terça-feira, 16 de outubro de 2018
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Review: ⚡ Burn Ritual - 'Blood of the Raven' (2018) ⚡
Da cidade de San Antonio (Texas, EUA) chega-nos ‘Blood
of the Raven’, o primeiro trabalho de longa duração do jovem quarteto Burn Ritual. Lançado no início do
presente mês tanto em formato digital como em formato físico CD através da sua
página de Bandcamp oficial, este nebuloso, fumarento e poderoso
álbum de estreia ostenta um possante, enigmático, hipnótico e narcotizante Stoner Doom de indiscreta inspiração Black
Sabbath’ica e Electric Wizard’eana que nos tomba o semblante, desmaia
as pálpebras e atesta a alma de uma forte dosagem de morfina via auditiva. A
sua sonoridade intrigante, enegrecida, pesada e inebriante – temperada e
fervilhada a efeito fuzz – chega a
nós sob a forma de uma intensa, densa e monolítica avalanche sobrecarregada de opiáceos
que nos envolve, sombreia e absorve os sentidos. De olhar sedado, lucidez
embaciada e cabeça oscilante de ombro a ombro somos levados para os esverdeados,
lodacentos e assombrados domínios de Burn
Ritual onde duas guitarras profanas se amontoam em tenebrosos, vigorosos,
pausados e monstruosos riffs, um potente
baixo de bafagem ardente, tensa e reverberante, uma bateria ressonante de
compasso lento, carregado e marcante, e uma voz lisérgica, espectral e
luciférica que ecoa, vagueia e amaldiçoa toda esta lúgubre e desoladora atmosfera
de ‘Blood
of the Raven’. Este é um álbum de natureza ritualística que nos sorve,
consome e enfeitiça do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 36 minutos
norteados por uma profunda, febril e saturada narcose que nos mumifica, ofusca
e soterra num pleno e anestésico estádio de encantamento. Comunguem esta irreligiosa
liturgia superiormente rezada pelos texanos Burn Ritual e deixem-se enlutar, invadir, converter e incinerar
pela sua negra radiância.
domingo, 14 de outubro de 2018
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Review: ⚡ King Buffalo - 'Longing to be the Mountain' (2018) ⚡
São raríssimas as bandas que
– aos meus ouvidos – detêm uma discografia imaculada, e King Buffalo é indubitavelmente uma delas. Conheci este trio
nova-iorquino logo após o lançamento da sua demo
de estreia (algures no inverno de 2013) e desde então que passei a escoltá-lo
religiosamente. Seguia-se o seu tão aguardado primeiro trabalho de longa
duração, ‘Orion’ de 2016 (review
aqui) e mais recentemente o salivante EP ‘Repeater’ (review aqui) apresentado no início
do presente ano. Até que hoje a fascinante banda norte-americana apresenta
oficialmente o seu segundo álbum ‘Longing to be the Mountain’ pelo já
carismático selo discográfico germânico Stickman
Records nos formatos físicos de CD e vinil, e depois de ouvido e digerido
pude reforçar o invejável estatuto que King
Buffalo tem em mim. É numa harmoniosa coexistência entre o electrizante, vulcânico,
xamânico e euforizante Heavy Psych,
o inflamante, ostentoso, poderoso e dançante Heavy Blues e o viajante, hipnótico, lenitivo e envolvente Krautrock de propensão astral que a contemplativa
e estarrecedora sonoridade de ‘Longing to be the Mountain’ se
manifesta e nos atesta de uma perdurável e imperturbável ataraxia. São cerca de
40 minutos – distribuídos pelos 6 temas que o ocupam – saturados de um misterioso,
mas deveras prazeroso halo que nos faroliza e eteriza ao longo de toda esta
sublimada digressão pelos domínios estrelados deste deslumbrante álbum. Sintam-se
escorregar e embalar num morfínico vórtice que vos desaguará num intenso estádio
ardência e comoção à apaixonante boleia de uma guitarra endeusada que perscrutando
o Cosmos se transcende em riffs magnetizantes,
veneráveis e excitantes, e solos ostentosos, delirantes e venenosos, um murmurante
baixo de ondulação pulsante, fluída, relaxada e hipnotizante, uma bateria deliciosamente
groovy que tiquetaqueia com subtileza,
sentimento e leveza, e uma messiânica voz lúcida e sem expressão que nos mantém
consencientes neste sonho acordado. ‘Longing to be the Mountain’ conta
ainda com um fabuloso, copioso e detalhado artwork
– superiormente ilustrado pelo artista AdrianDexter – que nos confere uma visão fiel de toda esta extraordinária odisseia
pela intimidade espacial. Este é um álbum divinal que nos absorve, comove e
sacode sem qualquer inibição. Não é fácil aceitar a finitude desta jornada
galáctica e despertarmos num silêncio inóspito e desconcertante. Deixem-se dissipar e arrebatar
pela inspirada e renovada obra de King
Buffalo e reverenciem com total entrega um dos registos mais sensacionais
do ano.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Stickman Records
➥ Bandcamp
➥ Stickman Records
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Review: ⚡ Blood of the Sun - ‘Blood's thicker than Love’ (2018) ⚡
Apesar do próximo dia 19 de
Outubro ser dado como a data de lançamento oficial do novo álbum ‘Blood's
thicker than Love’, os norte-americanos Blood of the Sun acabam de ver – para gáudio dos seus mais
impacientes fieis – este seu 5º registo antecipado e disponibilizado para
escuta integral através da página de Bandcamp
da influente editora discográfica francesa Listenable
Records. Lançado em formato digital e nos formatos físicos de CD e vinil (ambos
entregues a edições ultra-limitadas a prensagens de escassas centenas de cópias
existentes) através da sua já supracitada representante discográfica, este novo
disco do sexteto sediado na cidade texana de Fort Worth vem escudado de um musculado, elegante, dinâmico e oleado
Hard Rock de tração setentista, fortemente maquilhado e
influenciado pela mediática vaga da New
Wave of British Heavy Metal de onde se destacam referências como Motörhead, Judas Priest e Thin Lizzy.
