domingo, 10 de junho de 2018

Review: ⚡ Haunted - ‘Dayburner’ (2018) ⚡

Dois anos depois de apresentado o seu disco de estreia, os italianos Haunted estão de regresso com o seu segundo álbum ‘Dayburner’. Lançado muito recentemente nos formatos físicos de CD (Twin Earth Records) e cassete (Graven Earth Records), este novo registo da intrigante formação sediada na cidade portuária de Catânia prende um brumoso, impiedoso, luciférico, ritualístico e majestoso Psych Doom que nos dilata as pupilas, hipnotiza e atemoriza. A sua sonoridade fantasmagórica, possante, obscura e melancólica arrasta-se e dilata-se por toda uma atmosfera pantanosa, sepulcral, desoladora e nebulosa. Com indiscretas semelhanças aos norte-americanos Windhand, a poderosa essência deste novo álbum de Haunted tem a capacidade de nos envolver, ofuscar, embaciar e entorpecer do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 66 minutos climatizados e assombrados por uma esotérica cerimónia de adoração ao profano rezada e liderada por duas guitarras que se auxiliam na edificação e orientação de vigorosos, monolíticos, sombreados e ostentosos riffs, e se serpenteiam na libertação e governação de solos ecoantes, gélidos, ácidos e penetrantes, um baixo trovejante que se arrasta pesadamente em linhas vagarosas, consistentes, sinistras e poderosas, uma bateria intensa e cintilante de ritmicidade galopante, imutável, e magnetizante, e ainda uma voz espectral, translúcida, melódica e angelical que com a sua deslumbrante luminosidade atenua todo o denso e tenso negrume que os instrumentos descarregam na intoxicante e absorvente atmosfera de ‘Dayburner’. Este é um álbum locomovido a exuberância, feitiço e corpulência que nos enluta a alma, sufoca a lucidez e mergulha nas vertiginosas profundezas de uma febril narcose. Recostem-se confortavelmente, desmaiem as pálpebras, tombem o semblante, e sintam-se enfraquecer e transcender ao lado eclipsado da existência humana onde só a misantropia subsiste. Estamos mesmo na honrada presença de um dos discos mais sobranceiros e grandiosos de 2018. Diluam-se na sua negra, nociva e demoníaca misticidade e convertam-se em seus devotos apóstolos.

Rush - "Working Man" (1974)

The Well // @viscereel

Sacri Monti // Freak Valley Festival 2018

sábado, 9 de junho de 2018

Sucking the 70's

🗡Jerusalem '72

Pappo's Blues - Algo Ha Cambiado '71

Review: ⚡ Kamadeva - ‘Ritual en Carcosa’ (2018) ⚡

Da cidade de Valência (Espanha) chega-nos ‘Ritual en Carcosa’: o novo e segundo trabalho discográfico do tridente Kamadeva. Lançado no passado dia 7 de Junho em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp – e com a simpática possibilidade de download gratuito – este novo álbum do power-trio espanhol vem irrigado e saturado de um delirante, fogoso, nebuloso e viajante Heavy Psych de propensão estelar aliado a um poderoso, atlético, dinâmico e vigoroso Heavy Rock de origem setentista. A sua sonoridade verdadeiramente estimulante, arrebatadora e euforizante – superiormente cadenciada a intensidade, robustez e sensualidade – lança o ouvinte numa envolvente, hipnótica e deslumbrante viagem evolutiva pela perpétua espacialidade de ‘Ritual en Carcosa’. Uma odisseia imersiva que nos dispara e mergulha a uma velocidade vertiginosa na vacuidade cósmica. Recostem-se confortavelmente, apertem os cintos e sintam-se eclodir na direcção dos astros à boleia de uma guitarra alucinante que se tonifica e obscurece em riffs calorosos, vivazes, prepotentes e ostentosos, e se desvaira e enlouquece na surpreendente condução de solos extravagantes, frenéticos, edénicos e fascinantes, uma bateria galopante, explosiva e inflamante que esporeia e incendeia toda esta fervorosa atmosfera, um baixo massivo de reverberação oscilante, corpulenta, magnética e dançante, e uma voz ecoante, monocórdica e liderante que se debate com ousadia no centro desta efervescência ciclónica que climatiza toda a esfera de ‘Ritual en Carcosa’. São 37 minutos de uma constante excitação que nos sustenta atolados e estacionados num profundo estádio de perfeita comoção, gáudio e erupção espiritual. Este é um álbum distintamente executado a uma tecnicidade exuberante, emotividade desarmante e a uma velocidade incrivelmente atordoante que nos mantém de atenção a ele atrelada do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se provocar e agitar pela impetuosa lubricidade fervida e destilada pelos espanhóis Kamadeva e vivenciem como puderem o vulcânico trago de adrenalina auditiva de um dos álbuns mais pujantes, virtuosos e eletrizantes de 2018.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Review: ⚡ Mystic Sons - ‘Mystic Sons’ (2018) ⚡

