sexta-feira, 21 de junho de 2019

Sucking the 70's

📽 Brant Bjork @ Freak Valley Festival 2019

Review: ⚡ Acid Alice - 'The Road' (2019) ⚡

Da cidade do México (capital do México) chega-nos ‘The Road’, o euforizante, adorável e impactante álbum de estreia do quinteto Acid Alice. Oficialmente lançado no último suspiro de Maio através da sua página de Bandcamp e exclusivamente em formato digital, este primeiro trabalho da jovem formação azteca vem inflamado e perfumado por uma excitante combustão entre um elegante, ritmado, enérgico e electrizante Classic Rock e um vaidoso, aromatizado, ardente e poderoso Heavy Blues de indiscreta natureza revivalista. A sua sonoridade tricotada e colorida a uma entusiasmante e deslumbrante galopada à rédea solta provocara em mim todo um crescente estádio de pura fascinação e comoção que me atiçara e agitara do primeiro ao derradeiro tema. São 47 minutos afogueados e condimentados a uma destreza, sentimento e fineza incapazes de deixar os ouvintes mais exigentes apegados à indiferença. De olhar selado, maxilares cerrados e cabeça arremessada de ombro a ombro, sintam-se venerar e serpentear os eróticos bailados de duas guitarras primorosas que se exteriorizam, locomovem e enfatizam em majestosos, empolgantes, fumegantes e ostentosos riffs de onde desabrocham atordoantes, sublimes, refinados e delirantes solos em debandada, balancear o corpo num movimento pendular ao magnetizante som de um ofegante baixo reverberado a linhas pulsantes, arrojadas, torneadas e dançantes, embriagar de adrenalina à incitante boleia de uma bateria endiabrada e desembaraçada que tão bem conjuga a febril explosividade com a melodiosa delicadeza, e arrebatar com os surpreendentes dotes vocais de uma desarmante voz lubrificada a melosidade, harmonia, corrosão e graciosidade que tanto se encrespa com portentosos rugidos, como se suaviza com melódicas e aveludadas passeatas. ‘The Road’ é um álbum integralmente pensado e executado à minha imagem. Dele são destilados todos os elementos que mais procuro ouvir na música Rock e, portanto, tudo em mim me faz considera-lo como um dos mais singulares e inspiradores trabalhos nascidos e promovidos em 2019. Deixem-se perfumar, embevecer e destravar a trote desta estonteante cavalgada à boa moda dos airosos 60’s e dos musculados 70’s, e vivenciem com todos os sentidos acordados e apurados a alma desta autêntica obra-prima de origem sul-americana. Uma das mais distintas surpresas sonoras do ano está aqui, na talentosa e cheirosa irreverência dos mexicanos Acid Alice.

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quinta-feira, 20 de junho de 2019

⚡️ F*ck yeah, RUSH!

© Getty Images

🌠 Led Zeppelin (via Best magazine, 1972)

© Leander Russ - "At the Pyramids" (1842)

🐫 Camel - "Arubaluba" (Live, 1973)

