segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Queda...

Já está escuro…
Os meus dentes mordem o tempo, o duro tempo.
O meu peito engole o oxigénio, o duro oxigénio.
O meu olhar expira a ressaca interior, a dura ressaca interior.
Os meus dedos têm sono, o pesado sono.
Sinto que a minha alma está embalsamada.
Sinto que já não me sinto.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Noite na Taberna...

Depois de construído o santuário Rock, protegido por Santo JACK DANIELS, temas musicais como Garden, Black, Jeremy e Oceans (Pearl Jam) dominaram a atmosfera do piso superior. No meio de tal, densa, atmosfera tão familiar, recolhi a garrafa de Jack Daniels do seu cantinho solitário e, convictamente, abri-a. Deixei o seu conteúdo (divinal) libertar-se, e ganhar forma sob dois copos de vidro. Gargantas secas (as nossas) que, sequencialmente, permitiam a passagem do whiskey. “Whiskey for the Holy Ghosts”. Apertamos o fecho dos casacos e saímos. Bairro Alto… Antecipadamente havíamos visitado uma velha taberna de metal, comandada por um velhote (aparentemente fã incondicional de Iron Maiden), e um Dj portador de, colossal, sabedoria dentro de tal atmosfera sonora. Os seus discos estavam, confortavelmente, armazenados em suas devidas caixas, beijadas por uma camada protectora de plástico e ainda um pequeno saco de plástico para cada uma das suas pequenas relíquias. Subimos pela velha e inconstante calçada de granito, ate que a poucos metros da taberna escutamos o, poderoso, baixo que, ganhava enorme protagonismo nessa rua. Entramos. Uma senhora idosa com os seus (precisos) 86 anos protegia a retaguarda do balcão, assim como, a aparelhagem portadora do som ambiente, e o já conhecido Dj encostado ao balcão, de pernas cruzadas a beber uma super bock pelo gargalo da garrafa… “Boa Noite” saudamos nós. Um “Boa Noite” em comum foi-nos dado como resposta. A voz pesada do Dj e a voz suave da idosa fundiram-se num só tom. “duas sagres” pedimos nós, conhecendo desde há muito, que não têm finos (sim “finos”, já me serviram duas vezes café por me mostrar invicto quanto á utilização de valores/costumes nortenhos, e não me prostituir pedindo uma “imperial”). Depois de acatada a ordem dos recém-chegados clientes, a idosa, lentamente, mergulha as suas delicadas mãos na arca frigorífica e retira duas sagres. Sentamo-nos. Enquanto observava-mos as, brancas, paredes camufladas por posters demoníacos, com anjos das trevas, figuras demoníacas, batíamos, ritmicamente, o pé no chão, acompanhando a atmosfera sonora que já há muito reinava aqueles céus. A idosa batia palmas, acompanhando a forte bateria. Olhei o Alexandre e gestualmente alertei-o sobre o que se estava a passar atrás do balcão. Aquela idosa senhora de longos cabelos brancos, óculos de armadura negra e grossa suportando, também, grossas lentes que pesavam e consequentemente se arrastavam ao longo do seu nariz, de cabelos soltos nas costas do seu velho casaco de malha (certamente fragmentos passados de tantas vivencias, tantas memórias já presenciadas) e de olhar vazio, distante… era afinal um dinossauro do Heavy Metal. Aquele som era-lhe, estranhamente, familiar. O Dj desloca-se, em passos longos, até á entrada. Faz uma pausa e, a poucos metros da rua, acende um cigarro, trava o primeiro “beijo” no cigarro, a confirmação da sua luminosa presença, e expira um denso fumo, que se ascendeu como que um fantasma, e se dissolveu no heavy metal que controlava os céus da taberna (como já, anteriormente, disse). “Dona Maria” diz ele, de costas voltadas para o interior, “As ruas estão desertas, caso não esteja ninguém depois da meia-noite, feche a porta e vá embora”. Dona Maria… Mas a Dona Maria permanecia de olhos fechados no seu mundo, onde eu não me atrevo espreitar. O Dj recolhe. A Dona Maria (identidade ocasionalmente conhecida, desvendada), tentava retirar o disco que já se fazia sentir há largos minutos e colocar outro… O Dj auxilia-la e regressa á sua posição, por defeito. De cotovelos apoiados no velho balcão metálico e de pernas cruzadas, descansadas sobre o frio chão de mármore. Na rua, em frente á taberna, um índio brasileiro, mostrava o seu desagrado, vocalmente, com o condutor de um camião que recolhia o lixo das ruas, pois este quase o atropelava, não fosse o alerta oportuno do meu amigo, Alexandre. Enquanto o Dj, testemunha diária, dos vários acontecimentos que têm lugar naquela rua do bairro alto, partilha as suas suspeições acerca dos comércios vizinhos, eu dou o último gole na cerveja e dirijo-me ao balcão para, educadamente, pedir mais um par de cervejas Sagres á Sra Dona Maria.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pearl Jam



