segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sucking the 70's

Jimi Hendrix (via Big magazine, 1967)

Jerry Garcia (via Rock & Folk magazine, 1971)

💀 Saint Vitus // Keep It Low 2017

Review: ⚡ Jesus the Snake - 'Black Acid, Pink Rain' (2019) ⚡

Depois de no Outono de 2017 terem lançado o EP homónimo (devidamente desconstruído e elogiado aqui) – posteriormente considerando-o e premiando-o como um dos melhores EP’s produzidos nesse mesmo ano (listagem aqui) – os portugueses Jesus the Snake preparam-se agora para apresentar o seu tão aguardado primeiro trabalho de longa duração intitulado de ‘Black Acid, Pink Rain’. Apesar da sua data de nascimento estar programada apenas para o próximo dia 11 do presente mês de Julho, fora-me dada a honrosa e irrecusável oportunidade de o ouvir na íntegra e em primeira mão, e o que se segue adjectiva-se como o mais fiel e sentido resultado dessa experiência. Gravado, misturado e masterizado no estúdio minhoto Hertzcontrol (com o qual a banda reforça a sua ligação), este refinado e inspirado álbum de estreia do jovem quarteto natural da cidade de Vizela (Braga) é ensolarado, perfumado e condimentado por um edénico, deslumbrante e místico Psych Rock em agradável cumplicidade com um meditativo, lisérgico e lenitivo Krautrock e ainda um devocional, viajante e sideral Space Rock que nos desata as amarras da gravidade terrestre e magnetiza a nossa consciência de encontro à mais profunda intimidade do Cosmos. De bússola apontada a uns Causa Sui, Camel e Pink Floyd, a sonoridade de ‘Black Acid, Pink Rain’ provocara em mim toda uma febril e morfínica hipnose que me atestara, afagara e sedara de prazer. Uma evolutiva, criativa e maravilhosa peregrinação pelos desertos da mente, de pés descalços a trilhar onduladas, sedosas e amorenadas dunas, olhar petrificado e farolizado pelo Sol poente, e cabeça soterrada na densa e intoxicante nebulosidade astral. Empoeirem-se no ofuscante misticismo que aureola todo o corpo temporal deste álbum e sintam-se dormitar num prazeroso estádio de inércia que vos conduzirá ao tão almejado reino do transe espiritual. Maravilhem-se por entre a admirável simbiose instrumental de onde se enfatiza uma endeusada guitarra de orientação Floyd’eana que se enternece e embevece em suavizantes, sedutores, sublimados e uivantes acordes, e solos comoventes, delicados, apurados e anestesiantes, um baixo murmurante de hipnotizantes linhas norteadas a robustez, voluptuosidade e fluidez, uma bateria balsâmica de toque cintilante, leve, despretensioso e cativante, e ainda um magnético, fabuloso e sidérico teclado que confere a ‘Black Acid, Pink Rain’ toda uma mágica cobertura atmosférica oxigenada por uma sedutora e psicotrópica ataraxia via auditiva. De louvar também o quimérico artwork de créditos apontados ao imaginativo artista lusitano GuilhermeDourart, que – com este vertiginoso e caleidoscópico vórtice rendilhado por labirínticas, coloridas e lustrosas nebulosas – nos convida a um mergulho no esplendoroso universo de Jesus the Snake. Dissolvam a vossa lucidez nesta saturada narcose e despertem num pleno estádio de embriaguez do qual não será nada fácil regressar.

