domingo, 14 de julho de 2019

Review: ⚡ The Heavy Minds - 'Second Mind' (2019) ⚡

Quatro anos depois do lançamento do seu adorável álbum de estreia ‘Treasure Coast’ (review aqui), o talentoso power-trio austríaco The Heavy Minds presenteia-nos agora com o seu segundo trabalho de longa duração apelidado de ‘Second Mind’ e devidamente promovido pelo selo discográfico local StoneFree Records sob a forma física de CD e vinil (ambos os formatos reduzidos à prensagem de poucas centenas de cópias existentes). E se no seu primeiro álbum a banda primava por um majestoso Heavy Psych N’ Blues de desarmante e apaixonante requinte revivalista, em ‘Second Mind’ não só vigora essa mesma receita sonora já posta em prática no passado, como todo o disco é ainda climatizado e bronzeado por um ardente, ritmado e irreverente Garage Rock de influência apontada para a cena australiana de onde sobressaem referências como King Gizzard & The Lizard Wizard, The Murlocs ou ORB. A sua sonoridade efervescente, oleosa, fogosa e eloquente causara em mim uma prazerosa comoção que me atiçara e empolara os sentidos do primeiro ao derradeiro tema. São 43 minutos varridos por uma cáustica, fervilhante e ácida avalanche de Fuzz que nos ofusca e deslumbra com tremenda facilidade e ávida intensidade. De olhar semi-cerrado, sorriso perpetuado no rosto e corpo serpenteante, obedeçam aos deliciosos, quentes, saturados e voluptuosos riffs baforados por uma guitarra erótica, fibrosa e vulcânica que de forma assídua se extravia e desvaria em alucinógenos solos temperados a alta toxicidade, de cabeça pesada, nublada e bamboleante persigam as vigorosas, torneadas, onduladas e ostentosas linhas de um baixo corpulento e vincado, de coração destravado sintam-se esporeados por uma empolgante bateria de ritmicidade descomplicada, dinâmica e desembaraçada, de lucidez distorcida e desmaiada absorvam-se na exótica alquimia sulfatada por um mágico sintetizador que perscruta e transmite os domínios alienígenas, e de alma empoeirada por uma espessa e narcotizante bruma sideral intriguem-se com os vocais corrosivos, diabrinos e joviais que apimentam e inflamam toda a boémia ambiência que envolve e revolve este dominante ‘Second Mind’. Admito que – dada a minha desmoderada veneração e fascinação pelo ‘Treasure Coast’ – este se tratava de um dos álbuns por mim mais ansiados do ano, e o mesmo acabou por me surpreender e conquistar pela sua vibe portentosa, arrojada e calorosa. Este é um álbum cuja sua temperatura catapulta o mercúrio, cabeceando os píncaros da escala que o regula. Um registo detentor de uma sensualidade rebelde que instantaneamente nos magnetiza, extasia e alcooliza. Deixem-se arrebatar, incendiar e atiçar pela entusiasmante vibração transpirada de ‘Second Mind’, e deleitem-se sem qualquer moderação com o tão aguardado regresso de The Heavy Minds. Uma fumegante, exótica e picante iguaria de origem austríaca que se perfila como forte candidata aos mais elevados lugares referentes à listagem dos melhores álbuns nascidos no presente ano de 2019.

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 StoneFree Records

🐻 Rosalie Cunningham - "Ride On My Bike" (2019)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

((( 💣 )))

🌌 F*ck yeah, Earthless!

🎖 Kyuss - '...And the Circus Leaves Town' (11/07/1995)

(The) Groundhogs - 'Live at Leeds' (1971)

🎙 Roger Waters // Pink Floyd (Pompeii, 1972)

Eric Clapton (via Hit Parader magazine, 1968)

© Florian Bertmer - Howling Wolf

Stevie Ray Vaughan - "Texas Flood" (Live, 1991)

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sucking the 70's

Jimi Hendrix (via Big magazine, 1967)

Jerry Garcia (via Rock & Folk magazine, 1971)

