sábado, 18 de maio de 2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Review: ⚡ Dommengang - 'No Keys' (2019) ⚡
Depois de na madrugada do
passado ano de 2018 ter dissertado e elogiado o adorável e irreprovável ‘Love Jail’ (review aqui), eis que os
californianos Dommengang convocam
novamente a minha atenção e motivam a uma renovada bajulação. ‘No
Keys’ é o terceiro álbum deste fascinante tridente originário da exótica
cidade de Los Angeles, lançado hoje
mesmo pela prestigiada Thrill Jockey
Records (afamada editora norte-americana,
sediada em Chicago e responsável
pela promoção de todos os trabalhos discográficos da banda até à data) nos
formatos físicos de CD e vinil, e que se alicerça num ensolarado, extasiante, ofuscante
e delirado Psych Rock de bafagem
veraneia em harmonioso diálogo com um elegante, oleado, torneado e serpenteante
Blues Rock de ritmicidade Boogie
e ainda um entusiasmante, lascivo e contagiante Garage Rock fervido e inflamado pelo efeito Fuzz. A sua sonoridade
magnetizante, sublimada, enfeitiçada e inebriante – brilhantemente climatizada por
uma mágica, paradisíaca e envolvente nebulosidade a fazer recordar não só os seus
vizinhos californianos Sleepy Sun, como
os míticos canadianos Quest For Fire
que tantas saudades em mim deixaram – causa no ouvinte uma forte sensação de relaxamento,
apego e deslumbramento impossível de contrariar. De ouvidos salivantes, olhar
petrificado, sorriso imortalizado no rosto e alma arrebatada, somos mareados e
balanceados pela edénica maviosidade de ‘No Keys’ que edifica no nosso
imaginário todo um esplendoroso deserto californiano, de Sol esbatido e debruçado
sobre as montanhas que delimitam e emolduram o horizonte crepuscular, uma
dançante, anestésica e suavizante brisa de aroma floral que se entrelaça nos
nossos cabelos e escoa pelas nossas narinas dilatadas, e onde toda uma
apaziguante, carismática e reinante ambiência Western sobrevoa as cálidas, tisnadas e sedosas areias deste lisérgico
oceano desértico. Deixem-se bronzear e mistificar pelos provocantes e inquietantes
bailados de uma guitarra soberbamente ritmada que se envaidece e estarrece em cativantes,
flexíveis e emocionantes riffs e se ultrapassa
e endoidece na criação e condução de solos verdadeiramente estonteantes, requintados,
desconcertantes e orgásmicos, um tonificante baixo desenhado e sombreado a
linhas reverberantes, hipnotizantes, fibróticas e oscilantes, uma bateria
expressiva e criativa de excitante e vibrante galope, e ainda um hipnotizante, ecoante,
luminoso e apaziguante coro vocal que
contrasta na perfeição com a fogosidade instrumental. Este novo álbum de Dommengang prende um perfeito
sentimento nirvânico que me farolizara, enfeitiçara e arrebatara do primeiro ao
último minuto. ‘No Keys’ é um registo verdadeiramente excepcional, de essência
intensamente esplendorosa, exultante e voluptuosa, que certamente surpreenderá
e apaixonará todo aquele que nela se deliciar. Um dos álbuns mais enternecedores
e comoventes de 2019 está aqui, na maravilhosa obra-prima presenteada pelos inspirados
Dommengang. Um autêntico paraíso devocional
para absoluto gáudio do nosso espírito mental e sensorial.
Links:
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➥ Thrill Jockey Records
➥ Bandcamp
➥ Thrill Jockey Records
quinta-feira, 16 de maio de 2019
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Review: ⚡ Pyramidal - 'Pyramidal' (2019) ⚡
Da vizinha Espanha chega-nos o espantoso novo álbum
de uma das bandas mais aclamadas do flanco underground
da música Rock espanhola: Pyramidal. Esta talentosa formação, recém
transfigurada de quarteto para quinteto, e localizada na cidade sulista de Alicante lançara em meados do passado
mês de Abril o homónimo ‘Pyramidal’ através da parceria
discográfica promovida pela espanhola Surnia Records (em
formato de CD) e a holandesa Lay Bare Recordings
(em formato de vinil), e o mesmo provocara em mim um intenso estádio de encantamento
logo na primeira audição que lhe dedicara. Fundamentado num magistral, opulento
e orquestral Prog Rock de inspiração
revivalista, um envolvente, meditativo e eloquente Space Rock de alcance extraplanetário e ainda um poderoso,
ostentoso e empolgante Heavy Psych
de elevada toxicidade, este deslumbrante e exuberante álbum traz o intrigante
peso e denso negrume de uns Black
Sabbath, a sagrada, sublimada e sedutora fragância de uns Pink Floyd e os copiosos, extravagantes
e inebriantes bailados de uns Hawkwind.
