sábado, 23 de janeiro de 2016

Black Sabbath - "The End" (2016)


Snowy Dunes - "Atlantis, part I" (2016)

Melhor prelúdio era impossível. Esta jovem banda sueca de instrumentos conduzidos para o estimulante Neo-Psychedelic embebido num aromático Blues tem em “Atlantis, part I” o soberbo aperitivo que servirá de suporte ao segundo álbum "Atlantis" ainda situado no ventre deste quarteto natural da cidade de Estocolmo. Confesso ter ficado instantaneamente embalsamado pela atraente e fecundante harmónica que à boleia das quentes e anestésicas brisas assume total protagonismo na abertura do único tema que dá corpo e alma a este EP. A sua sonoridade imensamente contemplativa constrói deslumbrantes paralelismos visuais que nos adornam ao longo de toda esta narrativa dedilhada de forma sublime e emotiva. É humanamente impossível não vivenciar este “Atlantis, part I” num harmonioso balancear corporal que nos desprende a consciência pelo imenso oceano da nossa espiritualidade. A guitarra enternecedora de solos tremendamente embriagantes e hipnóticos tem em nós um efeito indescritivelmente prazeroso que nos envenena e paralisa. O baixo de ondulação densamente meditativa envaidece-se vagarosamente num apaixonante e entorpecedor abraço que amortalha todos os restantes instrumentos. A voz glamorosa e carismática passeia-se livremente pela atmosfera sonolenta de “Atlantis, part I”, enquanto que a bateria de manifestações dinâmicas e tranquilizantes tempera todo este bocejo orgásmico. Comunguem este sagrado trago músical de ressaca duradoura e inesquecível. Deixem o vosso semblante inanimado tombar sobre o vosso peito e testemunhem uma das mais pesadas hipnoses causadas pela música. Depois disto, Snowy Dunes provocara-me uma constante salivação que só estagnará com o tão ansiado nascimento do seu segundo álbum.

Neil Young (1967)

Double Exposure Portraits (2012-2013)

Golden Void - "Dervishing"


Christoph "Lupus" Lindemann | Kadavar

Fuck yeah, Kaleidobolt!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Bombino - "Azel" (01-04-2016 via Partisan Records)

Ouve o tema "Inar" aqui!

Old Indian - "Mumble" (2015)

É ainda de alma temulenta e em vagarosa recuperação que escrevo estas palavras dedicadas a “Mumble”, o disco de estreia do power-trio Old Indian. Natural de Frederick, Meryland (EUA) esta banda causara em mim uma autêntica exaltação que me estremecera do primeiro ao último tema. A sua sonoridade é composta por uma alucinante mistura de géneros de onde sobressaem o intratável Heavy Psych fervoroso e impetuoso, o poeirento Blues transpirado de elegância e requinte, e o enérgico, carismático e dançante Surf Rock de ares veraneios. Estes três ingredientes combinados resultam numa prazerosa ebulição que nos incendeia e incita a vivenciar “Mumble” com desmesurada extravagância. Endoideçam ao som irrepreensível de uma guitarra indomável que se transcende com os seus solos entusiásticos, eletrizantes e orgiásticos, amortalhados pelas linhas vigorosas, pulsantes e hipnóticas de um baixo vigilante em constante ondulação. Sintam a galopante, frenética e explosiva bateria rivalizar com os vossos batimentos cardíacos numa entusiástica ostentação, e a rebelde e insípida (no sentido elogioso da palavra) voz que tão bem se dissolve na medula instrumental. “Mumble” representa o genuíno prazer na sua forma musical que nos contagia sem qualquer moderação. É demasiado fácil namorar este disco e deixar que a sua alma se perca na nossa. Lançado no início do passado ano de 2015, “Mumble” é parte substancial do que de melhor fora criado nesse corpo temporal (musicalmente falando). Não fosse o triste facto de apenas me ter cruzado com ele já em 2016, e faria – certamente – parte da lista já publicada dos melhores álbuns de 2015. Delirem com estes inolvidáveis 33 minutos de “Mumble” que nos obrigam a revisita-los vezes e vezes sem conta. Um disco inteiramente feito à minha imagem.