a apresentação do seu muito aguardado segundo trabalho
de longa duração, de designação homónima, sob a imediata forma de CD e digital, e ainda numa futura edição em vinil já em produção. Seguindo as pisadas do seu
antecessor, ‘White Coven’ vem embrulhado numa estética e carismática
fragância revivalista de autêntico espírito setentista, de onde sobressai
a gloriosa comunhão entre um charmoso, reinante, odoroso e extravagante Classic
Rock de contagiante swing Funk e inflamante infusão Blues
– a fazer recordar os grupos suecos Blues Pills, Siena Root e Heavy Feather – e um provocante, sinuoso,
vaidoso e galvanizante Prog Rock que espelha toda a indiscreta
inspiração trazida dos icónicos Deep Purple. Baloiçada entre açucaradas,
delicadas e hidratantes baladas de brilho Soul que confortam corações
amarrotados, e picantes, fogosas e atordoantes galopadas que em nós libertam
uma euforia contida, a sonoridade gourmet, buliçosa e erudita de White
Coven é oxigenada por uma reparadora frescura e dançada a libidinosa formosura.
Toda uma monção de aromas que nos assaltam e enfeitiçam ao longo dos seus 43
minutos de duração. Na tecelagem desta simétrica obra de alta costura, estão
três guitarras refinadas que se entrançam na ascensão de majestosos, sorridentes
e glamorosos riffs e desenlaçam na orgásmica condução de gritantes, fugidios
e alucinantes solos de suor latino, um teclado jupiteriano de arquejos
espumosos, aquosos e imersivos, um baixo magnetizante de linhas quentes, elásticas
e ondeantes, uma exótica bateria de clima tropical que se enfatiza numa
ritmicidade radiante, expedita e vibrante, e ainda uma voz rainha de tonalidade
amarelecida, sumptuosa candura e encorpada estatura que abrilhanta com incessante
e ofuscante vitalidade este irresistível néctar sonoro. Este é um álbum
verdadeiramente belo e apaixonante que vive do requinte e da gentileza. Um
disco envernizado a mélica sedução e sufocante doçura que nos incendeia com
brandura. Dissolvam-se e revolvam-se no afrodisíaco groove de ‘White
Coven’ e vivenciem todo o vulcânico esplendor de um dos mais grandiosos
registos lançados em 2022.
















