sábado, 23 de junho de 2018

Mojave Desert

📸 Brandy Dyess

Church Of Misery @ SWR Barroselas Metalfest (2018)

Review: ⚡ Fuzz Forward - 'Out of Nowhere' (2018) ⚡

Da cidade espanhola de Barcelona chega-nos ‘Out of Nowhere’, o fervilhante álbum de estreia da jovem banda Fuzz Forward. Lançado em solo primaveril tanto na forma digital como em formato físico de CD e vinil – resultado de uma parceria discográfica entre a Discos Macarras, Odio Sonoro, Spinda Records e a Red Sun Records – este disco exibe um ritmado, robusto, quente e torneado Hard Rock de ares clássicos, harmonizado por um inflamante, melódico, atlético e entusiasmante Grunge Rock à boa moda dos carismático 90’s, e climatizado por um enérgico, atraente, desértico Stoner Rock de forte compleição física. A sua sonoridade ardente, calorosa, sumptuosa e contagiante – incendiada e empolada pelo cáustico efeito Fuzz – causa no ouvinte uma prazerosa sensação de fascínio e sedução que o envolve e revolve do primeiro ao último tema. Conseguem imaginar uma violenta colisão entre Sasquatch e os lendários Alice in Chains? Se sim, alcançaram a essência de Fuzz Forward. São cerca de 43 minutos ebulidos numa intensa e vulcânica saturação que nos aquece, estarrece e anima. Sintam a ardência de Fuzz Forward à estimulante boleia de uma guitarra que se enegrece, encrespa e amplifica em riffs montanhosos, fluídos e ostentosos, e se excede e serpenteia em solos borbulhantes, astrais, viscerais e alucinantes, um baixo encorpado e tonificante, de linhas pulsantes, tensas e reverberantes que sublinha, sombreia e revigora o riff-base, uma bateria faiscante de ritmicidade explosiva, vigorosa e ofensiva, e ainda uma chamejante voz de textura áspera e lubrificada a melosidade e fogosidade – fazendo recordar a saudosa e singular voz do eterno Layne Staley – que empresta a este registo toda uma desarmante e aliciante elegância à veraneia atmosfera de ‘Out of Nowhere’. Este é um álbum de audição obrigatória a todos os amantes dos géneros já citados. Deixem-se incendiar e dominar pela sedutora impetuosidade de Fuzz Forward e vivenciem com total fervor e exaltação esta elogiosa estreia da banda catalã.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Black Bombaim // Freak Valley Festival

Review: ⚡ Howard - 'Howard I' EP (2018) ⚡

Da capital francesa chega-nos o estético e distinto EP de estreia do jovem tridente Howard. Lançado muito recentemente nos formatos de digital e CD através das suas páginas oficiais de Bandcamp e Bigcartel, este ‘Howard I’ vem fervido num ardente, sedutor, arrebatador e envolvente Stoner Rock estimulado e inflamado pelo urticante e chamejante efeito Fuzz e em agradável parceria com um elegante, tentador, encantador e exuberante Blues Rock de aroma adocicado. A sua sonoridade apaixonante, catalisadora, carismática e embriagante – conduzida a dinamismo, vivacidade, inspiração e habilidade – causa no ouvinte uma intensa sensação de apego e deslumbramento que o acaricia do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 17 minutos ensolarados e aquecidos por uma esplendorosa, mágica, sumptuosa e intimista atmosfera que nos abraça, afaga e conquista. Embrenhem-se na fascinante, perfumada e provocante melosidade transpirada e propagada por ‘Howard I’ à paradisíaca boleia sonora de um intrigante, sublime e liderante órgão Hammond de irresistíveis, exóticos, apoteóticos e notáveis bailados que se envaidecem e enaltecem na consistente, robusta, torneada e oscilante sombra de um sintetizador Moog que se camufla de baixo, uma maravilhosa e ostentosa guitarra de poderosos, reverberantes, reluzentes e primorosos riffs que desaguam em alucinantes, cuidados, aparatosos e desarmantes solos, uma voz refrescante, melodiosa, amistosa e revigorante, e uma bateria cintilante – de toque polido, inventivo e emocionante – que tiquetaqueia com leveza, maestria e firmeza toda esta promissora estreia da prodigiosa banda parisiense. É-me ainda relevante elogiar o harmonioso artwork de natureza poética e campesina – superiormente pensado e ilustrado pelo incontornável, afamado e inimitável artista francês JoRiou – que de forma tão fiel traduzira para a imagem tudo o que a musicalidade desta obra nos sugere. ‘Howard I’ é um adorável registo que – apesar da sua curta duração – deixa em nós uma demorada ressaca. Bronzeiem-se na afável, lenitiva e admirável radiância de Howard e sintam-se atracar num relaxante, inabalável e embriagante estádio de pleno êxtase que vos mitigará a alma e massajará o cerebelo. Um dos mais audaciosos, requintados e deliciosos EP’s do ano está aqui, na fabulosa, quimérica e prazerosa essência de ‘Howard I’. Diluam-se nele.

