quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Review: ⚡ Numidia - 'Numidia' (2019) ⚡

Da grande e populosa cidade de Sydney (Austrália) chega-nos aquela que ameaça vir a ser uma das grandes surpresas musicais do ano. ‘Numidia’ é o muito promissor álbum de estreia desta jovem formação australiana que muito recentemente fora lançado pela mão do influente selo discográfico germânico Nasoni Records sob a forma física de CD e vinil (ambos os formatos limitados a uma prensagem de apenas 300 cópias existentes). Sustentado numa harmoniosa, sedutora e prazerosa fusão sonora de onde sobressai um envolvente, místico e cativante Psych Rock de textura arábica, um afável, contemplativo e muito agradável Folk de ambiência pastoral, um magnetizante, excêntrico e apaixonante Prog Rock de bafagem astral, e ainda um inebriante, cálido e dançante Desert Blues de clara inspiração tuaregue, este tocante registo de designação homónima prende uma copiosa, doce, perfumada e majestosa essência que provocara em mim uma constante salivação da alma e a perpetuara num perfeito estádio de assombro e fascinação. ‘Numidia’ revelou tratar-se de um sério caso de veneração à primeira audição e a ressaca do mesmo dá garantias de em mim subsistir por muito e muito tempo. Assim que nos deixamos embrulhar e dissolver neste esplendoroso néctar de interiorização auditiva somos enfeitiçados e encaminhados para uma magnífica, inolvidável e paradisíaca passeata adornada pelos fabulosos e luxuosos diálogos entre três guitarras que se complementam na edificação e condução de encantadores, edénicos e sonhadores acordes, e se despistam entre si na exteriorização de vistosos, soberbos, arrebatados e voluptuosos solos, um possante, ritmado e pulsante baixo de reverberante exalação que sombreia e robustece todas as exóticas digressões das guitarras, e uma sumptuosa bateria de toque estimulante, polido, inventivo e cintilante que – a par de uma percussão de galope tribalista – tiquetaqueia e mareia toda a beleza, maravilha e fineza que este álbum transpira. Para lá da excelência instrumental habita ainda um mavioso coro vocal – transversal aos três guitarristas da banda – temperado e governado a graciosidade, equilíbrio, melodia e afinidade que se passeia leve e livremente pela linha temporal do disco. ‘Numidia’ é um álbum detentor de uma desarmante, lustrosa e transcendente sublimidade de temperatura e luminosidade primaveril capaz de derreter, embevecer e conquistar o mais céptico dos ouvintes. Percam-se e encontrem-se por entre a redentora e provocadora ataraxia que climatiza e eteriza toda a extensão do disco, e vivenciem com adoração, espanto e ofuscação esta caprichosa ode de palato epicurista.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Review: ⚡ Ouzo Bazooka - 'Transporter' (2019) ⚡

Da religiosa cidade de Tel Aviv (Israel) chega-nos um dos álbuns por mim mais aguardados e ansiados do novo ano de 2019. Falo de ‘Transporter’, o terceiro e novo álbum dos israelitas Ouzo Bazooka lançado hoje mesmo nos formatos físicos de CD e vinil (este último disponível em duas edições diferenciadas e limitadas) através do selo discográfico inglês Stolen Body Records e da editora discográfica de origem turca Tantana Records. Depois de no passado ano de 2018 ter experienciado e reverenciado o adorável EP ‘Songs From 1001 Nights’ (review aqui) nutria por este novo registo da fascinante formação sediada no coração do Médio Oriente toda uma expectativa crescente só hoje travada e saciada. Fundamentado num místico, perfumado e edénico Psych Rock em erótica coligação com um inflamante, intenso e vivificante Garage Rock e um dançante, caloroso e provocante Surf Rock, este ‘Transporter’ tem a invejável capacidade de nos içar e passear à boleia de um tapete mágico pelos crepusculares céus da velha Pérsia. O nosso corpo extasiado e inebriado balanceia-se detida e hipnoticamente em instintiva resposta comportamental à sonoridade de Ouzo Bazooka, da mesma forma que uma serpente Naja corteja de forma enfeitiçada a flauta indiana. Sintam os vossos pés descalços caminhar pelas aveludadas, finas e bronzeadas areias de um deserto africano mareado por imponentes dunas, e bafejado, modelado e farolizado pelo Sol vigilante que se debruça no intangível firmamento. É esta a narrativa visual que a exótica sonoridade do quarteto israelita edifica no nosso imaginário. Uma deslumbrante e paradisíaca digressão desértica temperada por uma guitarra xamânica que se envaidece e estarrece em cativantes, psicotrópicos, magnéticos e alucinantes solos, um carismático teclado de envolventes, intrigantes e tentadores bailados, um baixo soberbamente funky de linhas pulsantes, vigorosas, vistosas e excitantes, uma bateria vibrante e animada de trote entusiasta, tribal e ritualista, e ainda um agradável coro vocal – transversal a todos os elementos da banda – que nos capitaneia e prazenteia ao longo deste sonho acordado. De engrandecer ainda o fabuloso artwork de natureza arábica e créditos apontados ao inventivo e talentoso ilustrador germânico Carlo Vivary que elucida com perfeita exatidão tudo aquilo que este novo trabalho de Ouzo Bazooka encerra. ‘Transporter’ é um álbum intensamente apaixonante que nos mantém atrelados e encandeados pela sua desarmante misticidade e sublimidade do primeiro ao derradeiro tema. Banhem e canonizem a vossa alma neste verdadeiro oásis espiritual, e experienciem com total entrega e veneração toda esta brilhante e encantadora epifania desértica.

🌙 Causa Sui - "Lonesome Traveler" (Summer Sessions Vol. III)

🏄‍♂️ Fu Manchu [poster]

Artwork: Michael Hacker

1967 Fender Coronado II Antigua