Lisa Alley // The Well

📸 Brin de Zinc

Review: ⚡ Valley of the Sun - 'Old Gods' (2019) ⚡

Da histórica cidade de Cincinnati aka “Cincy” (pertencente ao estado norte-americano de Ohio) chega-nos um dos álbuns mais entusiasmantes do ano. Refiro-me a ‘Old Gods’, o novo trabalho de longa duração do quarteto Valley of the Sun que fora lançado na segunda metade do passado mês de Maio pela mão do conceituado selo discográfico sueco Fuzzorama Records sob a forma física de CD e vinil. Fervido e conduzido por um fogoso, musculado, torneado e poderoso Stoner Rock à boa e velha moda de Truckfighters, Unida ou Fu Manchu, este álbum conta também com uma indiscreta aproximação a um vigoroso, melódico, denso e ostentoso Grunge Rock a fazer recordar os carismáticos Soundgarden e Alice in Chains na plenitude dos gloriosos anos 90. A sua sonoridade de tonalidade pujante, vulcânica, dinâmica e empolgante – incendiada, mordida e fustigada pelo efeito Fuzz – remete o ouvinte para as poeirentas estradas de um imenso deserto a perder de vista, de olhar cravado no horizonte abrasado e esbatido pelo Sol incandescente, e punhos firmemente cerrados ao volante de um rumoroso muscle car. É num admirável equilíbrio emocional que tanto nos explode e revolve num ardente rugido de adrenalina, como nos banha e relaxa num lisérgico e contemplativo oásis, que este ‘Old Gods’ faz sentir a sua forte presença. Acabados de alcançar a sempre elogiável marca de dez anos de existência, os Valley of the Sun têm em ‘Old Gods’ o seu álbum mais maturado, aprimorado e – indubitavelmente – o meu favorito da sua já respeitável discografia. De lucidez nublada e alma plenamente atestada de uma imperturbável sensação de bem-estar, somos dominados e embalados à excitante boleia de duas guitarras motorizadas que se agigantam em volumosos, oleados, ritmados e fragorosos riffs de onde florescem ziguezagueantes, ácidos e alucinantes solos, um baixo bafejante – de tensa ressonância – que se orienta e ostenta a linhas pulsantes, sólidas e possantes, uma bateria expressiva de ritmicidade rutilante, galopante e impulsiva, e ainda uma voz liderante, viçosa, melodiosa e refrescante – que se balanceia por entre a aspereza felina de um John Garcia e a condimentada veemência de um Chris Cornell – e se adapta na perfeição à inflamante e fervilhante reverberação instrumental. Este é um álbum repleto de um contagiante e vibrante entusiasmo que nos espevita e agita do primeiro ao derradeiro tema. São 42 minutos ensolarados e tonificados por uma atmosfera animada e encantada que nos desperta e sustenta o sorriso, e desata a cabeça na furiosa perseguição a uma das mais euforizantes galopadas sonoras testemunhadas em 2019. De consumo impróprio para cardíacos.

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terça-feira, 18 de junho de 2019

🌊 The Mermen - "Shooting Colors All Around" (2017)

📀 Chelsea Wolfe - 'Birth of Violence' (13/09/2019, via Sargent House)

🌴 Brant Bjork

Ozzy Osbourne // Black Sabbath

Kanaan – "The Groke" (Live from Øra)

Review: ⚡ Lucy In Blue - 'In Flight' (2019) ⚡

Da cidade-capital mais setentrional do Mundo (Reiquiavique, na Islândia) chega-nos uma das mais agradáveis surpresas sonoras de 2019. ‘In Flight’ é o segundo e novo álbum do jovem e habilidoso quarteto nórdico Lucy In Blue – lançado no passado mês de Abril pela mão da editora discográfica norueguesa Karisma Records sob a forma física de CD e vinil – e traz-nos a melodiosa fragância de um requintado, envolvente, eloquente e delicado Psychedelic Rock entrelaçado num místico, sumptuoso, donairoso e onírico Prog Rock tingidos e temperados a um desarmante, afagante e sublimado revivalismo que me prendera e deslumbrara com tremenda facilidade. De influências focadas e cravadas nas míticas referências britânicas Pink Floyd, Camel e King Crimson, a encantadora sonoridade de beleza crepuscular que este ‘In Flight’ encerra, transporta o ouvinte para as carismáticas e saudosas décadas de 60 e 70. São 40 minutos ensolarados, aromatizados e capitaneados por uma atmosfera saturada de elegância, destreza, fineza e exuberância que nos extasia os sentidos e provoca uma crescente salivação nos ouvidos. De olhar semi-cerrado, sorriso perpetuado no rosto, alma inebriada, e cabeça suave e detidamente balanceada de ombro a ombro, somos levados e enlevados por esta majestosa digressão sonora de distinta formosura. Uma inspirada e fascinada obra-prima de pureza lapidar da qual estes Lucy In Blue só têm de se orgulhar e colecionar os mais nobres e elevados elogios. Sintam-se levitar e arrebatar ao conjugado som entre uma prodigiosa guitarra que se enfatiza na condução de majestosos acordes e eróticos solos, uma primorosa bateria de cuidada, polida, talentosa e caprichada orientação jazzística, um baixo contemplativo de linhas suavizantes, oleadas, fluídas e magnetizantes, um maravilhoso teclado de copiosos, quiméricos, sidéricos e ostentosos bailados, e ainda uma voz sedosa, delicada e voluptuosa que lidera com especial primazia todo este sonho acordado. ‘In Flight’ é um álbum verdadeiramente cativante, estupendo e apaixonante. Uma esmerada, preciosa e iluminada ode ao adorável revivalismo há muito caído em desuso, mas que se mantém tão vivo e chamejante no meu imaginário. Uma pérola islandesa que resvala nas fronteiras da perfeição. Deixem-se estarrecer, embevecer e desmaiar na desmoderada excelsitude destilada por este novo trabalho de Lucy In Blue, e reverenciem com total fascínio e rendição um dos registos mais precisos, simétricos e virtuosos talhados este ano.

