quinta-feira, 2 de abril de 2020

🎹 Crucis - "Recluso Artista" (1976)

🌼 Keith Cross & Peter Ross - "The Last Ocean Rider" (1972)

✨ RUSH

🔴 Kikagaku Moyo / 幾何学模様 (Live on KEXP)

🦇 Geezer Butler // Black Sabbath '71

✌🏾 Jimi Hendrix

🎖 Proggy 44th Birthday RUSH - '2112' (1976)

Review: ⚡ Coltre - 'Under the Influence' EP (2020) ⚡

Da cidade-capital inglesa de Londres chega-nos o combativo, portentoso e altivo EP de estreia da jovem formação Coltre. Batizado de ‘Under the Influence’, oficialmente lançado na primeira metade de Fevereiro debaixo do editorial desígnio autoral, tanto no formato digital como sob a forma física de CD (entretanto já esgotado), este homérico registo de curta duração escuda-se e entrincheira-se num faustoso, oleado, atiçado e poderoso Heavy Metal de estirpe tradicionalista e procedência britânica que homenageia avultadas referências do consagrado movimento N.W.O.B.H.M. como Iron Maiden, Judas Priest, Diamond Head, Praying Mantis e Angel Witch. A sua sonoridade intrigante, dinâmica, enigmática e chamejante – forjada numa incandescente fornalha e galopada a pura adrenalina – combina a ligeireza, a desenvoltura e a destreza num só combustível capaz de esporear toda esta enfurecida locomotiva que nos trespassa e despedaça a alma do primeiro ao derradeiro minuto. Com as vestes da lucidez esfarrapadas e atestados de uma euforizante embriaguez, somos seduzidos e conduzidos pela tirânica e mastodôntica ferocidade de Coltre à enlouquecedora e emancipadora boleia imposta por duas guitarras ofensivas e enraivecidas que nos golpeiam e incendeiam com os seus dominantes, fogosos, briosos e trepidantes Riffs de onde florescem e se engrandecem gloriosos, ácidos, arrebatados e aparatosos solos de vivificante excentricidade, um fibrótico baixo de reverberação possante, densa, tensa e vociferante que enegrece, sombreia e robustece toda esta apavorante atmosfera, uma intensa e empolgante bateria de cadência apressada, galopante, enérgica e musculada que nos vergasta de provocante e incessante exaltação, e ainda uma voz escarpada, melódica, demoníaca e apimentada que – de rédeas firmemente empunhadas e esporas aguçadas – lidera com augusta autoridade toda esta impiedosa cavalaria pesada. São 28 minutos integralmente agredidos e varridos por um esfaimado frenesim. ‘Under the Influence’ é um memorioso EP de contornos épicos que me capturara e derrotara logo na primeira audição que lhe dedicara. Deixem-se atemorizar, absorver e conquistar pela monolítica majestosidade transudada de Coltre, e testemunhem de forma fascinada e submissa toda a brutal sobranceria de uma obra genuinamente assombrosa que aponta lanças e palavras bélicas aos mais elevados e premiados lugares do pódio. Melhor estreia era impossível.

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segunda-feira, 30 de março de 2020

☀️ Blues Pills - "Little Sun" (Lindbacka Session)

🎖 Happy 75th Birthday Eric Clapton (30/03/1945)

📸 Robert Whitaker

🎖 Happy 50th Anniversary Miles Davis - 'Bitches Brew' (1970)

