segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Calexico confirmados no festival NOS Alive!

Stars That Move - "No Riders" (2016) | via Twin Earth Records

Cinema de Fevereiro

After Sex (2007) de Eric Amadio   ★★★☆☆
Film Noir (2007) de D. Jud Jones & Risto Topaloski   ★★★★
Bullitt (1968) de Peter Yates   ★★★★
Dark Star: HR Gigers Welt (2014) de Belinda Sallin   ★★★★
Star Wars: Episode VII – The Force Awakens (2015) de J. J. Abrams   ★★★☆☆
A Journey into European Underground Rock Music (2013) de Sandro Müntener   ★★★★
Secretary (2002) de Steven Shainberg   ★★★☆☆
Shalako (1968) de Edward Dmytryk   ★★★☆☆
The Salton Sea (2002) de D. J. Caruso   ★★★★
Requiescant (1967) de Carlo Lizzani   ★★★☆☆
Big Jake (1971) de George Sherman & John Wayne   ★★★☆☆
The Lady in Number 6: Music Saved my Life (2013) de Malcolm Clarke   ★★★★
The Revenant (2015) de Alejandro González Iñárritu   ★★★★
Deathgasm (2015) de Jason Lei Howden   ★★★☆☆
Room (2015) de Lenny Abrahamson   ★★★★
Sabata (1969) de Gianfranco Parolini   ★★★★
Death Rides a Horse (1966) de Giulio Petroni   ★★★★★
High Fidelity (2000) de Stephen Frears   ★★★★

Heavy Psych n' Blues nipónico!


PSYCHO LAS VEGAS: Palavras para quê?!

Review: ⚡ Mondo Drag - "The Occultation Of Light" (2016) ⚡

Depois de em 2015 ter elogiado o disco homónimo desta banda californiana (review aqui), considerando-o posteriormente como um dos melhores registos musicais do passado ano (lista aqui), tudo em mim me obriga a repetir a dedicatória, exaltando – desta vez – o seu descendente “The Occultation Of Light”. Gravado na carismática cidade de San Francisco, CA (El Studio) e materializado pela RidingEasy Records no passado dia 26 de Fevereiro, este disco representa a natural e expectável sequência da caravana musical de Mondo Drag pelos extensíveis, admiráveis e fantasiosos trilhos do Heavy Psych em inabalável comprometimento com o Prog Rock setentista. Mondo Drag são – de resto – um dos nomes mais imediatos que me ocorrem sempre que penso na junção entre estas duas vertentes da música Rock. Contando ainda com um indiscreto chamamento Krautrock’eano, este “The Occultation Of Light” é um poderoso soporífico via auditiva que nos submerge num denso e profundo estádio de sedação capaz de nos encobrir e suster do primeiro ao último tema. A doce anestesia por ele exalada desagua nas praias da nossa consciência, libertando-nos das amarras da lucidez e fazendo-nos velejar pela intimidade do Cosmos adormecido. Fundamentado numa sonoridade extraordinariamente sumptuosa, sedutora e arrebatadora, este novo álbum de Mondo Drag representa um dos discos mais irresistíveis que comungara nos últimos tempos. Apaixonem-se pela mística e hipnótica dança de duas guitarras uivantes que se movimentam prazerosamente pelo Espaço sideral. Sorriam de olhos selados e cabeça baloiçante ao som de um baixo deslumbrante de linhas pulsantes, sólidas e elegantes. Agitem-se perante as estonteantes, entusiásticas e dinâmicas acrobacias de uma bateria jazzística que se envaidece numa espantosa e sublime performance. Serpenteiem os vossos corpos ao som de um extravagante e influente teclado de devaneios pérsicos que nos faz gravitar em torno das suas fascinantes e perfumadas oscilações. E para concluir esta redentora comoção de prazer habita em “The Occultation Of Light” uma lenitiva, terna e voluptuosa voz que nos sobrevoa e extasia. Este é um álbum verdadeiramente apaixonante que nos perpetua num intenso estado de ataraxia. Os Mondo Drag estarão presentes na 2ª edição do Sound Bay Fest (29 e 30 de Abril em Lisboa) e mal posso esperar por testemunhar ao vivo todo este sagrado ritual.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Review: ⚡ High Priest of Saturn - "Son of Earth and Sky" (2016) ⚡

