segunda-feira, 20 de maio de 2019

🥁 John "Bonzo" Bonham // Led Zeppelin (NYC, 1977)

Review: ⚡ Praÿ - 'Praÿ' (2019) ⚡

Da cidade francesa de Lyon chega-nos o empolgante álbum de estreia do jovem tridente Praÿ. Lançado muito recentemente através da sua página oficial de Bandcamp em formato digital, de CD e ainda numa limitada edição em vinil, este registo de denominação homónima encerra um electrizante, dinâmico, xamânico e euforizante Heavy Psych de um corrosivo e chamejante efeito Fuzz, que tanto se robustece e obscurece num montanhoso, lamacento e poderoso Psych Doom, como se apazigua e nebuliza num meditativo, místico e lenitivo Space Rock. A sua sonoridade – nutrida e conduzida a envolventes, valvuladas e eloquentes jams de natureza instrumental e sideral – tem a capacidade de absorver, amotinar e extasiar o ouvinte ao longo de todo o seu corpo temporal, pendulando-o do mais soterrado abismo terrestre ao mais elevado ponto do Cosmos. São cerca de 48 minutos povoados por quatro longos temas e alternados por uma bipolaridade atmosférica que tanto nos sacode, centrifuga e explode de incontida e fervorosa adrenalina, como nos relaxa, narcotiza e eteriza de uma temulenta sublimidade temperada a morfina. E é esta bipolaridade musical e emocional que faz de ‘Praÿ’ um álbum verdadeiramente irresistível aos ouvidos do comum mortal. Deixem-se absorver, enlouquecer e deleitar à boleia de uma guitarra endeusada e consagrada pelos astros que se manifesta em riffs vultosos, pujantes e rumorosos, e se agita em alucinantes, ácidos e trepidantes solos, um baixo carrancudo de linhas carregadas, magnetizantes, intrigantes e onduladas, e uma bateria sísmica que com a sua impetuosa, arrojada e fogosa ritmicidade esporeia e incendeia toda esta violenta evasão da consciência pelo profundo negrume astral. A cuidadosa, detalhada e engenhosa ilustração que confere rosto a este portentoso registo é da autoria da artista francesa Jody de Bousilly (aka Mamie Bousille) que vertera com exatidão para o universo visual o que de mais secreto e primordial subsiste na enigmática essência de ‘Praÿ’. Este é um álbum de propensão sideral que nos suga através de um desenfreado vórtice e desagua num perfeito estado de encantamento e exultação. Já tinha saudades de um disco assim.

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🐝 World Bee Day

⚡️ Christoph "Lupus" Lindemann // Kadavar

📸 Burning Moon

♠ Lemmy Kilmister // Motörhead ♠

🔌 Necro - 'Pra Tomar Chá' EP (2019, Abraxas)

domingo, 19 de maio de 2019

🐺 Matt Pike (2005)

📸 Jimmy Hubbard

🧙‍♂️ Monolith on the Mesa

Review: ⚡ Saint Vitus - 'Saint Vitus' (2019) ⚡

Depois de um jejum discográfico de sete anos (no que à produção de álbuns de estúdio diz respeito, entenda-se), os lendários Saint Vitus – comumente e justamente apelidados de padrinhos do Doom Metal norte-americano – estão de regresso (e que regresso!) com a apresentação do seu novo trabalho de longa duração designado de ‘Saint Vitus’ e lançado muito recentemente pela mão da já consagrada editora discográfica francesa Season Of Mist (sediada na cidade de Marselha e especializada na promoção da música Metal) sob a forma física de vinil, CD e cassete. Este seu novo álbum – o segundo de designação homónima – representa o tão ansiado regresso às origens da banda, ou não tivessem recuperado o seu carismático vocalista de origem Scott Reagers (que desde o lançamento de ‘Die Healing’ em 1995 não mais empunhara o microfone de Saint Vitus). Confesso-me um especial adorador dos primórdios discográficos desta mítica formação californiana (particularmente em relação ao seu álbum de estreia ‘Saint Vitus’ datado de 1984 e ao ‘Born Too Late’ nascido em 1986), e, portanto, foi com uma grande dose de desconfiança que antevi este seu novo registo. Mas assim que o ouvira pela primeira vez, todas as dúvidas se dissiparam e deram lugar a um perfeito estado de fascinação que me climatizara e empolgara do primeiro ao derradeiro tema. Apesar dos 35 anos que balizam o primeiro disco homónimo deste segundo, ambos possuem almas aparentadas. Logo aos primeiros acordes baforados pela guitarra demoníaca e atormentada de Dave Chandler, somos hipnotizados e toldados pela negra e intrigante radiância que envolve todo o corpo temporal deste renovado ‘Saint Vitus’. Trajada e maquilhada por um titânico, carregado e luciférico Doom Metal e com destemidas (mas bem-sucedidas) aproximações aos domínios de um galopante, apressado e euforizante Heavy Metal de cariz tradicional, a caliginosa, tensa e portentosa sonoridade destes revigorados Saint Vitus provocara em mim toda uma súbita e inesperada sensação de crescente devoção. Comunguem toda esta sombria e horripilante liturgia de ‘Saint Vitus’ à perturbadora boleia de uma guitarra suprema que se agiganta em arrastados, monolíticos e assombrados riffs e se desfigura em excêntricos, caóticos e alucinados solos, um baixo profano de bafagem possante, tensa, turva e magnetizante, uma forte bateria de ritmicidade pausada, pesada e ressonante, e ainda uma carismática voz tanto de textura encorpada, melódica e cuidada, como ardente, espinhosa e corrosiva, que lidera com gloriosa autoridade toda esta sólida e denegrida avalanche sonora. Chego ao final deste álbum de alma completamente pasmada e exorcizada pela ritualística dominância que ‘Saint Vitus’ ostenta. Um álbum do tamanho da imaculada reputação que esta banda localizada em Los Angeles detém, e que – depois de um passado triunfante – deixa no ouvinte a forte convicção de que este invejável legado se vai arrastar pelas estradas futuristas. Foi essa a certeza que ‘Saint Vitus’ deixara imortalizada em mim.

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