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sábado, 6 de julho de 2019

🍒 Pancha // El Gran Temor

Review: ⚡ El Gran Temor - 'Lágrimas de Ácido' (2019) ⚡

Quase uma década depois do lançamento do seu álbum de estreia ‘Jugando Con La Muerte’ (Temor Records, 2010), o fabuloso power-trio chileno El Gran Temor presenteia agora todos os seus admiradores com a exibição do seu segundo e novo álbum ‘Lágrimas de Ácido’ (disponível para escuta integral através das mais variadas plataformas digitais). Há muito que me confesso um intratável apaixonado por bandas Rock contemporâneas que façam do pretérito o seu presente, e é nesse contexto que verto para o universo lírico tudo aquilo que a ressaca deste adorável registo em mim provocara. Fundamentado num empolgante, dinâmico, simétrico e inflamante Heavy Blues de ressonância e fragância sententista que se dilui num galopante, vigoroso, ostentoso e chamejante Hard Rock de feições vintage, este convincente ‘Lágrimas de Ácido’ equilibra-se por entre ritmadas, poderosas e destravadas cavalgadas que nos esporeiam e incendeiam de pura adrenalina, e mélicas baladas que nos suavizam, prendem e nebulizam num perfeito estádio de temulento encantamento. Contando ainda com (in)discretas aproximações aos domínios fronteiriços de um dançante, evolutivo, glorioso e contagiante Prog Rock de sentido revivalista – ostentando harmoniosas composições de complexidade quase orquestral – a marcante sonoridade deste tão ansiado novo trabalho do tridente localizado na cidade-capital de Santiago enverga toda uma entusiasmante, obscura, vulcânica e fumegante ardência capaz de persuadir, seduzir e arrebatar até o mais gélido dos ouvintes. Tendo como primordiais inspirações nomes da grandeza de uns exuberantes Jimi Hendrix Experience, uns titânicos Black Sabbath e uns carnavalescos Grand Funk Railroad, a provocante musicalidade deste segundo álbum de El Gran Temor é destilada de uma sumptuosa e imponente guitarra – condimentada e escaldada pelos efeitos Phaser e Fuzz – que se agiganta e balanceia em fibrosos, enigmáticos, luciféricos e montanhosos riffs, e se empolga e esperneia em lisérgicos, ácidos e alucinados solos, um murmurante baixo Pentragram’ico de mugidos ensombrados, densos, tensos e torneados, uma tocante e estimulante bateria de ritmicidade articulada, fluída, ligeira e desembaraçada, e ainda uma voz fresca, translúcida e jovial que lidera e legenda todo o espantoso esplendor deste inspirado regresso da formação chilena. ‘Lágrimas de Ácido’ é um disco sensacional, de presença incontornável para todos os apaixonados pelo velho e saudoso Blues Rock forjado e electrificado nas carismáticas décadas de 60 e 70.

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😎 Billy Gibbons // ZZ Top

Jimi Hendrix // Monterey International Pop Festival 1967

📸 Jill Gibson

Cream'licious!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Review: ⚡ Sacri Monti - 'Waiting Room for the Magic Hour' (2019) ⚡

