quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

🤠 Tabernas Desert Rock Festival

🎙 Robert Plant & Jimmy Page // Led Zeppelin (🇺🇸 1970)

📽 Solar Corona // triciclo (live, 2019)

Review: ⚡ Dead Sea Apes - 'Night Lands' (2020) ⚡

Os ingleses Dead Sea Apes acabam de antecipar e disponibilizar o seu novo trabalho de longa duração ‘Night Lands’ para escuta integral através da sua página de Bandcamp oficial, bem como para a devida compra do mesmo nos formatos físicos de vinil (repartido em duas edições ultra-limitadas e entretanto já esgotadas), CD-R (reduzido a uma prensagem de apenas 90 cópias praticamente vendidas na sua totalidade) e sob a forma digital através do influente selo discográfico local Cardinal Fuzz. Condimentado por um imersivo, magnético e lenitivo Drone em harmoniosa sinergia com um contemplativo, arrebatador e inventivo Post-Rock de estética cinematográfica, e um delirante, alucinógeno e deslumbrante Psychedelic Rock embrulhado e embriagado num experimentalismo exótico e alienígena, este novo álbum da formação sediada na cidade de Manchester sorve, dissolve e aprisiona o ouvinte nas profundezas de um morfínico universo onírico. De lucidez esvaziada, alma atestada de uma pesada embriaguez, percepção desancorada da gravidade terrestre, e velas hasteadas ao sabor dos ventos cósmicos, somos enfeitiçados e arremessados na vertiginosa direcção dos astros, deixando para trás um corpo tombado e desmaiado. A sua sonoridade de atmosfera flutuante, sidérica, anestésica e fascinante passeia-nos pela intimidade de uma etérea envolvência nocturna, onde chamejantes fornalhas estelares incendeiam e farolizam os céus matizados de um espesso e aveludado negrume. Reconfortados, enternecidos e maravilhados pela doce letargia exalada por todos os poros de ‘Night Lands’, somos canalizados e desaguados nas praias de um resplandecente transe espiritual climatizado e aromatizado por um narcotizante baixo de fluidez Krauty que deambula à boleia de linhas murmurantes, meditativas, hipnóticas e oscilantes, duas guitarras exploratórias que se perdem e encontram por entre maviosos, ácidos e sinuosos solos, um fantástico sintetizador que nos inunda de magia estelar, e uma requintada bateria de sensibilidade jazzística que tiquetaqueia toda esta evolutiva digressão astral com o seu toque polido, luminoso, vagaroso e cuidado. Este é um álbum tecido a um misticismo sideral que nos banha e bronzeia de uma edénica lisergia. Deixem-se embevecer, dominar e vogar pela ataráxica e pacifica ondulação de Dead Sea Apes, e vivenciem com inteira devoção e fascinação todo o purificante, diamantino e ofuscante esplendor de um álbum verdadeiramente encantador.

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 Cardinal Fuzz

✌️ Woodstock '69

🎖 Happy 69th Birthday Phil Collins (Genesis)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

🌋 Los Natas - "Soma" (1996)

📀 Arbouretum - 'Let It All In' (20.03.2020, Thrill Jockey Records)

🎳 Dudeism

🍄 Janis Joplin with her ‘65 Porsche & dog George (1968)

