segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Review: ⛵️ Son Cesano - 'Emerge' (2022) ⛵️
No final de
2018 submergia pela primeira vez nas profundezas do universo onírico dos suíços
Son Cesano, a propósito do lançamento do seu impactante álbum de estreia
‘Submerge’ (crónica aqui), e hoje levito aos mais longínquos e recônditos
lugares do Cosmos à boleia do seu novíssimo e belíssimo álbum ‘Emerge’, recém-nascido
e editado de forma autoral nos formatos LP, CD e digital. Este segundo trabalho
de longa duração do encantador quarteto helvético conserva uma beleza contemplativa,
de brilho diamantino, que nos veleja e corteja pelos inacabáveis,
imperturbáveis e aconchegantes oceanos astrais de um cinematográfico, imersivo,
lenitivo e catártico Post-Rock abrilhantado por um embalante, caleidoscópico,
magnético e deslumbrante Psychedelic Rock. A sua sonoridade irresistivelmente odorosa,
reflexiva e libidinosa – de clima primaveril, luzência vespertina e estética
pastoril – provoca no ouvinte uma plena paz interior, um olhar lacrimejante e sonhador,
e um sorriso melancólico. De forma fluída, airosa e entretida, ‘Emerge’ viaja-nos
numa mística e edénica odisseia – de afago sensorial e consagração espiritual –
pelos frondosos, admiráveis e luminosos jardins celestiais. São 47 minutos de fascinante
transcendência pelos pulsantes e vibrantes corais dos mares espaciais. Uma prazerosa
massagem cerebral exercida por esta terapêutica música de essência instrumental,
onde se enfatizam duas guitarras imaginativas que se entrançam e destrançam em delicados,
sublimados, luzidios e encaracolados acordes que oscilam entre a fresca e
arrepiante suavidade e a nervuda e trovejante gravidade, um baixo meditativo de
linhas oleadas, baloiçantes e sombreadas que persegue de perto todas as evasões
das guitarras, e uma bateria eloquente de toque cintilante, jazzístico e cativante
que dita o compasso deste maravilhoso sonho musicado. ‘Emerge’ é um
álbum verdadeiramente magistral. Um registo ataráxico, condimentado a beleza
lapidar e norteado a sufocante embevecimento, que vive a meio caminho entre a embriagante
delicadeza e a retumbante rudeza, a endeusada brancura e a sisuda negrura. Recostem-se confortavelmente, rebaixem as
pálpebras, respirem calma e profundamente, e ascendam aos paradisíacos céus de Son
Cesano. Um dos melhores álbuns do ano está aqui. Vivenciem-no sem
moderação.
domingo, 6 de novembro de 2022
sábado, 5 de novembro de 2022
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Review: 💄 White Coven - 'White Coven' (2022) 💄
Quatro anos
volvidos sobre o lançamento do triunfante álbum de estreia ‘Overseas’
forjado pelo populoso colectivo espanhol White Coven (aqui
trazido e reverenciado), a formação domiciliada na cidade de Saragoça
regressa à estrada com a apresentação do seu muito aguardado segundo trabalho
de longa duração, de designação homónima, sob a imediata forma de CD e digital, e ainda numa futura edição em vinil já em produção. Seguindo as pisadas do seu
antecessor, ‘White Coven’ vem embrulhado numa estética e carismática
fragância revivalista de autêntico espírito setentista, de onde sobressai
a gloriosa comunhão entre um charmoso, reinante, odoroso e extravagante Classic
Rock de contagiante swing Funk e inflamante infusão Blues
– a fazer recordar os grupos suecos Blues Pills, Siena Root e Heavy Feather – e um provocante, sinuoso,
vaidoso e galvanizante Prog Rock que espelha toda a indiscreta
inspiração trazida dos icónicos Deep Purple. Baloiçada entre açucaradas,
delicadas e hidratantes baladas de brilho Soul que confortam corações
amarrotados, e picantes, fogosas e atordoantes galopadas que em nós libertam
uma euforia contida, a sonoridade gourmet, buliçosa e erudita de White
Coven é oxigenada por uma reparadora frescura e dançada a libidinosa formosura.