Depois de em 2015 se terem estreado com o magnífico álbum homónimo (devidamente dissertado e reverenciado aqui), o quinteto californiano Sacri Monti – sediado na cidade costeira de Encinitas, San Diego – lança hoje mesmo o seu segundo trabalho de longa duração, intitulado de ‘Waiting Room for the Magic Hour’ e promovido pela mão da insuspeita e carismática editora discográfica nova-iorquina Tee Pee Records (um dos selos mais importantes na valorização e difusão da comumente apelidada San Diego Scene de onde sobressaem referências como Earthless, Radio Moscow, Astra, Monarch, Joy, Harsh Toke, Volcano, Pharlee e os próprios Sacri Monti) sob a forma física de CD e vinil. Adubada pela frescura oceânica do Pacífico e ensolarada por toda uma ofuscante atmosfera de tintura veraneia, a exótica sonoridade de complexidade orquestral que este ‘Waiting Room for the Magic Hour’ sustenta e ostenta, conta com um fascinante sortido musical de onde facilmente se reconhece e apalada um extasiante, místico, onírico e inebriante Psyh Rock de agradável orientação Pink Floyd’eana em coligação com um majestoso, intrigante, apaixonante e melodioso Heavy Prog de alento revivalista e ainda um envolvente, sublimado e eloquente Space Rock de clara propensão sideral que nos empoeira e sulfata a alma com uma etérea poeira estelar. De olhar arregalado e pasmado, ouvidos salivantes e dilatados, e sentidos despertos e aguçados, somos hipnotizados e maravilhados por toda uma carnavalesca profusão instrumental de dominadas e organizadas estruturas caóticas e uma vibrante, colorida e berrante vivacidade que nos mantém lúcidos e ancorados ao longo deste fabuloso sonho acordado. Numa bem resultada alternância entre destravadas, alucinantes, extravagantes e ácidas galopadas à boa moda de Sacri Monti, e afáveis, mélicas, contemplativas e adoráveis baladas que nos remetem para o enternecedor Folk dedilhado e entoado nos saudosos anos 60, somos canalizados e desaguados nas praias da ataraxia onde nos banhamos e deleitamos do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se seduzir e estontear ao conjugado som entre duas guitarras miríficas que se atam na desarmante condução de riffs sumptuosos, simétricos, aristocráticos e volutuosos, e desatam na sónica explosão de vaidosos, desvairados, desassossegados e espalhafatosos solos em contramão, balancear ao sabor da reverberante ondulação bafejada por um dominante baixo de linhas volumosas, fluídas, torneadas e viçosas, empolgar à instigante boleia de uma talentosa bateria locomovida e esporeada a criativas e despachadas acrobacias circenses, embriagar num maravilhoso teclado de bailados aromatizados a uma mágica e requintada sensibilidade, e espevitar com a voz destemperada, áspera, felina e avinagrada que vem à tona das cavas profundezas de todo este vistoso rebuliço instrumental para se evidenciar na estratosfera de ‘Wainting Room for the Magic Hour’. Este é um álbum verdadeiramente pitoresco que me suspirar de impaciência por poder experienciá-lo ao vivo na próxima edição do festival SonicBlast Moledo. A banda-sonora perfeita para este verão está aqui, na renovada e caprichada obra do colectivo Sacri Monti. Bronzeiem-se e absorvam-se na sua diluviana resplandecência.

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 Tee Pee Records

🥁 Bill Ward // Black Sabbath

Robert Plant // Led Zeppelin (Montreux,1972)

📸 Barrie Wentzell

✞ Live Slow, Die Old ✞

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Review: ⚡ Lightning Born - 'Lightning Born' (2019) ⚡

Da cidade de Raleigh (capital do estado norte-americano da Carolina do Norte) chega-nos o espantoso álbum de estreia do auspicioso quarteto Lightning Born. Oficialmente lançado no passado mês de Junho pela mão da influente e muito produtiva editora discográfica de origem californiana Ripple Music sob a forma física de CD e vinil, este portentoso álbum de designação homónima vem revestido, embebido e maquilhado de um poderoso, obscuro e vigoroso Proto-Metal de inspiração setentista em adorável parceria com um musculado, dinâmico e torneado Heavy Rock de indiscretas aproximações a um libidinoso, luciférico e vultoso Heavy Blues de natureza revivalista. A sonoridade ritualística, intrigante, hipnotizante e demoníaca – tingida e enegrecida por um negro manto Black Sabbath’ico – que o chefia tem o dom de nos dilatar as pupilas e fazer comungar toda uma umbrosa solenidade de orientação esotérica e adoração pagã. De olhar vazio e envidraçado, narinas ampliadas e alma pasmada, enlutada e profundamente sepultada num perfeito estádio de dominante fascinação, somos seduzidos, magnetizados e farolizados pela sombria radiação de ‘Lightning Born’. Numa majestosa, elegante, deslumbrante e vistosa dança Sabbath’ica somos enfeitiçados pela tirânica nobreza de uma guitarra que se enfatiza em prestigiosos, imponentes, soberanos e ostentosos riffs de onde florescem e sobressaem formosos, magistrais e assombrosos solos, a reverberante densidade de um baixo movido a linhas possantes, onduladas, demonizadas e mastodônticas, a ardente ritmicidade de uma bateria pesada, altiva, explosiva e carregada, e ainda pela erótica simetria de uma melodiosa e corpulenta voz feminina de tez condimentada, oleada e melificada que lidera com desarmante distinção toda esta luxuosa e alterosa caravana sonora. ‘Lightning Born’ simboliza uma verdadeira estreia de sonho para este potente quarteto norte-americano. Um magnífico álbum possuidor de uma musicalidade tremendamente expressiva, enigmática e altiva que seguramente capturará e encantará todo aquele que nele ousar ingressar. Um dos meus registos predilectos de 2019 está aqui, na primorosa, demoníaca e caliginosa essência de Lightning Born. Empoderem-se nele.

