📸 Wynn Miller
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Review: ⚡ Crazy Bull - 'The Past Is Today' (2018) ⚡
Da grande e populosa cidade
de Filadélfia (Pensilvânia, EUA) chega-nos
o notável álbum de estreia de Crazy Bull sob a forma física de vinil através da sua página oficial de Bandcamp (e com distribuição europeia pelo selo discográfico francês Totem
Cat Records). Tal como o nome sugere, ‘The
Past is Today’ é norteado por uma fascinante veia retro emergida da adorável combinação entre um elegante, hipnótico
e inflamante Heavy Blues de raiz setentista e um empolgante, atlético e
possante Hard Rock de essência clássica.
A sua sonoridade de textura vintage,
clima ardente e feição atraente obriga-nos a desmaiar as pálpebras, talhar um
sorriso imortalizado no rosto e desprender a cabeça. ‘The Past is Today’
transpira toda um desarmante, aromático, enérgico e contagiante requinte que
nos envolve, sacode e inebria do primeiro ao último tema. São 36 minutos
esporeados e galopados a uma excitante ritmicidade locomovida a vigor, simetria,
primor e fogosidade. Agarrem firmemente as rédeas de Crazy Bull à alucinante boleia de duas guitarras esmeradas que se revigoram, incendeiam e exaltam na criação de ostentosos, sombrios, altivos e sumptuosos riffs, e se superam na incrível condução
de solos verdadeiramente estonteantes, magistrais, alucinógenos e berrantes, um
baixo fibrótico carregado a linhas vigorosas, fluídas, reverberantes e
poderosas, uma bateria intensamente dinâmica e explosiva de excitante propensão
ofensiva, e uma voz cáustica, felina, áspera e vulcânica que empresta toda uma selvática ardência extra à inflamada e saturada atmosfera deste escaldante ‘The Past is Today’. Enfrentem como
puderem toda esta provocante, desenfreada e emocionante galopada que vos trucidará
a lucidez e atestará de adrenalina. Este é um álbum praticamente pensado, produzido
e executado à minha imagem, e que no final do ano estará certamente perfilado
por entre os melhores registos hasteados em 2018. Longa vida a todas as bandas
que – tal como o quarteto Crazy Bull
– fazem do passado o seu presente.
domingo, 8 de julho de 2018
sábado, 7 de julho de 2018
Review: ⚡ Electric Monolith - 'Resurrect the Dead' (2018) ⚡
Sendo eu um intratável
aficionado do Hard Rock clássico e,
consequentemente, um grande admirador de bandas contemporâneas que se alicerçam
nas reminiscências musicais do território setentista,
não poderia deixar de elogiar o álbum de estreia do power-trio espanhol Electric
Monolith designado de ‘Resurrect the Dead’. Lançado no
passado mês de Maio nos formatos físicos de CD (pelo selo discográfico espanhol
Red Sun Records) e vinil (pelo selo
discográfico germânico Nasoni Records),
este irrepreensível trabalho da formação fundada em 2015 e sediada na cidade de
Barcelona escuda-se num torneado, galopante,
empolgante e musculado Heavy Rock de
bafagem revivalista que nos prende, seduz e excita do primeiro ao derradeiro
tema. A sua sonoridade de natureza poderosa, requintada, perfumada e imperiosa vagueia
pelas influentes órbitas dos britânicos Black
Sabbath, Led Zeppelin e dos
galeses Budgie perpetuando em nós todo
um carismático sentimento saudosista que nos envolve, revolve e afaga ao longo de todo o
álbum. São cerca de 45 minutos impregnados de uma tirânica e desarmante elegância
brilhantemente nutrida e conduzida por uma guitarra majestosa que se agiganta e