© Robert Crumb (70's)

terça-feira, 19 de junho de 2018

Sleep's Dopesmoker

Funeral Horse - "Emperor Of All Maladies" (2018)

Review: ⚡Funeral Horse - 'Psalms for the Mourning' (2018)⚡

Conseguem imaginar a sonoridade obscura e vigorosa de Black Sabbath parcialmente transfigurada num ardente e tonificante Garage Rock de atitude Punk? Se sim, alcançaram os fascinantes domínios de Funeral Horse. Este radical power-trio oriundo da cidade de Houston (Texas, EUA) acaba de lançar o seu novo álbum ‘Psalms For The Mourning’ em formato físico de vinil (numa edição ultra-limitada a 500 cópias existentes) através do selo discográfico local Artificial Head Records, e o mesmo provocara em mim uma forte implosão de entusiasmo. A sua sonoridade de natureza complexa e peculiar passeia-se de um atraente, veraneio, ritmado e deslumbrante Garage Rock – pontapeado por um vagaroso, sonolento e ocioso Punk Rock de rotação branda, e bronzeado por um refrescante Surf Rock de índole sessentista – a um intrigante, robusto, sombrio e empolgante Heavy Metal de feição e tonalidade Sabbath’ica, atravessando ainda as margens de um elegante, carismático e apaixonante Delta Blues de inspiração rústica. E são estes ingredientes musicais tão profundamente contrastantes e aparentemente incompatíveis, mas que quando conjugados, temperados e devidamente cozinhados com a maestria desta formação norte-americana resultam numa enigmática, aromática e comovente combinação que nos hipnotiza, dilata as pupilas e narcotiza do primeiro ao derradeiro minuto. ‘Psalms For The Mourning’ é um magnífico álbum, assombrado por uma atmosfera instigante, bizarra, exótica e aliciante, que nos faz dançá-lo e reverenciá-lo sem a mais pequena réstia de inibição. Percam-se por entre a airosa e majestosa extravagância de Funeral Horse ao volante de uma excêntrica guitarra criadora de riffs inflamantes, arrojados e facilmente contagiantes, e solos imaginativos, sumptuosos, maravilhosos e lenitivos, um baixo lúgubre e magnetizante de bafagem delineada, pulsante, sombreada e reverberante, uma bateria diligente, inventiva e entusiasmante, esporeada e governada a uma ritmicidade sublimemente multifacetada, e ainda uma voz agressiva, turva, nebulosa e incisiva que cavalga com ousadia toda a obscenidade exalada por ‘Psalms For The Mourning’. Este é um álbum de digestão custosa, mas que melhora substancialmente com o amontoar das audições. Permitam-se dissolver nesta envolvência carnavalesca, mística e burlesca dos texanos Funeral Horse e vivenciem com total entrega e fascinação o transbordante exotismo de um dos álbuns mais singulares de 2018.

Joshua Tree National Park, USA

domingo, 17 de junho de 2018

🔥 The Dues (Live)


🎳 The Big Lebowski

🎧 Whoopie Cat - 'Illusion of Choice' (2018)