Da pequena cidade de Martigny (Valais, Suíça) chega-nos o fabuloso álbum de estreia do power-trio Mystic Sons. Lançado no passado dia 1 de Junho nos formatos físicos de CD e vinil (ambos com edições limitadas a poucas cópias existentes) através da sua página oficial de Bandcamp, este disco de designação homónima ostenta um ardente, poderoso, perfumado e atraente Heavy Blues de ares retro – alavancado e lubrificado por um ritmado, musculoso, viçoso e torneado Stoner Rock fervido e fermentado pelo cáustico efeito Fuzz – que nos incendeia e atesta de adrenalina. A sua sonoridade intensamente provocante, dinâmica e contagiante traz-nos uma quente, sedutora e inebriante brisa veraneia que fascina, afaga e extasia o ouvinte do primeiro ao derradeiro tema. Sintam-se planar todo um deserto corado, ressequido e calejado pelo Sol vigilante, e modelado e acariciado por uma tonificante e celestial bafagem suspirada pelos astros. É esta a ambiência visual que a envolvente musicalidade de ‘Mystic Sons’ edifica e sustenta no nosso imaginário. Deixem-se bronzear pela tórrida resplandecência desta formação helvética ao som de uma guitarra vulcânica que se revigora em cativantes, viris, lascivos e vibrantes riffs e se desembaraça em solos alucinantes, ácidos, gritantes e vertiginosos, uma voz escaldante, áspera, enérgica e picante que eclode, se exaspera e inflama, um baixo oscilante e viajante – soberbamente domado e canalizado a linhas volumosas, fluídas, oleadas e umbrosas  - que fortifica e obscurece todas as extravagantes indagações da guitarra, uma bateria animada e acalorada – de ritmicidade ofuscante, hipnótica, erótica e entusiasmante – que compassa e apimenta toda esta adorável digressão de pés enterrados nas sedosas dunas do deserto, cabeça abraçada e embaciada pela poeira estelar, e olhar ancorado no firmamento que se desdobra pela infinidade adentro. De destacar ainda a colorida, forte e rebuscada expressividade do artwork – brilhantemente concebido pela ilustradora suíça Amélie Avril – que reveste na perfeição este extraordinário disco. ‘Mystic Sons’ é um álbum irresistivelmente estético e arrebatador que nos preenche e agita de uma euforia contida. Ingressem nesta edénica e estonteante travessia desértica à emocionante e impactante boleia sonora de um dos registos mais portentosos do ano.

❋ Jimi Hendrix '68 // Gibson Flying V

Prog-Jazz'licious!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Review: ⚡ Svvamp - ‘2’ (2018) ⚡

