quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
Snowy Dunes - "Atlantis, part I" (2016)
Melhor prelúdio era
impossível. Esta jovem banda sueca de instrumentos conduzidos para o
estimulante Neo-Psychedelic embebido
num aromático Blues tem em “Atlantis,
part I” o soberbo aperitivo que servirá de suporte ao segundo álbum "Atlantis" ainda
situado no ventre deste quarteto natural da cidade de Estocolmo. Confesso ter
ficado instantaneamente embalsamado pela atraente e fecundante harmónica que à
boleia das quentes e anestésicas brisas assume total protagonismo na abertura
do único tema que dá corpo e alma a este EP. A sua sonoridade imensamente
contemplativa constrói deslumbrantes paralelismos visuais que nos adornam ao
longo de toda esta narrativa dedilhada de forma sublime e emotiva. É
humanamente impossível não vivenciar este “Atlantis, part I” num harmonioso
balancear corporal que nos desprende a consciência pelo imenso oceano da nossa
espiritualidade. A guitarra enternecedora de solos tremendamente embriagantes e
hipnóticos tem em nós um efeito indescritivelmente prazeroso que nos envenena e
paralisa. O baixo de ondulação densamente meditativa envaidece-se vagarosamente
num apaixonante e entorpecedor abraço que amortalha todos os restantes
instrumentos. A voz glamorosa e carismática passeia-se livremente pela
atmosfera sonolenta de “Atlantis, part I”, enquanto que a bateria
de manifestações dinâmicas e tranquilizantes tempera todo este bocejo orgásmico.
Comunguem este sagrado trago músical de ressaca duradoura e inesquecível. Deixem
o vosso semblante inanimado tombar sobre o vosso peito e testemunhem uma das mais
pesadas hipnoses causadas pela música. Depois disto, Snowy Dunes provocara-me uma constante salivação que só estagnará
com o tão ansiado nascimento do seu segundo álbum.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Old Indian - "Mumble" (2015)
É ainda de alma temulenta e
em vagarosa recuperação que escrevo estas palavras dedicadas a “Mumble”,
o disco de estreia do power-trio Old Indian. Natural de Frederick, Meryland (EUA) esta banda
causara em mim uma autêntica exaltação que me estremecera do primeiro ao último
tema. A sua sonoridade é composta por uma alucinante mistura de géneros de onde
sobressaem o intratável Heavy Psych
fervoroso e impetuoso, o poeirento Blues
transpirado de elegância e requinte, e o enérgico, carismático e dançante Surf Rock de ares veraneios. Estes três
ingredientes combinados resultam numa prazerosa ebulição que nos incendeia e incita
a vivenciar “Mumble” com desmesurada extravagância. Endoideçam ao som irrepreensível
de uma guitarra indomável que se transcende com os seus solos entusiásticos, eletrizantes
e orgiásticos, amortalhados pelas linhas vigorosas, pulsantes e hipnóticas de
um baixo vigilante em constante ondulação. Sintam a galopante, frenética e
explosiva bateria rivalizar com os vossos batimentos cardíacos numa entusiástica
ostentação, e a rebelde e insípida (no sentido elogioso da palavra) voz que tão
bem se dissolve na medula instrumental. “Mumble” representa o genuíno prazer
na sua forma musical que nos contagia sem qualquer moderação. É demasiado fácil
namorar este disco e deixar que a sua alma se perca na nossa. Lançado no início
do passado ano de 2015, “Mumble” é parte substancial do que de
melhor fora criado nesse corpo temporal (musicalmente falando). Não fosse o
triste facto de apenas me ter cruzado com ele já em 2016, e faria – certamente –
parte da lista já publicada dos melhores álbuns de 2015. Delirem com estes inolvidáveis
33 minutos de “Mumble” que nos obrigam a revisita-los vezes e vezes sem
conta. Um disco inteiramente feito à minha imagem.
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