sábado, 30 de maio de 2020

🍁 David Gilmour // Pink Floyd

🦅 Cher // Vogue (1970)

📸 Richard Avedon

⚜️ Deep Purple

Review: ⚡ Jazz Sabbath - 'Jazz Sabbath' (2020) ⚡

Depois de nos bastidores da produção deste álbum ter sido superiormente orquestrada uma cinematográfica teoria da conspiração – aqui brilhantemente documentada – que visa “beliscar” a “até então” imaculada reputação dos míticos Black Sabbath, o fabuloso e marcante trabalho de estreia dos ingleses Jazz Sabbath – banda liderada por Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman (talentoso e consagrado ex-teclista dos históricos britânicos YES que ostentam o elogioso e perpétuo título de uma das mais influentes formações da história do Progressive Rock), que, tal como sucedera com o seu pai, se dedica arduamente à virtuosa relação entre as pontas dos dedos e as teclas do piano. Constituído por um jovem tridente de aprimorada vocação jazzística e irrepreensivelmente orientado por um elegante, clássico, lírico e eloquente Jazz que de forma ousada, mas discreta e subtil, resvala nas fronteiras de um fogoso, expressivo, altivo e lustroso Jazz Rock, este bem-disposto disco de designação homónima – que fora muito recentemente lançado não só sob a forma digital, como também através dos formatos físicos de CD, cassete e vinil pela mão da editora holandesa Blacklake – enfeitiçara-me e conquistara-me com as suas opulentas, apuradas e condimentadas composições. A sua sonoridade minuciosamente tricotada a delicadeza, emoção e destreza passeia-se e esperneia-se airosa e graciosamente num edénico, envolvente e sofisticado diálogo instrumental, culminando num perfumado, lúbrico e sublimado requinte musical que desperta e cativa todos os nossos sentidos. De pupilas dilatadas, ouvidos salivantes, cérebro massajado e alma arrebatada somos melificados e eterizados pelas vistosas, frescas, principescas e sumptuosas melodias cultivadas por um galante e aristocrático piano swing de notas saltitantes, afáveis e deslumbrantes, uma exótica guitarra de solos exuberantes, refinados e ziguezagueantes, um murmurante e bafejante contrabaixo de linhas pulsantes, sombreadas e vagueantes, e uma bateria acrobática e tiquetaqueante de toque polido, preciso e cintilante que confere pulsação a esta maravilhosa digressão pelo lado mais ensolarado da música Jazz. Deixem-se embriagar e deleitar pela sonhadora, quimérica, feérica e trovadora fragância de ‘Jazz Sabbath’, e regressem dele com a espiritualidade plenamente estarrecida e expurgada. Estamos na honrosa presença de uma obra verdadeiramente excepcional de fio a pavio. Diluam-se e deliciem-se nela.

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🎬 ll Mercenario (1968, Sergio Corbucci)

sexta-feira, 29 de maio de 2020

🌊 Samsara Blues Experiment - 'Waiting for the Flood' (2013)

🎗John Cipollina // Quicksilver Messenger Service (24/08/1943 - 29/05/1989)

🍄 Jimi Hendrix // Newport Pop Festival '69

🎖Crosby, Stills & Nash - 'Crosby, Stills & Nash' (29/05/1969)

☕️ Jukka Tolonen ‎– 'Tolonen!' (1971, Love Records)

