sábado, 8 de junho de 2019
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Review: ⚡ Blind Monarch - 'What Is Imposed Must Be Endured' (2019) ⚡
Da populosa cidade inglesa
de Sheffield chegam-nos as tensas, obscuras, demoníacas e misantrópicas reverberações
sonoras exaladas e propagadas pelo álbum de estreia do quarteto Blind Monarch.
Designado de ‘What Is Imposed Must Be Endured’ e oficialmente lançado
no passado mês de Abril pela mão da editora discográfica inglesa Black Bow Records
sob a forma física de CD e cassete, este assombroso álbum vem possuído e atormentado
por um pavoroso, nocivo, corrosivo e infernal Doom Metal que se enlameia
e incendeia num poderoso, lodacento, ácido e viscoso Sludge Metal e se
entorpece e amortece num intrigante, melancólico, sinistro e hipnotizante Drone
Metal. A sua sonoridade de luminosidade tenebrosa e essência perversa
condena e arremessa o ouvinte para um cenário distópico que o esvazia de
esperança e o aprisiona num intenso estádio de prostração. De semblante
tombado, olhar semi-selado e alma inteiramente inebriada somos arrastados pelos
pântanos denegridos, brumosos e demonizados de ‘What Is Imposed Must Be
Endured’ ao enigmático e ritualístico som de uma guitarra profana que
se exorciza em riffs caliginosos, apocalípticos e tenebrosos, um baixo
sinistro de bafagem saturada, lastimosa, volumosa e embriagada, uma bateria
incisiva de ritmicidade ardente, explosiva e absorvente, e ainda uma liderante
voz de tez espinhosa, felina, sibilina e cavernosa que com os seus heréticos clamores
capitaneia toda esta sombria peregrinação aos lugares mais eclipsados e amaldiçoados da
existência humana. Este é um álbum prepotente capaz de nos enlutar e profanar a
alma, saturando-a de uma febril e vil sedação que nos narcotiza e climatiza do
primeiro ao derradeiro tema. São 54 minutos de uma maldita liturgia de adoração
pagã capaz de converter até o mais consagrado beato num perfeito subserviente
ao serviço de quem governa as trevas. Deixem-se dominar pela titânica e
luciférica sobranceria de Blind Monarch, e testemunhem toda a veemente supremacia
de um dos álbuns mais perturbadores do presente ano.
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quinta-feira, 6 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
terça-feira, 4 de junho de 2019
Review: ⚡ Kaleidobolt - 'Bitter' (2019) ⚡
É justo começar por referir que os Kaleidobolt são hoje uma das minhas bandas favoritas e motivadores de um crescente estádio de ansiedade que me absorve sempre que esbarro com o anúncio de um novo álbum em produção. Depois de em 2015 ter ouvido e elogiado o seu portentoso álbum de estreia ‘Kaleidobolt’ (review aqui), tendo-o premiado mesmo com o invejável título de melhor álbum desse mesmo ano (listagem aqui), em 2016 ter novamente digerido e aplaudido o seu sucessor ‘The Zenith Cracks’ (review aqui), e em 2017 ter finalmente experienciado ao vivo este enérgico power-trio em solo nacional e na honrosa companhia dos californianos Radio Moscow (review aqui), estes finlandeses sediados na cidade-capital de Helsínquia regressam agora com a tão aguardada promoção de‘Bitter’, o seu terceiro registo de longa duração. Lançado muito recentemente pela mão do conceituado selo discográfico local Svart Records sob a forma física de CD e vinil, este novo álbum de Kaleidobolt escuda-se num poderoso, furioso, enérgico e vigoroso Hard Rock de influência clássica aliado a um empolgante, oleado, rebuscado e magnetizante Heavy Prog de feições setentistas. Resultada de um impressionante equilíbrio entre a robustez e a flexibilidade, a delicadeza e a aspereza, a mansidão e a comoção, a complexa e exótica sonoridade de ‘Bitter’ causa no ouvinte toda uma imperturbável sensação de profunda fascinação que o envolve e revolve do primeiro ao derradeiro tema. São 44 minutos governados por uma ambiência bifurcada onde a alucinante e fervilhante voracidade e a sumptuosa e odorosa tranquilidade repartem o devido protagonismo. E é essa conjugação ambivalente de naturezas marcadamente tão contrastadas – mas cujas alternâncias são executadas de forma fluída e espontânea – que me faz salivar e extasiar por toda a extensão temporal de ‘Bitter’. Agarrem firmemente as rédeas desta turbulenta locomotiva carburada por uma intratável guitarra movimentada a riffs buliçosos, selváticos, dinâmicos e ostentosos, e atiçada a solos vertiginosos, esquizofrénicos, frenéticos e impetuosos, um possante baixo de reverberação ondulada, hipnotizante, penetrante e encorpada, uma adorável bateria tanto orientada a um refinado, sublime e polido toque jazzístico como incendiada a uma destravada, explosiva e desgovernada galopada sem travões à vista, e ainda uma voz ácida, escarpada, cáustica e avinagrada que esvoaça livremente pela vulcânica atmosfera que estremece todo este álbum. É-me ainda importante estender o louvor ao fabuloso, expressivo e vistoso artwork de créditos apontados ao ilustrador texano Jaime Zuverza. Chego ao final de ‘Bitter’ com a lucidez completamente distorcida e desnorteada. Este é um álbum de natureza impactante, vibrante e atordoante que superara largamente todas as minhas expectativas previamente criadas. Deixem-se morder pela intensa toxicidade de ‘Bitter’ e vivenciem de forma desmoderada e arrebatada um dos álbuns mais desconcertantes lançados até à data no presente ano de 2019.
