domingo, 4 de abril de 2021

👅 Gentle Giant - "Plain Truth" (1971)

🎁 Berry Oakley // Allman Brothers Band (04/04/1948 🎗 11/11/1972)

🎁 Muddy Waters (04/04/1913 🎗 30/04/1983)

© Hugh Holland, 1975

⚜️ Rick Wakeman // YES

Review: ⚡ La Era de Acuario - 'La Era de Acuario' (2021) ⚡

★★★★

Da outra margem do oceano Atlântico chega-nos uma das mais apaixonantes surpresas musicais do presente ano. Oficialmente lançado no passado mês de Março pela mão do incansável selo discográfico peruano Necio Records em formato digital e numa muito apelativa e ultra-limitada edição em formato físico de vinil (pintalgada com respingos de coloração violeta e de prensagem reduzida a apenas 300 cópias na iminência de esgotar), ‘La Era de Acuario’ simboliza o homónimo e paradisíaco álbum de estreia (e que estreia!) deste encantador sexteto mexicano. De pés ancorados na populosa capital da Cidade do México e espíritos boémios a vaguear pelo icónico bairro de Haight-Ashbury (localizado em São Francisco, Califórnia) – epicentro difusor do movimento hippie testemunhado na década de 1960 – estes aztecas celebram todo um purificante, nebuloso e misterioso ritual de essência xamânica e afago espiritual, de onde sobressai um embriagante, prismático, onírico e deslumbrante Neo-Psych em erótica consonância com um alucinante, colorido, perfumado e extasiante Acid Rock de buliçosa efervescência. A sua sonoridade extraordinariamente estimulante, psicotrópica e dançante – escaldada e saturada de um exótico e afrodisíaco misticismo, e costurada a exuberantes adereços de estética sessentista – provoca no ouvinte toda uma mesclada salada sensorial, inesgotáveis visões caleidoscópicas, flutuantes miragens utópicas, e um imaculado estádio de transe sacramental. De pupilas dilatadas e sentidos narcotizados, somos passeados acima de um tapete voador pelos purpúreos céus crepusculares da velha Pérsia. Uma nirvânica, messiânica e lisérgica hipnose impregnada de LSD que nos encandeia e bronzeia de filosófica resplandecência hinduísta, e escancara as portas da percepção para uma extraordinária imersão no excêntrico universo de Aldous Huxley. Na composição deste sagrado enteógeno de odor vintage e calor latino estão duas guitarras intoxicantes de Riffs serpentantes, arábicos e aliciantes de onde são uivados solos ziguezagueantes, ácidos e delirantes, um pulsante baixo de linhas fibradas, torneadas e murmurantes, uma bateria extrovertida de ritmicidade sedutora e clima tropical, uma contagiante percussão de exuberância tribalista, um mágico órgão de vaporosos, refrescantes e nebulosos bailados, e ainda uma voz enfeitiçante de tonalidade angelical, etérea e espectral que voa e ecoa pela esotérica, melosa e fantasmagórica bruma de La Era de Acuario. O sublimado portal visual – de seráficos, miríficos e detalhados ornamentos – que confere um rosto escultural a esta irretocável obra de perímetro magistral aponta os seus créditos autorais ao inconfundível ilustrador sueco Robin Gnista. Percam-se pelos infindáveis meandros desta labiríntica tapeçaria de texturas revivalistas e encontrem-se num balsâmico e terapêutico oásis de consolação e glorificação sensorial. ‘La Era de Acuario’ é condimentado por um chamejante erotismo que não deixará ninguém indiferente. Não vai ser nada fácil quebrar o dominante feitiço em nós instaurado por estes seis hippies da era moderna, e despertar das vertiginosas profundezas deste entontecido sonho lúcido para enfrentar o desconfortável silêncio que o sucede. Indubitavelmente um dos mais notáveis álbuns do ano. Empoeirem-se e empoderem-se nele.