💀 Saint Vitus // Keep It Low 2017

Review: ⚡ Jesus the Snake - 'Black Acid, Pink Rain' (2019) ⚡

Depois de no Outono de 2017 terem lançado o EP homónimo (devidamente desconstruído e elogiado aqui) – posteriormente considerando-o e premiando-o como um dos melhores EP’s produzidos nesse mesmo ano (listagem aqui) – os portugueses Jesus the Snake preparam-se agora para apresentar o seu tão aguardado primeiro trabalho de longa duração intitulado de ‘Black Acid, Pink Rain’. Apesar da sua data de nascimento estar programada apenas para o próximo dia 11 do presente mês de Julho, fora-me dada a honrosa e irrecusável oportunidade de o ouvir na íntegra e em primeira mão, e o que se segue adjectiva-se como o mais fiel e sentido resultado dessa experiência. Gravado, misturado e masterizado no estúdio minhoto Hertzcontrol (com o qual a banda reforça a sua ligação), este refinado e inspirado álbum de estreia do jovem quarteto natural da cidade de Vizela (Braga) é ensolarado, perfumado e condimentado por um edénico, deslumbrante e místico Psych Rock em agradável cumplicidade com um meditativo, lisérgico e lenitivo Krautrock e ainda um devocional, viajante e sideral Space Rock que nos desata as amarras da gravidade terrestre e magnetiza a nossa consciência de encontro à mais profunda intimidade do Cosmos. De bússola apontada a uns Causa Sui, Camel e Pink Floyd, a sonoridade de ‘Black Acid, Pink Rain’ provocara em mim toda uma febril e morfínica hipnose que me atestara, afagara e sedara de prazer. Uma evolutiva, criativa e maravilhosa peregrinação pelos desertos da mente, de pés descalços a trilhar onduladas, sedosas e amorenadas dunas, olhar petrificado e farolizado pelo Sol poente, e cabeça soterrada na densa e intoxicante nebulosidade astral. Empoeirem-se no ofuscante misticismo que aureola todo o corpo temporal deste álbum e sintam-se dormitar num prazeroso estádio de inércia que vos conduzirá ao tão almejado reino do transe espiritual. Maravilhem-se por entre a admirável simbiose instrumental de onde se enfatiza uma endeusada guitarra de orientação Floyd’eana que se enternece e embevece em suavizantes, sedutores, sublimados e uivantes acordes, e solos comoventes, delicados, apurados e anestesiantes, um baixo murmurante de hipnotizantes linhas norteadas a robustez, voluptuosidade e fluidez, uma bateria balsâmica de toque cintilante, leve, despretensioso e cativante, e ainda um magnético, fabuloso e sidérico teclado que confere a ‘Black Acid, Pink Rain’ toda uma mágica cobertura atmosférica oxigenada por uma sedutora e psicotrópica ataraxia via auditiva. De louvar também o quimérico artwork de créditos apontados ao imaginativo artista lusitano GuilhermeDourart, que – com este vertiginoso e caleidoscópico vórtice rendilhado por labirínticas, coloridas e lustrosas nebulosas – nos convida a um mergulho no esplendoroso universo de Jesus the Snake. Dissolvam a vossa lucidez nesta saturada narcose e despertem num pleno estádio de embriaguez do qual não será nada fácil regressar.

