segunda-feira, 7 de novembro de 2022

🦍 Frank Zappa & The Mothers of Invention - "King Kong" (BBC, 1968)

Tasavallan Presidentti - "Celebration of the Saved Nine" (live, 1972)

🎁 Joni Mitchell (07/11/1943)

Review: ⛵️ Son Cesano - 'Emerge' (2022) ⛵️

★★★★

No final de 2018 submergia pela primeira vez nas profundezas do universo onírico dos suíços Son Cesano, a propósito do lançamento do seu impactante álbum de estreia ‘Submerge’ (crónica aqui), e hoje levito aos mais longínquos e recônditos lugares do Cosmos à boleia do seu novíssimo e belíssimo álbum ‘Emerge’, recém-nascido e editado de forma autoral nos formatos LP, CD e digital. Este segundo trabalho de longa duração do encantador quarteto helvético conserva uma beleza contemplativa, de brilho diamantino, que nos veleja e corteja pelos inacabáveis, imperturbáveis e aconchegantes oceanos astrais de um cinematográfico, imersivo, lenitivo e catártico Post-Rock abrilhantado por um embalante, caleidoscópico, magnético e deslumbrante Psychedelic Rock. A sua sonoridade irresistivelmente odorosa, reflexiva e libidinosa – de clima primaveril, luzência vespertina e estética pastoril – provoca no ouvinte uma plena paz interior, um olhar lacrimejante e sonhador, e um sorriso melancólico. De forma fluída, airosa e entretida, ‘Emerge’ viaja-nos numa mística e edénica odisseia – de afago sensorial e consagração espiritual – pelos frondosos, admiráveis e luminosos jardins celestiais. São 47 minutos de fascinante transcendência pelos pulsantes e vibrantes corais dos mares espaciais. Uma prazerosa massagem cerebral exercida por esta terapêutica música de essência instrumental, onde se enfatizam duas guitarras imaginativas que se entrançam e destrançam em delicados, sublimados, luzidios e encaracolados acordes que oscilam entre a fresca e arrepiante suavidade e a nervuda e trovejante gravidade, um baixo meditativo de linhas oleadas, baloiçantes e sombreadas que persegue de perto todas as evasões das guitarras, e uma bateria eloquente de toque cintilante, jazzístico e cativante que dita o compasso deste maravilhoso sonho musicado. ‘Emerge’ é um álbum verdadeiramente magistral. Um registo ataráxico, condimentado a beleza lapidar e norteado a sufocante embevecimento, que vive a meio caminho entre a embriagante delicadeza e a retumbante rudeza, a endeusada brancura e a sisuda negrura. Recostem-se confortavelmente, rebaixem as pálpebras, respirem calma e profundamente, e ascendam aos paradisíacos céus de Son Cesano. Um dos melhores álbuns do ano está aqui. Vivenciem-no sem moderação.

Links:
 Facebook
 Bandcamp

terça-feira, 1 de novembro de 2022

🎁 Sleep's Holy Mountain (11/1992)

Island - "Zero" (1977)