Review: ⚡ Blackbird Hill - 'Razzle Dazzle' (2020) ⚡

Oriundo da cidade vinícola e portuária de Bordéus (estabelecida em França) chega-nos o admirável, caprichoso e irreprovável álbum de estreia do talentoso, jovem e auspicioso power-duo Blackbird Hill. Intitulado de ‘Razzle Dazzle’ e oficialmente lançado no passado mês de Fevereiro com o cunho autoral através dos formatos digital, de CD e vinil, este primeiro trabalho de longa duração, impecavelmente modelado e cinzelado pelos franceses, vem trajado e maquilhado por um serpenteante, erótico e contagiante Garage Blues – de atenção ancorada numa bifurcação que contempla não só a modernidade, como as rústicas e lamacentas raízes do género – que de forma subtil vai alternando entre arrojadas, inflamadas e excitantes cavalgadas pelo desfocado e flamejante horizonte de um vasto deserto tingido e envelhecido a sépia, e apaziguantes, bucólicas e deslumbrantes baladas de inspiração Folk e beleza crepuscular. Tendo como moldura uma carismática aura Western que oxigena toda a atmosfera, a dançante, afrodisíaca, lírica e embriagante sonoridade deste ‘Razzle Dazzle’ equilibra-se entre a efervescente comoção e a nirvânica mansidão. De olhar eclipsado, sorriso imortalizado no rosto, sentidos embriagados e corpo firmemente compenetrado em movimentos bamboleantes, somos enfeitiçados e embalados pela majestosidade de uma guitarra messiânica que se incendeia na condução de intoxicantes, irresistíveis e fulgurantes Riffs encrostados pelo caloroso e espinhoso efeito Fuzz, e se envaidece na diluviana e purificante libertação de solos extravagantes, orgásmicos e uivantes, pela magnética e catártica ritmicidade de uma expressiva bateria soberbamente esporeada numa marcha galopante, e pela arrebatada refulgência deflagrada por uma refrescante, melodiosa, veludosa e extasiante voz que pincela a colorida e perfumada frescura todo este radioso álbum de dominante bafagem veraneia. Num plano secundário desabrocha ainda um revitalizante bandolim com os seus requintados, sinuosos, prodigiosos e elaborados bailados de vistosos ornamentos, que assim confere uma formosura complementar a este exímio trabalho cultivado a imaculada delicadeza. ‘Razzle Dazzle’ é uma obra verdadeiramente ataráxica que combina a impetuosa e rumorosa vivacidade com a ternurenta e melosa serenidade. A tempestade e a bonança de mãos dadas. Deixem-se namorar, envolver e sublimar pela irretocável lubricidade transpirada pelo dueto Blackbird Hill, e testemunhem todo o desértico e quimérico esplendor de um dos álbuns mais apetitosos do ano. Não vai ser fácil ouvi-lo apenas uma vez, duas ou três.

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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Review: ⚡ Overdose - 'Two Wheels and Gone' (2020) ⚡

Do outro lado do oceano Atlântico chega-nos o rumoroso álbum de estreia do enérgico quarteto nova-iorquino Overdose. Carimbado com a designação de ‘Two Wheels and Gone’ e oficialmente lançado muito recentemente através do exclusivo formato digital – ainda que com um lançamento em formato de vinil, e provavelmente também de CD, agendado para o próximo verão – através da Splattered! Records (selo discográfico especializado em Heavy Metal, Hard Rock e Punk), este portentoso primeiro registo de longa duração carburado pela formação norte-americana vem oleado, locomovido e valvulado por um pujante, atiçado, conturbado e ofegante Heavy Metal de intensa, tensa e cáustica fogosidade a fazer recordar os célebres Motörhead. A sua sonoridade demasiadamente revoltosa, alucinada, potente e estrondosa – vergastada e esporeada a uma alucinante galopada de consumo impróprio para cardíacos – é lavrada e governada por uma frenética comoção que prontamente nos infesta e atesta de adrenalina. De coração vibrante, cabeça rodopiante e corpo transpirado, somos carbonizados pela absorvente incandescência flamejada por todos os poros de ‘Two Wheels and Gone’. Banhados pela espessa lava deste fumegante vulcão em constante ebulição, somos violentamente agredidos e atiçados por um febril estádio de efervescente excitamento fermentado e destilado por duas guitarras predatórias que rugem imperiosos, picantes, trepidantes e impetuosos Riffs de onde se desprendem gritantes, ácidos, delirados e penetrantes solos em debandada, um baixo ronronante de reverberação pulsante, pujante, tensa e empolada, uma incansável bateria calibrada pelo estilo Punk, vivamente pontapeada a entusiasmada, frenética e arrojada marcha, e ainda uma voz escarpada, felina, erosiva e enfurecida – de um abrasamento gutural a fazer lembrar o saudoso Lemmy Kilmister – que assanha toda esta maquinaria pesada a toda a velocidade pelas loucas estradas de alcatrão escaldado. ‘Two Wheels and Gone’ é um álbum verdadeiramente selvagem e esmagador que nos dispara a euforia à mais alta rotação. Deixem-se provocar pela infernal veemência de Overdose, e vivenciem como puderem um dos registos mais electrizantes e contagiantes do ano.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

🎗 Jimmy Cobb // Miles Davis (20/01/1929 - 24/05/2020)

🎹 Jazz Sabbath - The Documentary (2020)

🎂 Klaus Meine // Scorpions (25/05/1948)