Foi há cerca de uma década. Após ter feito 10 anos mudei de casa. Fui obrigado a mudar a rotina infantil (antes de entrar em casa fazia sempre os “trabalhos de casa” sentado/deitado nas escadas, assim que entrava em casa, lanchava e agarrava a bola, pois os meus amigos já me chamavam para ir jogar, a voz da minha mãe alertava-me para regressar a casa, pois já anoitecia e o jantar esperava no prato). Tenho saudades desses tempos. Não quis despedir-me dos meus velhos amigos de rua, pois isso iria libertar mais lágrimas que aquelas que corriam pela minha face. Na nova casa, apesar de enorme, com um grande jardim, um belo terraço, uma bela vista,… ainda não me sentia confortável nela. Observava, á janela, outros miúdos a pontapearem uma velha bola ao lado de minha casa… Aos poucos aproximei-me deles e convidaram-me para jogar também. Pouco tempo depois já me encaravam como o mais recente vizinho deles, e a confiança ganhava expansão. Foi nesse tempo, que, após, os fatigantes jogos, nos juntávamos, á noite, para escutar os adolescentes da rua tocarem Nirvana e Pearl Jam nas guitarras. Aquele espírito marcou a minha infância, e a infância de outros que, também, presenciaram aquele momento.

Estou a ouvir o álbum TEN dos Pearl Jam e, esses fragmentos nostálgicos, assaltaram-me.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Viagem

O sol entrega-se á montanha... A natureza desperta. O, incansável, rio arrasta-se, sequencialmente, pelo espaço que lhe é oferecido. Uma ave negra entra na, densa, residencia de eucaliptos. Uma cortina de nevoeiro caí sobre a montanha como que um véu. Kinski, acompanha-me (sonoramente) enquanto o meu olhar fotografa o exterior do autocarro. Pequenas gotas de chuva batem no vidro e escorregam... Duas aves negras abandonam a montanha. Montanha Negra. Rio Negro. O sol não ousa entregar-se aquele reino desconhecido onde velhos eucaliptos se encontram... Que atmosfera pesada. As negras nuvens que vigiam os céus, estão em constante batalha com a Luz... São o único adversário á altura do Sol. Depois de tanta persistência, as nuvens acabam por ceder: Raios de sol penetram pelas nuvens, um tanto envergonhados. Alguns companheiros de viagem soltam as verdes cortinas para que a luz não interrompa o seu, leve, sono, a sua vaga concentração. Eu insisto em observar... Apesar dos 100km/h a que me deslocava, a minha atenção capta imagens, imagens, imagens... É a verdadeira harmonia entre o som e a imagem. As trevas vão saindo do meu campo de visão... Segue-se um amplo planalto verde, onde trilhos desenhados com a força e o peso das rodas de carroças ganham relevância... Vales... Casas dispostas (aleatóriamente? Penso que sim) sob os, inconstantes, solos dos vales, vitimas do vento, da chuva, do tempo... Não vejo o limite, não está perceptivel... O que??? É neve... Neve nos grandes alpes que suportam ventoinhas eólicas. Já sinto o, familiar, frio... mas o velho condutor aumenta o calor produzido pelos ventiladores dispostos em todos os bancos do transporte... A sua idade já o obriga a manter o equilibrio... em Tudo. Fecho as pálpebras... estão pesadas... Mas capazes :)

Carrazeda de Ansiães, estou a chegar!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Adoro a Tua Música, Rosie Thomas.

Oh Fuck!

