sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
🏆 2025: TOP 25 🏆
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Review: 🔮 Marmalade Knives - 'Paradigm Lost' (2025, Electric Valley) 🔮
Cinco anos após
o lançamento do seu delicioso álbum de estreia – intitulado ‘Amnesia’ e aqui
devidamente esmiuçado –, a formação norte-americana Marmalade Knives –
originalmente formada nas montanhas de Santa Cruz (Califórnia),
mas hoje desenraizada e movida numa espargata de costa a costa (com um pé
firmado na Califórnia e o outro em Nova Iorque) – acaba de nos
presentear com o seu segundo trabalho de longa duração, denominado ‘Paradigm
Lost’ e carimbado pelo selo discográfico italiano Electric Valley
Records. Este apaixonante tridente, que ocasionalmente conta com a
participação de um quarto elemento, leva à nossa mesa uma colorida, apaladada e inventiva
amálgama sonora onde facilmente se identificam e saboreiam um serpenteante, sensual,
piramidal e enleante Prog Rock de vistosos bailados árabes e uma cósmica
propulsão Eloy’ana, um envolvente, odoroso, eloquente e deslumbrante Psychedelic
Rock oxigenado por um agradável, morno e afável clima west-coast e perfumado
por uma indiscreta inspiração jazzística situada entre as margens dos
germânicos Kraan e Annexus Quam, e ainda um hipnótico, bucólico,
enfeitiçante e camaleónico Krautrock de radiosas e meditativas paisagens
pastorais trazidas de Popol Vuh, exóticas passagens de condimentos
alienígenas colhidos em Amon Düül II e um firme pulso
motorik troteado à boa moda de Neu!. Submersos num xamânico e
quimérico ritual, incensado por coloridas e fantasmagóricas poeiras estelares,
estrelado pela estonteante pirotecnia celestial e centrifugado por luminosos e
enérgicos quasares, que nos extasia, inebria e faz levitar pela sempiterna
verticalidade cósmica, somos inundados pela radiação sacramental de ‘Paradigm
Lost’ que nos electrifica todas as ramificações do nosso circuito espiritual.
Farolizados pela messiânica luzência de Marmalade Knives somos cativados
e desaguados nas nirvânicas praias do paraíso mental. O vislumbrar do maravilhoso
romper da aurora cósmica. A inalação – de olhar selado e narinas dilatadas – da doce
fragância oriental que nos desobstrói a autoestrada consciencial. São 39
minutos banhados por um misticismo seráfico que nos intoxica de lisérgica bruma estelar e
faz gravitar um imperturbável estádio de plena ataraxia. Um jogo de espelhos onde nos perdemos e
encontramos. Na composição desta eucaristia astral, de essência instrumental, perfilam-se
uma alucinógena guitarra de dançantes, caleidoscópicos, prismáticos e delirantes
riffs de onde são desatados gritantes, ácidos, venenosos e bruxuleantes solos
que ecoam pela infinidade extraterrestre, um baixo magnético de reverberação murmurante,
vagueante, elástica e flutuante, uma bateria acrobática de suados, quentes, atraentes
e desatados ritmos funky, e um admirável sintetizador, criador de majestosos,
fantásticos e milagrosos cenários cósmicos, que nos convida ao escapismo sónico.
‘Paradigm Lost’ é um álbum divinal – maquilhado a beleza etérea e
executado a disciplinada destreza – que nos cega com a sua sagrada rutilância. Autêntica
tapeçaria persa que nos viaja no tempo e no espaço. Um dos registos mais
extraordinários do ano está aqui, no intenso clarão de Marmalade Knives
que chameja com vistosa distinção nos céus crepusculares do moribundo 2025.