Review: ⚡ Saturno Grooves - 'Solar Hawk' (2018) ⚡

Do exótico México chega-nos ‘Solar Hawk’: o primeiro trabalho de longa duração do enérgico power-trio asteca Saturno Grooves. Lançado no passado mês de Maio em formato digital (disponível para download gratuito) pelo pequeno selo discográfico local LSDR Records – embora com a promessa deixada pela banda de um lançamento em formato físico agendado para o presente mês de Junho – através da sua página oficial de Bandcamp, este expressivo álbum de estreia da formação localizada no estado mexicano de Durango vem atestado de um poderoso, ardente, intenso e vigoroso Stoner Rock em sedutora parceria com um perfumado, obscuro, dinâmico e torneado Heavy Blues de feições Doom’escas. A sua sonoridade inflamante, tórrida e excitante – fervida e marinada em efeito fuzz – embebeda-nos de uma absorvente, veemente e prazerosa adrenalina auditiva que nos provoca e euforiza do primeiro a último tema. São cerca de 34 minutos conduzidos a uma ritmicidade galopante provocando no ouvinte uma boleia sonora verdadeiramente alucinante. Sintam o bafo quente de uma guitarra que se agiganta e enegrece em riffs vibrantes, sombrios, alterosos e dominantes, e se desprende e deslumbra em solos ácidos, delirantes, borbulhantes e arrebatadores. Estremeçam com a reverberante ondulação emanada de um baixo intenso e corpulento que se serpenteia em linhas magnetizantes, pausadas, carregadas e pujantes, e desprendam a cabeça numa violenta e desenfreada resposta comportamental a uma turbulenta e assanhada bateria de ritmicidade animada, empolgante, atordoante e arrojada. ‘Solar Hawk’ é um álbum chefiado por uma imponente tirania que nos invade, agride e sacode sem qualquer moderação. Um registo marcante – superiormente movido a fogosidade, robustez, dinamismo e intensidade – que promete competir pelos lugares cimeiros da lista acabada onde se perfilam os melhores álbuns nascidos em 2018. Deixem-se bronzear pela impetuosa, opulenta e psicotrópica radiância de Saturno Grooves e vivenciem com total ebulição um dos discos mais tonificantes do ano.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

ZZ Top '71

Review: ⚡ Gaupa - 'Gaupa' EP (2018) ⚡

Da cidade de Falun (na Suécia) chega-nos o exótico EP de estreia da jovem banda Gaupa. De designação homónima e lançado no inicio do presente mês de Junho unicamente em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp, este extravagante registo ostenta uma ardente mistura de géneros musicais de onde sobressai um fervoroso, robusto e portentoso Stoner Rock massajado e climatizado por um envolvente, afável e apaixonante Folk Rock, obscurecido e tonificado por um denso, sombrio e arrastado Doom, e ainda perfumado e orientado por um serpenteante, inventivo e fascinante Prog Rock. É esta a saborosa receita sonora posta em prática na produção e execução de ‘Gaupa’. Uma veemente, mística e elegante digressão que nos passeia por ambiências completamente contrastadas, causando em nós – ouvintes – uma poderosa sensação de intriga e apego que nos mantém atrelados e hipnotizados do primeiro ao derradeiro tema. São 28 minutos saturados por um ostensivo encantamento e ventilados por uma estranha e enigmática substância que sobrevoa e atemoriza toda a plenitude do EP. Embarquem nesta viagem evolutiva pelo misterioso universo de ‘Gaupa’ atrelados a duas guitarras messiânicas que se coligam e amplificam em montanhosos, mântricos e majestosos riffs e se dispersam e serpenteiam em solos extasiantes, arábicos e alucinantes, um baixo meditativo de linhas pulsantes, torneadas, acentuadas e possantes, uma bateria ofensiva de ritmicidade galopante, fogosa e instigante, e uma voz atraente, diabrina, translucida e reluzente que empresta a este EP toda uma dose de exuberância, bizarria e extravagância. De enaltecer ainda o artwork – superiormente trabalhado pelo já carismático e afamado ilustrador francês Jo Riou – que embeleza e formoseia esta auspiciosa estreia da banda nórdica. ‘Gaupa’ é um registo de essência sibilina que nos persegue, alicia e embevece. Uma cativante obra de tonalidade ocultista que tanto nos sombreia, encrespa e atemoriza, como incendeia, liberta e euforiza. Comunguem detidamente este EP e testemunhem todo um prazeroso e brumoso estádio de assombro e feitiço nublar e atestar a vossa alma sedenta de algo assim.

🛸 ORB - "Space Between The Planets" (2018)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Al Cisneros (Sleep / OM)