As forças irrequietas que habitam o meu interior começam a moldar uma personificação.
Eu assisto á sua, cuidada, estruturação...
Posso e consigo viver paralelamente a Isso!
Tempo... É nele que vivemos, e a quem devemos tantos "favores".
Mesmo que um "dia" te encontres perante a janela de um 20º andar no seio de uma, densa, cidade, e eu na mais isolada montanha do Mundo, o nosso olhar será comum!

"Não se ama alguém que não ouve a mesma canção"


:) Já sei quem és!

A Storm Of Light (3 de Abril, Novo Espaço - Oeiras)

! !

As pálpebras recolhem, deixando um olhar escondido... mas convicto!
Os dedos abraçam-se com força. A respiração solta-se do, pesado, peito e voa...
Mesmo sabendo que, quando apanhei este comboio, me sentei, certamente, na última carruagem, já sinto a proximidade da 1a carruagem. Os passos que, em tempos, foram incertos... hoje estão precisos, seguros... Confiança! O regresso, é o regresso do conforto que me viu partir, mas que hoje me visitou!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Intemporal

Nos presentes dias que, constantemente, caem, trazem consigo um manto que desliza sob as raizes (já submersas) de outros tempos, uma face de mudança... È tanta a nostalgia do passado, do Ontem de Carrazeda de Ansiães. Os valores que nos viram crescer, que nos viram estruturar e formar enquanto ‘Pessoa ’ estão a perder protagonismo. Locais, Pessoas, Culturas deixados(as) na sombra do esquecimento. A inocência que a sociedade de outros tempos transportou, parece já não existir! Os olhares do passado continuam estáticos perante o observar de um Hoje tão... diferente. Sou um conservador de memórias passadas, de éticas passadas, de pessoas e locais que apenas pertencem ao passado! Que outra reacção poderei ter a não ser a nostalgia?

Descoberta - Infância

A infância é um, infinito, território virgem. É nela (infância) que criamos, e encontramos valores: é a era da descoberta e da conquista. É nela que desafiamos as regras, os limites e espreitamos o desconhecido. A realidade não é bem-vinda no “mundo infantil”, é forasteira. É na infância que a partilha consciente com os outros tem lugar, e onde nada escapa ao olhar, atento, da criança que submete, tudo o que ganhe relevância no seu olhar, para a aprovação ou reprovação. São as descobertas, as escolhas, … A pequena pirâmide de valores começa a ganhar forma, desde então. A criatividade floresce nesse período de vida. As corridas apalpam o possível e o impossível, enfrentando todas as adversidades/obstáculos que surjam pelo caminho. É o rumo para o crescimento. A criança dá inicio ao processo de formação de princípios, de uma noção de ética moral, uma semente que a experiencia de vida se encarrega de moldar, de desenvolver. Sou, e sempre fui bastante conservador. Hoje saboreio os frutos da árvore que plantei na minha infância. É assim que me vejo atrás dos meus ombros.

Morte no Bosque (II)

O lobo chega ao palco da morte...
Está um silêncio propositado, sente-se o medo expirado pela Natureza...
O lobo crava os seus fortes, secos e incisivos dentes no pescoço dela e afasta-se do local... arrastando o cadáver consigo.





Pelo menos o seu corpo desapareceu, já que a sua identidade há muito que não habitava os "registos sociais". Crime prescrito.

Morte no Bosque

Está Morta...
Fiz um pacto de cúmplicidade com o bosque.
As árvores esconderam o seu cadáver...
A chuva tenta fecundar os, densos, ramos que protegem o, virgem, solo.
A sua roupa, violentamente, rasgada, cobre a sua, pálida, pele. O seu olhar está vazio. As suas mãos entregaram-se á derrota. O lobo desperta. O cheiro do cadáver alerta o faro do sanguinário que, parte em sua procura. As minhas cúmplices nada podem fazer contra o instinto implacável do lobo que se aproxima... Serão testemunhas obrigatórias do desaparecimento daquele cadáver.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Mundo chega?