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📀 Children of the Sün - 'Flowers' (26/07/2019, via The Sign Records)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

📀 Ah sh*t, here we go again!

Here Lies Man - "Clad In Silver" (via RidingEasy Records, 2019)

Grace Slick // Jefferson Airplane

🍂 Neil Young

The Heavy Minds - "Second Mind" (via StoneFree Records, 2019)

Review: ⚡ Mote - 'Samalas' (2019) ⚡

Da boémia e irreverente cidade australiana de Melbourne – residência de carismáticas referências como Ahkmed, Child, Holy Serpent, Hotel Wrecking City Traders, Elbrus, Buried Feather, Khan e Pseudo Mind Hive – chega-nos o fabuloso e auspicioso álbum de estreia do quarteto Mote intitulado de ‘Samalas’. Lançado no passado mês de Março sob a forma física de vinil (numa edição autoral de prensagem ultra-limitada a apenas 150 cópias, (in)felizmente já esgotadas), este seu primeiro trabalho de estúdio traz-nos a fragância astral e os devaneios alienígenas de um hipnotizante, alucinógeno e deslumbrante Psych Rock de criativa orientação experimental e ritmicidade pautada por um envolvente e magnetizante Drone Rock. A sua sonoridade camaleónica distende-se de uma paisagem desértica, cálida e árida até aos longínquos e secretos domínios de um Cosmos distorcido, esbatido e embriagado. Numa vistosa ignição consciencial que nos catapulta e canaliza através de um delirante vórtice, somos absorvidos, intoxicados e atordoados por uma crescente alucinação sem destino à vista. Entregues a um movimento pendular que tanto nos soterra numa meditativa introspecção que climatiza o nosso Universo interior, como nos cospe violentamente na vertiginosa direcção das costuras que amuralham o espaço sideral, somos prontamente convertidos em astronautas à descoberta de ‘Samalas’. Deixem-se escorregar pelas viscosas artérias desta quimérica hipnose à incrível boleia de duas guitarras mântricas que dialogam em extasiantes, ensolarados, sublimados e inebriantes acordes, e se repelem em solos temulentos, ácidos, coloridos e anestésicos, um murmurante baixo de linhas onduladas, fluídas, densas e musculadas, uma bateria criativa, arrojada e incisiva de cadência empolgante, uma voz ecoante, messiânica e penetrante que raras vezes emerge desta saturada e psicotrópica radiação, e ainda um fascinante sintetizador que irriga e sulfata toda a exótica atmosfera de ‘Samalas’ com a sua intrigante, mágica e enternecedora bafagem de odor estelar. Este é um álbum de natureza celestial que nos sufoca a lucidez e em nós instala um profundo e duradouro estádio de total embriaguez. Não será fácil regressar das profundezas deste deturpado, lisérgico e maravilhado álbum de Mote que nos embaciara os sentidos e os sepultara nos mais fundos abismos do universo onírico.

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