🗽 Peter Gabriel // Genesis

💣 Motörhead // Bomber Tour, 1979

⚡️ Lita Ford // The Runaways, 1977

📸 Brad Elterman

Review: ⚡ The OMY - 'The OMY' (2020) ⚡

Da cidade-capital de Moscovo chega-nos o novo álbum de estúdio do híbrido e populoso colectivo russo The OMY que pulando e foliando de género em género, vão surpreendendo e fascinando o ouvinte com a sua inesgotável capacidade metamorfose sonora. De identificação homónima e oficialmente lançado hoje mesmo através das mais variadas plataformas digitais, este renovado, complexo e frutado cocktail de ingestão via auditiva é magistralmente elaborado por um radiante, exótico, onírico e deslumbrante Psychedelic Rock de clima veraneio, um radiofónico, despretensioso, ocioso e agradável Indie Rock de baladas fluídas e descomplicadas, um atordoante, virtuoso, impetuoso e extravagante Free-Jazz de ousadas aproximações a um intuitivo, abstracto e inventivo Avant-Garde de fronteiras descosidas, um nocturno, outonal, misterioso e soturno Dark-Folk tecido a uma sombria e enlutada harmonia, e ainda um vaporoso, ritmado, arrojado e audacioso Trip Hop vocalizado e doutrinado na sua língua nativa. A engenhosa, inteligente e dialogante conjugação entre todos estes géneros musicais de ADN teoricamente incompatíveis, é posta em prática de uma forma verdadeiramente líquida, subtil e espontânea, fazendo assim com que nenhum ínfimo e arenoso grão de estranheza seja identificado pela engrenagem da sua ingestão sonora. ‘The OMY’ Ã© um registo imensamente eclético – de excentricidade carnavalesca e contornos épicos – superiormente orquestrado por uma profusa e esdrúxula orgia instrumental de apurada simbiose onde se notabiliza e pavoneia uma guitarra quimérica de acordes delicadamente dedilhados a desarmante sublimidade, um baixo bafejante de linhas murmurantes, hipnóticas e dançantes, uma magnetizante bateria que – aliada a uma imersiva percussão tribalista – se lança numa dinâmica, colorida e vistosa marcha marcadamente orientada e condimentada pelo Hip Hop, um gritante e serpenteante saxofone barítono de uivantes, afrodisíacos e esvoaçantes bailados, um mágico sintetizador de essência cósmica que ausculta formosos coros celestiais suspirados pelos astros, um melódico e melancólico piano de notas saltitantes, acrobática, enfáticas e petrificantes, e uma voz profética de tez estival, cristalina, fresca e angelical que sobrevoa de forma leve e vaporosa toda esta edénica, feérica e catalisadora alquimia sensorial. Oscilando entre suavizantes, afáveis, letárgicas e inebriantes passagens integralmente banhadas pelos tímidos e derradeiros raios emanados pelo Sol crepuscular, e fogosas, efervescentes, vibrantes e espalhafatosas detonações de uma súbita e inestancável expurgação e inflamação instrumental, 'The OMY' é um álbum de aspecto camaleónico que me prendera e conquistara com a sua curiosa personalidade capitaneada pela ambiguidade e multiplicidade. Um registo nutrido e locomovido a composições mescladas, labirínticas e inesperadas que decerto saciarão o apetite dos ouvidos mais eruditos e descomplexados. Bronzeiem-se na sua sumarenta, aromática e refrescante tropicalidade, e vivenciem um dos trabalhos mais originais do ano.

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

🐛 Dead Meadow - "Nobody Home" @ EarthQuaker Session

📽 Cream, 1967

📸 Mark and Colleen Hayward / Redferns

📀 Mothers of the Land - 'Hunting Grounds' (19/06/2020 via StoneFree Records)

