terça-feira, 30 de janeiro de 2024

🍄 Teonanácatl - "Lights of The Universe" (2024)

☕ Samuel Prody - 'Samuel Prody' (1971)

Review: 🌌 Minerall - 'Bügeln' (2024) 🌌

★★★★

Minerall é um projecto recém-nascido – com morada de residência situada algures entre a Alemanha e a Áustria – constituído por músicos originários de bandas como Electric Moon, Interkosmos, Zone Six, Speck, Kombynat Robotron e Earthbong que falam a mesma língua natural e musical. Intitulado Bügeln’ e editado pela germânica Sulatron Records através dos formatos LP (numa prensagem limitada a 500 cópias) e digital, este álbum de estreia do power-trio é norteado por um delirante, nirvânico, caleidoscópico e atordoante Psychedelic Rock de mescalina na sua corrente sanguínea, um deslumbrante, experimental, sideral e viajante Space Rock de exótica feitiçaria electrónica, e um repetitivo, obsessivo, hipnótico e pulsante Krautrock que nos gravita e mumifica na sua labiríntica teia de colagens rítmicas. Compartimentado em duas longas e arejadas jams de composição ácida, intuitiva, evolutiva e esmorecida – de criação instrumental, locomoção minimal e propensão astral – que nos desancora da gravidade terrestre e transcende aos mais longínquos céus do Cosmos narcotizante, obscuro e bocejante, ‘Bügeln’ é um registo morfínico, fantasioso e esfíngico, oxigenado a relaxante lisergia e pavimentado a intrigante misticismo. Uma penetrante, enleante e inescapável hipnose que nos anoitece, absorve e entorpece. Flutuem em velocidade de cruzeiro pelas mansas águas do infindável oceano cósmico – onde futuristas paisagens se revelam e desdobram em slow-motion – à enigmática boleia de uma guitarra anestésica que desataca solos intoxicantes, gélidos, pálidos e ecoantes, um baixo sonolento de linhas baloiçantes, elásticas e magnetizantes, uma bateria intimista de compasso tranquilizante, constante e minimalista, e um sintetizador ritualista que romantiza, electrifica e exorciza o espaço alienígena. São 44 minutos de uma submersão mesmérica que nos desmaia as pálpebras, adormece os sentidos e arremessa para junto dos mais longínquos, recônditos e solitários astros hibernados na eterna noite cósmica. Uma contemplativa, melancólica e imaginativa excursão espacial que nos climatiza e eteriza de um imperturbável transe espiritual. Não vai ser fácil – ou sequer desejado – despertar deste sonho acordado que nos mantém de espírito sedado e corpo relaxado num verdadeiro oásis sensorial. Está, assim, apresentado o primeiro capítulo desta fantástica odisseia galáctica denominada Minerall, que se espera duradoura, aventurosa e repleta de novos eventos para narrar a todos os terráqueos que içam com admiração o seu olhar esfaimado e sonhador pelos imersivos firmamentos astrais.

Links:
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 Sulatron Records

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Locanda Delle Fate - "Vendesi Saggezza" (1977)

Mark Lanegan - "Halcyon Daze" (2014)

Review: 👽 SLIFT - 'ILION' (2024) 👽

★★★★

Volvidos quatro anos após o lançamento de ‘UMMON’ (aqui trazido e esmiuçado), o tridente francês SLIFT está de regresso com a ciclónica explosividade que lhe é característica. Intitulado ‘ILION’ e promovido pela histórica editora discográfica norte-americana Sub Pop através dos formatos LP, CD e digital, este terceiro álbum da banda enraizada na cidade francesa de Toulouse vem munido de um electrizante, catártico, bombástico e euforizante Heavy Psych de fervilhante irreverência a fazer lembrar os australianos King Gizzard & the Lizard Wizard, um viajante, vertiginoso, ventoso e enfeitiçante Space Rock de sónica propulsão Hawkwind’esca, e ainda um estimulante, esponjoso, serpenteante e oleoso Krautrock de pulsação Can’ica e NEU!’esca. Situada numa atmosfera alienígena, febril e atordoante, a imaginativa, exótica e expansiva sonoridade de ‘ILION’ ricocheteia entre trepidantes, eufóricas, selváticas e inflamantes cavalgadas – desdobradas à boa moda de Baroness e Kylesa – que nos rodopiam na alucinante vertigem de um delirante vórtice, e reflexivas, etéreas, oníricas e lenitivas passagens de condimentos Progressivos – de inspiração trazida dos clássicos britânicos YES e Genesis – que nos relaxam, confortam e adormecem. Vagueando em órbita destes dois mundos tão desiguais, entre o apocalipse e a salvação, o ouvinte tanto é varrido e engolido por uma excitante, tormentosa e vibrante comoção que o sobreaquece e endoidece, como é banhado por uma sidérica, introspectiva e anestésica serenidade que o embevece e anoitece. São 80 minutos de uma admirável, apreciável e gloriosa odisseia Stanley Kubrick’esca, pilotada por uma vulcânica guitarra de fortes rajadas psicotrópicas que se manifesta em riffs monolíticos, sufocantes, despóticos e dilacerantes, e solos luzidios, ácidos, insanos e fugidios, um baixo atlético de linhas pulsantes, tensas, densas e dominantes, uma bélica bateria metralhada a um ritmo enérgico, ofensivo, altivo e frenético, vocais ecoantes, tanto gritados com pujança infernal e urticante ardor, como robotizados num tom celestial, monocórdico e sacerdotal, e sintetizadores enigmáticos, melódicos e dramáticos, criadores de toda uma deslumbrante ambiência cinematográfica SCI-FI. ‘ILION’ é um álbum de contornos messiânicos que nos jornadeia através da impiedosa centrifugação de um raivoso furacão locomovido a quente euforia, como das mansas águas de um infindável oceano oxigenado a fresca letargia. A banda-sonora perfeita para emoldurar a queda da humanidade e o renascimento de todas as coisas no tempo e no espaço.

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