
quinta-feira, 30 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Domingo
Pela, cansada, calçada junto ao rio Tejo, emerge-se uma sombra de um Homem. O seu olhar contempla as, fortes, ondas que embatem na costa. Um, repetido, cortejo de corpos despista o, vago, horizonte que Ele aborda. Felicidade inexperiente. Uma tarde cinzenta, uma tarde ventosa. Um teleférico vazio está imóvel sob os, pesados, céus e sobre a sua cabeça. Correntes familiares que se arrastam, deixando espectros de ferrugem nas, já pisadas, pedras da calçada marítima.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Sol
Deambular pela inconsciência. Corpo este, que pisa as longas estradas do sentido vivencial. Olhar endurecido. Cabeça anestesiada, desfalecida sobre os ombros. Anos que cansam as minhas têmporas. Nostalgias que mastigam os meus pulmões. Pálpebras entorpecidas. Cruas olheiras que afundam o horizonte, e me direccionam para os mais densos e escuros céus. É o velho drama que veste os palcos de cinzento e as personagens de tragédia, precipitação, … Um amanhã convicto, isento de ambiguidades.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Crown Of Thorns, Mother Love Bone
Estou sentado em frente á, calorosa, lareira. As velhas meias de lã desmaiam sobre os meus pés. Na rua está frio, e chove. Adoro o frio, a chuva, as nuvens negras… Desgosto pelo meu corpo não gostar. Estou doente. Exposição arriscada, na tentativa de uma aproximação familiar com o meu “melhor amigo”. Já estou habituado. Hoje tenho observado, do interior de casa, as nuvens, a chuva e o vento. Quarentena. O pequeno cachorro vadio foi vítima do castrador da liberdade. A minha visão, embora ensonada e anestesiada pela medicação, consegue penetrar pelos velhos e grandes carvalhos, e chegar às montanhas onde radicam os pinheiros. Não poderia ter melhor vizinhança. Estar aqui mais de um fim-de-semana, faz com que braços severos e mão capazes me impeçam de regressar a Lisboa. É a verdadeira concepção do conforto, da ataraxia. Tantos são os rostos que me abordam na rua, tantas são as mãos que me saúdam na rua, tantos são os sorrisos que me afagam na rua… Carrazeda de Ansiães, Trás-os-Montes. Tão mais que um nome, uma identidade. Alguns clássicos do Cinema (Europeu) têm me escoltado nesta jornada rumo ao bem-estar (físico). Venham mais dois paus secos e murchos para a fogueira, que as, adormecidas, chamas necessitam de saciar a sua, eterna, sede. Elas (Chamas) que ambicionam o Mundo. As nuvens estão a ser inspiradas pelo céu azul que surpreende o bô (expressão exclusivamente transmontana, pena o dicionário do Word não ser regionalista) povo. Já se sente a dolorosa percepção dos raios solares a trespassarem as núvens e fitando a minha face amarela. Janela, que todos os dias me permites contemplar a vida lá fora, aspiro ser como tu, ter essa defesa invicta, familiarizada com toda uma vasta panóplia de temperaturas, extremos, sem nunca vacilar. A morte tem essa estranha característica.
O bom velho tempo escocês voltou!
O bom velho tempo escocês voltou!
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Caïna - Temporary Antennae
Está uma noite fria. O vento forte e incisivo penetra por entre os, maduros, ramos das árvores. A estrada está deserta. Os numerosos candeeiros de iluminação pública, dispostos ao longo da rua, conformaram-se com as suas limitações, e assumem (de forma tímida) a, previsível, derrota que os assaltou. As árvores tremem. Os vidros do carro também. Música. Música que gosta de ouvir e de ser ouvida. Companheira constante da minha “viagem” vivencial. Silêncio. Transicção de tema. Folhas brancas que, apenas, suportam o pesado silêncio desmaiado sobre as almas opacas. Horizonte lisérgico.