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 Ripple Music

🌊 The Heavy Minds - "Spheres" (Second Mind, 2019)

🌴 Acid King // Stoned And Dusted (2019)

📸 Sam Grant

🦇 Black Sabbath (London, 1972)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

🎬 Cinema de Abril, Maio e Junho!

The Walking Dead S09 (2018-2019) de Frank Darabont   ★★★★★
The Haunting of Hill House S01 (2018) de Mike Flanagan  
★★★★★
A Dog's Purpose (2017) de Lasse Hallström  
★★★★☆
Fleabag S01 (2016) de Phoebe Waller-Bridge  
★★★★☆
Warlock (1959) de Edward Dmytryk  
★★★★☆
Cobra Kai S01 (2018) de Robert Mark Kamen   ★★★★★
Cobra Kai S02 (2019) de Robert Mark Kamen   ★★★★★
Chugyeogja (2008) de Hong-jin Na   ★★★★★
La Revanche de Vermeer (2017) de Guillaume Cottet & Jean-Pierre Cottet   ★★★★★
Red Rock West (1993) de John Dahl   ★★★★☆
Take a Hard Ride (1975) de Antonio Margheriti   ★★☆☆☆
Doc (1971) de Frank Perry   ★★★★☆
ReMastered: Devil at the Crossroads (2019) de Brian Oakes   ★★★★★
The Dawn Wall (2017) de Josh Lowell & Peter Mortimer   ★★★★★
Army of Darkness (1992) de Sam Raimi   ★★★★☆
The Big Clock (1948) de John Farrow   ★★★★★
The Comancheros (1961) de Michael Curtiz & John Wayne   ★★★★☆
Room 8 (2013) de James W. Griffiths   ★★★★☆
Arthur Miller: Writer (2017)
de Rebecca Miller   ★★★★☆
The Mule (2018) de Clint Eastwood   ★★★★☆
Time Thieves (2018) de Cosima Dannoritzer   ★★★☆☆
John Wick (2014) de Chad Stahelski   ★★★★☆
John Wick: Chapter 2 (2017) de Chad Stahelski   ★★★★☆
Chernobyl S01 (2019) de Craig Mazin   ★★★★★
CapharnaUm (2018) de Nadine Labaki   ★★★★★
Deadwood (2019) de Daniel Minahan   ★★★★★
Black Mirror S05 (2019) de Charlie Brooker   ★★★★☆
The Wonderful Country (1959) de Robert Parrish   ★★★☆☆
Fleabag S02 (2019) de Phoebe Waller-Bridge   ★★★★★
The Furies (1950) de Anthony Mann   ★★★★☆
Young Billy Young (1969) de Burt Kennedy   ★★★☆☆
A Monster Calls (2016) de J.A. Bayona   ★★★★☆
The Indian Fighter (1955) de Andre De Toth   ★★★☆☆
Three Violent People (1956) de Rudolph Mate   ★★★☆☆

Pappo's Blues - "Stratocaster Boogie" (1973)

🔥 Matt Pike (Sleep / High On Fire)

David Gilmour // Pink Floyd (1970)

📸 Gerard Scheppink

Kim Gordon // Sonic Youth (1990)