domingo, 28 de dezembro de 2025
sábado, 27 de dezembro de 2025
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Review: 🌶️ Requiem Blues - 'Same Old Story' EP (2025, Helium Head) 🌶️
Depois de no
início do presente ano o explosivo tridente ofensivo britânico Requiem Blues
– residente na cidade de Liverpool – ter detonado o seu entusiástico EP
de estreia (aqui trazido e imoderadamente reverenciado), o mesmo regressa
agora com mais um bombástico registo de curta duração intitulado ‘Same Old
Story’ e editado pela Helium Head Records no exclusivo formato digital. A par do que acontece com
o seu irmão mais velho, ‘Same Old Story’ é orientado e chamejado por um incrível, picante,
provocante e irresistível Blues Rock de libidinoso balanço boogie
e mãos dadas a um exuberante, tonificado, electrizante e lubrificado Hard Rock de amarelecido
brilho vintage. Uma bebida espirituosa – de trago mélico e urticante – que nos seduz,
alcooliza e conduz à rendição. A sua sonoridade ardente, movediça, atiradiça e atraente
– atestada de testosterona – presta uma descarada homenagem a Rory
Gallagher’s Taste (como o nome do EP, a versão cover desse mesmo tema
originário de Taste (proveniente do álbum de estreia lançado em 1969) aqui
presente e o belo artwork assim o sugerem), bem como a outros dinossauros da
segunda metade da década de 1960 e da primeira metade da década de 1970 como Budgie,
Blue Cheer, Cactus, ZZ Top, Sir Lord Baltimore, Captain
Beyond, Pentagram, Iron Claw, Jerusalem, Bang, Leaf
Hound e Truth & Janey. Vibrante, delirante, apimentado e
viciante, ‘Same Old Story’ é um EP abrasivo que nos incendeia em afrodisíaca
tentação e esporeia de selvática comoção. São apenas 12 minutos sobrecarregados
de endorfinas, banhados a tintura psicotrópica e inflamados a fritura cósmica,
que nos fazem salivar por mais, muito, muito mais. Uma vertiginosa, extasiante,
aparatosa e sónica galopada – de desenfreados instrumentos em caótica debandada
– que em nós provoca um poderoso sismo emocional. Deixem-se entontecer,
inebriar e ferver à estimulante boleia uma guitarra reptiliana que se bamboleia
num erótico deboche de enleantes, carnudos, encaracolados e galvanizantes riffs
que se desdobram em catadupa, e endoidece numa ácida e psicadélica gritaria de ciclónicos,
assanhados, desgarrados e histéricos solos, um baixo insuflado que se meneia em
linhas baloiçadas, elásticas, esféricas e empoladas, uma endiabrada bateria
escoiceada a virtuosos, leves, livres e espalhafatosos malabarismos rítmicos, uma
voz reinante, ecoante e melodiosa de pele acrimoniosa, ferrugenta e venenosa
que se equilibra sem nunca perder a postura nas sacudidas costas deste buliçoso
rodeo, e um teclado propulsivo de mugidos polposos, enigmáticos,
anárquicos e gloriosos que arremessa a toda a velocidade o derradeiro tema deste
EP na vertiginosa direcção da deslumbrante medula estelar. Este é um registo
verdadeiramente impactante e arrebatador que nos engole e centrifuga numa emancipadora,
desorientadora e alucinante viagem. Um poderoso vórtice onde todo o cosmos é aspirado
e remexido numa enlouquecedora espiral de cores berrantes, caleidoscópicas e pulsantes.
Estou de coração flechado pelo cupido Requiem Blues.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Review: 🏰 Homegrown - 'Homegrown' (2025, Majestic Mountain) 🏰
Dos encantados bosques suecos
chega-nos o enfeitiçante ritual Wicca soberbamente musicado pelo habilidoso quarteto
escandinavo Homegrown, de denominação homónima e editado pela sua compatriota
Majestic Mountain Records. Este segundo álbum da turma residente na
cidade de Gotemburgo vem incensado por uma mágica sonoridade – cozinhada
num fervilhante e borbulhante caldeirão, abraçado por dançantes lavaredas e no
qual são submergidas e remexidas ervas curativas que libertam densos vapores de
odores silvestres – onde gravitam entre si um meloso, sedutor, trovador e formoso Psychedelic
Rock de deslumbrante atmosfera rural, um ostentoso, enleante, dançante e majestoso Progressive
Rock de ornamentada moldura medieval e um outonal, bucólico, druídico e devocional Folk
de forte inspiração ancestral. Fresco, rústico, mélico e romanesco – banhado
por um amarelecido brilho vintage –, ‘Homegrown’ é um apaixonante
registo de misticidade cerimoniosa e sublimidade fantasiosa que nos amolece o
coração, enternece o olhar e inebria de uma sagrada fascinação. Com reminiscências trazidas dos britânicos Wishbone
Ash e ecos contemporâneos colhidos nos seus conterrâneos Montgolfière, bem
como nos seus vizinhos noruegueses Needlepoint, este miraculoso trabalho
dos xamãs suecos causara em mim um tremendo impacto e o mesmo continua a
crescer e a surpreender com o acumular de renovadas audições. Deliciosamente detalhado,
delicadamente esculpido e elegantemente trajado, ‘Homegrown’ é um virginal
paraíso natural de aura fabular onde a magia acontece e permanece. Verdadeira poesia
instrumental. Rendidos, extasiados e embevecidos, caminhamos livremente de
olhar esfaimado pelas verdejantes planícies trilhadas por aventurosos cavaleiros
de lanças empunhadas, habitadas por frondosas florestas que escondem feiticeiras
e animais lendários, e vigiadas de perto por imponentes castelos que recortam o
firmamento. Com duas mãos repletas de galantes, maviosos, pomposos e
semelhantes temas de contagiante meneio celta, ‘Homegrown’ toma-nos de
assalto durante 52 minutos. Munidos de duas irresistíveis guitarras siamesas
que se entrançam numa ritualística e afrodisíaca dança de formosos, vistosos, polidos
e envernizados acordes que nos namoram desavergonhadamente, e minuciosos,
delgados, refinados e primorosos solos que nos fazem revirar o olhar e cravar
os dentes nos lábios, um baixo bamboleante de linhas vagueantes, fluídas,
entretidas e magnetizantes, e uma deliciosa bateria de ritmos desembaraçados,
leves, atraentes e condimentados, este quarteto nórdico acaba de fabricar uma autêntica obra-prima. Este é um álbum piramidal, de admirável destreza,
erudita fineza e beleza escultural, que me proibira de pestanejar e fizera
salivar entre o primeiro e o derradeiro tema que o balizam. Uma tocante, provocante e imersiva liturgia
– arejada, aromática e caramelizada – que nos seduz, envolve e conduz à nirvânica
salvação. Um dos grandiosos álbuns forjados em 2025 está aqui. Purifiquem-se
nele.