Da cidade norueguesa de Trondheim chega-nos “Son of Earth and Sky”, o novo disco do quarteto nórdico High Priest of Saturn. Lançado em CD e vinil no passado dia 26 de Fevereiro através do já muito conhecido selo finlandês Svart Records, este novo álbum encerra um deslumbrante e enigmático Heavy Psych Rock endurecido e embrandecido pelo Doom e massajado pelo Prog Rock. Confesso que esperava um registo de feições mais sombrias e carregadas (a par dos anteriores), mas “Son of Earth and Sky” acabou por me surpreender pela positiva ao recorrer a esta deliciosa e estarrecedora conexão entre os três elementos musicais acima referidos. A sua atmosfera infinitamente etérea e onírica adorna-nos do primeiro ao último tema, proporcionando-nos uma extasiante digressão pelas anestésicas e encantadoras paisagens sonoras por ele recitadas. “Son of Earth and Sky” representa o ténue equilíbrio entre a leveza e o peso, a obscuridade e a resplandecência, a perturbação e a quietude. Este é um disco dominado pela fantasia. Um disco de sonoridade extraordinariamente requintada e deliciosa que se conduz e seduz ao som de uma guitarra endeusada que dedilha fascinantes e salivantes solos capazes de nos embriagar e mergulhar num profundo desmaio de prazer, um baixo de linhas possantes, contemplativas e tranquilizantes que se arrasta vagarosamente numa dança serpenteante e imensamente atraente, uma bateria jazzística de estonteante, comovente e estimulante orientação rítmica, uma voz angelical, aveludada e espectral que se realça e perece em mélicos, serenos e narcotizantes sussurros, e, por fim, um perfumado órgão que se galanteia de forma apaixonante, extravagante e elegante pelas fantásticas e sonhadoras estradas de “Son of Earth and Sky”. Este é um dos discos mais sedutores e empolgantes do ano, e do qual não é nada fácil despertar de toda esta envolvência morfínica que nos lapidifica e insensibiliza com poderoso fulgor. Deixem-se anestesiar pela lisérgica radiação de High Priest of Saturn e espreguicem-se prazerosamente neste imenso e suavizante lençol cor de céu.

((( OM )))

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

ॐ My Sleeping Karma ॐ

The Holy Mountain (1973) de Alejandro Jodorowsky

Polyphony - 'Without Introduction' (1971 USA Prog-Rock)


Uncle Acid and the deadbeats

Blind Faith '69 (Ginger Baker & Eric Clapton)

Review: ⚡ Banquet - "Jupiter Rose" (2016) ⚡

Na segunda metade da década de 60 o Psychedelic Rock era semeado e estabelecido na então boémia cidade de San Francisco, Califórnia (EUA). Bandas como Grateful Dead, Jefferson Airplane, Big Brother & the Holding Company (com a Janis Joplin de microfone empunhado), Quicksilver Messenger Service e Santana representavam alguns dos principais colonizadores do chamado San Francisco Sound que levaria toda a juventude contestatária local (hippies) a vivenciar nos parques bem como nos clubes nocturnos da cidade um sublime estado de êxtase nunca antes testemunhado. San Francisco perpetuava, assim, o honroso desígnio de cidade-ventre do Psychedelic Rock (rivalizando com o Psicadelismo Pink Floyd’eano sediado em Londres), variante da música Rock que viria a conhecer novas ramificações como o Heavy Psych Rock natural de uns Blue Cheer ou Shiver (bandas oriundas da cidade de San Francisco). Com o espreguiçar do tempo, o Psych Rock foi escoando até ao sul do estado californiano, empobrecendo musicalmente a cidade de San Francisco, e tem, nos dias de hoje, uma forte, especial e destacada presença na cidade de San Diego (cidade que considero ser a actual Meca do Heavy Psych) onde bandas como Earthless, Joy, Harsh Toke, Monarch e Sacri Monti transpiram saúde e qualidade. Ainda assim San Francisco parece ter preservado uma especial atmosfera sonora que hoje climatiza bandas como Om, Acid King, Sleepy Sun, Assemble Head in Sunburst Sound, The Mermen e os recém-nascidos Banquet (dos quais falarei de seguida).

Com o lançamento oficial agendado para o dia de hoje (26 de Fevereiro) pelo – cada vez mais influente – selo romano Heavy Psych Sounds, este “Jupiter Rose” trata-se de uma elegante e arrebatadora obra-prima do Heavy Psych californiano que tem tudo para marcar presença no pelotão final dos melhores discos de 2016. A sua sonoridade intensamente explosiva, eufórica e alucinante é libertada sem qualquer moderação, fazendo deste “Jupiter Rose” uma verdadeira injecção de adrenalina que nos endoidece do primeiro ao último tema. O seu estonteante e excitante Heavy Psych banhado pelo erosivo efeito fuzz provoca em nós múltiplos e descontrolados espasmos de prazer elevando-nos ao puro êxtase. Tentem deter as duas guitarras endiabradas que à velocidade da luz se transcendem em solos tremendamente entusiásticos, desvairados e vertiginosos, criadores de uma hipnótica e deslumbrante espiral que nos consome e estarrece, e se envaidece com admiráveis riffs de natureza sedutora. Atentem as velozes, possantes e deliciosamente ritmadas linhas de um baixo dançante que, firmemente agarrado ao véu das duas guitarras, se ostenta destacadamente neste caótico e delirante carrossel. Soltem as cabeças na resposta a uma fogosa e incitante bateria de balanceamento ofensivo que se supera numa performance verdadeiramente redentora. E como se tudo isto já não bastasse para nos sacudir violentamente ao longo dos sete temas que dão corpo a “Jupiter Rose”, ainda somos surpreendidos por uma voz jovial, radiosa e berrante que espevita desmedidamente o instrumental. Este é, para mim e até ao momento, o que de melhor saiu em 2016 e a ressaca do mesmo promete perdurar durante muito, muito tempo em mim. Testemunhem esta maciça detonação de prazer que vos obrigará a despir os corpos e transcender pela envolvente e infinita vastidão cósmica.