domingo, 12 de abril de 2009
Lisérgico
Acordou! Enquanto o seu olhar procurava uma posição confortável no horizonte vazio do seu quarto, engoliu a, excruciante, saliva que, constantemente, afogava a sua lingua. Manhã de Páscoa! Em busca da ressureição...
sábado, 11 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
Tree of Life
Enquanto o tempo, com as suas pesadas e velhas botas, continua a sua caminhada incerta por solos virgens, observo a minha alma ser fumada. Existência prematura. Olhar ferido pela insónia da Vida. Penso que penso no que fui, sou e serei, no que te fui, sou e serei. Presença forasteira da minha inconsciência, que vagueia pelos vales do desconhecido e se entrega ao nevoeiro madrugador que jaz sobre a Vida. Acorda a minha alma desmaiada no último dia de Inverno, e rasga os tecidos que escondem a minha verdade. Pois não conheço a minha sombra. Um véu caído e esquecido pelo Homem no átrio da Vida. Malditas cortinas do Fim que me vetam o caminho.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Planet Caravan

We sail through endless skies
stars shine like eyes
the black night sighs
The moon in silver trees
falls down in tears
light of the night
The earth, a purple blaze
of sapphire haze
in orbit always
While down below the trees
bathed in cool breeze
silver starlight breaks down the night
And so we pass on by the crimson eye
of great god Mars
as we travel the universe
quinta-feira, 26 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Sábado

Tarde de Sábado. Está um sol abrasador. A vila está deserta. Vou descer até ás margens do rio Douro. Ao som de Pearl Jam, vou descendo montanhas e montanhas... A temperatura aumenta cada vez mais. Direcciono-me para uma estrada muito pouco utilizada, somente algumas máquinas agricolas a pisam. Junto a uma (bela) quinta, estaciono o carro, desligo o motor e contemplo o silêncio e a serenidade que a paisagem me oferece. Estão 32 graus. O calor começa a sufocar-me e abandono o interior do carro. Encho o peito de ar e expiro lentamente. Um casal (amigo dos meus pais) trabalha as duras terras da sua quinta. Num olhar mais atencioso do casal, abordam-me, saudosamente, e convidam-me a entrar. Fiquei extasiado com o interior da quinta, bem como a grande varanda direccionada para o rio e para uma velha linha de comboio. “é este o tipo de conforto que quero conquistar numa fase terminal da minha vida” pensei. Acordar, afastar os grandes cortinados deixando entrar a luz, e beber um, forte, café enquanto observo o rio e escuto as aves.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Escuta-me
Olhar(es). Pólos que sustentam uma ponte. Sob a ponte jaz um interminável abismo. Simpatia amarga. Divergência, mas cumplicidade. Recordaste daquele medonho barqueiro? Que em tempos, colheu rosas nos nossos, infinitos, jardins. Que em tempos, lavrou montes e montes e montes… nas costas do nosso airoso conforto. Hoje está sozinho. Como nós. Que águas são essas, por onde tens deixado desaguar tais suspiros amorosos? Memórias ancoradas. Esconde a palma da tua mão. Aqui, os olhares dos homens são olhares de peixes mortos. Alimenta-te do pão que trouxeste. Sê peregrina dos ideais que te viram crescer. Porque nessa estrada, também viajo Eu.