©️ Arik Roper

Review: ⚡ Pablo - 'Wave Myself Goodbye' (2020) ⚡

Pablo – virtuoso guitarrista e vocalista da enérgica banda suíça de Heavy Blues chamada The Dues – acaba de se aventurar e estrear na surpreendente produção de um registo lavrado a solo. Deixando de parte a ardência electrificada da expressiva música Blues que o caracteriza e canalizando toda a sua inspiração para o flanco acústico de um poético, deslumbrante, reconfortante e edénico Folk de clima primaveril e beleza pastoril, o jovem músico helvético Pablo tem em ‘Wave Myself Goodbye’ um álbum de curta duração, fácil digestão e pronta fascinação. Oficialmente lançado hoje mesmo pela mão do selo discográfico local Sixteentimes Music através do exclusivo formato digital, esta obra agradavelmente narrada por uma voz veludosa, acolhedora e melodiosa, e superiormente tecida e conduzida por uma guitarra acústica de acordes frutados, condimentados a leveza, ternura, doçura e subtileza, tivera em mim um efeito verdadeiramente calmante e purificante. Compenetrados, encandeados e eterizados por toda esta sublimada e arrebatadora envolvência destilada dos harmoniosos e voluptuosos diálogos entre a voz pacífica e a guitarra lírica, somos invadidos por uma perdurável e adorável sensação de pleno bem-estar que nos desmaia as pálpebras, desenha um sorriso no rosto e pendula a cabeça num pausado e constante ricochete de ombro e ombro. De bússola apontada a egrégias referências do género como Nick Drake, George Harrison, Rory Gallagher e Bob Dylan, a enternecedora, solarenga, afectuosa e inspiradora sonoridade de Pablo desdobra-se despretensiosa e relaxadamente ao longo dos onze estreitos temas que o habitam. São cerca de 26 minutos de uma encantadora, solitária, balsâmica e sonhadora passeata que livre e graciosamente sobrevoa verdejantes, perfumadas, arborizadas e ondulantes planícies, banhadas e massajadas pelo endeusado e vigilante Sol de bafagem morna e luzência crepuscular. Uma obra imensamente contemplativa e aconchegante que vive essencialmente da intimidade e da sensibilidade espelhadas pela alma do seu autor. Esta é a banda-sonora perfeita para finais de tarde ensolarados e introspectivos, de corpo ensonado e sentidos pacificados. Recostem-se e esperneiam-se descontraidamente nela.

terça-feira, 19 de maio de 2020

🌴 Brant Bjork

🌴 Yawning Man

🎂 Pete Townshend // The Who (19/05/1945)

🎖Uriah Heep - 'Demons and Wizards' (19/05/1972)

☕️ Styx - 'Styx II' (Wooden Nickel Records, 1973)

Review: ⚡ Lunar Swamp - 'UnderMudBlues' EP (2020) ⚡

Do sul de Itália chega-nos a intrigante, fumarenta e inebriante nebulosidade baforada e propagada pela jovem formação Lunar Swamp que no início do passado mês de Março lançara o seu fabuloso EP de estreia denominado de ‘UnderMudBlues’ e devidamente promovido pela pequena editora californiana Fuzzy Cracklins sob a forma física de CD. Este soberano registo de curta duração – mas intensa e prolongada fascinação – amortalha um cavernoso, esverdeado, embriagado e pantanoso Doom Blues de orientação ocultista e tenebrosas ressonâncias Black Sabbath’icas que nos obscurece, entorpece e profana a alma. A sua sonoridade de tez pegajosa, carrancuda, encorpada e vagarosa – encrostada pelo abrasivo efeito Fuzz – é orientada por uma imersiva liturgia xamânica capaz de mergulhar e ancorar o ouvinte nas turvas águas de uma saturada, profunda e demonizada narcose. Varrido por uma titânica, monolítica e possante avalanche de efeitos morfínicos, este poderoso EP lavrado pelo auspicioso tridente italiano embaciara a minha lucidez e entupira os meus sentidos com uma febril e pesada embriaguez. De corpo relaxado, olhar anestesiado e semi-cerrado, narinas dilatadas, e cabeça baloiçada de ombro a ombro somos canalizados e desaguados numa absorvente hipnose. Na composição desta forte dosagem de morfina via auditiva está uma guitarra Tony Iommi’ca de Riffs amaldiçoados, lutuosos, oleosos e apavorados, e solos acrimoniosos, efervescentes, gélidos e lustrosos, um baixo sísmico de reverberação carregada, soturna e adensada, uma bateria trovejante de ritmicidade ardente, pausada e potente, e uma voz opressiva, altiva e luciférica que sobrevoa e ecoa pelos murchados e embrumados pântanos de Lunar Swamp. Num plano secundário é-me ainda importante destacar e louvar a tímida aparição de uma serpenteante, expressiva e refrescante harmónica que confere toda uma arenosa, carismática e radiosa aura Western a este registo trajado e dominado pelas trevas. Já a distinta ilustração – onde a cósmica e mística noite é acordada pelas árvores chamejantes e uma enigmática coruja de olhar vigilante – tem os seus créditos autorais apontados à artista italiana Damiana Merante. São 28 minutos atestados de um incessante feitiço impossível de quebrar. Deixem-se inundar e enlamear pela fumegante, letárgica, esotérica e intoxicante ambiência de ‘UnderMudBlues’, e vivenciar de espírito dormente todo este autêntico ópio sonoro.

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