Review: 💄 White Coven - 'White Coven' (2022) 💄

★★★★

Quatro anos volvidos sobre o lançamento do triunfante álbum de estreia ‘Overseas’ forjado pelo populoso colectivo espanhol White Coven (aqui trazido e reverenciado), a formação domiciliada na cidade de Saragoça regressa à estrada com a apresentação do seu muito aguardado segundo trabalho de longa duração, de designação homónima, sob a imediata forma de CD e digital, e ainda numa futura edição em vinil já em produção. Seguindo as pisadas do seu antecessor, ‘White Coven’ vem embrulhado numa estética e carismática fragância revivalista de autêntico espírito setentista, de onde sobressai a gloriosa comunhão entre um charmoso, reinante, odoroso e extravagante Classic Rock de contagiante swing Funk e inflamante infusão Blues – a fazer recordar os grupos suecos Blues Pills, Siena Root e Heavy Feather – e um provocante, sinuoso, vaidoso e galvanizante Prog Rock que espelha toda a indiscreta inspiração trazida dos icónicos Deep Purple. Baloiçada entre açucaradas, delicadas e hidratantes baladas de brilho Soul que confortam corações amarrotados, e picantes, fogosas e atordoantes galopadas que em nós libertam uma euforia contida, a sonoridade gourmet, buliçosa e erudita de White Coven é oxigenada por uma reparadora frescura e dançada a libidinosa formosura. Toda uma monção de aromas que nos assaltam e enfeitiçam ao longo dos seus 43 minutos de duração. Na tecelagem desta simétrica obra de alta costura, estão três guitarras refinadas que se entrançam na ascensão de majestosos, sorridentes e glamorosos riffs e desenlaçam na orgásmica condução de gritantes, fugidios e alucinantes solos de suor latino, um teclado jupiteriano de arquejos espumosos, aquosos e imersivos, um baixo magnetizante de linhas quentes, elásticas e ondeantes, uma exótica bateria de clima tropical que se enfatiza numa ritmicidade radiante, expedita e vibrante, e ainda uma voz rainha de tonalidade amarelecida, sumptuosa candura e encorpada estatura que abrilhanta com incessante e ofuscante vitalidade este irresistível néctar sonoro. Este é um álbum verdadeiramente belo e apaixonante que vive do requinte e da gentileza. Um disco envernizado a mélica sedução e sufocante doçura que nos incendeia com brandura. Dissolvam-se e revolvam-se no afrodisíaco groove de ‘White Coven’ e vivenciem todo o vulcânico esplendor de um dos mais grandiosos registos lançados em 2022.

Links:
 Facebook
 Bandcamp

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

🍹 Walter Bishop, Jr. – 'Cubicle' (1978)

🪐 David Bowie

☀️ Robert Plant // Led Zeppelin

Review: 🍂 Edena Gardens - 'Edena Gardens' (2022) 🍂

★★★★

O inesperado tridente dinamarquês constituído por Nicklas Sørensen (Papir), Martin Rude (Sun River) e Jakob Skøtt (Causa Sui) decidira unir esforços criativos e alavancar um novo e muito promissor projecto chamado Edena Gardens. Carimbado com o selo de qualidade da El Paraiso Records e integralmente lançado hoje mesmo através dos formatos LP, CD e digital, este libertador, bonito e inspirador álbum de estreia da recém-nascida formação escandinava passeia-se livremente pelas bucólicas planícies de um outonal, reflexivo, intuitivo e magistral Contemporary Jazz a fazer recordar as cinematográficas atmosferas patenteadas pelo talentoso guitarrista dinamarquês Jakob Bro. Contando ainda com os cheirosos temperos de um lenitivo, arejado, contemplativo e ternurento Psychedelic Folk de raiz sessentista, este paradisíaco e pardacento sonho musicado, intitulado ‘Edena Gardens’, conserva um sempiterno crepúsculo de morno bafo solar que pincela os céus de gradientes e inanimados tons róseos. De corpo baloiçante, olhar pensativo, sorriso desabrochado e espírito eclipsado por um feitiço reinante, embalamos numa ataráxica hipnose pelo universo onírico deste sublimado álbum. Soberbamente dedilhado por uma guitarra gentil de acordes ecoantes, cristalinos, esmaecidos e inebriantes que se espreguiçam e vagueiam livre e graciosamente, levemente sombreado por um baixo nocturno de linhas sedosas, fluídas, compenetradas e vagarosas que sussurra ao nosso ouvido, e cuidadosamente costurado por uma bateria tribalista, de absorvente swing jazzístico, que se bamboleia e formoseia por entre pratos cintilantes e tambores pulsantes, Edena Gardens representa toda uma balsâmica viagem de espírito zen que nos sorve, seduz, comove e conduz ao nirvânico oásis de afago e consagração sensorial. Um disco harmonioso, salvífico e despretensioso, que vive da frágil sensibilidade e irresistível voluptuosidade, que nos entorpece, massaja e embevece do primeiro ao derradeiro tema. São 44 minutos incensados e orvalhados por uma imersiva e embriagante placidez que nos sufoca de inenarrável prazer. Um angélico e reconfortante anestésico que nos faz adormecer num purificante limbo e desejar não mais dele despertar.

Link:
➥ El Paraiso Records