sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Review: 🪐 Crypt Trip - 'Hard Ride to Venus' EP (2026) 🪐


★★★★★

Inesperadamente acordados de uma longa e desesperante hibernação com sete anos de duração, os remodelados texanos Crypt Trip estão finalmente de volta – para minha indisfarçável e extravasante emoção – às poeirentas estradas desbravadas e viajadas no passado por inesquecíveis álbuns como ‘Rootstock’ de 2018 e ‘HazeCounty’ de 2019. ‘Hard Ride to Venus’ dá nome ao tão ansiado regresso deste tridente domiciliado na cidade de Austin que vem até nós sob a exclusiva forma digital com selo autoral, mas com a intenção declarada de um futuro lançamento em formato físico de prensagem ultralimitada e editada de forma independente. Amanhecido e entardecido à empolgante boleia de um maturado, ornamentado e aventureiro Southern Rock de carisma no coldre que corre à rédea solta e lado a lado com um musculado, excitante e oleado Hard Rock de roupagem clássica e um charmoso, envelhecido e lustroso Texas Blues de brilho vintage, este belíssimo EP de indiscreta inspiração colhida nos gloriosos anos setenta anoitece serena e demoradamente debaixo da pálida luz lunar de uma balada Folk onde se testemunha com imperturbável feitiço e uma leve embriaguez um fascinante, simbiótico e apaixonante diálogo tricotado ao relento pelas cordas. Liberal, rústico, nostálgico e sentimental, ‘Hard Ride to Venus’ é um registo de curta duração, mas intensa sedução que nos desarma e conquista do primeiro ao derradeiro tema. De engraxadas texanas calçadas e chapéu de aba larga reclinado na cabeça, deambulamos e saltitamos – de olhar içado e cravado no firmamento – nas costas de um cavalo cansado pelos terrosos e sinuosos trilhos do arenoso coração rural do velho Texas. Ricocheteando entre apressadas, ritmadas e entusiasmantes cavalgadas de esporas ensanguentadas, e caramelizadas, tórridas e desérticas baladas de uma esbatida coloração sépia, vagueamos, sem destino traçado, pela desamarrada, perfumada e galante sonoridade de Crypt Trip. Banhem-se nos ofuscantes desertos de ‘Hard Ride to Venus’ superiormente musicados por uma guitarra com um irresistível swag que se bamboleia em desdobráveis, serpenteantes, picantes e adoráveis riffs e ziguezagueia em deslumbrantes, entrançados, delicados e derrapantes solos, um baixo groovy de reverberação pulsante, magnetizante e elástica, uma galopante bateria de sensibilidade e habilidade jazzísticas, e vocais amarelecidos, acetinados, melodiosos e emotivos. São 25 minutos verdadeiramente viciantes de um caleidoscópico encantamento que nos mantém confortavelmente relaxados num inamovível estádio de plena ataraxia. Este idílico EP representa a banda-sonora perfeita para emoldurar o último suspiro de um verão moribundo que se entrega aos braços agasalhados do Outono.

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