☄️ Al Cisneros // Sleep

📸 Mestellés

Review: ⚡ Coogans Bluff - 'Metronopolis' (2020) ⚡

Coogans Bluff é uma daquelas bandas exímias na arte de explorar, reinventar e conjugar os mais díspares sub-géneros do espectro Rock na sua sonoridade, dificultando assim a tarefa de rotular o seu som usando o menor número de carimbos possível. E se o seu passado discográfico já indiciava um crescente amadurecimento dessa vincada tendência, o novo álbum ‘Metronopolis’ representa o pináculo dessa sua incrível capacidade camaleónica. Lançado muito recentemente pela clássica editora berlinense Noisolution sob a forma física de CD e vinil, este sétimo álbum da banda germânica – localizada na cidade-capital de Berlim – vem lotado de temas desiguais, originando todo um multicolorido e apaladado sortido sonoro de onde facilmente se identifica um exótico, orquestral, jovial e carnavalesco Krautrock – de apurada sensibilidade jazzística, caleidoscópica pigmentação de feição psicadélica e uma serpenteante condução Progressiva – que se aproxima de forma discreta mas ousada de um caloroso e contagiante Funk, de um ostensivo, festivo e exuberante Brass Rock, e ainda se envolve e revolve numa renhida disputa de protagonismo com um agradável, afável e bem-disposto Indie Rock de estética e simetria radiofónicas. Na génese dessa aparatosa, refinada e apetitosa complexidade musical envaidece-se toda uma talentosa simbiose instrumental de incessantes, comoventes e fascinantes diálogos sublimemente tricotados, nutridos e orientados por um mirabolante saxofone de aveludados, uivantes, ofuscantes e requintados bailados, um atmosférico, intrigante e sidérico sintetizador Moog em forte cumplicidade com um melódico e onírico Mellotron, uma primordial guitarra de acordes enternecedores e provocantes, e solos ácidos e embriagantes, um baixo deliciosamente groovy de linhas pulsantes, empoladas, onduladas e murmurantes, uma animada e incitante bateria superiormente compassada a uma desarmante sensibilidade e dançante sagacidade, um berrante, enfático e penetrante trompete de orgulhosos bramidos, e ainda uns vocais melosos, simpáticos, lustrosos e angelicais que sobrevoam e ecoam tanto a solo como lado a lado pelos sorridentes e triunfantes firmamentos de ‘Metronopolis’. Este é um álbum vibrante, pensado, lapidado e executado a tocante primazia, que se auto-valoriza a cada audição que se lhe dedica. Um registo atestado de um epidémico enlevo que nos prende a um estádio de perfeito bem-estar. De olhar semi-selado e incendiado, bochechas coradas, sorriso perpetuado no rosto e alma a transbordar de êxtase, degustem atempadamente este açucarado, espirituoso e renovado trago destilado pelos inspirados foliões Coogans Bluff. Não vai ser fácil estancar e contrariar a duradoura e paradisíaca ressaca por ele em nós deixada, bem como a forte convicção de que se trata de um dos álbuns mais graciosos do ano.

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 Noisolution

domingo, 26 de janeiro de 2020

🌇 The Doors

🎤 Scott "Wino" Weinrich // Saint Vitus

🏄‍♀️ Fu Manchu

Review: ⚡ Acid Mammoth - 'Under Acid Hoof' (2020) ⚡

Da cidade-capital de Atenas (na Grécia) chega-nos a densa e esverdeada vaporização do quarteto Acid Mammoth com o lançamento do seu segundo e novo álbum apelidado de ‘Under Acid Hoof’ e devidamente promovido pela mão do incansável selo discográfico romano Heavy Psych Sounds sob a forma física de CD e vinil. Robustecida, inflamada e enegrecida por um morfínico, hipnotizante, dominante e ritualístico Stoner Doom de ressonância e devoção Black Sabbath’ica que conjuga a intrigante lisergia de uns Uncle Acid & The Deadbeats com a monolítica potência de uns Monolord e ainda a demoníaca feitiçaria de Electric Wizard, a profana e enigmática sonoridade de ‘Under Acid Hoof’ arrasta o ouvinte pelas pesadas, paradas e lodacentas águas de um crepitante pântano de tonalidade ferrugenta e embaciado pela espessa bruma outonal. De pálpebras seladas, olhar eclipsado, maxilares cerrados, narinas dilatadas e cabeça balanceada de ombro a ombro, somos enfeitiçados, absorvidos e sedados pela atraente liturgia de adoração luciférica superiormente celebrada pela formação helénica. São cerca de 36 minutos completamente oxigenados, assombrados e saturados por uma atmosfera tenebrosa, nebulosa e entorpecedora que nos enluta e inebria a alma. Deixem-se obscurecer e varrer pela pausada, reverberante e monstruosa avalanche detonada por duas guitarras umbrosas e heréticas que se aliam e avolumam em Riffs montanhosos, fumarentos, lamacentos e imperiosos, e se soltam na libertação de gélidos, viscerais, penetrantes, alucinógenos e astrais solos, um corpulento baixo de linhas magnetizantes, tensas, densas e pujantes, uma estrondosa, viril e fogosa bateria de ritmicidade impetuosa, autoritária, galopante e rumorosa, e ainda uns vocais gélidos, ácidos, destemperados e diabrinos que completam toda esta psicotrópica bruxaria cozinhada pelos Acid Mammoth. De destacar ainda o místico artwork de créditos facilmente reconhecidos e apontados à famosa Branca Studio. Estamos na vultosa presença de um álbum edificado por uma massiva e alucinógena musculatura que nos atemoriza e narcotiza com urgente e veemente supremacia. Inalem a demoníaca e intoxicante exalação suada por ‘Under Acid Hoof’ e sintam-se embalsamar num intenso e imperturbável estádio de doce letargia.

