domingo, 29 de agosto de 2010

Tudo

Foi tanto, foi Tudo… O que põe termo á vida das palavras? Dos olhares? Dos sorrisos? Do amor? Foi tão longo e profundo este sono que nos envolveu... Que nos embalou vida fora. Vivemos paralelamente a tudo e a todos! Foi tudo tão natural, tão apetecido, tão perfeito. Crentes no “sonho americano" construímos um presente e futuro só nosso. Éramos o que e quem realmente queríamos ser. Como algo pode parar o curso de um rio? Apagar a luz da lua? Esconder o sol?! Dedico, agora, todo o meu tempo a tentar compreender isso… não me conformo com este vazio de fundamentos. Hoje, ecoa em mim tudo o que me disseste, tudo o que me choraste, tudo o que me sorriste, tudo o que me dedicaste, Tudo! E é tanto,… é TUDO!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

These Roads don't move!


Esta estrada, chamada “vida”, está repleta de peregrinos em busca de boleia. Todos têm um destino, um objectivo… Numa manhã hibernal de muito frio, lá estavas tu, junto á estrada, de cabisbaixa, sentada numa velha mala de pele castanha. Eu parei e abri a porta. Tu olhaste-me, sorriste e entraste no carro. Não me falaste do teu destino, apenas te recostaste e adormeceste enquanto o vento dançava com os teus belos e compridos cabelos cor de pôr-do-sol. Eu seguirei rumo ao infinito. Enquanto existirem estradas que alimentem esta sede, eu continuarei a cruzá-las. Seguiste vida comigo, debaixo do sol, da lua, das estrelas… estrada fora. Se um dia quiseres sair… ficar por uma velha e inóspita aldeia junto á estrada, eu encostarei e deixar-te-ei sair. Eu pertenço a estas estradas… estradas estas, que não se movem.

Dirty Mary Crazy Larry (1974), John Hough


4/5

Cinderella Man (2005), Ron Howard


5/5

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

The Ballad of Cable Hogue (1970), Sam Peckinpah


4/5

Diário de uma assassina


Da janela de sua casa, Ela aguarda discretamente o regresso do seu esposo. Lá fora, a chuva e a forte trovoada assombram aquela fria noite de inverno. As ruas estão desertas e inóspitas. As “chamas” dos faróis de um negro Cadillac rompem aquela densa escuridão e cessam em frente á sua janela. É ele. Está de regresso a casa, para satisfação da sua amada que o observa atravessar apressadamente a rua, desprotegido da chuva, em direcção á porta de entrada. Ela solta os cortinados e apaga as luzes do interior.•

Mary Shelley, 28 anos, viúva.

domingo, 18 de julho de 2010

O último dia de Inverno

Os veementes sirenes da polícia despertaram-me naquela fria noite de inverno. Aproximei-me da janela e olhei a rua. Alguém havia sido assassinado. Sustive a respiração e olhei o teu vestido vermelho que havias deixado no chão do quarto há longos dias atrás. O inverno gela as ternas ramificações do amor e aquece os frios princípios da suspeição. Nos lençóis ainda habita o teu cheiro e as cicatrizes esculpidas pelos teus movimentos inconscientes. Ficarei acordado até que este desassossego me liberte… ou mate.

Este é o último dia de Inverno.

The Professional (1994), Luc Besson


5/5

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Om (Madrid)


Sábado, 5 de Junho de 2010. Ainda o sol conquistava timidamente os céus, quando apanhei um autocarro e me fiz á estrada em direcção a Vila Real. Lá entrou o Bruno e seguimos viagem rumo ao Porto (mais precisamente ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro). Estávamos mesmo a caminho de Madrid para ver Om. Ainda era uma realidade madrugadora, mas que com o tempo ganhou lucidez. Depois de 1001 voltas pelo aeroporto, um lanche “barato” e umas olhadelas para o que nos era alheio, lá entrámos no avião da Ryanair: cintos de segurança apertados, ipod’s desligados, pastilhas na boca, corações aos saltos, olhar refugiado no horizonte e… cá vamos nós! Uns belos 45min de voo e Madrid: cá estão os carrazedenses do Stoner Rock em mais uma peregrinação musical! Depois de mais uns devaneios no aeroporto de Barajas em Madrid lá demos com a saída daquilo. O David apareceu e corremos até um restaurante de emigrantes portugueses (transmontanos) para comer uma bela Francesinha (e que Francesinha) e beber umas cervejas bem geladas. Aproximava-se a hora do concerto. Só algumas caixas multibanco atrasaram a nossa chegada á Sala Caracol. Marcámos posição em frente ao palco e vimos entrar os Reznik: um duo composto por uma fêmea na guitarra e um macho na bateria. Temas curtos, velozes e pesados (bem ao estilo Sludge e Doom) caracterizaram a noite de Reznik. Um fraco aplauso para este duo ainda muito verde e siga para Akauzazte: uma banda de extraterrestres que nos fizeram viajar ao som de bons e largos minutos de envolvência psicadélica (muito graças ao sintetizador). De realçar o estado “sóbrio” dos elementos da banda. Tempo para mais um brinde a três e… Om no altar! Al Cisneros colocou o baixo no seu lombo (“Oh Cisneros tas gordo!”), Emil Amos cerrou os punhos nas baquetas e começou o tão aguardado ritual. “Meditation is the Practice of”, “Rays Of The Sun / To The Shrinebuilder” e “At Giza” fizeram-me delirar por completo! Fechei os olhos e deixei que o baixo do Cisneros, o ride e a tarola (fora todos os restantes floreados) do Amos conduzissem o meu corpo e mente pelas tortuosas estradas do inconsciente. Depois de um concerto tão completo (pena só a ausência de temas do Variations on a Theme), esperávamos um aperto de mão do Cisneros, mas em vez disso recebemos um exuberante cumprimento do Emil Amos “Uhhhh”.
Foi uma noite COLOSSAL! E a ressaca da mesma ainda hoje perdura…