Corro... Corro... Corro
As pernas pesam, e cada desvio de rota quase me derruba...
Arvores, posicionadas, aleatóriamente, no húmido solo, são a minha adversidade.
Não consigo levantar o olhar, de forma a expandir a amplitude da visão e percepção de campo.
A, acelerada, respiração abafa a nitidez do meu olhar. Os, acelerados, batimentos cardíacos injectam morfina na minha capacidade de sentir o toque, o tacto. Sou um bêbedo que dança numa rua vazia. Um olhar, que percorre todo um infinito... Uma ave que fita o, condicionado, inimigo...
Estou tão pesado... uma luta contra mim mesmo. Não conheco as intenções do meu perseguidor, mas a faca que, convictamente, abraça, e os, loucos, gritos que a sua, madura, garganta, liberta, assustam-me! Quero vigiar as minhas costas, mas as minhas pretenções não são ouvidas, e muito menos, saciadas. Ramos secos quebram-se, com a força dos passos incertos do meu perseguidor. São esses registos sonoros que me alertam da proximidade do inimigo.
Apalpo as fortes e secas árvores que assistem á peça, dentro de palco... Que floresta tão densa.
Uma força exterior abate-se sobre mim, e reanima todos os sentidos e capacidades que, por direito, me estão intrensecos. O sono é violentamente perturbado. A corrida é travada (!), a, "enferrujada" cabeça é, então forçada a soltar-se/libertar-se! Volto-me:

Ninguém! Um trilho desenhado pelos meus, pesados, passos, rasga a densa floresta. Um rude golpe humano fere a pele selvagem. Está finalizada a Guerra dos Mundos! Mais uma vez, o Mundo Surreal deixa marcas na Realidade. Confronto de Extremos afogam o ser humano. é a vontade (in)consciente que escreve, com a caneta (pessoa), no papel (mundo)!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Metridium Field

Porque sinto a tua ausência?
Porque escuto o teu silêncio?
Porque vejo a tua sombra?

...Porque, também, não existo!



Saudade do que não Fui!

"Descent" A Storm Of Light

Enquanto as sombras me perseguem, tento sintonizar a rádio... Vazio... O que me afugenta? O que me espera? O que me sou? Memórias sombrias arrastam-se, e tocam a minha Alma. Que mãos estranhas são estas, que tocam piano? Que olhares estranhos são estes, que desafiam os céus? Tempo... Infinito... Estou contigo, és-me familiar! Sem progresso, Sem retrocesso! As, loucas, árvores proclamam a Redenção. As, negras, nuvens testemunham o Julgamento. Porquê aqui? Cresci aqui! O lago que, já há muito convencera os homens da sua serena personalidade, hoje estava instável... desesperado. Não quero assistir á traição de todos estes elementos familiares... Não quero assistir á sua fuga!

Voçês são como eu... Solitários!

Ela sorri... olha-me com amor, com segurança...
Nada teme, pois está comigo, apesar do silêncio dançar em seu redor.
O nosso olhar forma um fio condutor que nos aquece a alma...
As Torres! Permanecem intactas.
Chove.
Contraste... Negro Contraste...
O Corvo olhou-a.
Não!!!
Não estás aqui. Segredo. Pecado?
JUSTIÇA!

Voçês são como eu... Pecadores!

Pai

(FLASHBACK Nostálgico) Tenho saudades das tuas despedidas (temporárias), enquanto eu, convictamente, jogava Tetris.

"Sempre Comigo, Sempre Contigo"

Rodrigo Leão - As Cidades (videoclip)

Projecto Videoclip: é este o meu, presente, projecto mais relevante do curso. O tema musical "As Cidades" de Rodrigo Leão, foi a grande escolha, que acompanhará a narrativa do projecto, quando, em Fevereiro, entrar em decurso e, consequente, finalização.
Um tema bastante enriquecedor para quem o escuta. Num turbilhão de ambiguidades e subjectividades, a Dramatização parece ser o único elemento objectivo que as, extasiadas, almas apontam á ressaca após audição. Mergulhem neste, lindo, tema musical... e, se as bocas salivarem, escutem, também, o albúm ao qual pertence "As Cidades" ;D

(Em Fevereiro, colocarei aqui o resultado final, paralelamente á sua, possível, exibição pública, também, na MTV)

Disparo Imediato!

PJ HARVEY, 02/05/2009, Casa da Música (Porto)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tempo: Nascimento-Morte

Estão velhas...
Mas ainda conseguem manter os olhos abertos, vigilantes... apesar das, pesadas, rugas abraçarem o seu olhar. Velhas torres de vigia. Não permitem que o sol penetre por entre os seus braços... Escondem algo. Uma existência triste. São o resultado material da passagem do tempo, do clima. Quero escutá-las, ouvir os seus testemunhos...
Arvores.