segunda-feira, 15 de outubro de 2018

🦋 Jack Bruce // Cream

★ Geezer Butler // Black Sabbath ★

❂ Windhand ❂

Review: ⚡ Burn Ritual - 'Blood of the Raven' (2018) ⚡

Da cidade de San Antonio (Texas, EUA) chega-nos ‘Blood of the Raven’, o primeiro trabalho de longa duração do jovem quarteto Burn Ritual. Lançado no início do presente mês tanto em formato digital como em formato físico CD através da sua página de Bandcamp oficial, este nebuloso, fumarento e poderoso álbum de estreia ostenta um possante, enigmático, hipnótico e narcotizante Stoner Doom de indiscreta inspiração Black Sabbath’ica e Electric Wizard’eana que nos tomba o semblante, desmaia as pálpebras e atesta a alma de uma forte dosagem de morfina via auditiva. A sua sonoridade intrigante, enegrecida, pesada e inebriante – temperada e fervilhada a efeito fuzz – chega a nós sob a forma de uma intensa, densa e monolítica avalanche sobrecarregada de opiáceos que nos envolve, sombreia e absorve os sentidos. De olhar sedado, lucidez embaciada e cabeça oscilante de ombro a ombro somos levados para os esverdeados, lodacentos e assombrados domínios de Burn Ritual onde duas guitarras profanas se amontoam em tenebrosos, vigorosos, pausados e monstruosos riffs, um potente baixo de bafagem ardente, tensa e reverberante, uma bateria ressonante de compasso lento, carregado e marcante, e uma voz lisérgica, espectral e luciférica que ecoa, vagueia e amaldiçoa toda esta lúgubre e desoladora atmosfera de ‘Blood of the Raven’. Este é um álbum de natureza ritualística que nos sorve, consome e enfeitiça do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 36 minutos norteados por uma profunda, febril e saturada narcose que nos mumifica, ofusca e soterra num pleno e anestésico estádio de encantamento. Comunguem esta irreligiosa liturgia superiormente rezada pelos texanos Burn Ritual e deixem-se enlutar, invadir, converter e incinerar pela sua negra radiância.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Pink Floyd @ Abbey of Royaumont, France '71

📸 Bernard Allemane

Review: ⚡ King Buffalo - 'Longing to be the Mountain' (2018) ⚡

São raríssimas as bandas que – aos meus ouvidos – detêm uma discografia imaculada, e King Buffalo é indubitavelmente uma delas. Conheci este trio nova-iorquino logo após o lançamento da sua demo de estreia (algures no inverno de 2013) e desde então que passei a escoltá-lo religiosamente. Seguia-se o seu tão aguardado primeiro trabalho de longa duração, ‘Orion’ de 2016 (review aqui) e mais recentemente o salivante EP ‘Repeater’ (review aqui) apresentado no início do presente ano. Até que hoje a fascinante banda norte-americana apresenta oficialmente o seu segundo álbum ‘Longing to be the Mountain’ pelo já carismático selo discográfico germânico Stickman Records nos formatos físicos de CD e vinil, e depois de ouvido e digerido pude reforçar o invejável estatuto que King Buffalo tem em mim. É numa harmoniosa coexistência entre o electrizante, vulcânico, xamânico e euforizante Heavy Psych, o inflamante, ostentoso, poderoso e dançante Heavy Blues e o viajante, hipnótico, lenitivo e envolvente Krautrock de propensão astral que a contemplativa e estarrecedora sonoridade de ‘Longing to be the Mountain’ se manifesta e nos atesta de uma perdurável e imperturbável ataraxia. São cerca de 40 minutos – distribuídos pelos 6 temas que o ocupam – saturados de um misterioso, mas deveras prazeroso halo que nos faroliza e eteriza ao longo de toda esta sublimada digressão pelos domínios estrelados deste deslumbrante álbum. Sintam-se escorregar e embalar num morfínico vórtice que vos desaguará num intenso estádio ardência e comoção à apaixonante boleia de uma guitarra endeusada que perscrutando o Cosmos se transcende em riffs magnetizantes, veneráveis e excitantes, e solos ostentosos, delirantes e venenosos, um murmurante baixo de ondulação pulsante, fluída, relaxada e hipnotizante, uma bateria deliciosamente groovy que tiquetaqueia com subtileza, sentimento e leveza, e uma messiânica voz lúcida e sem expressão que nos mantém consencientes neste sonho acordado. ‘Longing to be the Mountain’ conta ainda com um fabuloso, copioso e detalhado artwork – superiormente ilustrado pelo artista AdrianDexter – que nos confere uma visão fiel de toda esta extraordinária odisseia pela intimidade espacial. Este é um álbum divinal que nos absorve, comove e sacode sem qualquer inibição. Não é fácil aceitar a finitude desta jornada galáctica e despertarmos num silêncio inóspito e desconcertante. Deixem-se dissipar e arrebatar pela inspirada e renovada obra de King Buffalo e reverenciem com total entrega um dos registos mais sensacionais do ano.