terça-feira, 3 de março de 2009
A Pianista

Passeia, suavemente, os seus delicados dedos pelo grande piano, que há muito ficara órfão. Está uma bela tarde de sol. As janelas estão abertas, e a rua escuta a doce harmonia que o piano liberta. O ruído incisivo da respiração citadina, perturba o sentido da melodia, como que uma tempestade de areia na estrada. Calmamente, o piano vai inspirando a vida d’Ela. O seu corpo está deitado sobre toda a superfície do velho instrumento musical, e a sua alma está rendida ao som. A música é Vida, a música é Morte. Um pombo descansa sobre a base da janela em madeira e enche o peito. Contempla o espaço desconhecido e entrega-se, de novo, aos céus contraídos, que abraçam a cidade. Regresso. Num gesto ímpeto, o corpo ascende e os seus longos cabelos tombam sobre as costas, desprotegendo a, despida, face. O seu olhar, aprisionado pelas, pesadas, pálpebras, começa a libertar-se. As narinas abrem-se e saciam o, quase inexistente, ar que dança na, obscura, atmosfera. Negras nuvens avançam, sem prioridade, sob o intenso sol. A cidade escurece… assim como a melodia arrancada do, velho, piano. Relâmpagos apunhalam a cidade. As nuvens batalham entre si, e as suas armas vão caindo em terra. As pessoas correm. Dispersam. A chuva ataca. O piano cessa.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Quando o seu coração é um Vale Morto

Sexta-Feira. A noite cai. Está um trânsito rodoviário intenso, não aconselhável a olhares desmaiados provocados pela insónia da vida. Os, incansáveis, pára-brisas continuam a sua, constante, dança limpando a água da chuva que as, negras, nuvens vão chorando. Ele entra numa estrada secundária de afluência quase inexistente. Acorda a sua mão direita, que já adormecera em cima da caixa de velocidades, e abre a sua pequena pasta pessoal de negro cabedal. Tira do seu interior um, antigo, albúm de fotografias. Página a página, divide a sua atenção e olhar entre o albúm e a estrada que o espera. As fotografias, manchadas de tons sépia, guardavam/protegiam rostos familiares. Familiares seus que ele já não via há muito, muito tempo. Viagem ao passado. Passaram 20 anos. Mas a estrada está igual. É a mesma terra que eu pisei durante a minha adolescência enquanto, corria em direcção ao rio com a cana de pesca apoiada no ombro. A velha floresta. Reconheci-a. Será que ela também me reconheceu? A chuva intensifica o seu ritmo. Está escuro. Os faróis do seu carro são a vela que ilumina o seu, negro, final de tarde de Outono. Um velho (mas capaz) pastor, confia todo o seu cansasso e impaciência num cajado (que há muito o acompanha nesta recta final de sua vida). Descansa a sua cabeça, apoiando o queixo e as mãos naquele cajado ímpeto. Ele para o carro junto ao pastor e abre o vidro. Confronta o velho rosto, já há muito dominado pelo pesado mar de rugas, com as fotografias que trouxera com ele. As doentías pálpebras do, velho, pastor abrem e observa as fotografias. As sua pálpebras recolhem, novamente. Uma lágrima é expulsa do olhar fechado e escondido do pastor. Olha em sua volta e chama o seu rebanho de cabras. Afasta-se do carro sobre a sombra do seu, pequeno, rebanho. Fecha o vidro e observa o, estranho, pastor afastar-se, pela estrada, em sentido oposto. A incógnita escuridão engolia, progressivamente, o velho pastor. Ele agarra, firmemente, o volante e arranca. A placa de indentifacação de localidade está podre. A sua alma de madeira já há muito se entregara á força de oposição do clima que a contemplava sem cessar. A aldeia está próxima. Aldeia que o viu nascer e formar enquanto Pessoa moral. Perdão pelo silêncio, afastamento e isolamento. A nostalgia trouxe-lo de volta. Todo o vale está deserto. Nenhum foco luminoso interrompe o, denso, sono da noite, da escuridão, da incerteza. A Aldeia. A sua velha casa. A grande árvore que vigiou a sua infância ainda radica no, infame, solo. Não há luz. Aldeia fantasma. Uma descoberta visual, auxiliada pela pólvura luminosa expelida dos faróis do seu carro, acelera o ritmo dos seus batimentos cardíacos. Os vidros da velha casa estão partidos. Uma coruja pousa sobre um braço de uma árvore. Vazio. Nunca havia tido contacto com tal sensação. Morte. Corre para o seu carro e afasta-se, precipitadamente, da aldeia do passado. O tempo é conformista, mas Finito.
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