😎 Easy Rider '69

★ Earthless + Here Lies Man + Crypt Trip ★

Review: ⚡ Brownstone Inc. - ‘Mind Tricks’ (2018) ⚡

Sendo eu um intratável amante de Blues Rock de natureza e odor setentista, não poderia ficar indiferente ao adorável álbum de estreia da jovem formação austríaca Brownstone Inc.. Lançado no final do passado mês de Maio em formato digital e de CD através da sua página oficial de Bandcamp, este surpreendente ‘Mind Tricks’ causara em mim uma marcante e memorável sensação de amor à primeira audição. Locomovido e ungido por um ostentoso, torneado e musculoso Hard Rock de essência clássica em parceria com um serpenteante, carismático e fascinante Heavy Blues, este registo envolve e ostenta uma sonoridade irresistivelmente atraente que nos delicia e extasia a alma. São 38 minutos temperados por uma quente, harmoniosa e deslumbrante melosidade que nos acaricia, maravilha e inebria os sentidos. Derretam-se na airosa e graciosa sublimidade de ‘Mind Tricks’ à agradável boleia de duas guitarras que se robustecem e obscurecem na elevação de riffs emotivos, majestosos e altivos, e se estimulam na superior condução de borbulhantes, ácidos e berrantes solos, um baixo groovy que se passeia e deleita em linhas hipnotizantes, ritmadas, pausadas e oscilantes, uma bateria diligente de ritmicidade movida a virtuosidade, leveza e fogosidade, e ainda uma portentosa voz feminina de tonalidade sedosa, melódica, enérgica e radiosa que lidera com brilhantismo e requinte toda esta vistosa primorosa ode ao lado mais caloroso, vibrante e meloso do bom, velho Blues. Este é um álbum repleto carisma que nos põe a alma e os ouvidos em constante salivação. Rodem este inspirado e esmerado trabalho de estreia de Brownstone Inc. e sintam-se exultar e enlevar do primeiro ao último minuto. De audição não recomendável a diabéticos.

🦇 Occult Wisdom - S/T (2015)

terça-feira, 12 de junho de 2018

🖤 Svartanatt - "Black Heart" (2018)

📀 Brant Bjork - 'Mankind Woman' (14.09.2018)

Review: ⚡ Alms - ‘Act One’ (2018) ⚡

Da grande e populosa cidade de Baltimore (Maryland, EUA) acaba de chegar um dos discos por mim mais aguardados do ano. ‘Act One’ é – tal como o seu nome sugere – o álbum de estreia da jovem banda Alms, e – apesar do seu nascimento oficial ter sido apontado apenas para o final do verão – fora antecipado e lançado no passado dia 8 de Junho pelo selo discográfico norte-americano Shadow Kingdom Records nos formatos físicos de vinil, cassete e CD (este último estará disponível apenas no final do mês de Agosto / início de Setembro). Fundamentado numa intrigante, sumptuosa e fascinante cerimónia de onde sobressai um imperioso, ritualístico, adornado e charmoso Proto-Metal de tração setentista que de forma harmoniosa e apaixonante se entrosa com um vistoso, melódico, refinado e majestoso Hard Rock de natureza clássica e tradicionalista, este hipnótico, pitoresco e imensamente sedutor ‘Act One’ tem o dom de nos envolver e enfeitiçar do primeiro ao último minuto. A sua sonoridade verdadeiramente estética, provocante e irresistível – resultada de uma bem-sucedida fusão e fermentação da musicalidade de bandas tais como Coven, Wishbone Ash, Blood Ceremony, Ruby the Hatchet e The Well – causa no ouvinte uma demorada e prazerosa sensação de intenso arrebatamento que o climatiza, magnetiza, cega e domina ao longo de toda esta distinta liturgia. Há algo de verdadeiramente enfeitiçador na faustosa e aristocrática atmosfera de ‘Act One’ que nos faz ouvi-lo e comungá-lo completamente inebriados, perplexos e maravilhados pela deslumbrante sublimidade que o mesmo irradia. Ingressem nesta melodiosa e ostentosa galopada de ares revivalistas ao volante de duas guitarras que se entrançam na produção e condução de riffs grandiosos, cativantes, nobres e poderosos e se desencontram na exuberante e extravagante libertação de alucinantes, soberbos e desarmantes solos, um carismático, singular e aromático teclado que se evidencia em magnetizantes, prestigiosos, bizarros e arrepiantes bailados, uma adorável bateria superiormente executada e esporeada a requinte, leveza e destreza, e ainda duas vozes perfumadas, sedosas, afáveis e melodiosas que retocam e finalizam esta caprichada e inspirada obra-prima. É-me ainda relevante evidenciar pela positiva o extraordinário artwork da autoria do ilustrador Justin Stubbs que reveste e maquilha na perfeição tudo o que este trabalho de Alms sugere ao ouvinte. ‘Act One’ é indubitavelmente um dos meus álbuns favoritos de 2018. Um disco verdadeiramente impactante que certamente não deixará ninguém indiferente. Embrenhem-se na sua enigmática e edénica magnificência e vivenciem com plena veneração e rendição uma das mais exímias preciosidades musicais lapidadas este ano. Que disco!

