segunda-feira, 9 de julho de 2018

Tony Alva @ Gonzo’s pool (Mar Vista, 1977)

📸 Wynn Miller

Review: ⚡ Crazy Bull - 'The Past Is Today' (2018) ⚡

Da grande e populosa cidade de Filadélfia (Pensilvânia, EUA) chega-nos o notável álbum de estreia de Crazy Bull sob a forma física de vinil através da sua página oficial de Bandcamp (e com distribuição europeia pelo selo discográfico francês Totem Cat Records). Tal como o nome sugere, ‘The Past is Today’ é norteado por uma fascinante veia retro emergida da adorável combinação entre um elegante, hipnótico e inflamante Heavy Blues de raiz setentista e um empolgante, atlético e possante Hard Rock de essência clássica. A sua sonoridade de textura vintage, clima ardente e feição atraente obriga-nos a desmaiar as pálpebras, talhar um sorriso imortalizado no rosto e desprender a cabeça. ‘The Past is Today’ transpira toda um desarmante, aromático, enérgico e contagiante requinte que nos envolve, sacode e inebria do primeiro ao último tema. São 36 minutos esporeados e galopados a uma excitante ritmicidade locomovida a vigor, simetria, primor e fogosidade. Agarrem firmemente as rédeas de Crazy Bull à alucinante boleia de duas guitarras esmeradas que se revigoram, incendeiam e exaltam na criação de ostentosos, sombrios, altivos e sumptuosos riffs, e se superam na incrível condução de solos verdadeiramente estonteantes, magistrais, alucinógenos e berrantes, um baixo fibrótico carregado a linhas vigorosas, fluídas, reverberantes e poderosas, uma bateria intensamente dinâmica e explosiva de excitante propensão ofensiva, e uma voz cáustica, felina, áspera e vulcânica que empresta toda uma selvática ardência extra à inflamada e saturada atmosfera deste escaldante ‘The Past is Today’. Enfrentem como puderem toda esta provocante, desenfreada e emocionante galopada que vos trucidará a lucidez e atestará de adrenalina. Este é um álbum praticamente pensado, produzido e executado à minha imagem, e que no final do ano estará certamente perfilado por entre os melhores registos hasteados em 2018. Longa vida a todas as bandas que – tal como o quarteto Crazy Bull – fazem do passado o seu presente.

Loom - "Aces & Eights" (live, 2014)

Crypt Trip (live, 2018)

sábado, 7 de julho de 2018

Review: ⚡ Electric Monolith - 'Resurrect the Dead' (2018) ⚡

Sendo eu um intratável aficionado do Hard Rock clássico e, consequentemente, um grande admirador de bandas contemporâneas que se alicerçam nas reminiscências musicais do território setentista, não poderia deixar de elogiar o álbum de estreia do power-trio espanhol Electric Monolith designado de ‘Resurrect the Dead’. Lançado no passado mês de Maio nos formatos físicos de CD (pelo selo discográfico espanhol Red Sun Records) e vinil (pelo selo discográfico germânico Nasoni Records), este irrepreensível trabalho da formação fundada em 2015 e sediada na cidade de Barcelona escuda-se num torneado, galopante, empolgante e musculado Heavy Rock de bafagem revivalista que nos prende, seduz e excita do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade de natureza poderosa, requintada, perfumada e imperiosa vagueia pelas influentes órbitas dos britânicos Black Sabbath, Led Zeppelin e dos galeses Budgie perpetuando em nós todo um carismático sentimento saudosista que nos envolve, revolve e afaga ao longo de todo o álbum. São cerca de 45 minutos impregnados de uma tirânica e desarmante elegância brilhantemente nutrida e conduzida por uma guitarra majestosa que se agiganta e envaidece em supremos, grandiosos, obscuros e ostentosos riffs, e se desdobra na admirável criação de divinais, desvairados, siderais e exaltados solos capazes de nos fascinar, embevecer e atordoar com tremenda facilidade, um baixo dinâmico e reverberante de linhas tensas, densas, robustas e vibrantes, uma bateria John Bonham’eana soberbamente ritmada e esporeada a alucinantes, provocantes e ousadas acrobacias locomovidas a destreza, leveza e delicadeza, e ainda uma voz fecundante, harmoniosa, gélida e ecoante que tempera, formoseia e lidera toda esta carnavalesca, extravagante e principesca simbiose sonora. ‘Resurrect the Dead’ é um álbum tremendamente cativante que nos enfeitiça, respira e atiça do primeiro ao último minuto. Embebedem-se na sua hipnotizante, redentora e euforizante musicalidade compassada a um frenético e harmonioso galope, e vivenciem com total exuberância, veneração, enlevo e submissão um dos mais belos e emblemáticos registos lançados até ao momento em 2018.