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sábado, 6 de julho de 2019

🍒 Pancha // El Gran Temor

Review: ⚡ El Gran Temor - 'Lágrimas de Ácido' (2019) ⚡

Quase uma década depois do lançamento do seu álbum de estreia ‘Jugando Con La Muerte’ (Temor Records, 2010), o fabuloso power-trio chileno El Gran Temor presenteia agora todos os seus admiradores com a exibição do seu segundo e novo álbum ‘Lágrimas de Ácido’ (disponível para escuta integral através das mais variadas plataformas digitais). Há muito que me confesso um intratável apaixonado por bandas Rock contemporâneas que façam do pretérito o seu presente, e é nesse contexto que verto para o universo lírico tudo aquilo que a ressaca deste adorável registo em mim provocara. Fundamentado num empolgante, dinâmico, simétrico e inflamante Heavy Blues de ressonância e fragância sententista que se dilui num galopante, vigoroso, ostentoso e chamejante Hard Rock de feições vintage, este convincente ‘Lágrimas de Ácido’ equilibra-se por entre ritmadas, poderosas e destravadas cavalgadas que nos esporeiam e incendeiam de pura adrenalina, e mélicas baladas que nos suavizam, prendem e nebulizam num perfeito estádio de temulento encantamento. Contando ainda com (in)discretas aproximações aos domínios fronteiriços de um dançante, evolutivo, glorioso e contagiante Prog Rock de sentido revivalista – ostentando harmoniosas composições de complexidade quase orquestral – a marcante sonoridade deste tão ansiado novo trabalho do tridente localizado na cidade-capital de Santiago enverga toda uma entusiasmante, obscura, vulcânica e fumegante ardência capaz de persuadir, seduzir e arrebatar até o mais gélido dos ouvintes. Tendo como primordiais inspirações nomes da grandeza de uns exuberantes Jimi Hendrix Experience, uns titânicos Black Sabbath e uns carnavalescos Grand Funk Railroad, a provocante musicalidade deste segundo álbum de El Gran Temor é destilada de uma sumptuosa e imponente guitarra – condimentada e escaldada pelos efeitos Phaser e Fuzz – que se agiganta e balanceia em fibrosos, enigmáticos, luciféricos e montanhosos riffs, e se empolga e esperneia em lisérgicos, ácidos e alucinados solos, um murmurante baixo Pentragram’ico de mugidos ensombrados, densos, tensos e torneados, uma tocante e estimulante bateria de ritmicidade articulada, fluída, ligeira e desembaraçada, e ainda uma voz fresca, translúcida e jovial que lidera e legenda todo o espantoso esplendor deste inspirado regresso da formação chilena. ‘Lágrimas de Ácido’ é um disco sensacional, de presença incontornável para todos os apaixonados pelo velho e saudoso Blues Rock forjado e electrificado nas carismáticas décadas de 60 e 70.

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😎 Billy Gibbons // ZZ Top

Jimi Hendrix // Monterey International Pop Festival 1967

📸 Jill Gibson

Cream'licious!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Review: ⚡ Sacri Monti - 'Waiting Room for the Magic Hour' (2019) ⚡

Depois de em 2015 se terem estreado com o magnífico álbum homónimo (devidamente dissertado e reverenciado aqui), o quinteto californiano Sacri Monti – sediado na cidade costeira de Encinitas, San Diego – lança hoje mesmo o seu segundo trabalho de longa duração, intitulado de ‘Waiting Room for the Magic Hour’ e promovido pela mão da insuspeita e carismática editora discográfica nova-iorquina Tee Pee Records (um dos selos mais importantes na valorização e difusão da comumente apelidada San Diego Scene de onde sobressaem referências como Earthless, Radio Moscow, Astra, Monarch, Joy, Harsh Toke, Volcano, Pharlee e os próprios Sacri Monti) sob a forma física de CD e vinil. Adubada pela frescura oceânica do Pacífico e ensolarada por toda uma ofuscante atmosfera de tintura veraneia, a exótica sonoridade de complexidade orquestral que este ‘Waiting Room for the Magic Hour’ sustenta e ostenta, conta com um fascinante sortido musical de onde facilmente se reconhece e apalada um extasiante, místico, onírico e inebriante Psyh Rock de agradável orientação Pink Floyd’eana em coligação com um majestoso, intrigante, apaixonante e melodioso Heavy Prog de alento revivalista e ainda um envolvente, sublimado e eloquente Space Rock de clara propensão sideral que nos empoeira e sulfata a alma com uma etérea poeira estelar. De olhar arregalado e pasmado, ouvidos salivantes e dilatados, e sentidos despertos e aguçados, somos hipnotizados e maravilhados por toda uma carnavalesca profusão instrumental de dominadas e organizadas estruturas caóticas e uma vibrante, colorida e berrante vivacidade que nos mantém lúcidos e ancorados ao longo deste fabuloso sonho acordado. Numa bem resultada alternância entre destravadas, alucinantes, extravagantes e ácidas galopadas à boa moda de Sacri Monti, e afáveis, mélicas, contemplativas e adoráveis baladas que nos remetem para o enternecedor Folk dedilhado e entoado nos saudosos anos 60, somos canalizados e desaguados nas praias da ataraxia onde nos banhamos e deleitamos do primeiro ao derradeiro tema. Deixem-se seduzir e estontear ao conjugado som entre duas guitarras miríficas que se atam na desarmante condução de riffs sumptuosos, simétricos, aristocráticos e volutuosos, e desatam na sónica explosão de vaidosos, desvairados, desassossegados e espalhafatosos solos em contramão, balancear ao sabor da reverberante ondulação bafejada por um dominante baixo de linhas volumosas, fluídas, torneadas e viçosas, empolgar à instigante boleia de uma talentosa bateria locomovida e esporeada a criativas e despachadas acrobacias circenses, embriagar num maravilhoso teclado de bailados aromatizados a uma mágica e requintada sensibilidade, e espevitar com a voz destemperada, áspera, felina e avinagrada que vem à tona das cavas profundezas de todo este vistoso rebuliço instrumental para se evidenciar na estratosfera de ‘Wainting Room for the Magic Hour’. Este é um álbum verdadeiramente pitoresco que me suspirar de impaciência por poder experienciá-lo ao vivo na próxima edição do festival SonicBlast Moledo. A banda-sonora perfeita para este verão está aqui, na renovada e caprichada obra do colectivo Sacri Monti. Bronzeiem-se e absorvam-se na sua diluviana resplandecência.

