segunda-feira, 11 de junho de 2018
domingo, 10 de junho de 2018
Review: ⚡ Haunted - ‘Dayburner’ (2018) ⚡
Dois anos depois de
apresentado o seu disco de estreia, os italianos Haunted estão de regresso com o seu segundo álbum ‘Dayburner’.
Lançado muito recentemente nos formatos físicos de CD (Twin Earth Records) e cassete (Graven
Earth Records), este novo registo da intrigante formação sediada na cidade
portuária de Catânia prende um brumoso,
impiedoso, luciférico, ritualístico e majestoso Psych Doom que nos dilata as pupilas, hipnotiza e atemoriza. A sua
sonoridade fantasmagórica, possante, obscura e melancólica arrasta-se e
dilata-se por toda uma atmosfera pantanosa, sepulcral, desoladora e nebulosa.
Com indiscretas semelhanças aos norte-americanos Windhand, a poderosa essência deste novo álbum de Haunted tem a capacidade de nos
envolver, ofuscar, embaciar e entorpecer do primeiro ao derradeiro tema. São
cerca de 66 minutos climatizados e assombrados por uma esotérica cerimónia de
adoração ao profano rezada e liderada por duas guitarras que se auxiliam na
edificação e orientação de vigorosos, monolíticos, sombreados e ostentosos riffs, e se serpenteiam na libertação e
governação de solos ecoantes, gélidos, ácidos e penetrantes, um baixo
trovejante que se arrasta pesadamente em linhas vagarosas, consistentes,
sinistras e poderosas, uma bateria intensa e cintilante de ritmicidade galopante,
imutável, e magnetizante, e ainda uma voz espectral, translúcida, melódica e
angelical que com a sua deslumbrante luminosidade atenua todo o denso e tenso negrume
que os instrumentos descarregam na intoxicante e absorvente atmosfera de ‘Dayburner’.
Este é um álbum locomovido a exuberância, feitiço e corpulência que nos enluta
a alma, sufoca a lucidez e mergulha nas vertiginosas profundezas de uma febril narcose.
Recostem-se confortavelmente, desmaiem as pálpebras, tombem o semblante, e
sintam-se enfraquecer e transcender ao lado eclipsado da existência humana onde
só a misantropia subsiste. Estamos mesmo na honrada presença de um dos discos
mais sobranceiros e grandiosos de 2018. Diluam-se na sua negra, nociva e
demoníaca misticidade e convertam-se em seus devotos apóstolos.
sábado, 9 de junho de 2018
Review: ⚡ Kamadeva - ‘Ritual en Carcosa’ (2018) ⚡
Da cidade de Valência (Espanha) chega-nos ‘Ritual en Carcosa’: o novo e
segundo trabalho discográfico do tridente Kamadeva.
Lançado no passado dia 7 de Junho em formato digital através da sua página
oficial de Bandcamp – e com a simpática
possibilidade de download gratuito –
este novo álbum do power-trio
espanhol vem irrigado e saturado de um delirante, fogoso, nebuloso e viajante Heavy Psych de propensão estelar aliado
a um poderoso, atlético, dinâmico e vigoroso Heavy Rock de origem setentista.
