sexta-feira, 17 de maio de 2019

✌️ Harley and J

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🕊 Jimi Hendrix @ Benedict Canyon, Los Angeles (09/09/1968)

📀 Swan Valley Heights - "Teeth & Waves" (06/09/2019 via Fuzzorama Records)

Sucking the 70's

🔌 Saint Vitus - 'Saint Vitus' (2019, Season of Mist)

Review: ⚡ Dommengang - 'No Keys' (2019) ⚡

Depois de na madrugada do passado ano de 2018 ter dissertado e elogiado o adorável e irreprovável ‘Love Jail’ (review aqui), eis que os californianos Dommengang convocam novamente a minha atenção e motivam a uma renovada bajulação. ‘No Keys’ é o terceiro álbum deste fascinante tridente originário da exótica cidade de Los Angeles, lançado hoje mesmo pela prestigiada Thrill Jockey Records (afamada editora norte-americana, sediada em Chicago e responsável pela promoção de todos os trabalhos discográficos da banda até à data) nos formatos físicos de CD e vinil, e que se alicerça num ensolarado, extasiante, ofuscante e delirado Psych Rock de bafagem veraneia em harmonioso diálogo com um elegante, oleado, torneado e serpenteante Blues Rock de ritmicidade Boogie e ainda um entusiasmante, lascivo e contagiante Garage Rock fervido e inflamado pelo efeito Fuzz. A sua sonoridade magnetizante, sublimada, enfeitiçada e inebriante – brilhantemente climatizada por uma mágica, paradisíaca e envolvente nebulosidade a fazer recordar não só os seus vizinhos californianos Sleepy Sun, como os míticos canadianos Quest For Fire que tantas saudades em mim deixaram – causa no ouvinte uma forte sensação de relaxamento, apego e deslumbramento impossível de contrariar. De ouvidos salivantes, olhar petrificado, sorriso imortalizado no rosto e alma arrebatada, somos mareados e balanceados pela edénica maviosidade de ‘No Keys’ que edifica no nosso imaginário todo um esplendoroso deserto californiano, de Sol esbatido e debruçado sobre as montanhas que delimitam e emolduram o horizonte crepuscular, uma dançante, anestésica e suavizante brisa de aroma floral que se entrelaça nos nossos cabelos e escoa pelas nossas narinas dilatadas, e onde toda uma apaziguante, carismática e reinante ambiência Western sobrevoa as cálidas, tisnadas e sedosas areias deste lisérgico oceano desértico. Deixem-se bronzear e mistificar pelos provocantes e inquietantes bailados de uma guitarra soberbamente ritmada que se envaidece e estarrece em cativantes, flexíveis e emocionantes riffs e se ultrapassa e endoidece na criação e condução de solos verdadeiramente estonteantes, requintados, desconcertantes e orgásmicos, um tonificante baixo desenhado e sombreado a linhas reverberantes, hipnotizantes, fibróticas e oscilantes, uma bateria expressiva e criativa de excitante e vibrante galope, e ainda um hipnotizante, ecoante, luminoso e apaziguante  coro vocal que contrasta na perfeição com a fogosidade instrumental. Este novo álbum de Dommengang prende um perfeito sentimento nirvânico que me farolizara, enfeitiçara e arrebatara do primeiro ao último minuto. ‘No Keys’ é um registo verdadeiramente excepcional, de essência intensamente esplendorosa, exultante e voluptuosa, que certamente surpreenderá e apaixonará todo aquele que nela se deliciar. Um dos álbuns mais enternecedores e comoventes de 2019 está aqui, na maravilhosa obra-prima presenteada pelos inspirados Dommengang. Um autêntico paraíso devocional para absoluto gáudio do nosso espírito mental e sensorial.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Review: ⚡ Pyramidal - 'Pyramidal' (2019) ⚡