Links:
➥ Instagram
➥ Bandcamp
➥ Majestic Mountain Records
domingo, 21 de dezembro de 2025
sábado, 20 de dezembro de 2025
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Review: 🐽 Black Pig Meat - 'Symbiotic Dream' (2025, Raging Planet) 🐽
É de origem
portuguesa uma das maiores surpresas sonoras de 2025. Sendo eu um indefectível entusiasta
do Jazz Fusion gerado e electrificado na dourada década de 1970, e que há
muito lamentava tratar-se de um subgénero musical sem representação nacional nos tempos que correm,
foi boquiaberto, de olhar incendiado e ouvidos salivantes que experienciei o espantoso
álbum de estreia de Black Pig Meat – talentoso quarteto domiciliado na
cidade de Coimbra – denominado ‘Symbiotic Dream’ e editado pela
influente companhia discográfica lusitana Raging Planet através dos
formatos CD e digital. Baloiçando entre um atmosférico, estético, cinematográfico
e sedutor Contemporary Jazz a fazer recordar as agradáveis paisagens
nevadas de John Abercrombie, Bill Frisell, Jakob Bro e Edena
Gardens, e um cerebral, magnetizante, provocante e sensacional Jazz
Fusion com clássicos ecos de Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return
to Forever, Frank Zappa e Soft Machine, a sumptuosa,
enfeitiçante, espalhafatosa e cerimonial sonoridade de Black Pig Meat
embarca ainda num ousado safari pelas labirínticas selvas de um exótico, colorido,
carnavalesco e caleidoscópico Psychedelic Rock de apimentado suor latino e
influência colhida em Carlos Santana. Norteadas por um experimentalismo
sem fronteiras e um magnetismo simbiótico, as intuitivas, esponjosas, aventurosas
e evolutivas jams instrumentais de ‘Symbiotic Dream’ induzem e conduzem o
ouvinte pelos místicos territórios de um afrodisíaco sonho. Ziguezagueando
entre passagens lenitivas, envolventes e reflexivas que nos travam a respiração
e soterram nos abismos da introspecção, e espalhafatosas, ritmadas e buliçosas
cavalgadas de instrumentos em sónica debandada que nos sobreaquecem e embevecem
o espírito, este é um álbum magistral que se agiganta e supera a cada renovada
audição. Edénico, sidérico e divinal, este primeiro passo discográfico da turma
conimbricense mais se assemelha a um histórico salto olímpico. Uma estreia
auspiciosa que em mim causara um verdadeiro sismo emocional de elevada magnitude.
Na composição deste criativo vulcão em diluviana erupção podemos testemunhar as
vistosas danças de uma guitarra devaneante que nos mumifica numa sedosa teia de
embriagantes, fascinantes e empolgantes riffs e descarrila num rodopiante
vendaval de solos derrapantes, estonteantes e angulosos, a dominante reverberação
de um baixo sombreado, obeso e coeso que pulsa e soletra o riff-base numa
repetição absorvente, a quimérica sublimidade suspirada por um adorável teclado
de polposos mugidos e bailados entretidos que nos borrifa com brilhantes e
fantasmagóricas poeiras cósmicas, e as extraordinárias acrobacias jazzísticas
de uma endiabrada bateria vivamente locomovida a ritmos animados, excitantes e desembaraçados.
‘Symbiotic Dream’ é um registo verdadeiramente irresistível, embebido em
chamejante exotismo e desarmante tecnicismo, que toca as longínquas e tão cobiçadas fronteiras
da perfeição. Aos meus ouvidos, o melhor álbum português do ano.
Links:
➥ Instagram
➥ Bandcamp
➥ Raging Planet









