A sua sonoridade desenfreada, intensa, agressiva e torneada – detentora de uma natureza
vintage que muito me seduz – causa em
nós toda uma veemente ardência que nos agride, consome, implode e sacode de plena adrenalina.
‘Blood's
thicker than Love’ é uma indomável locomotiva que de acelerador a fundo
nos atropela, inflama e euforiza sem qualquer piedade ou moderação. Deixem-se estremecer
e esporear por esta alucinante cavalgada superiormente instigada por duas
guitarras gémeas que se replicam tanto no hastear de ostentosos, majestosos, tirânicos
e poderosos riffs como na sónica e
vibrante libertação de sumptuosos, exuberantes, penetrantes e virtuosos solos, um
perfumado teclado de intrigantes, vistosos, carismáticos e hipnotizantes
bailados, uma galopante bateria cadenciada a emocionante destreza e leveza, um
baixo fibrótico de linhas desenhadas a potência, dinamismo e ardência, e ainda uma
voz luxuosa, volumosa, liderante e melodiosa que segura firmemente as rédeas
desta acrobática e vertiginosa montanha-russa disparada a uma só velocidade.
Não é fácil escapar ileso de toda esta monolítica e decibélica avalanche detonada
e conduzida pelos vultosos Blood of the
Sun. Uma verdadeira ode de natureza revivalista apontada ao que de melhor se
forjara e apresentara nas saudosas décadas de 70 e 80 dentro do universo do Heavy Metal. Sintam o fervilhante, pesado,
ácido e inflamante trago de ‘Blood's thicker than Love’ e defrontem
como puderem um dos mais empolgantes e impactantes álbuns talhados em 2018. De
audição não aconselhável a cardíacos.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Listenable Records
➥ Bandcamp
➥ Listenable Records
terça-feira, 9 de outubro de 2018
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Review: ⚡ Wheel in the Sky - 'Beyond the Pale' (2018) ⚡
Do território nórdico chega
um dos meus registos favoritos do ano. Falo do segundo álbum do quarteto sueco Wheel in the Sky lançado no final do
passado mês de Agosto pela mão da prestigiosa editora discográfica The Sign Records nos formatos físicos
de CD e vinil. Alicerçado num elegante, robusto, melódico e empolgante Classic Rock de ares setentistas com indiscretos laivos de um
deslumbrante, perfumado, mélico e afável Psych
Rock de textura revivalista, este adorável ‘Beyond the Pale’ causara
em mim um forte e inabalável sentimento de apego que ameaça intensificar-se com
o acréscimo das audições. Num constante pendulo que tanto nos euforiza em possantes,
ritmadas, destravadas e incitantes galopadas como nos narcotiza em extasiantes,
sublimes, ensolaradas e envolventes baladas, este novo trabalho da proeminente formação
escandinava - enraizada na histórica cidade de Uppsala – promete cativar e consequentemente apaixonar quem nele se
refugiar. A sua sonoridade brilhantemente saturada de um desarmante carisma balanceia-se
de forma fluída e graciosa de poderosas, dinâmicas e ostentosas cadências do
lado mais vintage do Hard Rock a edénicas, lisérgicas e
estarrecedoras paisagens de um psicadelismo primaveril capaz de nos embaciar a
lucidez e embebedar de uma plena sensação de bem-estar. Na receita de todo este
apetitoso feitiço de ingestão via auditiva estão duas guitarras que se envaidecem
em majestosos, torneados, condimentados e imperiosos riffs e se entrelaçam na criação e condução de admiráveis,
alucinantes, impactantes e formidáveis solos, um baixo diligente de linhas onduladas,
tensas, latejantes e torneadas, uma bateria incisiva e criativa de pulsação talentosa,
acrobática, desenvolta e progressiva, e ainda uma voz radiosa de feição voluptuosa,
doce, torneada e harmoniosa que confere a ‘Beyond the Pale’ toda uma extravagante
sumptuosidade capaz de conquistar tanto gregos como troianos. Este é um disco verdadeiramente
esplêndido ao qual tenho recorrido vezes e vezes sem conta. Um álbum edénico, detentor
de uma beleza singular e lapidar. Deixem-se empoeirar, ofuscar e absorver na intensa
refulgência transpirada por ‘Beyond the Pale’ e vivenciem na máxima
plenitude um dos registos mais vistosos e luxuosos de 2018.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ The Sign Records
➥ Bandcamp
➥ The Sign Records
domingo, 7 de outubro de 2018
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