quarta-feira, 7 de abril de 2021
terça-feira, 6 de abril de 2021
segunda-feira, 5 de abril de 2021
domingo, 4 de abril de 2021
Review: ⚡ La Era de Acuario - 'La Era de Acuario' (2021) ⚡
Da outra margem do
oceano Atlântico chega-nos uma das mais apaixonantes surpresas musicais do
presente ano. Oficialmente lançado no passado mês de Março pela mão do incansável
selo discográfico peruano Necio Records em formato digital e numa muito apelativa
e ultra-limitada edição em formato físico de vinil (pintalgada com respingos de coloração violeta e de prensagem reduzida a apenas 300 cópias na iminência de esgotar), ‘La
Era de Acuario’ simboliza o homónimo e paradisíaco álbum de estreia (e
que estreia!) deste encantador sexteto mexicano. De pés ancorados na populosa
capital da Cidade do México e espíritos boémios a vaguear pelo icónico
bairro de Haight-Ashbury (localizado em São Francisco, Califórnia)
– epicentro difusor do movimento hippie testemunhado na década de 1960 – estes
aztecas celebram todo um purificante, nebuloso e misterioso ritual de essência
xamânica e afago espiritual, de onde sobressai um embriagante, prismático,
onírico e deslumbrante Neo-Psych em erótica consonância com um alucinante,
colorido, perfumado e extasiante Acid Rock de buliçosa efervescência. A sua sonoridade extraordinariamente
estimulante, psicotrópica e dançante – escaldada e saturada de um exótico e afrodisíaco
misticismo, e costurada a exuberantes adereços de estética sessentista –
provoca no ouvinte toda uma mesclada salada sensorial, inesgotáveis visões caleidoscópicas, flutuantes miragens utópicas, e um imaculado estádio de transe sacramental. De
pupilas dilatadas e sentidos narcotizados, somos passeados acima de um tapete
voador pelos purpúreos céus crepusculares da velha Pérsia. Uma nirvânica, messiânica e lisérgica hipnose impregnada
de LSD que nos encandeia e bronzeia de filosófica resplandecência
hinduísta, e escancara as portas da percepção para uma extraordinária imersão no
excêntrico universo de Aldous Huxley. Na composição deste sagrado enteógeno
de odor vintage e calor latino estão duas guitarras intoxicantes de Riffs
serpentantes, arábicos e aliciantes de onde são uivados solos ziguezagueantes,
ácidos e delirantes, um pulsante baixo de linhas fibradas, torneadas e murmurantes,
uma bateria extrovertida de ritmicidade sedutora e clima tropical, uma contagiante
percussão de exuberância tribalista, um mágico órgão de vaporosos, refrescantes
e nebulosos bailados, e ainda uma voz enfeitiçante de tonalidade angelical, etérea
e espectral que voa e ecoa pela esotérica, melosa e fantasmagórica bruma de La
Era de Acuario. O sublimado portal visual – de seráficos, miríficos e detalhados
ornamentos – que confere um rosto escultural a esta irretocável obra de perímetro
magistral aponta os seus créditos autorais ao inconfundível ilustrador sueco Robin Gnista. Percam-se pelos infindáveis meandros desta labiríntica tapeçaria de
texturas revivalistas e encontrem-se num balsâmico e terapêutico oásis de consolação
e glorificação sensorial. ‘La Era de Acuario’ é condimentado por
um chamejante erotismo que não deixará ninguém indiferente. Não vai ser nada fácil
quebrar o dominante feitiço em nós instaurado por estes seis hippies da
era moderna, e despertar das vertiginosas profundezas deste entontecido sonho
lúcido para enfrentar o desconfortável silêncio que o sucede. Indubitavelmente
um dos mais notáveis álbuns do ano. Empoeirem-se e empoderem-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Necio Records
sábado, 3 de abril de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Review: ⚡ Mythic Sunship - 'Wildfire' (2021) ⚡
O fantástico quinteto
escandinavo Mythic Sunship está de regresso com a apresentação do seu novíssimo
trabalho de longa duração ‘Wildfire’, oficialmente lançado hoje
mesmo pela mão da influente discográfica nova-iorquina Tee Pee Records sob
a forma física de CD e vinil. Com mais de uma década de prolífica actividade – de
onde frutificaram oito memoráveis obras (boa parte delas carimbadas pelo adorável
selo dinamarquês El Paraíso Records) – este inventivo e talentoso colectivo
de raízes soterradas na cidade-capital de Copenhaga (Dinamarca) saíra
do estúdio sueco RMV Studio com um dos álbuns por mim mais ansiados de
2021. Com base na receita musical posta em prática desde a sua fundação – que combina
um imersivo, magnético e contemplativo Krautrock de aroma oriental, um colorido,
alucinógeno e delirado Psychedelic Rock de inspiração sessentista,
e ainda um intempestivo, catártico e expressivo Avant-Garde Jazz de
criatividade ilimitada – os Mythic Sunship estreiam mais um novo
capítulo da sua incrível e evolutiva odisseia auto-denominada “Anaconda Rock”.
