terça-feira, 30 de março de 2021
segunda-feira, 29 de março de 2021
Review: ⚡ Spliffripper - 'Spliffripper' (2021) ⚡
Proveniente da cidade de Kalispell
– inserida no estado de Montana, EUA – chega-nos a psicotrópica,
esverdeada e demoníaca exalação nasalada pelo tridente Spliffripper com
o seu impactante álbum de estreia. De designação homónima e lançado muito
recentemente pela mão do selo norte-americano Desert Records sob a forma
digital e ainda numa ultra-limitada edição de 50 cópias em formato físico de CD,
‘Spliffripper’ vem fervido num pegajoso, fumegante, intoxicante e
montanhoso Stoner Doom encrostado por um vulcânico, resinoso, enérgico e
fogoso Sludge Metal que inflamam e atordoam o ouvinte do primeiro ao
derradeiro minuto. A sua sonoridade tremendamente massiva, ácida e intrusiva – lubrificada
a óleo de canabidiol e que aponta influências a vultosas referências do género
tais como Bongzilla, Belzebong e Weedeater – perpetua-nos
num profundo estádio de sedada euforia. De pálpebras semi-cerradas, narinas
dilatadas e cabeça pesadamente balanceada de ombro em ombro, somos efervescidos
e soterrados numa intensa narcose que nos alcooliza e emudece os sentidos. Na
fórmula desta monolítica avalanche impregnada de THC (acrónimo de tetra-hidrocanabinol,
perfila-se uma dominante guitarra Tony Iommi’esca de imponentes,
tenebrosos, fogosos e contundentes Riffs, distorcidos a um urticante,
escaldado e crocante efeito Fuzz, e de onde são destilados gritantes,
alucinados, esvoaçados e borbulhantes solos, um corpulento baixo bafejado a
linhas inchadas, obesas, coesas e pesadas, uma trovejante, robusta e provocante
bateria detonada a intensa explosividade, e ainda uma voz de tonalidade abrasiva,
fragosa, gutural e agressiva. ‘Spliffripper’ é um poderoso
narcótico de ingestão auditiva que nos subtrai a lucidez e atesta de uma
xamânica embriaguez. São 40 minutos integralmente sulfatados e saturados de tóxica, fumarenta, bafienta e maléfica radiação.
Cambaleiem de orientação aturdida e embaciada pela ténue linha fronteiriça que separa a febril
euforia da doce lisergia, e experienciem com total absorção um dos registos sonoros mais hipnóticos, nebulosos e psicotrópicos desenraizados até ao momento no fresco solo de 2021.
Amortalhem-se e intoxiquem-se nele.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Desert Records
domingo, 28 de março de 2021
sábado, 27 de março de 2021
sexta-feira, 26 de março de 2021
Review: ⚡ 1782 - 'From The Graveyard' (2021) ⚡
Depois de em 2019 ter
sido celebrada a sua primeira liturgia de adoração pagã (aqui descrita e
reverenciada), os demoníacos sacerdotes italianos 1782 regressam agora ao
herético e negro altar com mais um trevoso ritual. Batizado de ‘From the
Graveyard’ e promovido pelo influente selo discográfico romano Heavy
Psych Sounds sob a forma física de CD e vinil, este segundo álbum da banda
mediterrânica que conhecera hoje mesmo a luz do dia vem chamejado e possuído
por um intoxicante, inquisidor, aterrador e intrigante Doom Metal de macabra
inclinação ocultista e umbrosas ressonâncias Black Sabbath’icas.