🔌 Electric Monolith (Live)

🏜 Arizona Highways Magazine '77

Sucking the 70's

quinta-feira, 5 de julho de 2018

🌻 Jack Casady // Jefferson Airplane

Review: ⚡ Domadora - 'Lacuna' (2018) ⚡

O já célebre tridente ofensivo francês Domadora está de regresso com ‘Lacuna’, o terceiro e renovado capítulo da sua desarmante, fabulosa e impactante odisseia – já iniciada no ano de 2013 com o álbum de estreia ‘Tibetan Monk’ (review aqui) e progredida em 2016 com o seu sucessor ‘The Violent Mystical Sukuma’ (review aqui) – pelo deslumbrante e empolgante universo do Heavy Psych. Lançado no final do passado mês de Junho através da sua página oficial de Bandcamp em formato digital e sob a forma física de CD, ‘Lacuna’ presenteia os apóstolos – e potenciais futuros seguidores – desta formação sediada na cidade-capital de Paris com as suas explosivas, eróticas, caóticas, atordoantes e inventivas jam’s de clara propensão cósmica que nos sacodem, euforizam e violentamente arremessam na vertiginosa direcção dos astros. A sua sonoridade intoxicante, fogosa, portentosa e extasiante – influenciada pelo lado mais sideral, místico e alucinógeno do psicadelismo musical – causa no ouvinte uma firme e incontrariável sensação de entusiasmo, arrebatamento e obsessão que o envolve, intriga, magnetiza e atesta de uma poderosa dosagem de adrenalina. ‘Lacuna’ é toda uma estonteante boleia sonora – soberbamente nutrida e conduzida pela banda parisiense – que nos deixa sem fôlego, de alma em combustão e coração a rufar. Embarquem nesta alucinante montanha russa que vos viajará e dissipará a lucidez pela incomensurável espacialidade, ao som de uma guitarra xamânica que se enfurece em riffs contagiantes, destravados, ritmados e excitantes e se perde e encontra por entre solos delirantes, labirínticos, inflamados e atordoantes, um baixo pulsante, robusto, torneado e vibrante que agarra firmemente o riff base de cada tema, e uma bateria incisiva, fulgurante, incandescente e criativa que esporeia, empola e incendeia toda esta vulcânica e libertadora erupção de epinefrina. ‘Lacuna’ é um álbum banhado num edénico misticismo que canoniza e eteriza todo aquele que nele comungar. Sintam-se ascender – numa sagrada levitação promovida pelos Domadora – aos tão almejados domínios do transe espiritual e mergulhem numa profunda hipnose capaz de nos anestesiar, embriagar e despistar a lucidez. Um dos mais marcantes álbuns erigidos em 2018 está aqui, na encantadora, enlouquecedora e irresistível essência de ‘Lacuna’. Regozijem-se nele.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Matt Pike // Sleep

💙 Color Humano - "Va a salir un Lugar" (1973)