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 Heavy Psych Sounds

sábado, 25 de janeiro de 2020

🍂 Eric Clapton

📸 Henry Diltz

🥁 Jimi Hendrix

🐸 Toad - 'Open Fire' @ Basel, Switzerland (Live, 1972)

👽 Yuri Gagarin - 'The Outskirts Of Reality' (2020)

Review: ⚡ Rafael Denardi - 'Two Handfuls of Rock' EP (2020) ⚡

Da outra margem do oceano Atlântico chega-nos uma das mais agradáveis surpresas sonoras germinadas neste ainda tenro solo de 2020. ‘Two Handfuls of Rock’ é o entusiástico EP de estreia inteiramente gravado e produzido pelo talentoso multi-instrumentista brasileiro Rafael Denardi – residente na grande e populosa cidade de São Paulo – que tem o seu lançamento oficial agendado para o próximo dia 6 de Fevereiro, exclusivamente através do formato digital e disseminado pelas mais variadas plataformas digitais. De instrumentos calibrados e apontados a um empolgante, dinâmico, vistoso e inflamante Heavy Blues de essência e exuberância revivalistas que prontamente nos remete para a ardente sensualidade do irreverente power-trio suíço The Dues e a efervescente explosividade dos sónicos californianos JOY, este é um trabalho de beleza e destreza consumadas. Com excepção da destacada presença de um teclista convidado para condimentar e abrilhantar um dos temas que incorporam este auspicioso registo de curta duração, ‘Two Handfuls of Rock’ é um delicioso e portentoso EP superiormente executado a duas mãos. A sua requintada, serpenteante, vibrante e agitada sonoridade de textura e formosura vintage causara em mim todo um crescente e imediato estado de imperturbável fascinação e intenso empolgamento que me climatizara do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 22 minutos apimentados e chamejados por uma virtuosa, afrodisíaca e aparatosa guitarra que – com os seus poderosos, musculados, despachados, torneados e ostentosos Riffs, de onde são transpirados e disparados ziguezagueantes, labirínticos, ácidos e estonteantes solos de elevada toxicidade – homenageia icónicas referências do género como Billy Gibbons (ZZ Top), Eric Clapton (Cream) e Rory Gallagher (Taste), um possante, espesso e dominante baixo Rickenbacker de linhas desenhadas, baforadas e orientadas a robustez, coesão, vitalidade e paixão, uma calorosa bateria de esporas afiadas e rédea solta que se revolve nas suas acrobacias galopantes, inventivas e excitantes, e uma voz liderante, jovial e refrescante que chefia com inegável carisma toda esta extasiante, carnavalesca e delirante detonação sensorial. O expressivo e caricaturesco artwork que confere rosto a este registo aponta os seus créditos à ilustradora brasileira Rafaela Barros que de forma fiel e até humorística traduzira para o universo visual a interpretação literal de ‘Two Handfuls of Rock’. Este é um registo dotado de inspiração, lavrado à minha imagem e que muito deve orgulhar o seu criador Rafael Denardi. Apesar de só agora termos estreado o calendário referente a 2020, na ressaca desta obra tudo em mim grita convictamente de que estamos mesmo na presença de um dos mais fortes candidatos a EP do ano.

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

🦁 Brant Bjork - "Jungle in the Sound" (2020, Heavy Psych Sounds)