A sua sonoridade soberbamente complexa de ‘Pyramidal’ – tecida e nutrida a uma
desarmante tecnicidade, primorosa subtileza e magnetizante vistosidade – vem
confirmar um elevado grau de maturação e cumplicidade instrumental nunca antes alcançado
pelos espanhóis. Uma gloriosa, carnavalesca e caprichosa odisseia sensorial que
nos atesta de um crescente fascínio e projecta pelos infindáveis firmamentos da
vacuidade sideral. De visão vendada, cabeça rodopiante e alma atordoada, somos enfeitiçados
e estimulados pela maestria de duas guitarras principescas e enigmáticas que se unificam na
elevação e orientação de épicos, formosos e quiméricos riffs e se serpenteiam e galanteiam na exteriorização de solos rendilhados,
hipnóticos e alucinados, um baixo dançante de linhas bafejantes, fluídas e pulsantes,
uma bateria diligente que se conduz a uma ritmicidade altiva, dinâmica e criativa,
e um mágico sintetizador que borrifa toda a atmosfera de ‘Pyramidal’ com uma aura
celestial de idioma alienígena. É-me ainda importante destacar e elogiar as
colaborações adicionais de um exótico saxofone que se perde e encontra por entre
os seus ziguezagueantes, esquizofrénicos e delirantes bailados, e um violino que
com os seus sedosos, apaziguantes e pomposos movimentos sobrevoa a atmosfera
desta epopeica narrativa superiormente pensada e executada por Pyramidal. Chego ao final destes 47
minutos que balizam esta obra-prima hispânica de expectativa não só saciada
como superada, e alma profundamente assombrada, absorta e conquistada por todo o requintado
talento que ‘Pyramidal’ encerra. Estamos seguramente na honrosa presença de
um dos álbuns portadores da beleza e destreza mais consumadas de 2019. Irretocável.
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➥ Surnia Records
➥ Lay Bare Recordings
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terça-feira, 14 de maio de 2019
Review: ⚡ Vago Sagrado - 'Vol. III' (2019) ⚡
Da grande e populosa
cidade-capital de Santiago (no Chile) chega-nos o novo e terceiro álbum
do tridente Vago Sagrado. Oficialmente
lançado no início de Março pela mão do selo discográfico peruano Necio Records sob a forma física de
vinil (numa prensagem ultra-limitada a apenas 250 cópias existentes, produzidas
em solo europeu e distribuídas a partir da Alemanha), este ‘Vol. III’ passeia o
ouvinte pelas suas místicas, plácidas e idílicas paisagens sonoras tecidas,
coloridas e desdobradas por um inebriante, sublime e delirante Shoegaze em harmoniosa consonância com
um envolvente, hipnótico e viajante Krautrock,
um carismático, empolgante e dançante Post-Punk
à boa moda de uns Bauhaus, Killing Joke e Joy Division, e ainda um vibrante, alucinógeno e deslumbrante Neo-Psych de padrões revivalistas. A mágica
e temulenta musicalidade deste terceiro capítulo – pertencente à fascinante
odisseia principiada em 2015 por estes talentosos músicos chilenos – tem a
capacidade de exorcizar a nossa consciência do solo terrestre e catapulta-la para
as mais distantes costuras do Cosmos. Uma alternância mental que tanto nos
eclipsa a alma e a unge de uma doce melancolia, como em nós faz florescer todo
um adorável manto primaveril de cores berrantes, aromas quentes e luminosidade
ofuscante. E é esta bipolaridade de ‘Vol. III’ que faz dele um álbum de
natureza verdadeiramente intrigante, misteriosa e tocante. Uma evolutiva viagem
de cariz introspectivo que nos conduz dos mais obscurecidos e soterrados
abismos da existência humana aos mais elevados e ensolarados píncaros da alma.
Deixem-se absorver e embriagar nas profundezas deste distorcido universo
onírico ao volante de uma guitarra nutrida a lisergia que se manifesta em fascinantes,
anestésicos e magnetizantes acordes de essência morfínica, e se transcende em
borbulhantes, venenosos e atordoantes solos de lamacento psicadelismo, um baixo
modorrento e sonolento de linhas desenhadas e bafejadas a uma reverberação ondulante,
fluída e pulsante, uma emocionante bateria esporeada e locomovida a duas
velocidades, e uma voz afagante, ecoante, profética e liderante (que oscila
entre um Ian Curtis dos históricos Joy Division e um Brian McMahan dos míticos Slint).
São estes os ingredientes elementares que em aliciante e erótica conjugação fazem
deste novo trabalho de longa duração de Vago
Sagrado, um registo verdadeiramente irresistível e impactante. Uma gloriosa
ascensão que nos transporta do infortúnio ao triunfo em apenas 47 minutos de
duração. Um disco impossível de passar despercebido aos ouvidos que nele ancorarem a sua atenção.
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➥ Necio Records
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➥ Necio Records
segunda-feira, 13 de maio de 2019
domingo, 12 de maio de 2019
sábado, 11 de maio de 2019
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