quarta-feira, 7 de agosto de 2019
terça-feira, 6 de agosto de 2019
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
Review: ⚡ Mantra Machine - 'Heliosphere' (2019) ⚡
Depois de um longo jejum
discográfico que sucedera em 2014 após o lançamento do seu agradável álbum de estreia ‘Nitrogen’
(review aqui), eis que o fantástico power-trio holandês Mantra
Machine – enraizado na cidade-capital de Amesterdão – regressa agora
de alma revigorada e atestada de inspiração com a promoção do seu tão aguardado
segundo registo de longa duração, intitulado ‘Heliosphere’ e presenteado
sob a forma física de vinil (numa edição autoral e ultra-limitada a apenas 300
cópias existentes). Tal como acontece com o seu antecessor, ‘Heliosphere’
vem abastecido de um fervilhante, ritmado, animado e inflamante Desert Rock
com indiscretas aproximações a um eloquente, cinematográfico e envolvente Post-Rock
e ainda oxigenado por um viajante, extasiado e deslumbrante Space Rock de
clara propensão estelar. De influências apontadas a Sungrazer e Colour
Haze, a sua sonoridade acalorada, embriagante, entusiasmante e delirada
balanceia o ouvinte numa fluída alternância sensorial que o passeia de um mélico
e anestésico estádio de intensa embriaguez a uma tempestuosa efervescência de
redentora e sonhadora euforia. De pés descalços sobre um calejado, estéril e
bronzeado tapete desértico que se estende e renova pelo firmamento afogueado pelo
Sol poente, e cabeça sepultada na mais profunda intimidade do negro solo
cósmico, somos banhados e massajados por um monolítico tsunami de
endorfinas que nos embalsama numa perfeita sensação de ataraxia. De corpo recostado
e relaxado, olhar maravilhado e semi-cerrado, narinas dilatadas e sorriso eternizado,
interiorizamos toda a contagiante ressonância veraneia de ‘Heliosphere’
que se canaliza e mareia pelas artérias da nossa espiritualidade. As suas jams
de essência instrumental – sobrecarregadas de misticismo, exotismo e
psicadelismo – são superiormente dirigidas por uma guitarra tropical de riffs
estimulantes, afrodisíacos, inefáveis e empolgantes que se avolumam, apimentam e
vivificam à boleia do chamejante efeito Fuzz, um baixo encorpado e
agradavelmente balanceado a linhas reverberantes, sombreadas, empoladas e
possantes, e uma despretensiosa bateria de ritmicidade magnetizante, prazenteira
e cativante que tiquetaqueia este segundo e renovado capítulo da fabulosa
digressão trilhada pelos Mantra Machine. É-me ainda fundamental alongar os
elogios ao fabuloso artwork – soberbamente pincelado pelo ilustrador
holandês Jonas Louisse – que nos maravilha com a sua ondulação de textura e coloração estelar. ‘Heliosphere’ é um álbum de fácil digestão e
imediata devoção. Deixem-se envolver e arrebatar pela intoxicante fervura de um
dos registos mais deliciosos de 2019.
domingo, 4 de agosto de 2019
sábado, 3 de agosto de 2019
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Review: ⚡ Monarch - 'Beyond the Blue Sky' (2019) ⚡
Conheci os californianos Monarch
algures em 2015, quando por mero acaso me deparara com o seu admirável EP de
estreia (lançado em 2014 numa rústica e limitada edição autoral, e que em 2016
viria a receber a meritória atenção da editora dinamarquesa El Paraiso
Records, regravando os temas já existentes, acrescentando outros dois, estendendo
a sua duração e promovendo-o a um álbum intitulado de ‘Two Isles’)
e lembro-me perfeitamente do quão impactado e maravilhado ficara com a
sonoridade do jovem quinteto. Naturais da carismática cidade costeira de San
Diego (CA, EUA) – aquela que para mim continua a merecer o
estatuto da actual Meca do Heavy Psych – os veneráveis Monarch
preparam-se agora para lançar o seu segundo trabalho de longa duração (agendado
para o próximo dia 9 de Agosto) pela insuspeita El Paraiso Records sob a
forma física de CD e vinil e eu transbordara de entusiasmo com a dignificante e
irrecusável oportunidade de o vivenciar na íntegra e em primeira mão. Tal como acontece
com o seu antecessor, ‘Beyond the Blue Sky’ resulta de uma delirante
orgia entre um deslumbrante, edénico, aromático e estimulante Psychedelic
Rock de textura revivalista e um majestoso, hipnótico, erótico e ostentoso Prog
Rock de inspirada, inventiva e ousada condução. A sua sonoridade agradavelmente
veraneia – tingida, nutrida e condimentada a uma sublimada aura jazzística
que sobrevoa as caprichadas composições – massaja a nossa alma arrebatada com
uma ébria e refrescante brisa oceânica suspirada pelas ondas do Pacífico. São
39 minutos completamente absorvidos e ofuscados por um afável clima paradisíaco
que em nós instaura toda uma ininterrupta sensação de pleno êxtase e uma diluviana
fascinação. De olhar semi-selado e embriagado, cabeça e tronco bamboleantes, sorriso
esculpido e perpetuado no rosto, e ouvidos salivantes, somos mergulhados e
mitigados num maravilhoso oásis espiritual do qual não mais desejamos emergir. De
lucidez embaciada, sonolenta e arrebatada, todos os nossos sentidos saboreiam
as primorosas guitarras que se entrelaçam em suavizantes, requintados, divinos
e emocionantes acordes dotados de uma excessiva e desafogada beleza, e se
perseguem destemidamente em ziguezagueantes, velozes, alucinados e atordoantes
solos de elevada toxicidade, o murmurante baixo de linhas fluidas, magnetizantes,
dançantes e revigoradas, um mágico e transcendental sintetizador que vaporiza toda
uma nebulosa e celestial fragância na atmosfera, uma harmoniosa bateria
locomovida a um toque polido, cuidado e cintilante, e uma aveludada, maviosa,
sedutora e ensolarada voz que coroa este portentoso novo álbum de Monarch.
