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segunda-feira, 23 de setembro de 2019
domingo, 22 de setembro de 2019
sábado, 21 de setembro de 2019
Review: ⚡ Land Mammal - 'Land Mammal' EP (2019) ⚡
Da metrópole Dallas (Texas,
EUA) vem a mélica, aromática e pastoril brisa sonora bafejada pelo venerável
EP de estreia (e que estreia) do fresco quinteto Land Mammal. Desenraizado
e florescido em território primaveril, e promovido única e exclusivamente em formato
digital, este arejado, perfumado e desmesuradamente aprazível registo de
designação homónima traz-nos a charmosa lubricidade de um provocante, afrodisíaco,
opulento e dançante Blues-Rock aliada à deslumbrante graciosidade de um ensolarado,
afável, estimável e melificado Psychedelic Rock de essência revivalista
que se confunde com a boa disposição de um jovial e contagiante Psych Pop
firmado nos britânicos anos 60. A sua extasiante sonoridade é sobrevoada,
temperada e climatizada por uma arrebatadora ambiência campesina que nos
enternece e embevece os sentidos. De pálpebras desmaiadas, narinas dilatadas,
sorriso talhado no rosto e alma embrulhada numa imperturbável sensação de pleno
bem-estar somos embalados e namorados pelos quatro temas que se conjugam entre
si numa ataráxica e desarmante harmonia capaz de nos fazer salivar os ouvidos.
São 15 minutos saturados de uma resplandecente melosidade e deliciosa maviosidade
cuidadosamente cozinhadas por uma sedosa, simpática, doce e formosa voz (de vistosas
aproximações a um saudoso Shannon Hoon, carismático vocalista dos
norte-americanos Blind Melon), uma garbosa guitarra wah-wah de
inspiração Jimi Hendrix’eana que se pompeia e afogueia em envolventes,
descontraídos, requintados e eloquentes acordes de onde espreitam e desnudam tímidos,
efémeros, borbulhantes e imensamente delirantes solos, um pulsante, magnético e
serpenteante baixo de linhas fluídas, onduladas, viçosas e espaçadas, uma relaxada
bateria de toque chamejante, apurado, desembaraçado e cativante, e um sofisticado
teclado que – em encantadora parceria com um mágico sintetizador – orvalha todas
as verdejantes planícies de ‘Land Mammal’ com um aliciante misticismo.
A vistosa portada que confere rosto a este paradisíaco EP tem o fácil e
imediatamente reconhecido toque artístico do já afamado ilustrador RobinGnista. Este é um registo deveras apaixonante que apenas peca pela sua
curta duração. Uma apaladada, estupenda e inspirada produção de estreia do
jovem quinteto Land Mammal que não só tem legitimas aspirações de alcançar
as mais elevadas e consequentemente elogiadas posições na lista onde se
perfilam os melhores EP’s do ano, como aponta a um futuro muito risonho
de uma banda que – espero eu – veio para ficar.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Review: ⚡ Buried Feather - 'Cloudberry Dreamshake' (2019) ⚡
Da insuspeita cidade
costeira de Melbourne (lar de tantas e tantas bandas consagradas que ornamentam
a já emblemática cena australiana) chega-nos o terceiro e novo álbum do
tridente australiano Buried Feather designado de ‘Cloudberry
Dreamshake’ e oficialmente lançado no passado dia 12 de Setembro sob a
forma digital através da sua página de Bandcamp, bem como em formato
físico de vinil (trifurcado em diferentes e ultra-limitadas edições) através do
selo discográfico germânico Kozmik Artifactz e da editora local Cobra
Snake Necktie Records. De instrumentos apontados a um imersivo, hipnótico e
lenitivo Krautrock de ritmicidade Drone que orbita numa detida
dança gravitacional com um sidérico, lisérgico e outonal Psychedelic Rock
de traje sessentista, a onírica sonoridade de ‘Cloudberry
Dreamshake’ passeia-se dos meditativos céus de uns clássicos Can
aos viscosos e musgosos pântanos dos contemporâneos Dead Meadow. De pálpebras semicerradas,
olhar insensibilizado, tronco serpenteante e cabeça pesadamente balanceada de
ombro a ombro, embalamos numa profunda hipnose que nos embacia a lucidez e banha
de embriaguez. Na composição de toda esta densa e psicotrópica nebulosidade estelar
encontra-se uma esfíngica guitarra fervilhada em efeito Fuzz que se
envaidece e enlouquece em arábicas danças de onde sobressaem adornados, provocantes
e sublimados solos de uma beleza e pureza celestial, uma sonhadora e
purificante voz de tez ecoante, terna, etérea e transparente, um murmurante baixo
de linhas oscilantes, melodiosas, suaves e magnetizantes, uma bateria balsâmica
de toque cintilante, delicado, cuidado e tranquilizante, e ainda um mágico sintetizador