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 Tee Pee Records

🥁 Bill Ward // Black Sabbath

Robert Plant // Led Zeppelin (Montreux,1972)

📸 Barrie Wentzell

✞ Live Slow, Die Old ✞

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Review: ⚡ Lightning Born - 'Lightning Born' (2019) ⚡

Da cidade de Raleigh (capital do estado norte-americano da Carolina do Norte) chega-nos o espantoso álbum de estreia do auspicioso quarteto Lightning Born. Oficialmente lançado no passado mês de Junho pela mão da influente e muito produtiva editora discográfica de origem californiana Ripple Music sob a forma física de CD e vinil, este portentoso álbum de designação homónima vem revestido, embebido e maquilhado de um poderoso, obscuro e vigoroso Proto-Metal de inspiração setentista em adorável parceria com um musculado, dinâmico e torneado Heavy Rock de indiscretas aproximações a um libidinoso, luciférico e vultoso Heavy Blues de natureza revivalista. A sonoridade ritualística, intrigante, hipnotizante e demoníaca – tingida e enegrecida por um negro manto Black Sabbath’ico – que o chefia tem o dom de nos dilatar as pupilas e fazer comungar toda uma umbrosa solenidade de orientação esotérica e adoração pagã. De olhar vazio e envidraçado, narinas ampliadas e alma pasmada, enlutada e profundamente sepultada num perfeito estádio de dominante fascinação, somos seduzidos, magnetizados e farolizados pela sombria radiação de ‘Lightning Born’. Numa majestosa, elegante, deslumbrante e vistosa dança Sabbath’ica somos enfeitiçados pela tirânica nobreza de uma guitarra que se enfatiza em prestigiosos, imponentes, soberanos e ostentosos riffs de onde florescem e sobressaem formosos, magistrais e assombrosos solos, a reverberante densidade de um baixo movido a linhas possantes, onduladas, demonizadas e mastodônticas, a ardente ritmicidade de uma bateria pesada, altiva, explosiva e carregada, e ainda pela erótica simetria de uma melodiosa e corpulenta voz feminina de tez condimentada, oleada e melificada que lidera com desarmante distinção toda esta luxuosa e alterosa caravana sonora. ‘Lightning Born’ simboliza uma verdadeira estreia de sonho para este potente quarteto norte-americano. Um magnífico álbum possuidor de uma musicalidade tremendamente expressiva, enigmática e altiva que seguramente capturará e encantará todo aquele que nele ousar ingressar. Um dos meus registos predilectos de 2019 está aqui, na primorosa, demoníaca e caliginosa essência de Lightning Born. Empoderem-se nele.