🎨 Pink Floyd

Review: ⚡ Bohren & der Club of Gore - 'Patchouli Blue' (2020) ⚡

Com quase 3 décadas de existência, os ímpares Bohren & der Club of Gore preparam-se agora para acrescentar à sua discografia o muito aguardado 11º trabalho de longa duração. Com o seu lançamento oficial agendado para o dia de amanhã – sexta, 24 de Janeiro – pelo influente selo discográfico multinacional PIAS Recordings (acrónimo de Play It Again Sam) nos formatos físicos de CD e vinil, ‘Patchouli Blue’ vem dar o tão desejado prosseguimento à enigmática, envolvente, misteriosa e melancólica ambiência de orientação Film Noir superiormente segredada e adensada pelos instrumentos desta muito peculiar e já emblemática formação germânica. Baseado num lutuoso, demorado, hipnótico e pesaroso Doom-Jazz que nos remete para uma noite fria e chuvosa de uma cidade pecadora onde o crime espreita a cada esquina, ‘Patchouli Blue’ é um fabuloso álbum de sensibilidade cinematográfica. Mãos soterradas nos largos e profundos bolsos de longos sobretudos acariciam revólveres famintos, olhares suspeitosos brilham na embrumada penumbra deixada e recortada pela aba larga de negros chapéus, farolizados e enfeitiçados pela ofuscante luminância flamejada e transbordada de uma janela despida – abraçada pelo fosco negrume – onde no seu interior um ruborizado batom se passeia graciosamente dentro dos limites territoriais de uns lábios murmurantes, um enegrecido rímel tonifica e penteia as pestanas, e um elegante vestido de tonalidade púrpura é desdobrado por toda a extensão de um corpo desnudo e decotado até às fronteiras da irresistível tentação. É esta a ambiência de intrigante e incessante sedução que ‘Patchouli Blue’ edifica no meu imaginário. Toda uma fatídica trama que se desprende das teclas de um funesto órgão de notas magnetizantes, sinistras e saltitantes, sombreadas pela soturna e misantrópica radiância borrifada por um enigmático sintetizador que ausculta as trevas, da boquilha de um saxofone uivante que se serpenteia e formoseia em extravagantes bailados, das vassouras luzidias que deixam todo um brilhante e poeirento lastro de pulsação ressoada de uma bateria detidamente entregue a uma ritmicidade minimalista, arrastada e intimista, e das gordas cordas de um contrabaixo prostrado que sussurra linhas pesadas, lastimosas, umbrosas e carregadas. Este é um álbum genuinamente cativante que nos petrifica e mergulha numa fumarenta atmosfera eclipsada e temperada pela doce melancolia. Deixem-se seduzir e conduzir pela trágica e perversa narrativa de Bohren & der Club of Gore e vivenciem de olhar intensamente fascinado uma das mais inspiradas odes aos nostálgicos e glamorosos policiais brilhantemente produzidos nas velhas décadas de 1940 e 1950. Não vai ser nada fácil regressar dos nebulosos, intimidantes e caliginosos becos citadinos de ‘Patchouli Blue’ por onde nos perdemos e entretemos ao longo de sensivelmente 60 minutos.

domingo, 19 de janeiro de 2020

☀️ Causa Sui - 'Free Ride' (2007)

🦇 Tony Iommi // Black Sabbath (Technical Ecstasy tour, 1976)

🍾 Janis Joplin (19/01/1943 🎗 04/10/1970)

🚩 Stevie Nicks // Fleetwood Mac (1975)

📷 Fin Costello

🍴 Pappo's Blues - "Sucio Y Desprolijo" (1972)

⚜️ Emerson, Lake & Palmer (via Muziek Expres, 1971)

💣 Jack Bruce // Cream, 1971

sábado, 18 de janeiro de 2020

Review: ⚡ RYTE - 'RYTE' (2020) ⚡

Renascidos das cinzas dos saudosos Pastor, os recém-formados druídas austríacos RYTE – sediados na cidade-capital de Viena – acabam de lançar o seu muitíssimo aguardado álbum de estreia. De designação homónima e devidamente promovido pelo imparável selo discográfico romano Heavy Psych Sounds sob a forma física de CD e vinil, ‘RYTE’ vem governado e inflamado por um electrizante, psicotrópico, misantrópico e alucinante Heavy Psych, um serpenteante, melódico, exótico e hipnotizante Heavy Prog e ainda um tirânico, tenebroso, vigoroso e messiânico Proto-Metal de ressonância Black Sabbath’ica. A sua sonoridade tremendamente galvanizadora e impactante – destilada de um épico confronto entre os consagrados californianos Earthless, Mammatus e Ancestors – ostenta elaboradas, ostentosas e inspiradas composições onde envolventes e evolutivos bailados instrumentais se agigantam e desaguam em crescendos estonteantes, sónicos e triunfantes que culminam numa explosiva e catártica euforia capaz de nos fazer rasgar as vestes da lucidez. Na génese desta perfeita e apoteótica simbiose instrumental estão duas guitarras gémeas que se avultam e empoderam na assunção e condução de majestosos, fumegantes, intrigantes e trevosos Riffs, e se entrelaçam e multiplicam em estonteantes, ciclónicos, homéricos e excitantes solos, um pesado, magnético e sombreado baixo de bafagem tensa, densa e reverberante, uma incrível bateria de apurada sensibilidade jazzística que tiquetaqueia, pauta e esporeia com um toque cintilante, fogoso, acrobático e retumbante, e ainda uns vocais ácidos, ásperos, ferrugentos e diabrinos que assombram toda a revoltosa atmosfera de ‘RYTE’. De destacar e elogiar ainda o fabuloso artwork de créditos apontados à artista gráfica Sandra Havik (aka Cosmik Havik) que ilustrara com irrepreensível exactidão toda a mística, fervilhante, alucinógena e enérgica ferocidade fumegada pelo quarteto austríaco. Este é um álbum integralmente pensado e executado à minha imagem, que ultrapassara largamente as minhas elevadas expectativas a ele previamente dedicadas. ‘RYTE’ é um registo locomovido a uma tremenda ferocidade que nos sacode e implode num intenso turbilhão de adrenalina via auditiva. Deixem-se agredir e engolir por toda esta titânica, raivosa e monolítica avalanche repleta de endorfinas e sintam-se entrar numa vibrante erupção que vos arremessará na vertiginosa direcção do infindável Cosmos. Na ressaca da sua arrebatadora e redentora audição, tudo em mim grita que não será nada fácil afastar este imponente registo do primeiro lugar do pódio referente aos melhores álbuns nascidos em 2020. Uma consumada obra-prima aos meus ouvidos sedentos de poder experienciar algo assim.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