A sua sonoridade verdadeiramente estimulante, arrebatadora e euforizante – superiormente
cadenciada a intensidade, robustez e sensualidade – lança o ouvinte numa envolvente,
hipnótica e deslumbrante viagem evolutiva pela perpétua espacialidade de ‘Ritual
en Carcosa’. Uma odisseia imersiva que nos dispara e mergulha a uma
velocidade vertiginosa na vacuidade cósmica. Recostem-se confortavelmente,
apertem os cintos e sintam-se eclodir na direcção dos astros à boleia de uma
guitarra alucinante que se tonifica e obscurece em riffs calorosos, vivazes, prepotentes e ostentosos, e se desvaira e
enlouquece na surpreendente condução de solos extravagantes, frenéticos,
edénicos e fascinantes, uma bateria galopante, explosiva e inflamante que
esporeia e incendeia toda esta fervorosa atmosfera, um baixo massivo de reverberação
oscilante, corpulenta, magnética e dançante, e uma voz ecoante, monocórdica e
liderante que se debate com ousadia no centro desta efervescência ciclónica que
climatiza toda a esfera de ‘Ritual en Carcosa’. São 37 minutos
de uma constante excitação que nos sustenta atolados e estacionados num
profundo estádio de perfeita comoção, gáudio e erupção espiritual. Este é um
álbum distintamente executado a uma tecnicidade exuberante, emotividade desarmante
e a uma velocidade incrivelmente atordoante que nos mantém de atenção a ele
atrelada do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se provocar e agitar pela
impetuosa lubricidade fervida e destilada pelos espanhóis Kamadeva e vivenciem como puderem o vulcânico trago de adrenalina
auditiva de um dos álbuns mais pujantes, virtuosos e eletrizantes de 2018.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
quinta-feira, 7 de junho de 2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Review: ⚡ Mystic Sons - ‘Mystic Sons’ (2018) ⚡
Da pequena cidade de Martigny (Valais, Suíça) chega-nos
o fabuloso álbum de estreia do power-trio
Mystic Sons. Lançado no passado dia
1 de Junho nos formatos físicos de CD e vinil (ambos com edições limitadas a
poucas cópias existentes) através da sua página oficial de Bandcamp, este disco de designação homónima ostenta um ardente, poderoso,
perfumado e atraente Heavy Blues de
ares retro – alavancado e lubrificado
por um ritmado, musculoso, viçoso e torneado Stoner Rock fervido e fermentado pelo cáustico efeito Fuzz – que nos incendeia e atesta de
adrenalina. A sua sonoridade intensamente provocante, dinâmica e contagiante
traz-nos uma quente, sedutora e inebriante brisa veraneia que fascina, afaga e
extasia o ouvinte do primeiro ao derradeiro tema. Sintam-se planar todo um
deserto corado, ressequido e calejado pelo Sol vigilante, e modelado e acariciado
por uma tonificante e celestial bafagem suspirada pelos astros. É esta a
ambiência visual que a envolvente musicalidade de ‘Mystic Sons’ edifica e
sustenta no nosso imaginário. Deixem-se bronzear pela tórrida resplandecência
desta formação helvética ao som de uma guitarra vulcânica que se revigora em cativantes,
viris, lascivos e vibrantes riffs e
se desembaraça em solos alucinantes, ácidos, gritantes e vertiginosos, uma voz escaldante,
áspera, enérgica e picante que eclode, se exaspera e inflama, um baixo
oscilante e viajante – soberbamente domado e canalizado a linhas volumosas, fluídas,
oleadas e umbrosas - que fortifica e
obscurece todas as extravagantes indagações da guitarra, uma bateria animada e acalorada
– de ritmicidade ofuscante, hipnótica, erótica e entusiasmante – que compassa e
apimenta toda esta adorável digressão de pés enterrados nas sedosas dunas do
deserto, cabeça abraçada e embaciada pela poeira estelar, e olhar ancorado no
firmamento que se desdobra pela infinidade adentro. De destacar ainda a
colorida, forte e rebuscada expressividade do artwork – brilhantemente concebido pela ilustradora suíça Amélie Avril – que reveste na perfeição
este extraordinário disco. ‘Mystic Sons’ é um álbum irresistivelmente
estético e arrebatador que nos preenche e agita de uma euforia contida. Ingressem
nesta edénica e estonteante travessia desértica à emocionante e impactante boleia sonora
de um dos registos mais portentosos do ano.