Review & Full Premiere: ⚡ Moura - 'Moura' (2020) ⚡

Da vizinha Espanha – mais concretamente da cidade galega de Corunha – chega-nos um dos trabalhos mais ansiados e surpreendentes do ano. ‘Moura’ é o magistral álbum de estreia – de designação homónima – esculpido e lapidado pelo talentoso e sui generis quinteto espanhol que verá a luz do dia no próximo dia 1 de Abril (quarta-feira) através do conceituado selo discográfico local Spinda Records na forma física de CD e vinil (ambos os formatos ultra-limitados à existências de parcas centenas de cópias disponíveis para venda). Respondendo positivamente ao dignificante convite que me fora feito para estrear – de configuração exclusiva – em solo (digital, entenda-se) português a escuta integral desta prodigiosa primeira obra discográfica de Moura, é ainda assombrado por um febril entusiasmo – deixado pelo mesmo – que tentarei da forma mais genuína transladar para o domínio textual tudo aquilo que ‘Moura’ em mim ateara no universo emocional. Concebido e conservado por um devocional, outonal, novelesco e tradicional Folk de aura ritualista que desenterra e ressuscita toda a esquecida mística do paganismo celta, e um exuberante, enigmático, magnético e apaixonante Heavy Prog – matizado a um efervescente psicadelismo – de contornos épicos e estirpe revivalista, este sublimado ‘Moura’ presenteia e prazenteia o ouvinte com requintadas, deslumbrantes e inspiradas composições musical e liricamente desafiadoras. De olhar envidraçado, semblante pasmado e espírito enfeitiçado, somos cativados e orientados por uma esotérica liturgia – superiormente liderada por estes cinco druidas – de oração e adoração apontadas ao revivalismo de lendas ancestrais. Absorvidos e nutridos por um profundo e intenso transe religioso, é-nos demasiado fácil converter em devotos peregrinos de duas guitarras messiânicas que se hasteiam em ostentosos, faraónicos, mitológicos e imperiosos riffs, e se inflamam em delirantes, exóticos, tóxicos e uivantes solos, um vultoso baixo de pesada, densa, tensa e ondulada reverberação, um maravilhoso órgão Hammond de hipnotizantes, enigmáticos e transbordantes bailados, um mágico sintetizador que nos empoeira e beatifica de profecias cósmicas, uma sofisticada bateria de natureza erudita e galope tribalista que tiquetaqueia todo o álbum com a sua apurada técnica, e uma voz evangélica que – perseguida por um populoso, ecoante e luminoso coro vocal – capitaneia esta quimérica digressão pelos primórdios da preciosa cultura galega. A bonita fotografia que adorna o rosto deste imaculado registo tem os seus devidos créditos apontados ao fotógrafo espanhol Leo López. Este é um álbum verdadeiramente utópico. Um irrepreensível trabalho arquitectado e executado a desarmante maestria que me seduzira e conquistara do primeiro ao derradeiro tema. ‘Moura’ garante – assim – não só uma estreia profundamente marcante, como um lugar cativo por entre os mais premiados e elogiados álbuns que representarão os melhores discos de 2020. Estes cinco eremitas hispanos vêm comprovar que nem só dormindo, sonhamos. Corações ao alto, o nosso coração está em Moura.


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🛹 Laura Thornhill

🧿 Alice In Chains

domingo, 29 de março de 2020

💎 Prog'tugal

🎖 Happy 51st Birthday Quicksilver Messenger Service - 'Happy Trails' (1969)

Review: ⚡ Freeways - 'True Bearings' (2020) ⚡

Da cidade canadiana de Brampton (Ontário, Toronto) chega-nos a fresca e revitalizante brisa sonora bafejada pelo quarteto Freeways, que está na iminência de nos brindar com o lançamento do seu muito esperado álbum de estreia. Intitulado de ‘True Bearings’ e tendo o seu nascimento oficial agendado para o próximo dia 2 de Abril pela mão do ainda jovem selo discográfico local Temple of Mystery Records (sediado na cidade de Montreal, fiel e exclusivamente dedicado às variantes da música Metal) nos formatos físicos de CD, cassete e vinil, este sensacional primeiro trabalho de longa duração da formação canadense enverga um ostentoso, melódico, estético e charmoso Heavy Metal de roupagem costurada à anos 80, em cumplicidade com um oleado, vigoroso, primoroso e ritmado Hard Rock de tração e vocação setentista. Numa sofisticada e apaixonante homenagem – exemplarmente executada – a vultosas referências dos géneros como Thin Lizzy, April Wine, Budgie, Blue Öyster Cult e UFO, a aromática e carismática musicalidade de ‘True Bearings’ combina relaxadas baladas climatizadas a envolvente e deslumbrante harmonia com empolgantes galopadas carboradas a uma inflamada e embriagada euforia. Na génese deste irresistível registo perfilam-se duas virtuosas guitarras gémeas que se entrelaçam na ascensão e condução de majestosos, felinos, cativantes e voluptuosos Riffs, e desenlaçam numa animada e enfurecida perseguição por entre ziguezagueantes, gélidos, ácidos e atordoantes solos, um sussurrante e ondulante baixo sombreado, balanceado e rugido a linhas dançantes, magnéticas e possantes, uma instigante bateria firmemente esporeada a uma ritmicidade moderada, consistente, eloquente e descomplicada, e ainda uma voz distinta de tez sedosa, afinada, aquecida e melosa – a fazer-me recordar os notáveis dotes vocais do ímpar Klaus Meine (vocalista de Scorpions) – que confere toda uma maviosidade lapidar à encantadora atmosfera de ‘True Bearings’. É-me ainda inevitável enfatizar e aplaudir o fantástico artwork de aura revivalista e beleza polar, irrepreensivelmente ilustrado pelo ainda desconhecido, mas deveras promissor, artista canadiano Wayne Deadder, que se estreia assim na concepção de uma capa para um trabalho musical. Este é um álbum de fascinação e veneração imediatas. Uma obra forjada em combustão, maturada pela habilidade e polida pela sensibilidade que me cortejara e conquistara na primeira audição que lhe dedicara. Deixem-se enternecer e embevecer pela simétrica e melancólica maviosidade que contorna ‘True Bearings’, e vivenciar – ainda que de forma fugaz e subtil – um fogoso trago de chamejante excitação que vai colorindo e vivificando as pálidas e invernosas paisagens sonoras de Freeways polvilhadas e banhadas pela neve. Seguramente, um dos grandes álbuns do ano está aqui, na desarmante magnificência patenteada por um álbum dotado da rara capacidade de reconfortar e extasiar todo aquele que nele se refugiar.