Num perfeito equilíbrio entre bonanceiras passagens de envolvência edénica,
mística e deslumbrante, e tempestuosos, vibrantes e furiosos ciclones onde
todos os instrumentos se embrulham e amotinam numa louca orgia, a impactante sonoridade
de ‘Wildfire’ é condimentada e flamejada a um exótico, sónico e carnavalesco
experimentalismo sem fronteiras que o espartilhem ou delimitam. De transbordante
fascinação a ele atrelada e sobreaquecidos numa febril combustão, somos
varridos pela sua intensa toxicidade e viajados numa estonteante, acrobática e
electrizante montanha-russa de emoções empoladas e inflamadas. Percam-se e
encontrem-se num brumoso estádio de embriagada euforia à enlouquecedora boleia de
duas guitarras selváticas que esgrimam berrantes, ácidos, agitados e
ziguezagueantes solos, um baixo soberbamente Krauty que, com
as suas linhas onduladas, magnetizantes, dançantes e oleadas, se agarra com
unhas e dentes ao Riff-base, uma bateria incisiva de galope fervoroso, buliçoso
e provocante que tiquetaqueia todo este caos superiormente organizado, e ainda um
esdrúxulo saxofone que vomita serpenteantes, frenéticos, coléricos e trepidantes
choros capazes de nos testar os limites da sanidade mental. O admirável artwork
pincelado e oxigenado a beleza abstracta aponta os seus créditos autorais ao
ilustrador dinamarquês Tobias Holmbeck, e harmoniza-se na perfeição com
a labiríntica, estética e desarrumada musicalidade que o mesmo encerra. ‘Wildfire’
é um álbum lavrado a simbiótica e afrodisíaca improvisação de essência instrumental que nos ensurdece a
lucidez, satura de embriaguez, e embala numa vertiginosa, esvoaçante e
tumultuosa efervescência sem destino previamente traçado. Um registo de aventurosas
composições que nos despistam a capacidade de leitura musical e eternizam num anárquico
bacanal. Sintam-se transcender aos nirvânicos céus, catapultados pelos empolgantes,
polvorosos, sinuosos e triunfantes crescendos deste ‘Wildfire’, e experienciem como puderem todo o esplendor cósmico, místico e irreverente de um
dos mais sérios candidatos a disco do ano.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Tee Pee Records
quinta-feira, 1 de abril de 2021
🎬 Cinema & TV de Janeiro, Fevereiro e Março
The Shootist (1976) de Don Siegel ★★★★☆
The Color Purple (1985)
de Steven Spielberg ★★★★☆
Cobra Kai S03 (2021) de Robert Mark Kamen & Josh Heald ★★★★★
I Love You, Now Die (2019) de Erin Lee Carr ★★★★☆
Soul (2020) de Pete Docter ★★★★☆
Westworld S03 (2020) de Lisa Joy &
Jonathan Nolan ★★★★★
Nomadland (2020) de Chloé Zhao
★★★★☆
PJ Harvey: A Dog
Called Money (2019) de Seamus Murphy ★★★☆☆
Atypical S01 (2017)
de Robia Rashid
★★★★★
Promising Young Woman (2020) de Emerald
Fennell ★★★★☆
The Breadwinner (2017) de Nora Twomey ★★★★★
Atypical S02 (2018)
de Robia Rashid
★★★★★
Atypical S03 (2019) de Robia Rashid ★★★★★
Swallow (2019) de Carlo
Mirabella-Davis ★★★☆☆
An American Satan (2019) de Aram Garriga ★★★★☆
Gomorra S01 (2014) de Leonardo
Fasoli ★★★★★
RoboCop (1987) de Paul
Verhoeven ★★★★☆
A Clockwork Orange (1971) de Stanley
Kubrick ★★★★☆
Gomorra S02 (2016)
de Leonardo Fasoli ★★★★★
The Hallelujah Trail (1965) de John Sturges ★★★☆☆
V for Vendetta (2005) de James
McTeigue ★★★★★
Kubrick by Kubrick (2020) de Gregory Monro ★★★★☆
Almost Famous (2000) de Cameron Crowe ★★★★☆
Gomorra S03 (2017) de Leonardo
Fasoli ★★★★★
quarta-feira, 31 de março de 2021
Review: ⚡ The Black Heart Death Cult - 'Sonic Mantras' (2021) ⚡
Da insuspeita Austrália