Na ressaca de ‘Bitter’ aproveito ainda para recordar que Kaleidobolt é um dos nomes com presença assegurada na próxima edição do festival português SonicBlastMoledo, e é, portanto, uma das minhas mais sérias recomendações a não perder em solo minhoto, pela sua gigantesca impetuosidade detonada acima de palco.
Na ressaca de ‘Bitter’ aproveito ainda para recordar que Kaleidobolt é um dos nomes com presença assegurada na próxima edição do festival português SonicBlastMoledo, e é, portanto, uma das minhas mais sérias recomendações a não perder em solo minhoto, pela sua gigantesca impetuosidade detonada acima de palco.
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segunda-feira, 3 de junho de 2019
domingo, 2 de junho de 2019
Review: ⚡ Farfisa - 'Seven Suns' EP (2019) ⚡
Da cidade de Manchester (Reino Unido) chega-nos o esplêndido EP de estreia do jovem quarteto
inglês Farfisa, designado de ‘Seven Suns’ e lançado através da sua página
de Bandcamp em formato digital e sob
a forma física de cassete pela mão conjunta do pequeno selo discográfico local Sour Grapes Records e da distribuidora local
Mars Tapes. Destilada de uma
agradável e elogiável fusão entre um quente, exótico e relaxante Psych Rock, um anestésico, lisérgico e
envolvente Shoegaze, e ainda um viajante,
hipnótico e fascinante Space Rock, a
deslumbrante, lenitiva e meditativa sonoridade, de clima veraneio e aroma
oceânico, que orbita este fabuloso ‘Seven
Suns’ tem o dom de nos bronzear, embevecer e sublimar ao longo dos três
temas que o incorporam. São 19 minutos ensolarados e saturados de um edénico psicadelismo
que nos distende da tropical costa californiana banhada pelo Oceano Pacífico até
aos rosados e consagrados céus da velha Pérsia. Uma sonhadora e arrebatadora caravana
sonora pelos desertos da alma que – de olhar selado, sorriso imortalizado no
rosto e corpo serpenteante – nos eteriza e canaliza na direcção do transe. Ingressem nesta sagrada
peregrinação destinada ao tão almejado nirvana
à estarrecedora boleia de uma guitarra que se manifesta em sedosos, alucinógenos
e voluptuosos acordes e se transcende em eruptivos solos de natureza borbulhante,
uivante, ácida e delirante, um murmurante baixo de linhas hipnotizantes, fluídas,
compenetradas e ondulantes, uma jazzística
bateria tiquetaqueada e ritmada a delicadeza, sensibilidade, requinte e
destreza, uma liderante e agradável voz de tez aveludada, pacífica e cuidada, e
ainda uma profética cítara de bailados extasiados, extravagantes e enfeitiçados
que nos empoeira com o seu ofuscante misticismo de inspiração oriental. ‘Seven
Suns’ é um registo aureolado e aclimatado por uma endeusada beatitude que
prende todo um verdadeiro oásis espiritual onde nos estacionamos e deliciamos
do primeiro ao derradeiro minuto. Uma verdadeira terapia via auditiva que nos
desprende o ego da gravidade corporal e o arremessa para as zonas mais erógenas
da intimidade consciencial. Sintam-se dissolver nas profundezas desta paradisíaca
narcose que nos afaga todos os estímulos sensoriais, e reverenciar um dos mais singulares
EP’s lançados até ao momento em 2019.
sábado, 1 de junho de 2019
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