✌️ Ozzy Osbourne // Black Sabbath '75

domingo, 10 de junho de 2018

Review: ⚡ Haunted - ‘Dayburner’ (2018) ⚡

Dois anos depois de apresentado o seu disco de estreia, os italianos Haunted estão de regresso com o seu segundo álbum ‘Dayburner’. Lançado muito recentemente nos formatos físicos de CD (Twin Earth Records) e cassete (Graven Earth Records), este novo registo da intrigante formação sediada na cidade portuária de Catânia prende um brumoso, impiedoso, luciférico, ritualístico e majestoso Psych Doom que nos dilata as pupilas, hipnotiza e atemoriza. A sua sonoridade fantasmagórica, possante, obscura e melancólica arrasta-se e dilata-se por toda uma atmosfera pantanosa, sepulcral, desoladora e nebulosa. Com indiscretas semelhanças aos norte-americanos Windhand, a poderosa essência deste novo álbum de Haunted tem a capacidade de nos envolver, ofuscar, embaciar e entorpecer do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 66 minutos climatizados e assombrados por uma esotérica cerimónia de adoração ao profano rezada e liderada por duas guitarras que se auxiliam na edificação e orientação de vigorosos, monolíticos, sombreados e ostentosos riffs, e se serpenteiam na libertação e governação de solos ecoantes, gélidos, ácidos e penetrantes, um baixo trovejante que se arrasta pesadamente em linhas vagarosas, consistentes, sinistras e poderosas, uma bateria intensa e cintilante de ritmicidade galopante, imutável, e magnetizante, e ainda uma voz espectral, translúcida, melódica e angelical que com a sua deslumbrante luminosidade atenua todo o denso e tenso negrume que os instrumentos descarregam na intoxicante e absorvente atmosfera de ‘Dayburner’. Este é um álbum locomovido a exuberância, feitiço e corpulência que nos enluta a alma, sufoca a lucidez e mergulha nas vertiginosas profundezas de uma febril narcose. Recostem-se confortavelmente, desmaiem as pálpebras, tombem o semblante, e sintam-se enfraquecer e transcender ao lado eclipsado da existência humana onde só a misantropia subsiste. Estamos mesmo na honrada presença de um dos discos mais sobranceiros e grandiosos de 2018. Diluam-se na sua negra, nociva e demoníaca misticidade e convertam-se em seus devotos apóstolos.

Rush - "Working Man" (1974)

The Well // @viscereel

Sacri Monti // Freak Valley Festival 2018

sábado, 9 de junho de 2018

Sucking the 70's

🗡Jerusalem '72

Pappo's Blues - Algo Ha Cambiado '71

Review: ⚡ Kamadeva - ‘Ritual en Carcosa’ (2018) ⚡

Da cidade de Valência (Espanha) chega-nos ‘Ritual en Carcosa’: o novo e segundo trabalho discográfico do tridente Kamadeva. Lançado no passado dia 7 de Junho em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp – e com a simpática possibilidade de download gratuito – este novo álbum do power-trio espanhol vem irrigado e saturado de um delirante, fogoso, nebuloso e viajante Heavy Psych de propensão estelar aliado a um poderoso, atlético, dinâmico e vigoroso Heavy Rock de origem setentista. A sua sonoridade verdadeiramente estimulante, arrebatadora e euforizante – superiormente cadenciada a intensidade, robustez e sensualidade – lança o ouvinte numa envolvente, hipnótica e deslumbrante viagem evolutiva pela perpétua espacialidade de ‘Ritual en Carcosa’. Uma odisseia imersiva que nos dispara e mergulha a uma velocidade vertiginosa na vacuidade cósmica. Recostem-se confortavelmente, apertem os cintos e sintam-se eclodir na direcção dos astros à boleia de uma guitarra alucinante que se tonifica e obscurece em riffs calorosos, vivazes, prepotentes e ostentosos, e se desvaira e enlouquece na surpreendente condução de solos extravagantes, frenéticos, edénicos e fascinantes, uma bateria galopante, explosiva e inflamante que esporeia e incendeia toda esta fervorosa atmosfera, um baixo massivo de reverberação oscilante, corpulenta, magnética e dançante, e uma voz ecoante, monocórdica e liderante que se debate com ousadia no centro desta efervescência ciclónica que climatiza toda a esfera de ‘Ritual en Carcosa’. São 37 minutos de uma constante excitação que nos sustenta atolados e estacionados num profundo estádio de perfeita comoção, gáudio e erupção espiritual. Este é um álbum distintamente executado a uma tecnicidade exuberante, emotividade desarmante e a uma velocidade incrivelmente atordoante que nos mantém de atenção a ele atrelada do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se provocar e agitar pela impetuosa lubricidade fervida e destilada pelos espanhóis Kamadeva e vivenciem como puderem o vulcânico trago de adrenalina auditiva de um dos álbuns mais pujantes, virtuosos e eletrizantes de 2018.