que – com o seu inventivo experimentalismo – sonda as lamúrias dos astros e
borrifa toda a encantadora atmosfera sonora de uma edénica, perfumada e mística
alquimia. O fantástico artwork detalhadamente delineado e colorido a profusa e difusa exuberância
pertence ao talentoso artista norte-americano Brian Blomerth. Este ‘Cloudberry
Dreamshake’ é um ofuscante e apaixonante álbum de beatitude lapidar que nos faz
desaguar e atracar num nirvânico estádio de glória sensorial. Deixem-se embevecer e transcender
pela sua imensa mansidão, e sintam-se perecer num súbito desmaio de prazer que vos
sepultará nos mais penetrantes solos do universo sonial. É demasiado fácil
testemunhar o adormecimento dos sentidos e o consolo da alma num perfeito oásis
espiritual. Dissolvam-se neste poderoso sedativo via auditivo, e flutuem pela
plácida e flácida ondulação de Buried Feather. Embarquem nesta febril
narcose sem regresso garantido.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
terça-feira, 17 de setembro de 2019
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
domingo, 15 de setembro de 2019
Review: ⚡ Love Gang - 'Dead Man's Game' (2019) ⚡
Da cidade de Denver (a mais populosa e capital do estado norte-americano do Colorado)
chega-nos o tão ansiado primeiro álbum do enérgico (e por mim muito apreciado) quarteto Love Gang.
Formados em 2015 e com um modesto curriculum vitae onde apenas constam um EP
(2016) e um Split (2019) produzido na adorável companhia dos texanos Smokey
Mirror, estes quatro jovens dotados das melhores inspirações presenteiam agora todos os seus seguidores com
um registo digno das suas admiráveis capacidades de instrumentos empunhados.
Lançado muito recentemente em formato digital através das mais variadas
plataformas e numa ultra-limitada edição em vinil de aparência caramelizada (apenas 300
cópias físicas disponíveis e com entrega agendada para o início do próximo mês de Outubro) através do seu próprio selo discográfico Colfax
Records, este empolgante e impactante ‘Dead Man's Game’ vem assombrado e infestado por um serpenteante, viçoso, harmonioso e extravagante Heavy Prog, um poderoso,
dinâmico, ardente e ostentoso Hard Rock (que discretamente se
metamorfoseia num tradicional Heavy Metal à boa moda dos britânicos 80’s)
e ainda um intrigante, obscuro, ritualístico e magnetizante Proto-Metal de reverente ambiência ocultista. A sua clássica e carismática musicalidade fielmente trazida do sagrado território
setentista – e de onde são evocados e conjugados consagradas referências como Atomic
Rooster, Edgar Broughton Band, Birth Control, Blue Cheer
e Jethro Tull – detona na nossa direcção toda uma frenética cavalaria
pesada que – à rédea solta, esporas ensanguentadas e corrida tonitruante – nos atesta, agride e contagia de
uma intensa e fervilhante adrenalina sem qualquer esmorecimento à vista. De
pupilas dilatadas, maxilares cerrados, fôlego arquejado, coração em alvoroço e
cabelos esvoaçantes em incessante perseguição a uma cabeça rodopiante, somos
contagiados e irrigados pela vibrante, viril e potente exuberância detonada pelos
Love Gang. De motores rumorosos e fumegantes, punho firmado no volante e
um forte odor a borracha queimada no asfalto, este quarteto norte-americano
arranca para uma furiosa, portentosa e estonteante galopada motivada por uma extraordinária
guitarra de majestosos, velozes, lascivos e imperiosos Riffs distorcidos
e atropelados por ácidos, trepidantes, intoxicantes e delirados solos, um imponente
baixo de possante, ensombrada, tonificada e murmurante reverberação, uma impulsiva
e infatigável bateria que se afogueia a trote de uma ritmicidade instigante, vertiginosa,
estrondosa e galopante, uma voz incandescente, ríspida, áspera e mordente, e um
litúrgico e enigmático teclado que – em alternância de protagonismo com uma bizarra
e serpenteante flauta à boa moda de Ian Anderson e ainda um aveludado,
erótico e exaltado saxofone – se enfatiza e eterniza com os seus arrepiantes,
hipnóticos, exóticos e elegantes bailados. ‘Dead Man’s Game’ é um
álbum inesgotavelmente electrizante que provoca no ouvinte toda uma borbulhante,
tumultuosa e efervescente erupção de prazer. Uma apimentada e condimentada receita sonora
que conta com os ingredientes certos usados na medida certa. Já tinha saudades
de uma cavalgada desta magnitude. Este é indubitavelmente um dos meus discos
favoritos de 2019. Incendeiem-se e revoltem-se nele.
sábado, 14 de setembro de 2019
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
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