segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Review: ❄️ EF - 'We salute you, you and you!' (2022) ❄️

★★★★

A um pequeníssimo passo de completarem duas décadas de fértil existência, onde encheram duas mãos de lançamentos, os suecos EF perfilam-se hoje como uma das bandas mais respeitadas e incontornáveis do panorama Post-Rock. E é justamente nesta orvalhada madrugada do seu vigésimo aniversário, que o colectivo nórdico – enraizado na cidade de Gotemburgo – nos presenteia com aquele que considero ser o seu mais vistoso, sincero, fresco e ambicioso registo lançado até à data: ‘We salute you, you and you!’, editado pela influente mão da germânica Pelagic Records através dos formatos LP, CD e digital (este último com a sempre estimável possibilidade de download gratuito). Climatizado por um emotivo, melancólico, cinematográfico e imersivo Post-Rock de brancura invernal, este sexto trabalho de longa duração de EF tem o dom de agasalhar o ouvinte com um quente sentimento de nostalgia, capaz de consolar corações amarrotados e abrilhantar olhares marejados de lágrimas. Superiormente costurada por composições tristemente belas que nos sufocam num inquebrável estádio de resplandecente arrebatamento, a delicada, sonhadora, libertadora e sublimada sonoridade de ‘We salute you, you and you!’ balanceia quem a comunga entre a ensolarada crença e a anoitecida descrença. Sintonizados nas mesmas frequências sonoras e sentimentais de outras grandes referências do género, tais como Explosions in the Sky, Mogwai e Godspeed You! Black Emperor, os EF encasulam-nos no seu poético, frágil e onírico universo do qual não mais queremos sair. Toda uma transformadora depuração emocional, levada a cabo pela harmoniosa conjugação orquestral de lapidar beleza ambiental dialogada entre os vocais amainados, acetinados e angelicais, guitarras de acordes tricotados a desarmante ternura e magnetizante finura, teclados de formosos, celestiais e odorosos bailados, uma bateria de ritmo cativante que amplifica toda esta catarse emocional, um baixo de linhas robustecidas, murmurantes e obscurecidas, um violino de dramáticas, plangentes e fatídicas lamúrias que nos cortam a respiração, um violoncelo de soturnidade chorada, um trombone de mugidos lúgubres, e um trompete de luminosos, dourados e gloriosos sopros. São 44 minutos farolizados por uma pálida luzência que tanto nos esmorece e entristece como desperta e sobreaquece de uma inabalável catarse. No final permanecem a força, a determinação, o fogo, a esperança e o triunfo.

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