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Sucking the 70's

Across the Mojave Desert

Hawkwind '73

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Jimi Hendrix '68

📸 Barrie Wentzell

🌊 Naxatras - "Waves" (2015)

Review: ⚡ Blood of the Sun - ‘Blood's thicker than Love’ (2018) ⚡

Apesar do próximo dia 19 de Outubro ser dado como a data de lançamento oficial do novo álbum ‘Blood's thicker than Love’, os norte-americanos Blood of the Sun acabam de ver – para gáudio dos seus mais impacientes fieis – este seu 5º registo antecipado e disponibilizado para escuta integral através da página de Bandcamp da influente editora discográfica francesa Listenable Records. Lançado em formato digital e nos formatos físicos de CD e vinil (ambos entregues a edições ultra-limitadas a prensagens de escassas centenas de cópias existentes) através da sua já supracitada representante discográfica, este novo disco do sexteto sediado na cidade texana de Fort Worth vem escudado de um musculado, elegante, dinâmico e oleado Hard Rock de tração setentista, fortemente maquilhado e influenciado pela mediática vaga da New Wave of British Heavy Metal de onde se destacam referências como Motörhead, Judas Priest e Thin Lizzy. A sua sonoridade desenfreada, intensa, agressiva e torneada – detentora de uma natureza vintage que muito me seduz – causa em nós toda uma veemente ardência que nos agride, consome, implode e sacode de plena adrenalina. ‘Blood's thicker than Love’ é uma indomável locomotiva que de acelerador a fundo nos atropela, inflama e euforiza sem qualquer piedade ou moderação. Deixem-se estremecer e esporear por esta alucinante cavalgada superiormente instigada por duas guitarras gémeas que se replicam tanto no hastear de ostentosos, majestosos, tirânicos e poderosos riffs como na sónica e vibrante libertação de sumptuosos, exuberantes, penetrantes e virtuosos solos, um perfumado teclado de intrigantes, vistosos, carismáticos e hipnotizantes bailados, uma galopante bateria cadenciada a emocionante destreza e leveza, um baixo fibrótico de linhas desenhadas a potência, dinamismo e ardência, e ainda uma voz luxuosa, volumosa, liderante e melodiosa que segura firmemente as rédeas desta acrobática e vertiginosa montanha-russa disparada a uma só velocidade. Não é fácil escapar ileso de toda esta monolítica e decibélica avalanche detonada e conduzida pelos vultosos Blood of the Sun. Uma verdadeira ode de natureza revivalista apontada ao que de melhor se forjara e apresentara nas saudosas décadas de 70 e 80 dentro do universo do Heavy Metal. Sintam o fervilhante, pesado, ácido e inflamante trago de ‘Blood's thicker than Love’ e defrontem como puderem um dos mais empolgantes e impactantes álbuns talhados em 2018. De audição não aconselhável a cardíacos.

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Pink Floyd - Syd Barrett / David Gilmour (1967-1972)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

🧡 Colour Haze - Best of Live Bootlegs (2002-2017)

Sucking the 70's

Review: ⚡ Wheel in the Sky - 'Beyond the Pale' (2018) ⚡

Do território nórdico chega um dos meus registos favoritos do ano. Falo do segundo álbum do quarteto sueco Wheel in the Sky lançado no final do passado mês de Agosto pela mão da prestigiosa editora discográfica The Sign Records nos formatos físicos de CD e vinil. Alicerçado num elegante, robusto, melódico e empolgante Classic Rock de ares setentistas com indiscretos laivos de um deslumbrante, perfumado, mélico e afável Psych Rock de textura revivalista, este adorável ‘Beyond the Pale’ causara em mim um forte e inabalável sentimento de apego que ameaça intensificar-se com o acréscimo das audições. Num constante pendulo que tanto nos euforiza em possantes, ritmadas, destravadas e incitantes galopadas como nos narcotiza em extasiantes, sublimes, ensolaradas e envolventes baladas, este novo trabalho da proeminente formação escandinava - enraizada na histórica cidade de Uppsala – promete cativar e consequentemente apaixonar quem nele se refugiar. A sua sonoridade brilhantemente saturada de um desarmante carisma balanceia-se de forma fluída e graciosa de poderosas, dinâmicas e ostentosas cadências do lado mais vintage do Hard Rock a edénicas, lisérgicas e estarrecedoras paisagens de um psicadelismo primaveril capaz de nos embaciar a lucidez e embebedar de uma plena sensação de bem-estar. Na receita de todo este apetitoso feitiço de ingestão via auditiva estão duas guitarras que se envaidecem em majestosos, torneados, condimentados e imperiosos riffs e se entrelaçam na criação e condução de admiráveis, alucinantes, impactantes e formidáveis solos, um baixo diligente de linhas onduladas, tensas, latejantes e torneadas, uma bateria incisiva e criativa de pulsação talentosa, acrobática, desenvolta e progressiva, e ainda uma voz radiosa de feição voluptuosa, doce, torneada e harmoniosa que confere a ‘Beyond the Pale’ toda uma extravagante sumptuosidade capaz de conquistar tanto gregos como troianos. Este é um disco verdadeiramente esplêndido ao qual tenho recorrido vezes e vezes sem conta. Um álbum edénico, detentor de uma beleza singular e lapidar. Deixem-se empoeirar, ofuscar e absorver na intensa refulgência transpirada por ‘Beyond the Pale’ e vivenciem na máxima plenitude um dos registos mais vistosos e luxuosos de 2018.

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🔊 Jerry Garcia // Grateful Dead

🎺 Black Bombaim & Peter Brötzmann (2016)