A sua sonoridade luciférica, vigorosa, rumorosa e esotérica – banhada e
encarvoada a um inflamante negrume que nos enluta e profana a alma – agiganta-se
numa imponente, musculada, encrespada e trovejante avalanche de poderosos e fumegantes efeitos psicotrópicos. Arrasados, boquiabertos e incinerados pelas intensas, obscuras
e densas labaredas que apimentam toda a misantrópica atmosfera de ‘From
the Graveyard’, somos fervidos numa morfínica efervescência e prontamente
convertidos em fiéis discípulos do lado eclipsado e emporcalhado da
religiosidade. De olhar selado, semblante anestesiado e pesadamente tombado
sobre o peito, e espiritualidade encoberta e sombreada por ameaçadoras nuvens tingidas
a intensa pretura, vagueamos – absorvidos, sedados e aprisionados num inamovível
estádio de sonambulismo – pelas melancólicas, embruxadas e fantasmagóricas
paisagens de 1782 nas asas de uma guitarra perversa que se enegrece e
enrijece na ascensão de titânicos, ímpios e mastodônticos Riffs de onde
são vertidos penetrantes, ácidos e ecoantes solos, um baixo lúgubre de massiva,
violenta e coerciva reverberação bafejada a potente intensidade, uma bateria
explosiva vergastada a pujante, pausada e provocante ritmicidade, um teclado sinistro
de fúnebres baladas condimentadas a trágica beleza, e ainda uma voz cadavérica,
oxidada e colérica que se ergue do túmulo para emergir à tona de toda esta perniciosa,
abissal e caliginosa nebulosidade. O ostentoso artwork cerimonial, de feição
elucidativa e clima infernal, aponta os seus créditos de autor ao engenhoso designer
gráfico SSCVLT. Deixem-se estremecer, petrificar e dissolver nesta
diabólica fervura vulcanizada por 1782, e comunguem de forma devota todo
este maldito rito de veneradas preces arremessadas na direcção do Anticristo.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Heavy Psych Sounds
quinta-feira, 25 de março de 2021
Review: ⚡ Saturnia - 'Stranded in the Green' (2021) ⚡
Depois de uma longa
estadia na residência editorial da muito conceituada Elektrohasch
(casa-mãe dos germânicos Colour Haze), que carimbara e promovera cinco dos seus
sete álbuns lançados até à data, o talentoso multi-instrumentista português Luís
Simões (ex-Blasted Mechanism) ao serviço de Saturnia acaba de
celebrar um vínculo contratual com o produtivo selo discográfico alemão Sultron
Records, e o primeiro fruto desta recém-formada relação está na iminência
de ser colhido e saboreado. Com o seu nascimento oficial calendarizado para o
dia de amanhã - sexta-feira, 26 de Março – através dos formatos físicos de CD e
vinil (ambos limitados à prensagem de apenas 500 cópias disponíveis), este
muito aguardado oitavo álbum, apelidado de ‘Stranded in the Green’,
é consequência da enriquecedora exposição de Saturnia à religiosidade de
deus Baco. Gravado dentro de uma moldura vínica, em perfeita comunhão com a
natureza de vestes primaveris e onde toda uma resplandecência bucólica aliada a
uma devoção mitológica fermentam e materializam este mélico e espirituoso
néctar de ingestão auditiva, esta renovada, balsâmica e elaborada obra
tricotada a duas mãos embriaga, afaga e reconforta o ouvinte com base num meditativo,
ensolarado e imersivo Psychedelic Rock em afrodisíaca consonância com um
lenitivo, hipnótico e criativo Space Rock. Oxigenada por um aventuroso
experimentalismo que explora e perscruta os domínios alienígenas, e nos
empoeira a alma de nebulosidade estelar, a onírica, arejada, espaçada e
ritualística sonoridade de ‘Stranded in the Green’ gravita em
órbita de um imperturbável estádio de plena tranquilidade. São 57 minutos –
repartidos por nove temas (o vinil conta com sete faixas) de almas aparentadas
– de inescapável hipnose pelos nirvânicos trilhos da introspecção. Perfilando e
combinando toda uma panóplia de instrumentos – onde se lavram deslumbrantes
diálogos entre uma messiânica guitarra de incessantes, alucinógenos e
serpenteantes solos, um murmurante baixo de sombreada, densa e bafejada
reverberação, uma cítara endeusada de extravagantes, proféticos e
revitalizantes bailados, um místico gong de prolongados bocejos repletos
de luz estival e empoderamento oriental, um cósmico sintetizador de
majestáticos coros celestiais, um litúrgico mellotron de mugidos polifónicos,
intrigantes e melancólicos, um clássico piano Rhodes de teclas
harmoniosas, cheirosas e saltitantes, uma tambura indiana de magnéticos, absorventes
e enigmáticos véus sonoros, chimes de colorida e tilintante luzência, e uma bateria tribalista de compasso lento e minimalista
– à sua voz macia, etérea e xamânica, Saturnia conta ainda com as
presenças dos convidados Ana Vitorino (que embeleza o tema introdutório
do disco com a sua recitada voz de entoação fantasmagórica e dramática) e Winga
(que enriquece a percussão do segundo tema a trote de um acrobático djambé).
‘Stranded in the Green’ é um álbum de textura campesina, clima
ensolarado, coloração esverdeada e afago espiritual que nos mantém suspensos
num mântrico zen. Um registo de doutrina evangelista que nos alinha os chakras,
eteriza e canaliza rumo ao tão desejado transe religioso. Bronzeiem-se,
prazenteiem-se e canonizem-se numa das melhores colheitas da sua respeitável
discografia.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Sulatron Records

