Review: ⚡ Snake Mountain Revival - 'S/T' EP (2018) ⚡

Da cidade costeira de Virginia Beach (Virgínia, EUA) chega-nos o exótico EP de estreia do jovem tridente Snake Mountain Revival. De designação homónima e lançado no passado dia 25 de Junho unicamente em formato digital disponível para download gratuito (ainda que com a garantia deixada pela banda de um futuro lançamento em formato de cassete) através da sua página oficial de Bandcamp, este registo de aragem veraneia vem banhado e ensolarado de um fascinante psicadelismo tropical ritmado por um refrescante, jovial e empolgante Surf Rock e fervido por um animado, ácido e arrojado Garage Rock. A sua sonoridade quente, alegre e deslumbrante traz-nos a salgada brisa atlântica e todo um tapete arenoso que se distende até ao oceano. Um EP que convida a ser digerido de pés enterrados nas areias bronzeadas, sedosas e bafejadas por um sol vigilante de luzência resplandecente, cálida e ofuscante, cerveja gelada empunhada, e olhar firmemente ancorado e hipnotizado no horizonte náutico que encaminha uma relaxada ondulação na nossa direcção. É esta a atmosfera visual que a musicalidade soalheira de ‘Snake Mountain Revival’ se encarrega de edificar e decorar no nosso imaginário. Sintam-se planar as paradisíacas praias desta promissora formação ao som de uma guitarra que se agita e excita em riffs contagiantes, adoráveis, afáveis e dançantes, e se envaidece e enaltece em lenitivos, lisérgicos e meditativos solos que nos serpenteiam, intrigam e inebriam, um baixo de reverberação murmurante, coesa, fluída e pulsante, uma bateria dinâmica e criativa de ritmicidade galopante, atraente e inventiva, e ainda uma voz destemperada, extravagante e avinagrada que conjuga na perfeição com todo o exotismo transpirado pelo instrumental. ‘Snake Mountain Revival’ é um auspicioso trabalho de curta duração, mas de longa ressaca que nos obriga a comungá-lo vezes e vezes sem conta. Deixem-se absorver pela sua edénica radiação e façam dele a banda sonora do vosso Verão.

National Geographic '78

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Tony Iommi // Black Sabbath

Review: ⚡ Automatism - 'From the Lake' (2018) ⚡

Da cidade-capital de Estocolmo (Suécia) chegam notícias de uma nova banda em evolução e já com o lançamento do seu álbum de estreia agendado para o próximo dia 20 de Julho pela mão do selo discográfico germânico Tonzonen Records sob a forma física de CD e vinil. Ainda assim, esta turma sueca deu-me a irrecusável possibilidade de ouvir em primeira mão este seu tão promissor trabalho e devo antecipar que se trata mesmo de um registo verdadeiramente estético, magnético e envolvente. Maioritariamente constituída por membros de Kungens Man, esta jovem banda – apelidada de Automatism – tem em ‘From the Lake’ um maravilhoso álbum ensolarado, temperado e acariciado por um lisérgico, sublime, deslumbrante e edénico Krautrock de condução jazzística, clima primaveril e propensão astral. A sua sonoridade contemplativa, hipnótica, delicada e lisérgica – de textura bastante narrativa e visual – convida-nos a ingressar numa admirável odisseia pela tranquilidade e infinidade cósmica. Mergulhem nesta profunda e sedosa hipnose que vos anestesiará todos os membros e sentidos e sintam-se transcender e enlevar ao som conjugado entre duas guitarras etéreas que dialogam entre si com base em agradáveis, encantadores e afáveis acordes, um baixo meditativo de linhas pulsantes, sombreadas, marcadas e serpenteantes, uma bateria magnetizante de galope firme e constante, e ainda um mágico sintetizador que com a sua fragância inebriante pulveriza toda a atmosfera lenitiva e onírica de ‘From the Lake’ com uma intoxicante nebulosidade estelar. De realçar ainda a desarmante maviosidade do artwork superiormente criado pelo artista-baterista da banda (Jonas Yrlid) que resplandece pacificidade e traduz com fidelidade para o domínio da imagem tudo o que a paradisíaca musicalidade de Automatism sugere ao ouvinte. Este é um registo aureolado por uma ambiência intensamente sublime que o climatiza do primeiro ao derradeiro tema. Embrenhem-se na sua extasiante, sagrada e ofuscante luminosidade, e relaxem a vossa espiritualidade neste verdadeiro oásis musical. Um álbum intensamente prazeroso que induz em nós toda uma doce sedação capaz de nos massajar, consagrar e saciar a alma sedenta de algo assim. Não é fácil regressar deste disco e recuperar a lucidez que nos fora embaciada ao longo dos seus 44 minutos de duração.

David Gilmour // Pink Floyd

ॐ My Sleeping Karma ॐ