quarta-feira, 2 de agosto de 2023
Review: 💫 Solstein - 'Solstein' (2023) 💫
Proveniente da
Noruega – um dos mais populosos e talentosos habitats do Jazz europeu – chega-nos
o fantástico álbum de estreia da novíssima banda Solstein, desembrulhado
e promovido pela jovem companhia discográfica Is It Jazz? Records nos
formatos LP, CD e digital. Forjado e condimentado por um multicolorido, simbiótico e
camaleónico sortido sonoro onde dialogam apaixonada e harmoniosamente entre si
um ritmado, sumarento, tropical e frutado Jazz-Funk alto em sacarose, um
enfeitiçante, virtuoso, lustroso e elegante Jazz-Fusion de composições
cerebrais, um serpenteante, lubrificado, aromatizado e magnetizante Prog
Rock de fabulares feições Canterbury’escas, e ainda um esponjoso,
confortável, agradável e sedoso Chill Out com vista desimpedida para o
Cosmos constelado, este primeiro passo discográfico da turma norueguesa vem
atestado de incontáveis promessas de um futuro dourado. Sobrevoando e cruzando diferentes
climas e paisagens – que alternam entre frescas e embaciadas madrugadas
respingadas de orvalho que envolvem e embrumam o ouvinte num imperturbável
estádio de profunda e etérea reflexão, e flamejantes céus crepusculares que antecedem
as quentes e estreladas noites de verão que convidam o ouvinte a uma absorta e desinibida
dança de ombros saltitantes, sorriso desabrochado no rosto e ancas baloiçantes –
este homónimo álbum dos inspirados Solstein aponta a sua bússola a
egrégias referências dos gloriosos 70’s como Herbie Hancock, Return
to Forever, Casiopea, Jiro Inagaki & Soul Media, The
Eleventh House feat. Larry Coryell, Ryo Kawasaki, Brand X e Caldera.
De essência puramente instrumental, afago sensorial, expansão consciencial e instrumentos
apontados à vertigem sideral, ‘Solstein’ reluz e flui de forma envaidecida,
sublime e embevecida pelas artérias da nossa espiritualidade, desaguando e reconfortando o
nosso espírito nas nirvânicas praias de um paraíso virginal. Este é um álbum
arejado, ataráxico, onírico e aureolado que desdobra as nossas velas, desancora
a nossa gravidade perceptual e nos navega pelas bonanceiras águas do oceano
cósmico ao purificante sabor de uma guitarra endeusada – com acentuada pronúncia
Al Di Meola’na – que tricota labirínticos, trepidantes,
vítreos e desarmantes solos de uma ofuscante beleza arquitectónica, de um baixo
elástico que aquece a atmosfera com os seus contemplativos, sombreados, texturizados
e curvilíneos murmúrios, de uma mágica profusão de teclados e sintetizadores
futuristas – onde se perscrutam eternas lendas como Chick Corea e Herbie
Hancock – que se encavalitam e atropelam numa inesgotável sucessão de melódicos,
maravilhosos, viajantes e melancólicos sirenes de origem alienígena, e de uma
refinada, sofisticada e estimulante bateria deliciosamente groovy – tiquetaqueada
a robótica precisão e estética sedução – que remata esta majestosa peça de alta
costura. Um registo irrepreensivelmente executado e brilhantemente encerado que
em nós cresce a cada cuidada audição. Todos os meus imoderados louvores a Soulstein
pela sua aventurosa estreia que conjuga na dose certa o dourado revivalismo trazido
do mais fértil território musical (70’s) e uma indelével marca de autor com um
fresco cheiro a contemporaneidade. Banhem-se nesta poeira estelar.
Links:
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➥ Is It Jazz? Records
terça-feira, 1 de agosto de 2023
segunda-feira, 31 de julho de 2023
domingo, 30 de julho de 2023
sábado, 29 de julho de 2023
sexta-feira, 28 de julho de 2023
quinta-feira, 27 de julho de 2023
🐓 MOUNDRAG & FRIENDS - Atomic Rooster Session (Part II)
Depois de aqui lançada – com estreia exclusiva em território português através do El Coyote – a primeira parte da incrível sessão que celebra toda a transbordante devoção (que é minha também) aos dinossauros britânicos do Rock Progressivo clássico Atomic Rooster por parte do talentoso quarteto composto pelos irmãos franceses Moundrag (Camille & Colin Goellaen) e dois amigos muito prendados (Claudia Gonzalez e Dorian Sorriaux), está agora disponível (uma vez mais com exclusividade portuguesa dada ao El Coyote) a muito aguardada segunda (e derradeira) parte do tributo. É à absorvente boleia da luminosa, caramelizada e sumptuosa voz de clima Soul e baixo quente, elástico e hipnótico de Claudia, da acrobática, enfática e estonteante bateria de estética circense e fresca voz de Colin, dos intrigantes, esvoaçantes e enleantes serpenteios de um carismático órgão furiosamente conduzido pelo Camille que ainda nos brinda com a sua sóbria voz de expressiva entoação burlesca, e ainda da desarmante guitarra de uma apurada e detalhada elegância aristocrática, superiormente manejada pelo Dorian, que alcançamos todo o intenso e encerado brilhantismo deste virtuoso quarteto na sua irrepreensível interpretação dos apaixonantes temas “Breakthrough” (originário do álbum ‘In Hearing Of Atomic Rooster’ de 1971) e “Tomorrow Night” (extraído do álbum ‘Death Walks Behind You’ de 1970).
Uma deliciosa iguaria gourmet de aroma vintage, cuja vossa degustação não mais atrasarei:



