💎 Lucy In Blue @ KEXP (Live, 2019)

🌴 Keith Richards & Gram Parsons @ Joshua Tree, California

📸 Michael Cooper

Review: ⚡ Mythic Sunship - 'Changing Shapes' (2020) ⚡

Depois de ‘Ouroboros’ (Review aqui), ‘Land Between Rivers’ (Review aqui), ‘Another Shape Of Psychedelic Music’ (Review aqui) e ‘Upheaval’ (Review aqui), os exóticos dinamarqueses Mythic Sunship preparam-se agora para nos presentear com mais um novo álbum através do insuspeito selo discográfico local El Paraiso Records. Captado ao vivo na passada edição de 2019 do carismático festival holandês Roadburn Festival e com o seu lançamento oficial calendarizado para o dia de amanhã – 17 de Janeiro – através dos formatos físicos de CD e vinil (este último ultra-limitado a uma primeira prensagem de apenas 500 exemplares, entretanto já reservados e esgotados), ‘Changing Shapes’ encerra todo um vibrante, excêntrico, apoteótico e berrante Carnaval sonoro tão característico deste colectivo nórdico brilhantemente transposto do estúdio para cima do palco. Num admirável e adorável equilíbrio entre velhos temas resgatados dos seus discos anteriores e outros nunca antes estreados, este novo álbum vem inaugurar um renovado capítulo da sua fantástica odisseia musical e sensorial principiada já há uma década. Conjugando um envolvente, hipnótico, psicotrópico e viajante Space Rock com um expressivo, labiríntico, selvático e inventivo Free Jazz que nos remete aos bizarros territórios de vultosas referências como Ornette Coleman, John Zorn ou Pharoah Sanders, a camaleónica sonoridade de ‘Changing Shapes’ catapulta o ouvinte para uma evolutiva, sinuosa, assombrosa e intempestiva digressão pela intimidade espiritual sem destino previamente traçado ou a garantia de um regresso anunciado. Deixem-se dissolver e embevecer nesta mística e ritualística extravagância, condimentada por uma mágica alquimia, onde duas guitarras sónicas imergem e desabrocham com os seus atordoantes, ácidos, gélidos e incessantes solos serpenteados numa bombástica, gritante e orgásmica emancipação, um baixo murmurante e magnetizante de linhas ondeantes, densas, sombrias e dançantes, uma bateria tribalista de galopante, incisiva, criativa e contagiante ritmicidade, e ainda um indomável e intratável saxofone que – com os seus uivos desvairados, aparatosos, libidinosos e embriagados – golpeia, fere e incendeia todo o negro veludo cósmico. ‘Changing Shapes’ é um registo dotado e adornado de uma imensa sedução xamânica que prontamente esgota toda a lucidez do ouvinte e o atesta de uma ofuscante embriaguez. Diluam-se, percam-se e inflamem-se nas brumosas profundezas de Mythic Sunship, e experienciem sem a mais pequena réstia de inibição todo o gritante, frenético e euforizante esplendor deste seu memorável registo gravado ao vivo.

🎬 Russian Circles - "Sinaia" & "Quartered" | Audiotree Far Out, 2020


🎖 52 anos de Blue Cheer - 'Vincebus Eruptum' (16/01/1968)

🎖 49 anos de 'ZZ Top's First Album' (16/01/1971)