sábado, 21 de setembro de 2019

🦅 Jaco Pastorius (01/12/1951 ✝ 21/09/1987)

Review: ⚡ Land Mammal - 'Land Mammal' EP (2019) ⚡

Da metrópole Dallas (Texas, EUA) vem a mélica, aromática e pastoril brisa sonora bafejada pelo venerável EP de estreia (e que estreia) do fresco quinteto Land Mammal. Desenraizado e florescido em território primaveril, e promovido única e exclusivamente em formato digital, este arejado, perfumado e desmesuradamente aprazível registo de designação homónima traz-nos a charmosa lubricidade de um provocante, afrodisíaco, opulento e dançante Blues-Rock aliada à deslumbrante graciosidade de um ensolarado, afável, estimável e melificado Psychedelic Rock de essência revivalista que se confunde com a boa disposição de um jovial e contagiante Psych Pop firmado nos britânicos anos 60. A sua extasiante sonoridade é sobrevoada, temperada e climatizada por uma arrebatadora ambiência campesina que nos enternece e embevece os sentidos. De pálpebras desmaiadas, narinas dilatadas, sorriso talhado no rosto e alma embrulhada numa imperturbável sensação de pleno bem-estar somos embalados e namorados pelos quatro temas que se conjugam entre si numa ataráxica e desarmante harmonia capaz de nos fazer salivar os ouvidos. São 15 minutos saturados de uma resplandecente melosidade e deliciosa maviosidade cuidadosamente cozinhadas por uma sedosa, simpática, doce e formosa voz (de vistosas aproximações a um saudoso Shannon Hoon, carismático vocalista dos norte-americanos Blind Melon), uma garbosa guitarra wah-wah de inspiração Jimi Hendrix’eana que se pompeia e afogueia em envolventes, descontraídos, requintados e eloquentes acordes de onde espreitam e desnudam tímidos, efémeros, borbulhantes e imensamente delirantes solos, um pulsante, magnético e serpenteante baixo de linhas fluídas, onduladas, viçosas e espaçadas, uma relaxada bateria de toque chamejante, apurado, desembaraçado e cativante, e um sofisticado teclado que – em encantadora parceria com um mágico sintetizador – orvalha todas as verdejantes planícies de ‘Land Mammal’ com um aliciante misticismo. A vistosa portada que confere rosto a este paradisíaco EP tem o fácil e imediatamente reconhecido toque artístico do já afamado ilustrador RobinGnista. Este é um registo deveras apaixonante que apenas peca pela sua curta duração. Uma apaladada, estupenda e inspirada produção de estreia do jovem quinteto Land Mammal que não só tem legitimas aspirações de alcançar as mais elevadas e consequentemente elogiadas posições na lista onde se perfilam os melhores EP’s do ano, como aponta a um futuro muito risonho de uma banda que – espero eu – veio para ficar.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

🌴 Sheverb - "Thunder Lizard" (2018)

🍁 Ian Gillan // Deep Purple (1970's)

🍺 Lemmy Kilmister

Review: ⚡ Buried Feather - 'Cloudberry Dreamshake' (2019) ⚡

Da insuspeita cidade costeira de Melbourne (lar de tantas e tantas bandas consagradas que ornamentam a já emblemática cena australiana) chega-nos o terceiro e novo álbum do tridente australiano Buried Feather designado de ‘Cloudberry Dreamshake’ e oficialmente lançado no passado dia 12 de Setembro sob a forma digital através da sua página de Bandcamp, bem como em formato físico de vinil (trifurcado em diferentes e ultra-limitadas edições) através do selo discográfico germânico Kozmik Artifactz e da editora local Cobra Snake Necktie Records. De instrumentos apontados a um imersivo, hipnótico e lenitivo Krautrock de ritmicidade Drone que orbita numa detida dança gravitacional com um sidérico, lisérgico e outonal Psychedelic Rock de traje sessentista, a onírica sonoridade de ‘Cloudberry Dreamshake’ passeia-se dos meditativos céus de uns clássicos Can aos viscosos e musgosos pântanos dos contemporâneos Dead Meadow. De pálpebras semicerradas, olhar insensibilizado, tronco serpenteante e cabeça pesadamente balanceada de ombro a ombro, embalamos numa profunda hipnose que nos embacia a lucidez e banha de embriaguez. Na composição de toda esta densa e psicotrópica nebulosidade estelar encontra-se uma esfíngica guitarra fervilhada em efeito Fuzz que se envaidece e enlouquece em arábicas danças de onde sobressaem adornados, provocantes e sublimados solos de uma beleza e pureza celestial, uma sonhadora e purificante voz de tez ecoante, terna, etérea e transparente, um murmurante baixo de linhas oscilantes, melodiosas, suaves e magnetizantes, uma bateria balsâmica de toque cintilante, delicado, cuidado e tranquilizante, e ainda um mágico sintetizador que – com o seu inventivo experimentalismo – sonda as lamúrias dos astros e borrifa toda a encantadora atmosfera sonora de uma edénica, perfumada e mística alquimia. O fantástico artwork detalhadamente delineado e colorido a profusa e difusa exuberância pertence ao talentoso artista norte-americano Brian Blomerth. Este ‘Cloudberry Dreamshake’ é um ofuscante e apaixonante álbum de beatitude lapidar que nos faz desaguar e atracar num nirvânico estádio de glória sensorial. Deixem-se embevecer e transcender pela sua imensa mansidão, e sintam-se perecer num súbito desmaio de prazer que vos sepultará nos mais penetrantes solos do universo sonial. É demasiado fácil testemunhar o adormecimento dos sentidos e o consolo da alma num perfeito oásis espiritual. Dissolvam-se neste poderoso sedativo via auditivo, e flutuem pela plácida e flácida ondulação de Buried Feather. Embarquem nesta febril narcose sem regresso garantido.