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 Ripple Music

🌊 The Heavy Minds - "Spheres" (Second Mind, 2019)

🌴 Acid King // Stoned And Dusted (2019)

📸 Sam Grant

🦇 Black Sabbath (London, 1972)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

🎬 Cinema de Abril, Maio e Junho!

The Walking Dead S09 (2018-2019) de Frank Darabont   ★★★★★
The Haunting of Hill House S01 (2018) de Mike Flanagan  
★★★★★
A Dog's Purpose (2017) de Lasse Hallström  
★★★★☆
Fleabag S01 (2016) de Phoebe Waller-Bridge  
★★★★☆
Warlock (1959) de Edward Dmytryk  
★★★★☆
Cobra Kai S01 (2018) de Robert Mark Kamen   ★★★★★
Cobra Kai S02 (2019) de Robert Mark Kamen   ★★★★★
Chugyeogja (2008) de Hong-jin Na   ★★★★★
La Revanche de Vermeer (2017) de Guillaume Cottet & Jean-Pierre Cottet   ★★★★★
Red Rock West (1993) de John Dahl   ★★★★☆
Take a Hard Ride (1975) de Antonio Margheriti   ★★☆☆☆
Doc (1971) de Frank Perry   ★★★★☆
ReMastered: Devil at the Crossroads (2019) de Brian Oakes   ★★★★★
The Dawn Wall (2017) de Josh Lowell & Peter Mortimer   ★★★★★
Army of Darkness (1992) de Sam Raimi   ★★★★☆
The Big Clock (1948) de John Farrow   ★★★★★
The Comancheros (1961) de Michael Curtiz & John Wayne   ★★★★☆
Room 8 (2013) de James W. Griffiths   ★★★★☆
Arthur Miller: Writer (2017)
de Rebecca Miller   ★★★★☆
The Mule (2018) de Clint Eastwood   ★★★★☆
Time Thieves (2018) de Cosima Dannoritzer   ★★★☆☆
John Wick (2014) de Chad Stahelski   ★★★★☆
John Wick: Chapter 2 (2017) de Chad Stahelski   ★★★★☆
Chernobyl S01 (2019) de Craig Mazin   ★★★★★
CapharnaUm (2018) de Nadine Labaki   ★★★★★
Deadwood (2019) de Daniel Minahan   ★★★★★
Black Mirror S05 (2019) de Charlie Brooker   ★★★★☆
The Wonderful Country (1959) de Robert Parrish   ★★★☆☆
Fleabag S02 (2019) de Phoebe Waller-Bridge   ★★★★★
The Furies (1950) de Anthony Mann   ★★★★☆
Young Billy Young (1969) de Burt Kennedy   ★★★☆☆
A Monster Calls (2016) de J.A. Bayona   ★★★★☆
The Indian Fighter (1955) de Andre De Toth   ★★★☆☆
Three Violent People (1956) de Rudolph Mate   ★★★☆☆

Pappo's Blues - "Stratocaster Boogie" (1973)

🔥 Matt Pike (Sleep / High On Fire)

David Gilmour // Pink Floyd (1970)

📸 Gerard Scheppink

Kim Gordon // Sonic Youth (1990)

domingo, 30 de junho de 2019

The Power of the Riff compels me!