envaidece em supremos, grandiosos, obscuros e ostentosos riffs, e se desdobra na
admirável criação de divinais, desvairados, siderais e exaltados solos capazes
de nos fascinar, embevecer e atordoar com tremenda facilidade, um baixo dinâmico
e reverberante de linhas tensas, densas, robustas e vibrantes, uma bateria John
Bonham’eana soberbamente
ritmada e esporeada a alucinantes, provocantes e ousadas acrobacias locomovidas
a destreza, leveza e delicadeza, e ainda uma voz fecundante, harmoniosa, gélida
e ecoante que tempera, formoseia e lidera toda esta carnavalesca, extravagante e
principesca simbiose sonora. ‘Resurrect the Dead’ é um álbum tremendamente
cativante que nos enfeitiça, respira e atiça do primeiro ao último minuto. Embebedem-se
na sua hipnotizante, redentora e euforizante musicalidade compassada a um frenético
e harmonioso galope, e vivenciem com total exuberância, veneração, enlevo e submissão
um dos mais belos e emblemáticos registos lançados até ao momento em 2018.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Review: ⚡ Domadora - 'Lacuna' (2018) ⚡
O já célebre tridente
ofensivo francês Domadora está de
regresso com ‘Lacuna’, o terceiro e renovado
capítulo da sua desarmante, fabulosa e impactante odisseia – já iniciada no ano
de 2013 com o álbum de estreia ‘Tibetan Monk’ (review aqui) e progredida em 2016 com o seu sucessor ‘The
Violent Mystical Sukuma’ (review
aqui) – pelo deslumbrante e empolgante universo do Heavy Psych. Lançado no final do passado mês de Junho através da
sua página oficial de Bandcamp em
formato digital e sob a forma física de CD, ‘Lacuna’ presenteia os apóstolos
– e potenciais futuros seguidores – desta formação sediada na cidade-capital de
Paris com as suas explosivas,
eróticas, caóticas, atordoantes e inventivas jam’s de clara propensão cósmica que nos sacodem, euforizam e violentamente
arremessam na vertiginosa direcção dos astros. A sua sonoridade intoxicante,
fogosa, portentosa e extasiante – influenciada pelo lado mais sideral, místico
e alucinógeno do psicadelismo musical – causa no ouvinte uma firme e incontrariável
sensação de entusiasmo, arrebatamento e obsessão que o envolve, intriga, magnetiza
e atesta de uma poderosa dosagem de adrenalina. ‘Lacuna’ é toda uma estonteante
boleia sonora – soberbamente nutrida e conduzida pela banda parisiense – que nos
deixa sem fôlego, de alma em combustão e coração a rufar. Embarquem nesta alucinante
montanha russa que vos viajará e dissipará a lucidez pela incomensurável
espacialidade, ao som de uma guitarra xamânica que se enfurece em riffs contagiantes, destravados,
ritmados e excitantes e se perde e encontra por entre solos delirantes, labirínticos,
inflamados e atordoantes, um baixo pulsante, robusto, torneado e vibrante que
agarra firmemente o riff base de cada
tema, e uma bateria incisiva, fulgurante, incandescente e criativa que esporeia,
empola e incendeia toda esta vulcânica e libertadora erupção de epinefrina. ‘Lacuna’
é um álbum banhado num edénico misticismo que canoniza e eteriza todo aquele
que nele comungar. Sintam-se ascender – numa sagrada levitação promovida pelos Domadora – aos tão almejados domínios
do transe espiritual e mergulhem numa
profunda hipnose capaz de nos anestesiar, embriagar e despistar a lucidez. Um
dos mais marcantes álbuns erigidos em 2018 está aqui, na encantadora, enlouquecedora
e irresistível essência de ‘Lacuna’. Regozijem-se nele.