domingo, 15 de setembro de 2019

© Hugh Holland

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♛ Deep Purple - "Speed King" (Deep Purple In Rock, 1970)

Review: ⚡ Love Gang - 'Dead Man's Game' (2019) ⚡

Da cidade de Denver (a mais populosa e capital do estado norte-americano do Colorado) chega-nos o tão ansiado primeiro álbum do enérgico (e por mim muito apreciado) quarteto Love Gang. Formados em 2015 e com um modesto curriculum vitae onde apenas constam um EP (2016) e um Split (2019) produzido na adorável companhia dos texanos Smokey Mirror, estes quatro jovens dotados das melhores inspirações presenteiam agora todos os seus seguidores com um registo digno das suas admiráveis capacidades de instrumentos empunhados. Lançado muito recentemente em formato digital através das mais variadas plataformas e numa ultra-limitada edição em vinil de aparência caramelizada (apenas 300 cópias físicas disponíveis e com entrega agendada para o início do próximo mês de Outubro) através do seu próprio selo discográfico Colfax Records, este empolgante e impactante ‘Dead Man's Game’ vem assombrado e infestado por um serpenteante, viçoso, harmonioso e extravagante Heavy Prog, um poderoso, dinâmico, ardente e ostentoso Hard Rock (que discretamente se metamorfoseia num tradicional Heavy Metal à boa moda dos britânicos 80’s) e ainda um intrigante, obscuro, ritualístico e magnetizante Proto-Metal de reverente ambiência ocultista. A sua clássica e carismática musicalidade fielmente trazida do sagrado território setentista – e de onde são evocados e conjugados consagradas referências como Atomic Rooster, Edgar Broughton Band, Birth Control, Blue Cheer e Jethro Tull – detona na nossa direcção toda uma frenética cavalaria pesada que – à rédea solta, esporas ensanguentadas e corrida tonitruante – nos atesta, agride e contagia de uma intensa e fervilhante adrenalina sem qualquer esmorecimento à vista. De pupilas dilatadas, maxilares cerrados, fôlego arquejado, coração em alvoroço e cabelos esvoaçantes em incessante perseguição a uma cabeça rodopiante, somos contagiados e irrigados pela vibrante, viril e potente exuberância detonada pelos Love Gang. De motores rumorosos e fumegantes, punho firmado no volante e um forte odor a borracha queimada no asfalto, este quarteto norte-americano arranca para uma furiosa, portentosa e estonteante galopada motivada por uma extraordinária guitarra de majestosos, velozes, lascivos e imperiosos Riffs distorcidos e atropelados por ácidos, trepidantes, intoxicantes e delirados solos, um imponente baixo de possante, ensombrada, tonificada e murmurante reverberação, uma impulsiva e infatigável bateria que se afogueia a trote de uma ritmicidade instigante, vertiginosa, estrondosa e galopante, uma voz incandescente, ríspida, áspera e mordente, e um litúrgico e enigmático teclado que – em alternância de protagonismo com uma bizarra e serpenteante flauta à boa moda de Ian Anderson e ainda um aveludado, erótico e exaltado saxofone – se enfatiza e eterniza com os seus arrepiantes, hipnóticos, exóticos e elegantes bailados. ‘Dead Man’s Game’ é um álbum inesgotavelmente electrizante que provoca no ouvinte toda uma borbulhante, tumultuosa e efervescente erupção de prazer. Uma apimentada e condimentada receita sonora que conta com os ingredientes certos usados na medida certa. Já tinha saudades de uma cavalgada desta magnitude. Este é indubitavelmente um dos meus discos favoritos de 2019. Incendeiem-se e revoltem-se nele.

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