Review: ⚡ Gygax - 'High Fantasy' (2019) ⚡

Da cidade costeira de Ventura (Califórnia, EUA) chega-nos ‘High Fantasy’, o (por mim) tão aguardado terceiro álbum do quarteto Gygax. Lançado muito recentemente pela mão do selo discográfico californiano Creator-Destructor Records (especializado no género) sob a forma física de CD e vinil, este novo trabalho de longa duração da jovem banda norte-americana escuda-se num melódico, entusiástico e dinâmico Heavy Metal de indiscreta inspiração tradicional que causara em mim um enérgico abalo emocional. A sua sonoridade fogosa, ritmada, esmerada e ostentosa – marcadamente norteada e influenciada por uns clássicos Thin Lizzy – conjuga na perfeição a primorosa elegância com a voraz e vibrante destreza técnica manifestada pelos instrumentos em incessantes e cativantes diálogos entre si. Uma furiosa locomotiva sem travões à vista, carburada por duas guitarras gémeas que se agigantam e galanteiam na ascensão e condução de majestosos, oleados, condimentados e vigorosos riffs, e se perseguem e entrelaçam em ziguezagueantes, frondosos, apetitosos e delirantes solos de uma desarmante perícia e atordoante extravagância, um baixo magnetizante de linhas reverberantes, fluídas, fibrosas e ondulantes, uma empolgante, desembaraçada e desconcertante bateria esporeada a uma ritmicidade apressada e arrebatadora tecnicidade, um tímido teclado de magnânimos bailados, e uma agradável voz que combina a cuidada e lubrificada melodia com a tórrida e felina rudeza. De estender ainda o elogio ao fabuloso e caprichoso artwork de contornos mitológicos e créditos apontados ao talentoso ilustrador mexicano Fares Maese, que confere a este fantástico registo toda uma fabular ambiência visual de videojogo. ‘High Fantasy’ é um álbum verdadeiramente portentoso – de consumada sublimidade, inquietante lubricidade e irrepreensível sagacidade – que provocara e sustentara em mim todo um perfeito estádio de intensa fascinação e desmoderada exaltação logo à primeira audição que lhe dedicara. Um dos álbuns por mim mais ansiados do presente ano e que acabara mesmo por rebentar e transbordar as costuras que balizavam a minha expectativa a ele previamente prognosticada. São 28 minutos atestados de uma crescente, erótica e ofuscante excitação que facilmente nos climatiza, prende e euforiza do primeiro ao derradeiro tema. Toda uma melodiosa e efervescente fogosidade – superiormente nutrida e conduzida pelos Gygax – que nos inflama e incendeia de um êxtase impossível de não exteriorizar. Pecando apenas pela sua curta duração, ‘High Fantasy’ perfila-se como um dos meus discos de eleição deste já farto ano musical de 2019 que persiste em presentear-nos com o que de melhor advém da relação entre a qualidade e a quantidade. Uma ininterrupta vénia a estes californianos de instrumentos bafejados pelo lado mais virtuoso, glorioso e carismático do Heavy Metal hasteado no final dos 70’s e desdobrado pelos 80's.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

© Yuri Hill

Review: ⚡ Frozen Planet 1969 - 'Meltdown On The Horizon' (2019) ⚡

Da grande e populosa cidade de Sydney chega-nos o 7º capítulo da extensa e quimérica odisseia celestial timonada pelo cativante power-trio australiano Frozen Planet 1969. Intitulado de ‘Meltdown On The Horizon’ e oficialmente lançado no passado dia 19 de Junho pela insuspeita editora local Pepper Shaker Records em formato de CD e pelo selo discográfico holandês Headspin Records sob a forma física de vinil, este seu novo álbum repete a receita sonora posta em prática nos álbuns que o antecedem. Alicerçado num hipnotizante, sublime e empolgante Heavy Psych de propensão astral – que se desdobra através de longas e evolutivas jam’s de cariz instrumental – este ‘Meltdown On The Horizon’ causa no ouvinte uma bipolaridade emocional tão capaz de o sepultar e anestesiar num profundo estádio de narcose como de o disparar e vibrar numa crescente e emancipadora erupção de pura adrenalina. De atenção fascinada e atrelada à psicotrópica musicalidade de Frozen Planet 1969, somos puxados para fora da gravidade terrestre e dissipados pela perpétua vacuidade de um Cosmos bocejante e inebriante. Contando ainda com uma forte dosagem de experimentalismo sónico que facilmente se dilui no estonteante psicadelismo que o irriga, ‘Meltdown On The Horizon’ convida-nos a ingressar num vertiginoso vórtice do qual não regressaremos sóbrios. Balanceiem todos os membros e sentidos ao sabor de uma exótica guitarra que vomita alucinantes, ácidos, caóticos e desviantes solos de elevada toxicidade, um baixo latejante de linhas magnetizantes, torneadas, musculadas e ondeantes que instintivamente nos instiga a sussurrá-lo, e uma estimulante bateria que – com inspirada ritmicidade – escolta e tiquetaqueia toda esta renovada improvisação destes destemidos astronautas de instrumentos empunhados. De destacar e elogiar ainda o majestoso artwork – ilustrado pelo artista indonésio Alfiandi – que nos escancara todo um portal cósmico e maravilha com o místico esplendor de uma colorida é vistosa paisagem alienígena. ‘Meltdown On The Horizon’ é um mirífico álbum detentor de um encantamento transbordante que facilmente nos seduz, prazenteia e conduz pelo universo onírico de um mavioso sonho acordado.