– mais concretamente da artística cidade de Melbourne – chega-nos uma das
mais deliciosas iguarias sonoras confeccionadas no presente ano de 2021. Lançado
muito recentemente pela mão do selo discográfico germânico Kozmik Artifactz
em formato físico de vinil, ‘Sonic Mantras’ é o novo e segundo
álbum do talentoso e apaixonante colectivo australiano The Black Heart Death
Cult, e vem pincelado e aureolado por um lustroso, edénico e milagroso misticismo
de resplandecência estival e fragância oriental de onde facilmente se apalada
um refrescante, mélico, magnético e deslumbrante Shoegaze pautado a imersivos
e cativantes ritmos Krauty e tingido a diluviano e caleidoscópico
psicadelismo, que se desenvolve, agiganta e revolve num mântrico, fogoso,
venenoso e profético Heavy Psych de carregadas feições Doom’escas.
A sua sonoridade nirvânica, melíflua, sedosa e talismânica tem o dom de nos
farolizar, enternecer e canalizar pelas mais erógenas zonas da nossa
espiritualidade, ancorando-nos e perpetuando-nos num ébrio estádio de sublimado
e inesgotável encantamento. De pálpebras rebaixadas, olhar embaciado, ouvidos salivantes,
semblante petrificado e espírito reconfortado pela inefável doçura que este ‘Sonic
Mantras’ respira e transpira, somos embrumados e namorados pela bucólica,
etérea e afrodisíaca radiação de The Black Heart Death Cult, e acordados
no meio de um faustoso, expressivo e aparatoso bazaar. Usando e
ostentando ainda vistosos adereços vintage de indiscreta inspiração sessentista,
um negro véu onde florescem luminosas e chamejantes fornalhas estelares, e toda
uma ataráxica religiosidade de imediata veneração, ‘Sonic Mantras’
afunila e viaja o ouvinte numa labiríntica, prismática e inescapável hipnose de estímulo
sensorial. Deixem-se enfeitiçar e dominar pelas eróticas danças brilhantemente
coreografadas pelas dialogantes guitarras que se manifestam em pérsicos,
sinuosos, gloriosos e estéticos Riffs apimentados pelo rosnante e
crepitante efeito Fuzz, e delirantes, uivantes, tóxicos e serpenteantes solos
avinagrados a alucinógena acidez, pela murmurante reverberação pesadamente bafejada
por um baixo fibrótico, denso, tenso e elástico, pelos ritualísticos tambores
de uma bateria provocante, hipnótica, enfática e tribalista, pelos enigmáticos,
extensos e cósmicos mugidos vocalizados por um mágico, fantasioso e litúrgico órgão,
pela doce harmonia desprendida dos maviosos, caramelizados, espectrais e deleitosos
vocais de temperos celestiais, e ainda pelo xamânico exotismo de uma adornada, balsâmica,
messiânica e elaborada cítara que tricota de forma colorida e ziguezagueante o
derradeiro tema desta irretocável obra-prima. De estender ainda elogiosas apreciações
ao escultural artwork de requintadas, faraónicas e pormenorizadas texturas,
superiormente edificado pelo inventivo e habilidoso designer gráfico Adam Pobiak de
créditos há muito firmados. ‘Sonic Mantras’ é um álbum mutuamente
morfínico, delicado, ousado e eufórico. Um registo ensolarado a imaculada
beatitude que resvala nas costuras fronteiriças da perfeição, e reclama para si
mesmo toda a nossa fascinação. Deixem-se incensar nas suas sumptuosas melodias oxigenadas
a tocante e desarmante subtileza, e derretam-se nas abissais profundezas deste catártico,
ascético e sumarento néctar. Estamos seguramente na honrosa presença de um dos
grandes álbuns florescidos este ano.
Links:
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➥ Bandcamp
➥ Kozmik Artifactz






