Depois de uma tão auspiciosa e encantadora estreia com o lançamento do seu disco homónimo datado de 2016 (review aqui), este adorável power-trio sueco – sediado na cidade sulista de Jönköping – está de regresso com o seu segundo álbum ‘2’. Apesar do seu nascimento estar agendado apenas para o próximo dia 8 de Junho na forma física de CD e vinil pela mão do produtivo selo discográfico norte-americano RidingEasy Records, este novo álbum de Svvamp acaba de ser disponibilizado para escuta integral na sua página oficial de Bandcamp. Antes de me delongar na desconstrução lírica de ‘2’ é justo começar por confessar que este se tratava de um dos registos por mim mais aguardados do ano e, portanto, foi com uma grande urgência e desmedido entusiasmo que me lançara na sua escuta. A par do que já sucedera na produção do seu disco de estreia, ‘2’ vem nutrido e conduzido por um atraente, ritmado, relaxado e apaixonante Heavy Blues de ares revivalistas que – em parceria com um vistoso, oleado, requintado e vigoroso Hard Rock – nos reencaminha para a dourada e nostálgica era setentista. A sua sonoridade transpira e resplandece um intenso e doce erotismo por todos os seus poros, causando no ouvinte um intenso deslumbramento que o envolve, massaja e embrenha na sua edénica melosidade. Existe algo de verdadeiramente irresistível na mística essência de ‘2’ que nos obriga a vivenciá-lo de olhar desmaiado, sorriso talhado no rosto, e corpo detidamente entregue a um hipnótico e serpenteante bailado. Na essência deste maravilhoso tridente nórdico, está uma guitarra sumptuosa que se envaidece e estarrece em ardentes, doces, harmoniosos e comoventes riffs, e se agita e excita em solos borbulhantes, ácidos, alucinógenos e delirantes, uma voz aveludada, agradável, melódica e cuidada que se passeia e pavoneia graciosa e livremente, um baixo groovy – soberbamente conduzido e sombreado a linhas pulsantes, robustas e dançantes – que hasteia, ostenta e segura firmemente o riff base sem nunca o perder de vista, e uma provocante bateria de atitude Funk’eana que tempera e apimenta toda a quente e libidinosa ritmicidade de ‘2’. Este é um disco estupendo – cozinhado e executado a delicadeza, paixão e capricho – que nos inspira, fascina e extasia do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se enfeitiçar pela desarmante e transbordante sublimidade deste segundo e novo álbum de Svvamp e vivenciem com total feitiço e veneração aquele que no final do ano estará indubitavelmente perfilado por entre os melhores dos melhores discos nascidos em 2018. Uma pura ode epicurista de adoração e consagração aos sentidos e alma de quem nele invista.

⋆ The Shrine ⋆

Ambassador: 70's Heavy Blues

domingo, 3 de junho de 2018

Review: ⚡ Witchskull - ‘Coven's Will’ (2018) ⚡

O potente tridente australiano Witchskull acaba de presentear toda sua vasta e crescente legião de seguidores com o tão aguardado lançamento do segundo álbum apelidado de ‘Coven’s Will’ e promovido pelo influente selo discográfico londrino Rise Above Records nos formatos físicos de CD e vinil. Gravado em Nova-Iorque, EUA (Studio G) debaixo da exímia produção de Billy Anderson (famoso pelo seu envolvimento como produtor de bandas como Sleep, Neurosis e Buzzov•en) este novo álbum da formação sediada na cidade-capital de Camberra vem atestado e robustecido de um musculoso, intenso, obscuro e portentoso Heavy Doom de aparência e essência luciférica que nos atropela, incita e conquista com tremenda impetuosidade, fervura e celeridade. A sua sonoridade sombria, opulenta, volumosa e turbulenta percorre toda a distensão do álbum como que uma enfurecida, avassaladora e desgovernada locomotiva arrasando tudo à sua volta. São cerca de 35 minutos governados, varridos e assombrados por uma viril, obscura, febril e titânica avalanche que nos assola e soterra na sua brumosa, soberana e ostentosa supremacia. Na formação desta intrigante, demoníaca e absorvente atmosfera de feições ditatoriais, está uma guitarra autoritária que se agiganta e desenvolve na edificação de riffs corrosivos, monolíticos, carregados e massivos, e se desprende e extravia no domínio e orientação de alucinantes, vertiginosos, serpenteantes e aparatosos solos, um baixo vibrante de bafo estrondoso, tonificante, compacto e magnetizante que nos atemoriza e estremece com a sua corpulenta e violenta reverberação, uma bateria activa – de ritmicidade galopante, impulsiva e excitante – que nos esporeia e incendeia de adrenalina, e ainda uma voz ardente, felina e insurgente que inflama e fervilha toda esta potente descarga sonora. ‘Coven’s Will’ é um disco executado a uma só velocidade que nos sacode e implode do primeiro ao último minuto. Enfrentem toda a vulcânica, arrebatada e selvática ferocidade detonada e disseminada pelos Witchskull e enfrentem como poderem um dos registos mais impressionantes de 2018.

🤩 The Flying Eyes // Freak Valley Festival 2018

Yawning Man

📸 Burnadette Lea