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Review: ⚡ Snake Mountain Revival - 'S/T' EP (2018) ⚡
Da cidade costeira de Virginia Beach (Virgínia, EUA) chega-nos
o exótico EP de estreia do jovem tridente Snake Mountain Revival. De
designação homónima e lançado no passado dia 25 de Junho unicamente em formato
digital disponível para download gratuito (ainda que com a garantia deixada pela banda de um futuro lançamento em formato de cassete) através da sua página oficial de Bandcamp,
este registo de aragem veraneia vem banhado e ensolarado de um fascinante psicadelismo
tropical ritmado por um refrescante, jovial e empolgante Surf Rock e fervido por um animado, ácido e arrojado Garage Rock. A sua sonoridade quente, alegre
e deslumbrante traz-nos a salgada brisa atlântica e todo um tapete arenoso que
se distende até ao oceano. Um EP que convida a ser digerido de pés enterrados nas areias bronzeadas, sedosas e
bafejadas por um sol vigilante de luzência resplandecente, cálida e ofuscante, cerveja
gelada empunhada, e olhar firmemente ancorado e hipnotizado no horizonte náutico
que encaminha uma relaxada ondulação na nossa direcção. É esta a atmosfera
visual que a musicalidade soalheira de ‘Snake Mountain Revival’ se
encarrega de edificar e decorar no nosso imaginário. Sintam-se planar as paradisíacas
praias desta promissora formação ao som de uma guitarra que se agita e excita
em riffs contagiantes, adoráveis,
afáveis e dançantes, e se envaidece e enaltece em lenitivos, lisérgicos e
meditativos solos que nos serpenteiam, intrigam e inebriam, um baixo de
reverberação murmurante, coesa, fluída e pulsante, uma bateria dinâmica e
criativa de ritmicidade galopante, atraente e inventiva, e ainda uma voz
destemperada, extravagante e avinagrada que conjuga na perfeição com todo o
exotismo transpirado pelo instrumental. ‘Snake Mountain Revival’ é um auspicioso
trabalho de curta duração, mas de longa ressaca que nos obriga a comungá-lo
vezes e vezes sem conta. Deixem-se absorver pela sua edénica radiação e façam
dele a banda sonora do vosso Verão.
terça-feira, 3 de julho de 2018
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Review: ⚡ Automatism - 'From the Lake' (2018) ⚡
Da cidade-capital de Estocolmo (Suécia) chegam notícias de uma nova banda em evolução e já com o lançamento
do seu álbum de estreia agendado para o próximo dia 20 de Julho pela mão do
selo discográfico germânico Tonzonen
Records sob a forma física de CD e vinil. Ainda assim, esta turma sueca deu-me a
irrecusável possibilidade de ouvir em primeira mão este seu tão promissor
trabalho e devo antecipar que se trata mesmo de um registo verdadeiramente
estético, magnético e envolvente. Maioritariamente constituída por membros de Kungens Man, esta jovem banda –
apelidada de Automatism – tem em ‘From
the Lake’ um maravilhoso álbum ensolarado, temperado e acariciado por
um lisérgico, sublime, deslumbrante e edénico Krautrock de condução jazzística,
clima primaveril e propensão astral. A sua sonoridade contemplativa, hipnótica,
delicada e lisérgica – de textura bastante narrativa e visual – convida-nos a
ingressar numa admirável odisseia pela tranquilidade e infinidade cósmica. Mergulhem
nesta profunda e sedosa hipnose que vos anestesiará todos os membros e sentidos
e sintam-se transcender e enlevar ao som conjugado entre duas guitarras etéreas
que dialogam entre si com base em agradáveis, encantadores e afáveis acordes,
um baixo meditativo de linhas pulsantes, sombreadas, marcadas e serpenteantes,
uma bateria magnetizante de galope firme e constante, e ainda um mágico
sintetizador que com a sua fragância inebriante pulveriza toda a atmosfera
lenitiva e onírica de ‘From the Lake’ com uma intoxicante
nebulosidade estelar. De realçar ainda a desarmante maviosidade do artwork superiormente criado pelo artista-baterista
da banda (Jonas Yrlid) que
resplandece pacificidade e traduz com fidelidade para o domínio da imagem tudo
o que a paradisíaca musicalidade de Automatism
sugere ao ouvinte. Este é um registo aureolado por uma ambiência intensamente
sublime que o climatiza do primeiro ao derradeiro tema. Embrenhem-se na sua
extasiante, sagrada e ofuscante luminosidade, e relaxem a vossa espiritualidade
neste verdadeiro oásis musical. Um álbum intensamente prazeroso que induz em
nós toda uma doce sedação capaz de nos massajar, consagrar e saciar a alma
sedenta de algo assim. Não é fácil regressar deste disco e recuperar a lucidez
que nos fora embaciada ao longo dos seus 44 minutos de duração.
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