⚡️ Jesse Hughes // Eagles Of Death Metal

☄️ Electric Moon @ Freak Valley Festival (2019)

🎖 Heavy 25th Birthday 'Welcome to Sky Valley' (28/06/1994)

Sucking the 70's

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Chris Cornell // Soundgarden

Review: ⚡ Electric Moon - 'Hugodelia' (2019) ⚡

Do alto do seu iminente 10º aniversário, os três astronautas germânicos Electric Moon acabam de lançar um novo álbum gravado ao vivo – engordando assim toda uma discografia que se dissemina a uma quantidade e velocidade estonteantes – para gáudio daqueles que – tal como eu – há muito escoltam e veneram as suas envolventes e fascinantes jam’s de propensão extraplanetária. Depois de os ter vivenciado ao vivo em 2015 no já extinto festival ribatejano Reverence Valada (review aqui) o deslumbramento que até aí nutria pelos Electric Moon sofrera um empolamento de tal ordem, que ainda hoje – passados quatro anos – tenho bem presente a ressaca que essa mágica experiência deixara em mim. E se é inegável que me confesso pouco apreciador de registos gravados ao vivo, Electric Moon consegue verter com imaculada fidelidade para cada uma das nossas casas toda a mágica essência que climatiza e condimenta as suas performances em palco. E este ‘Hugodelia’ não escapa à regra. Gravado ao vivo em 2018 no velho e carismático edifício austríaco Graf Hugo – que logo após essa actuação seria permanentemente encerrado ao público – este álbum adjectiva-se como que uma sentida e inspirada homenagem à vida desse histórico espaço enraizado na cidade austríaca de Feldkirch. Lançado no passado mês de Maio pela mão da insuspeita editora alemã Sulatron Records (numa edição em CD limitada a apenas 1000 cópias disponíveis) e da Pancromatic Records (em formato de vinil), este ‘Hugodelia’ vem atestado de uma inebriante poeira estelar que nos desenraíza da gravidade terrestre e magnetiza de encontro aos mais profundos e negros solos do imenso oceano cósmico. Destilada de um admirável equilíbrio entre a doce lisergia e a ardente euforia, a mística sonoridade que Electric Moon tricota e pulveriza ao vivo causa no ouvinte toda uma crescente hipnose que o canaliza pelas longas e evolutivas jam’s que se desdobram pelos domínios alienígenas da infinidade e majestosidade sideral. Uma enigmática essência que gradualmente nos suga de encontro à sua medula, numa anestésica levitação que desagua numa perfeita erupção de intenso prazer e revoltosa comoção. Icém as velas da consciência e desbravem os mares cósmicos bem para lá do lado eclipsado da Lua à boleia de uma endeusada guitarra de orientação Space & Psych, embrulhada e embriagada num experimentalismo sónico de onde florescem extravagantes, alucinógenos e delirantes solos de elevada toxicidade e durabilidade a perder de vista, um delicioso baixo Krauty que com as suas linhas pulsantes, robustas, onduladas e hipnotizantes nos murmura repetidamente as feições do riff-base, e uma agradável bateria detidamente entregue a uma constante cadência rítmica que tiquetaqueia e capitaneia esta fabulosa e aventurosa digressão por entre os mais secretos e solitários astros suspensos na mais longínqua verticalidade. ‘Hugodelia’ é uma experiência imersiva que nos faz sentir presentes na gloriosa despedida do Graf Hugo. Recostem-se confortavelmente, respirem pausada e profundamente, desmaiem as pálpebras sobre o olhar envidraçado e tombem o semblante eterizado de encontro ao peito. Electric Moon encarregar-se-á de tudo o resto.

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 Sulatron Records