terça-feira, 19 de setembro de 2017

Kadavar | Austin Psych Fest 2014

© Cecilia Alejandra

Review: ⚡ Hotel Wrecking City Traders - 'Passage to Agartha' (2017) ⚡

Da carismática cidade australiana de Melbourne chega-nos ‘Passage to Agartha’ o quinto e novo álbum do poderoso power-duo Hotel Wrecking City Traders. Lançado oficialmente dia 2 de Setembro pela mão conjunta dos selos discográficos Cardinal Fuzz / Evil Hoodoo nos formatos físicos de CD e vinil (ambos com edições ultra-limitadas), neste novo disco da formação australiana prevalece um entusiástico, impetuoso e robusto Heavy Psych temperado pelo viajante, etéreo e fascinante Space Rock, pelo exótico, ressonante e caótico Noise Rock e ainda por uma veia experimental que o massaja e irriga do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 90 minutos corridos a alta rotação, numa estimulante, incrível e alucinante odisseia espacial canalizada através de um hipnótico, delirante e infindável vórtice. Uma vez absorvidos pela tântrica e psicotrópica essência de ‘Passage to Agartha’, a nossa lucidez é imediatamente varrida para fora das fronteiras corporais e a nossa alma tomada de assalto por uma intensa e libertadora euforia que nos cospe violentamente na vertiginosa direcção dos astros. É humanamente impossível dissimular toda esta intrigante e provocante avalanche sonora que nos devasta, desgasta e embebeda sem qualquer moderação. Na índole de toda esta enérgica e ofuscante resplandecência superiormente dominada por HWCT estão uma guitarra de aura mística – em constante estádio eruptivo – que desprende sombrios, furiosos, prepotentes e inflamantes riffs de feições Doom’escas, e uma bateria pujante, atlética e empolgante que compassa, esporeia e comove toda esta pesada, frenética e destemida cavalgada que desbrava todo o negro solo estelar. ‘Passage to Agartha’ é um disco que combina e harmoniza a doce lisergia e a viva emoção. Deixem-se empoeirar, dissolver e inebriar pela temulenta radiância deste novo capítulo retirado da fausta, deslumbrante e auspiciosa digressão galáctica de HWCT pelas entranhas do Cosmos soturno e adormecido, e vivenciem uma das mais duradouras, hipnóticas e prazerosas narcoses da vossa existência. Não é fácil despertar de ‘Passage to Agartha’ e recuperar a lucidez que o mesmo nos extorquira ao longo dos 90 minutos distribuídos pelos 6 temas. Um dos álbuns mais morfínicos do ano está aqui.

Pappo's Blues ‎– 'Triángulo' (1974)

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Jimmy Page | Led Zeppelin '77


Review: ⚡ Comacozer - 'Kalos Eidos Skopeo’ (2017) ⚡

Depois de ‘Deloun Sessions’ (review aqui) e ‘Astra Planeta’ (review aqui) os cosmonautas australianos Comacozer acabam de nos presentear com a projecção de ‘Kalos Eidos Skopeo’: o novo capítulo da mística, hipnótica e extasiante digressão à profunda intimidade de um Cosmos lisérgico, gélido e bocejante. Lançado no passado mês de Agosto nos formatos físicos de CD e vinil (ambos com edições limitadas) pela mão do selo discográfico holandês HeadSpin Records (reforçando –  desta forma – o vinculo entre a banda e a editora), este terceiro e novo álbum de Comacozer representa o prolongamento da odisseia estelar iniciada e desenvolvida nos álbuns anteriores. Fundamentado num etéreo, fascinante e lenitivo Psych Rock de mãos dadas com um contemplativo, sedativo e visceral Space Rock que paulatinamente se unificam, revigoram e agigantam num obscuro, intrigante e melancólico Psych Doom, este ‘Kalos Eidos Skope’ canaliza-nos para uma imperturbável e carregada hipnose que nos espartilha, embacia e anestesia a lucidez do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade ataráxica – de propriedades extremamente psicotrópicas – sepulta-nos num pleno e prazeroso estádio de quietude e placidez. Sintam-se despir de todas as amarras gravitacionais e transcender aos nirvânicos céus de ‘Kalos Eidos Skope’ à encantadora boleia sonora de uma guitarra mântrica detidamente entregue a riffs lúgubres, lascivos, febris e obscurantistas e a alucinantes, venenosos e estimulantes solos capazes de nos ofuscar, dilacerar e endoidecer, um baixo morfínico de linhas demoradas, densas e taciturnas que deambula pesadamente pelos quatro temas que compõem o álbum, uma bateria relaxante que tiquetaqueia delicada e vagarosamente toda esta sagrada caravana que se distende para o negrume estelar, e ainda um fantasioso sintetizador que sulfata toda a alma deste disco com uma brumosa magia alienígena. ‘Kalos Eidos Skope’ é um álbum verdadeiramente absorvente que nos arremessa para os lugares mais longínquos, secretos e glaciais da infinidade espacial. Deixem-se entorpecer por este poderoso narcótico e mergulhar num penetrante oceano de leviandade.

"Saturday Night Fever" - Leah Frances