De destacar e elogiar ainda o estético artwork de direcção minimalista e
créditos apontados ao Jakob Skøtt (responsável único pelas emblemáticas ilustrações que
conferem rosto à discografia da El Paraiso Records) que com imaculada
exactidão transpusera para o universo visual tudo aquilo que a quimérica musicalidade
de ‘Beyond the Blue Sky’ edifica no imaginário do ouvinte. Este é
um álbum verdadeiramente magistral que me envolvera e namorara do primeiro ao
derradeiro tema. A banda-sonora de eleição para este Verão. Deixem-se enfeitiçar
e contagiar pelas estarrecedoras, arquitectónicas e encantadoras danças
babilónicas de Monarch, e levitar na sagrada e vertiginosa direcção dos vítreos
céus de tonalidade turquesa que ornamentam este consagrado ‘Beyond the
Blue Sky’. Forte candidato a álbum do ano. Bronzeiem-se, banhem-se e purifiquem-se
nele.
Links:
➥ Facebook
➥ El Paraiso Records
➥ El Paraiso Records
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Review: ⚡ Acid Rooster - 'Acid Rooster' (2019) ⚡
Depois de em 2017 ter vertido
para o universo lírico tudo o que o surpreendente 'Live at Desi' (review
aqui) provocara em mim, os cosmonautas germânicos Acid Rooster
motivam agora nova dissertação elogiosa ao seu primeiro álbum de estúdio. De
designação homónima e acabado de ser lançado sob a forma física de vinil (reduzido
a uma edição limitada a 300 cópias existentes) através da sua página de Bandcamp,
este quimérico ‘Acid Rooster’ vem nutrido de um místico, etéreo, contemplativo
e hipnótico Krautrock em harmoniosos, constantes e libidinosos diálogos
com um intrigante, desvairado, embriagado e viajante Space Rock de
propensão estelar. A sua sonoridade deslumbrante, maviosa, aventurosa e
narcotizante tem o dom de nos enfeitiçar, escorregar e mergulhar nas
profundezas abissais do nosso Cosmos interior, embarcando numa labiríntica e
duradoura hipnose que nos rasga as vestes da lucidez e infesta de uma intensa e
febril embriaguez. Progredindo de uma anestésica, plácida e letárgica atmosfera
que nos desmaia as pálpebras, tomba o semblante de encontro ao peito e submerge
na intimidade da ataraxia, até aos territórios de um delirante, caótico e
euforizante experimentalismo sónico que nos liberta e propulsiona na
vertiginosa direcção dos astros, as jams extraplanetárias deste
tridente natural da cidade de Leipzig causaram em mim todo um catártico estádio
de crescente fascinação impossível de extinguir. Suspensos e imortalizados numa
dança gravitacional em órbita de um incessante transe espiritual, somos
embalados na infindável vertigem de uma admirável odisseia pelos secretos domínios
que se distendem para lá lado eclipsado da Lua. Na origem desta sagrada
levitação do ego pela infinidade vertical está uma endeusada guitarra canonizada
pelas estrelas que se supera na majestosa condução de intoxicantes, ácidos,
distorcidos e ecoantes solos, um magnetizante baixo de reverberação pulsante,
motorizada, tonificada e flutuante, um enigmático sintetizador que desprende
todo um profuso e difuso coro celestial, e uma bateria de galope imutável, relaxante,
tribalista e imperturbável que se debate por entre a densa e tóxica
nebulosidade de ‘Acid Rooster’. Num plano secundário é-me ainda importante
distinguir a efémera presença de um vistoso, exótico e aparatoso saxofone que
com os seus aveludados, uivantes e desgovernados bailados intensifica todo um
acalorado, orgiástico e sublimado clímax de puro cataclismo instrumental. Este
é um álbum de propriedades psicotrópicas que perpetua o ouvinte num paradisíaco
atordoamento capaz de o embevecer e embaciar do primeiro ao derradeiro minuto.
Não será nada fácil despertar deste verdadeiro sonho acordado.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
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