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 Necio Records

sexta-feira, 2 de abril de 2021

🥁 Buddy Rich (30/09/1917 🎗 02/04/1987)

💥 The Who // Isle of Wight Festival (1969)

📀 King Buffalo - 'The Burden of Restlessness' (04/06/2021)

Review: ⚡ Mythic Sunship - 'Wildfire' (2021) ⚡

★★★★

O fantástico quinteto escandinavo Mythic Sunship está de regresso com a apresentação do seu novíssimo trabalho de longa duração ‘Wildfire’, oficialmente lançado hoje mesmo pela mão da influente discográfica nova-iorquina Tee Pee Records sob a forma física de CD e vinil. Com mais de uma década de prolífica actividade – de onde frutificaram oito memoráveis obras (boa parte delas carimbadas pelo adorável selo dinamarquês El Paraíso Records) – este inventivo e talentoso colectivo de raízes soterradas na cidade-capital de Copenhaga (Dinamarca) saíra do estúdio sueco RMV Studio com um dos álbuns por mim mais ansiados de 2021. Com base na receita musical posta em prática desde a sua fundação – que combina um imersivo, magnético e contemplativo Krautrock de aroma oriental, um colorido, alucinógeno e delirado Psychedelic Rock de inspiração sessentista, e ainda um intempestivo, catártico e expressivo Avant-Garde Jazz de criatividade ilimitada – os Mythic Sunship estreiam mais um novo capítulo da sua incrível e evolutiva odisseia auto-denominada “Anaconda Rock”. Num perfeito equilíbrio entre bonanceiras passagens de envolvência edénica, mística e deslumbrante, e tempestuosos, vibrantes e furiosos ciclones onde todos os instrumentos se embrulham e amotinam numa louca orgia, a impactante sonoridade de ‘Wildfire’ é condimentada e flamejada a um exótico, sónico e carnavalesco experimentalismo sem fronteiras que o espartilhem ou delimitam. De transbordante fascinação a ele atrelada e sobreaquecidos numa febril combustão, somos varridos pela sua intensa toxicidade e viajados numa estonteante, acrobática e electrizante montanha-russa de emoções empoladas e inflamadas. Percam-se e encontrem-se num brumoso estádio de embriagada euforia à enlouquecedora boleia de duas guitarras selváticas que esgrimam berrantes, ácidos, agitados e ziguezagueantes solos, um baixo soberbamente Krauty que, com as suas linhas onduladas, magnetizantes, dançantes e oleadas, se agarra com unhas e dentes ao Riff-base, uma bateria incisiva de galope fervoroso, buliçoso e provocante que tiquetaqueia todo este caos superiormente organizado, e ainda um esdrúxulo saxofone que vomita serpenteantes, frenéticos, coléricos e trepidantes choros capazes de nos testar os limites da sanidade mental. O admirável artwork pincelado e oxigenado a beleza abstracta aponta os seus créditos autorais ao ilustrador dinamarquês Tobias Holmbeck, e harmoniza-se na perfeição com a labiríntica, estética e desarrumada musicalidade que o mesmo encerra. ‘Wildfire’ é um álbum lavrado a simbiótica e afrodisíaca improvisação de essência instrumental que nos ensurdece a lucidez, satura de embriaguez, e embala numa vertiginosa, esvoaçante e tumultuosa efervescência sem destino previamente traçado. Um registo de aventurosas composições que nos despistam a capacidade de leitura musical e eternizam num anárquico bacanal. Sintam-se transcender aos nirvânicos céus, catapultados pelos empolgantes, polvorosos, sinuosos e triunfantes crescendos deste ‘Wildfire’, e experienciem como puderem todo o esplendor cósmico, místico e irreverente de um dos mais sérios candidatos a disco do ano.

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 Tee Pee Records

quinta-feira, 1 de abril de 2021

🍊 Wata // Boris

✠ Lemmy Kilmister // Motörhead (1977)

🦍 Hiro Yanagida - "Running Shirts Long" (1970, Milk Time)

🎁 45 years of RUSH - '2112' (01/04/1976, Mercury Records)

☕️ Freedom - 'Freedom' (1970, UK)

🎬 Cinema & TV de Janeiro, Fevereiro e Março

The Shootist (1976) de Don Siegel   ★★★★
The Color Purple (1985) de Steven Spielberg   ★★★★
Cobra Kai S03 (2021) de Robert Mark Kamen & Josh Heald   ★★★
I Love You, Now Die (2019) de Erin Lee Carr   ★★★★
Soul (2020) de Pete Docter   ★★★★
Westworld S03 (2020) de Lisa Joy & Jonathan Nolan   ★★★★★
Nomadland (2020) de Chloé Zhao   ★★★★
PJ Harvey: A Dog Called Money (2019) de Seamus Murphy   ★★★☆☆
Atypical S01 (2017) de Robia Rashid   ★★★★★
Promising Young Woman (2020) de Emerald Fennell   ★★★★
The Breadwinner (2017) de Nora Twomey   ★★★★★
Atypical S02 (2018) de Robia Rashid   ★★★★★
Atypical S03 (2019) de Robia Rashid   ★★★★★
Swallow (2019) de Carlo Mirabella-Davis   ★★★☆☆
An American Satan (2019) de Aram Garriga   ★★★★
Gomorra S01 (2014) de Leonardo Fasoli   ★★★★★
RoboCop (1987) de Paul Verhoeven   ★★★★
A Clockwork Orange (1971) de Stanley Kubrick   ★★★★
Gomorra S02 (2016) de Leonardo Fasoli   ★★★★★
The Hallelujah Trail (1965) de John Sturges   ★★★☆☆
V for Vendetta (2005) de James McTeigue   ★★★★★
Kubrick by Kubrick (2020) de Gregory Monro   ★★★★
Almost Famous (2000) de Cameron Crowe   ★★★★
Gomorra S03 (2017) de Leonardo Fasoli   ★★★★★

