segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

🦩 Ian Anderson // Jethro Tull

🦅 Lemmy Kilmister // Hawkwind

🍄 1964 Gibson SG ‘The Fool’ Guitar // Eric Clapton

Los Natas - 'Delmar' (1996)

Earth And Fire - 'Earth and Fire' (1970)

Review: ⚡ Smooth Motion - 'Boogie Inside' (2021) ⚡

★★★★

Da cidade de Rennes (Bretanha, França) chega-nos o perfumado, colorido e ritmado revivalismo musical farolizado pelo talentoso quarteto Smooth Motion que nos presenteia e prazenteia com o seu novíssimo álbum intitulado ‘Boogie Inside’ e lançado sob a forma digital e CD. Orientada por um vistoso, dançante, empolgante e pomposo Progressive Rock de balanço Boogie, corante Bluesy e evocação setentista, a sonoridade festiva, altiva e afrodisíaca desta erudita turma francesa passeia-se e galanteia-se de forma charmosa, livre e ostentosa pelos oito temas que preenchem os seus 37 minutos de duração. De corpo serpenteante, cabeça rodopiante e embalados neste excitante swing de cores vibrantes, ritmos provocantes e visões caleidoscópicas, somos embriagados e naufragados pela tentadora, redentora e extasiante fragância de Smooth Motion. Toda uma exótica, burlesca, feérica e carnavalesca ambiência – ensolarada a diluviano, imersivo e neptuniano psicadelismo à boa moda dos irreverentes 60’s – que nos gravita, incendeia e agita num perfeito estádio de acalorado regozijo. De inspiração resgatada a carismáticas referências do género, tais como Deep Purple, Atomic Rooster ou Genesis, e contando com um vincado cunho pessoal, a majestosa, bem-disposta e gloriosa sonoridade de ‘Boogie Inside’ é lavrada por um cremoso e deslumbrante teclado de ziguezagueantes, harmoniosos, airosos e exuberantes bailados, uma guitarra prismática e alucinógena de solos sinuosos, intoxicantes, extravagantes e esplendorosos, um baixo elástico de linhas magnetizantes, encaracoladas, tonificadas e pulsantes, uma bateria soberbamente jazzística de circenses acrobacias pelos timbalões galopantes e pratos chamejantes, e ainda uma voz pitoresca e liderante – de tonalidade aristocrática, dramática e avinagrada – que se impõe com ácida virilidade neste expressivo bacanal instrumental. Deixem-se ofuscar pelo intenso brilho revivalista de Smooth Motion e comunguem com imoderado entusiasmo este LSD auditivo de regeneração sensorial, dilatação consciencial e consagração espiritual. Este é um registo tremendamente viciante, estético e vivificante. Um dos meus álbuns favoritos de 2021 está aqui, na espirituosa, faustosa e contagiante folia de ‘Boogie Inside’. Dancem-no até perderem o fôlego e desfalecerem num súbito desmaio de prazer.

Links:
 Facebook
 Bandcamp

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

✝️ Mariska Veres // Shocking Blue (01/10/1947 🎗 02/12/2006)

💀 Josefus - "Dead Man" (1970)

🦉 Amon Düül II - 'Phallus Dei' (1969)

Review: ⚡ Altareth - 'Blood' (2021) ⚡

★★★★

Da gélida e húmida cidade de Gotemburgo (situada no sul da Suécia) chega-nos o impactante álbum de estreia do auspicioso quinteto nórdico Altareth. Lançado nos primeiros ares do passado mês de Novembro pela mão da Magnetic Eye Records sob os formatos digital, CD e vinil, ‘Blood’ ostenta toda uma imersiva, obscura, altiva e bafienta cerimónia de adoração pagã, liderada por um trevoso, intrigante, arrogante e imperioso Proto-Doom de sacerdotais vestes Black Sabbath’icas e geometrias Pentagram'icas, e um intoxicante, brumoso, lodoso e inflamante Psychedelic Doom cozinhado com os mesmos condimentos de bandas como Windhand, Uncle Acid & the Deadbeats e Green Lung. A sua sonoridade cáustica, pantanosa, umbrosa e ocultista – que edifica no nosso imaginário desoladoras paisagens climatizadas a perniciosa misantropia e pinceladas a esbatida melancolia – profana a alma do ouvinte e sepulta-a no negro solo do lado eclipsado da religiosidade. De pálpebras seladas, tronco pesadamente baloiçado e pálido rosto tombado sobre o peito, somos capturados, enlutados e embalados numa fumarenta, demoníaca, ritualística e bolorenta narcose chefiada por duas guitarras luciféricas que se agigantam na ascensão de tenebrosos, magnéticos, tétricos e gordurosos Riffs fervidos no urticante, sujo e chamejante efeito Fuzz, e uivam lustrosos, fecundantes, trepidantes e tortuosos solos de brancura ofuscante, um baixo arrastadamente bafejante de ressonância obesa, enegrecida, coesa e possante, uma bateria trovejante que – com batidas incisivas, vigorosas, rumorosas e explosivas – relampeja todo este massivo negrume, e uma vampírica, avinagrada, enregelada e cadavérica voz – de atormentadas feições Ozzy Osbourne’scas – que esvoaça e ecoa por toda a atmosfera amaldiçoada de ‘Blood’. São 45 minutos inundados de uma mefistofélica liturgia que nos faz cair nos abismos da sua infernal tentação e comungar este sangrento cálice de Altareth. Um dos álbuns mais prepotentes do ano está aqui, no acrimonioso obscurantismo exalado pelo colectivo sueco. Percam-se e poluam-se nas suas intermináveis trevas.

Links:
 Facebook
 Bandcamp
 Magnetic Eye Records