sábado, 28 de outubro de 2017

Review: ⚡ Zong - 'Zong' (2017) ⚡

Da cidade de Brisbane (Queensland, Austrália) chega-nos o místico álbum de estreia da jovem formação Zong. Com o seu lançamento oficial agendado para o próximo dia 4 de Novembro pela mão conjunta dos selos discográficos Cardinal Fuzz (responsável pela distribuição em solo europeu) e Praying Mantis (responsável pela distribuição em solo australiano) nos formatos físicos de CD e vinil, este álbum homónimo encerra um poeirento, psicotrópico e visceral Heavy Psych temperado e enevoado por um hipnotizante, encantador e intrigante experimentalismo espacial que nos embacia, eteriza e alucina ao longo dos seus 43 minutos de duração. A sua sonoridade extraordinária – de propensão ascética – convida-nos a uma fascinante, temulenta e extasiante transcendência pela densa e lisérgica nebulosidade cósmica. Um quimérico e penetrante mergulho na intimidade do Cosmos sideral, de alma canonizada, narinas dilatadas e olhar vidrado, enfeitiçado e atrelado a um firmamento que se desdobra pela infinidade fora. Desta mágica e brumosa atmosfera de ‘Zong’ sobressai-se uma guitarra endeusada – saturada em efeito fuzz – que se ostenta em riffs obscuros, arábicos, turvos e monolíticos, e se desvaira em solos uivantes, efervescentes, alucinógenos e trepidantes, um baixo de pesada e enigmática reverberação que se conduz de forma fluída e compenetrada por entre linhas sinuosas, oscilantes, marcadas e vociferantes, e uma bateria criativa, poderosa e rutilante que lidera com empolgante e desarmante expressividade toda esta nirvânica peregrinação que nos canaliza pelas artérias da espiritualidade. É-me importante ainda destacar e elogiar o vistoso, requintado e copioso artwork superiormente delineado pelo virtuoso artista australiano Henry Bennett que traduzira na perfeição para o papel toda esta envolvente doutrina messiânica propagada por ‘Zong’. Este é um álbum verdadeiramente deslumbrante que nos adorna e climatiza com a sua refulgência do primeiro ao derradeiro tema. Um disco venéreo capaz de converter o mais céptico dos seus ouvintes em seu devoto seguidor. Comunguem este verdadeiro ritual xamânico e sintam-se transpor as portas da percepção. Um dos registos mais enteogénicos do ano está aqui, na profunda e ofuscante religiosidade de ‘Zong’. Dissolvam-se nele.

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