quarta-feira, 31 de março de 2021

Review: ⚡ The Black Heart Death Cult - 'Sonic Mantras' (2021) ⚡

★★★★

Da insuspeita Austrália – mais concretamente da artística cidade de Melbourne – chega-nos uma das mais deliciosas iguarias sonoras confeccionadas no presente ano de 2021. Lançado muito recentemente pela mão do selo discográfico germânico Kozmik Artifactz em formato físico de vinil, ‘Sonic Mantras’ é o novo e segundo álbum do talentoso e apaixonante colectivo australiano The Black Heart Death Cult, e vem pincelado e aureolado por um lustroso, edénico e milagroso misticismo de resplandecência estival e fragância oriental de onde facilmente se apalada um refrescante, mélico, magnético e deslumbrante Shoegaze pautado a imersivos e cativantes ritmos Krauty e tingido a diluviano e caleidoscópico psicadelismo, que se desenvolve, agiganta e revolve num mântrico, fogoso, venenoso e profético Heavy Psych de carregadas feições Doom’escas. A sua sonoridade nirvânica, melíflua, sedosa e talismânica tem o dom de nos farolizar, enternecer e canalizar pelas mais erógenas zonas da nossa espiritualidade, ancorando-nos e perpetuando-nos num ébrio estádio de sublimado e inesgotável encantamento. De pálpebras rebaixadas, olhar embaciado, ouvidos salivantes, semblante petrificado e espírito reconfortado pela inefável doçura que este ‘Sonic Mantras’ respira e transpira, somos embrumados e namorados pela bucólica, etérea e afrodisíaca radiação de The Black Heart Death Cult, e acordados no meio de um faustoso, expressivo e aparatoso bazaar. Usando e ostentando ainda vistosos adereços vintage de indiscreta inspiração sessentista, um negro véu onde florescem luminosas e chamejantes fornalhas estelares, e toda uma ataráxica religiosidade de imediata veneração, ‘Sonic Mantras’ afunila e viaja o ouvinte numa labiríntica, prismática e inescapável hipnose de estímulo sensorial. Deixem-se enfeitiçar e dominar pelas eróticas danças brilhantemente coreografadas pelas dialogantes guitarras que se manifestam em pérsicos, sinuosos, gloriosos e estéticos Riffs apimentados pelo rosnante e crepitante efeito Fuzz, e delirantes, uivantes, tóxicos e serpenteantes solos avinagrados a alucinógena acidez, pela murmurante reverberação pesadamente bafejada por um baixo fibrótico, denso, tenso e elástico, pelos ritualísticos tambores de uma bateria provocante, hipnótica, enfática e tribalista, pelos enigmáticos, extensos e cósmicos mugidos vocalizados por um mágico, fantasioso e litúrgico órgão, pela doce harmonia desprendida dos maviosos, caramelizados, espectrais e deleitosos vocais de temperos celestiais, e ainda pelo xamânico exotismo de uma adornada, balsâmica, messiânica e elaborada cítara que tricota de forma colorida e ziguezagueante o derradeiro tema desta irretocável obra-prima. De estender ainda elogiosas apreciações ao escultural artwork de requintadas, faraónicas e pormenorizadas texturas, superiormente edificado pelo inventivo e habilidoso designer gráfico Adam Pobiak de créditos há muito firmados. ‘Sonic Mantras’ é um álbum mutuamente morfínico, delicado, ousado e eufórico. Um registo ensolarado a imaculada beatitude que resvala nas costuras fronteiriças da perfeição, e reclama para si mesmo toda a nossa fascinação. Deixem-se incensar nas suas sumptuosas melodias oxigenadas a tocante e desarmante subtileza, e derretam-se nas abissais profundezas deste catártico, ascético e sumarento néctar. Estamos seguramente na honrosa presença de um dos grandes álbuns florescidos este ano.

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 Kozmik Artifactz