Da vizinha Espanha chega-nos o espantoso novo álbum de uma das bandas mais aclamadas do flanco underground da música Rock espanhola: Pyramidal. Esta talentosa formação, recém transfigurada de quarteto para quinteto, e localizada na cidade sulista de Alicante lançara em meados do passado mês de Abril o homónimo ‘Pyramidal’ através da parceria discográfica promovida pela espanhola Surnia Records (em formato de CD) e a holandesa Lay Bare Recordings (em formato de vinil), e o mesmo provocara em mim um intenso estádio de encantamento logo na primeira audição que lhe dedicara. Fundamentado num magistral, opulento e orquestral Prog Rock de inspiração revivalista, um envolvente, meditativo e eloquente Space Rock de alcance extraplanetário e ainda um poderoso, ostentoso e empolgante Heavy Psych de elevada toxicidade, este deslumbrante e exuberante álbum traz o intrigante peso e denso negrume de uns Black Sabbath, a sagrada, sublimada e sedutora fragância de uns Pink Floyd e os copiosos, extravagantes e inebriantes bailados de uns Hawkwind. A sua sonoridade soberbamente complexa de ‘Pyramidal’ – tecida e nutrida a uma desarmante tecnicidade, primorosa subtileza e magnetizante vistosidade – vem confirmar um elevado grau de maturação e cumplicidade instrumental nunca antes alcançado pelos espanhóis. Uma gloriosa, carnavalesca e caprichosa odisseia sensorial que nos atesta de um crescente fascínio e projecta pelos infindáveis firmamentos da vacuidade sideral. De visão vendada, cabeça rodopiante e alma atordoada, somos enfeitiçados e estimulados pela maestria de duas guitarras principescas e enigmáticas que se unificam na elevação e orientação de épicos, formosos e quiméricos riffs e se serpenteiam e galanteiam na exteriorização de solos rendilhados, hipnóticos e alucinados, um baixo dançante de linhas bafejantes, fluídas e pulsantes, uma bateria diligente que se conduz a uma ritmicidade altiva, dinâmica e criativa, e um mágico sintetizador que borrifa toda a atmosfera de ‘Pyramidal’ com uma aura celestial de idioma alienígena. É-me ainda importante destacar e elogiar as colaborações adicionais de um exótico saxofone que se perde e encontra por entre os seus ziguezagueantes, esquizofrénicos e delirantes bailados, e um violino que com os seus sedosos, apaziguantes e pomposos movimentos sobrevoa a atmosfera desta epopeica narrativa superiormente pensada e executada por Pyramidal. Chego ao final destes 47 minutos que balizam esta obra-prima hispânica de expectativa não só saciada como superada, e alma profundamente assombrada, absorta e conquistada por todo o requintado talento que ‘Pyramidal’ encerra. Estamos seguramente na honrosa presença de um dos álbuns portadores da beleza e destreza mais consumadas de 2019. Irretocável.

👨‍🚀 Sleep [USA Tour 2019]

Artwork: Dave Kloc

© Robert Crumb

🙏 OM [Kulturkirken JAKOB, 2019]

✌🏻 Grateful Dead // Human Be-In (1967)

★ Uncle Acid and the deadbeats - Runaway Girls

terça-feira, 14 de maio de 2019

🔌 Zig Zags - 'They'll Never Take Us Alive' (RidingEasy Records, 2019)

Review: ⚡ Vago Sagrado - 'Vol. III' (2019) ⚡

Da grande e populosa cidade-capital de Santiago (no Chile) chega-nos o novo e terceiro álbum do tridente Vago Sagrado. Oficialmente lançado no início de Março pela mão do selo discográfico peruano Necio Records sob a forma física de vinil (numa prensagem ultra-limitada a apenas 250 cópias existentes, produzidas em solo europeu e distribuídas a partir da Alemanha), este ‘Vol. III’ passeia o ouvinte pelas suas místicas, plácidas e idílicas paisagens sonoras tecidas, coloridas e desdobradas por um inebriante, sublime e delirante Shoegaze em harmoniosa consonância com um envolvente, hipnótico e viajante Krautrock, um carismático, empolgante e dançante Post-Punk à boa moda de uns Bauhaus, Killing Joke e Joy Division, e ainda um vibrante, alucinógeno e deslumbrante Neo-Psych de padrões revivalistas. A mágica e temulenta musicalidade deste terceiro capítulo – pertencente à fascinante odisseia principiada em 2015 por estes talentosos músicos chilenos – tem a capacidade de exorcizar a nossa consciência do solo terrestre e catapulta-la para as mais distantes costuras do Cosmos. Uma alternância mental que tanto nos eclipsa a alma e a unge de uma doce melancolia, como em nós faz florescer todo um adorável manto primaveril de cores berrantes, aromas quentes e luminosidade ofuscante. E é esta bipolaridade de ‘Vol. III’ que faz dele um álbum de natureza verdadeiramente intrigante, misteriosa e tocante. Uma evolutiva viagem de cariz introspectivo que nos conduz dos mais obscurecidos e soterrados abismos da existência humana aos mais elevados e ensolarados píncaros da alma. Deixem-se absorver e embriagar nas profundezas deste distorcido universo onírico ao volante de uma guitarra nutrida a lisergia que se manifesta em fascinantes, anestésicos e magnetizantes acordes de essência morfínica, e se transcende em borbulhantes, venenosos e atordoantes solos de lamacento psicadelismo, um baixo modorrento e sonolento de linhas desenhadas e bafejadas a uma reverberação ondulante, fluída e pulsante, uma emocionante bateria esporeada e locomovida a duas velocidades, e uma voz afagante, ecoante, profética e liderante (que oscila entre um Ian Curtis dos históricos Joy Division e um Brian McMahan dos míticos Slint). São estes os ingredientes elementares que em aliciante e erótica conjugação fazem deste novo trabalho de longa duração de Vago Sagrado, um registo verdadeiramente irresistível e impactante. Uma gloriosa ascensão que nos transporta do infortúnio ao triunfo em apenas 47 minutos de duração. Um disco impossível de passar despercebido aos ouvidos que nele ancorarem a sua atenção.

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