sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Review: ⚡ Naxatras - 'III' (2018) ⚡

Tal como o seu nome sugere, ‘III’ representa o novo e terceiro álbum do muito respeitado power-trio helénico Naxatras. Esta fascinante banda natural da populosa cidade de Tessalónica – que por mérito próprio é hoje reconhecida como uma das formações mais elogiadas da Psych Scene europeia – tem vindo a aumentar a sua comunidade de seguidores e consequentemente a merecer a confiança de festivais como o nosso bem conhecido SonicBlast Moledo (do qual farão parte já na próxima edição). Fundamentados num envolvente, exótico, místico e deslumbrante psicadelismo sonoro que tanto nos enraíza os pés nas aveludadas, fervilhantes e douradas areias do deserto como nos faz cabecear os mais distantes, gélidos e recônditos astros do Cosmos, os Naxatras acabam de nos presentear com o tão ansiado lançamento do seu terceiro registo nos formatos físicos de CD e vinil. Este novo álbum simboliza um renovado capítulo da sua edénica odisseia pelo lado mais sideral, quente e magistral do Psych Rock em agradável consonância com o lado mais relaxante, meditativo e deslumbrante do Space Rock. E é esta encantadora coligação dos dois géneros que nos afaga, massaja e embriaga os sentidos e desprende a consciência numa sagrada, extasiante e nirvânica levitação rumo ao íntimo do transe. A sua harmoniosa, agradável e maravilhosa sonoridade irradia uma desarmante, sublime e ofuscante beatitude que nos desperta a libido. São cerca de 65 minutos de duração – devidamente repartidos pelos sete temas que incorporam este álbum – saturados de uma sumptuosa, mélica e faustosa ambiência celestial que nos hipnotiza, seduz e nebuliza com tremenda facilidade. Juntem-se a esta religiosa caravana pelos paradisíacos desertos de ‘III’ ao som combinado entre uma guitarra endeusada que dedilha deliciosos, esplêndidos, elegantes e prazerosos acordes e se purifica e engrandece em serpentantes, arrebatadores e magnetizantes solos plenos de uma estarrecedora delicadeza, um baixo oscilante de linhas suavizantes, anestésicas e dançantes, uma voz serena, macia e adocicada que sobrevoa o instrumental, e uma bateria jazzística de soberba, cuidada e inventiva orientação rítmica que tiquetaqueia com capricho e emoção toda esta iguaria veraneia. O enigmático artwork de traços sibilinos, tribais e ritualísticos é da autoria do ilustrador escocês Chris RW com quem a banda conta já desde a sua fundação. ‘III’ é um álbum prodigioso que certamente agradará tanto a gregos como troianos. Um registo de natureza sonhadora para ser comungado de corpo relaxado, olhar selado e alma narcotizada. Bronzeiem-se na sua resplandecente toxicidade e deleitem-se na sua beleza e sublimidade. Um dos discos mais consagrados de 2018 está aqui, no ardente e sensual bafo de Naxatras.

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