Toda uma monção de aromas que nos assaltam e enfeitiçam ao longo dos seus 43
minutos de duração. Na tecelagem desta simétrica obra de alta costura, estão
três guitarras refinadas que se entrançam na ascensão de majestosos, sorridentes
e glamorosos riffs e desenlaçam na orgásmica condução de gritantes, fugidios
e alucinantes solos de suor latino, um teclado jupiteriano de arquejos
espumosos, aquosos e imersivos, um baixo magnetizante de linhas quentes, elásticas
e ondeantes, uma exótica bateria de clima tropical que se enfatiza numa
ritmicidade radiante, expedita e vibrante, e ainda uma voz rainha de tonalidade
amarelecida, sumptuosa candura e encorpada estatura que abrilhanta com incessante
e ofuscante vitalidade este irresistível néctar sonoro. Este é um álbum
verdadeiramente belo e apaixonante que vive do requinte e da gentileza. Um
disco envernizado a mélica sedução e sufocante doçura que nos incendeia com
brandura. Dissolvam-se e revolvam-se no afrodisíaco groove de ‘White
Coven’ e vivenciem todo o vulcânico esplendor de um dos mais grandiosos
registos lançados em 2022.
domingo, 30 de outubro de 2022
sábado, 29 de outubro de 2022
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
Review: 🍂 Edena Gardens - 'Edena Gardens' (2022) 🍂
O inesperado tridente
dinamarquês constituído por Nicklas Sørensen (Papir), Martin Rude (Sun River)
e Jakob Skøtt (Causa Sui) decidira unir esforços criativos e alavancar
um novo e muito promissor projecto chamado Edena Gardens. Carimbado com
o selo de qualidade da El Paraiso Records e integralmente lançado hoje
mesmo através dos formatos LP, CD e digital, este libertador, bonito e inspirador
álbum de estreia da recém-nascida formação escandinava passeia-se livremente pelas
bucólicas planícies de um outonal, reflexivo, intuitivo e magistral Contemporary
Jazz a fazer recordar as cinematográficas atmosferas patenteadas pelo
talentoso guitarrista dinamarquês Jakob Bro. Contando ainda com os
cheirosos temperos de um lenitivo, arejado, contemplativo e ternurento Psychedelic
Folk de raiz sessentista, este paradisíaco e pardacento sonho
musicado, intitulado ‘Edena Gardens’, conserva um sempiterno crepúsculo de
morno bafo solar que pincela os céus de gradientes e inanimados tons róseos. De corpo baloiçante,
olhar pensativo, sorriso desabrochado e espírito eclipsado por um feitiço
reinante, embalamos numa ataráxica hipnose pelo universo onírico deste
sublimado álbum. Soberbamente dedilhado por uma guitarra gentil de acordes ecoantes,
cristalinos, esmaecidos e inebriantes que se espreguiçam e vagueiam livre e
graciosamente, levemente sombreado por um baixo nocturno de linhas sedosas,
fluídas, compenetradas e vagarosas que sussurra ao nosso ouvido, e
cuidadosamente costurado por uma bateria tribalista, de absorvente swing
jazzístico, que se bamboleia e formoseia por entre pratos cintilantes e
tambores pulsantes, Edena Gardens representa toda uma balsâmica viagem de
espírito zen que nos sorve, seduz, comove e conduz ao nirvânico oásis de
afago e consagração sensorial. Um disco harmonioso, salvífico e despretensioso,
que vive da frágil sensibilidade e irresistível voluptuosidade, que nos
entorpece, massaja e embevece do primeiro ao derradeiro tema. São 44 minutos incensados e orvalhados por uma imersiva e embriagante placidez que nos sufoca de inenarrável prazer.
Um angélico e reconfortante anestésico que nos faz adormecer num purificante limbo e
desejar não mais dele despertar.
Link:
➥ El Paraiso Records

