terça-feira, 5 de junho de 2018
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Review: ⚡ Svvamp - ‘2’ (2018) ⚡
Depois de uma tão auspiciosa
e encantadora estreia com o lançamento do seu disco homónimo datado de 2016 (review aqui), este adorável power-trio sueco – sediado na cidade
sulista de Jönköping – está de
regresso com o seu segundo álbum ‘2’. Apesar do seu nascimento estar
agendado apenas para o próximo dia 8 de Junho na forma física de CD e vinil
pela mão do produtivo selo discográfico norte-americano RidingEasy Records, este novo álbum de Svvamp acaba de ser disponibilizado para escuta integral na sua
página oficial de Bandcamp. Antes de
me delongar na desconstrução lírica de ‘2’ é justo começar por confessar
que este se tratava de um dos registos por mim mais aguardados do ano e,
portanto, foi com uma grande urgência e desmedido entusiasmo que me lançara na
sua escuta. A par do que já sucedera na produção do seu disco de estreia, ‘2’
vem nutrido e conduzido por um atraente, ritmado, relaxado e apaixonante Heavy Blues de ares revivalistas que –
em parceria com um vistoso, oleado, requintado e vigoroso Hard Rock – nos reencaminha para a dourada e nostálgica era setentista. A sua sonoridade transpira e
resplandece um intenso e doce erotismo por todos os seus poros, causando no ouvinte um
intenso deslumbramento que o envolve, massaja e embrenha na sua edénica
melosidade. Existe algo de verdadeiramente irresistível na mística essência de ‘2’
que nos obriga a vivenciá-lo de olhar desmaiado, sorriso talhado no rosto, e
corpo detidamente entregue a um hipnótico e serpenteante bailado. Na essência
deste maravilhoso tridente nórdico, está uma guitarra sumptuosa que se envaidece
e estarrece em ardentes, doces, harmoniosos e comoventes riffs, e se agita e excita em solos borbulhantes, ácidos, alucinógenos
e delirantes, uma voz aveludada, agradável, melódica e cuidada que se passeia e
pavoneia graciosa e livremente, um baixo groovy
– soberbamente conduzido e sombreado a linhas pulsantes, robustas e dançantes –
que hasteia, ostenta e segura firmemente o riff
base sem nunca o perder de vista, e uma provocante bateria de atitude Funk’eana que tempera e apimenta toda a
quente e libidinosa ritmicidade de ‘2’. Este é um disco estupendo –
cozinhado e executado a delicadeza, paixão e capricho – que nos inspira, fascina
e extasia do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se enfeitiçar pela desarmante e
transbordante sublimidade deste segundo e novo álbum de Svvamp e vivenciem com total feitiço e veneração aquele que no
final do ano estará indubitavelmente perfilado por entre os melhores dos
melhores discos nascidos em 2018. Uma pura ode epicurista de adoração e consagração aos sentidos e alma de quem nele invista.
domingo, 3 de junho de 2018
Review: ⚡ Witchskull - ‘Coven's Will’ (2018) ⚡
O potente tridente
australiano Witchskull acaba de
presentear toda sua vasta e crescente legião de seguidores com o tão aguardado lançamento
do segundo álbum apelidado de ‘Coven’s Will’ e promovido pelo
influente selo discográfico londrino Rise
Above Records nos formatos físicos de CD e vinil. Gravado em Nova-Iorque, EUA (Studio G) debaixo da exímia produção de Billy Anderson (famoso pelo seu envolvimento como produtor de
bandas como Sleep, Neurosis e Buzzov•en) este novo álbum da formação sediada na cidade-capital de
Camberra vem atestado e robustecido
de um musculoso, intenso, obscuro e portentoso Heavy Doom de aparência e essência luciférica que nos atropela, incita e conquista com
tremenda impetuosidade, fervura e celeridade. A sua sonoridade sombria, opulenta,
volumosa e turbulenta percorre toda a distensão do álbum como que uma
enfurecida, avassaladora e desgovernada locomotiva arrasando tudo à sua volta. São cerca de 35 minutos governados,
varridos e assombrados por uma viril, obscura, febril e titânica avalanche que
nos assola e soterra na sua brumosa, soberana e ostentosa supremacia. Na formação
desta intrigante, demoníaca e absorvente atmosfera de feições ditatoriais, está
uma guitarra autoritária que se agiganta e desenvolve na edificação de riffs corrosivos, monolíticos,
carregados e massivos, e se desprende e extravia no domínio e orientação de alucinantes,
vertiginosos, serpenteantes e aparatosos solos, um baixo vibrante de bafo estrondoso,
tonificante, compacto e magnetizante que nos atemoriza e estremece com a sua
corpulenta e violenta reverberação, uma bateria activa – de ritmicidade
galopante, impulsiva e excitante – que nos esporeia e incendeia de adrenalina,
e ainda uma voz ardente, felina e insurgente que inflama e fervilha toda esta potente
descarga sonora. ‘Coven’s Will’ é um disco executado a uma só velocidade que nos
sacode e implode do primeiro ao último minuto. Enfrentem toda a vulcânica, arrebatada
e selvática ferocidade detonada e disseminada pelos Witchskull e enfrentem como poderem um dos registos mais impressionantes
de 2018.
sábado, 2 de junho de 2018
Subscrever:
Mensagens (Atom)




























