terça-feira, 3 de março de 2026

😈 Joan Jett (1980)

📸 Mick Rock

Review: 💡 BRUECKEN - 'Years that Answer' (2026, Moment of Collapse) 💡

“Há anos que fazem perguntas e há anos que respondem.” – É a segunda metade desta filosófica frase da autoria da romancista e antropóloga norte-americana Zora Neale Hurston (1891 – 1960) encontrada no seu clássico literário de 1937 “Seus Olhos viram Deus” que serve de bandeira para capitanear a imersiva, inspiradora, transformadora e criativa narrativa sonora que climatiza o novo álbum lançado pelo impactante quinteto germânico BRUECKEN através do selo discográfico independente, seu conterrâneo, Moment of Collapse Records nos formatos LP, CD e digital. Tendo como sua estrela polar um cinematográfico, fascinante, apaixonante e atmosférico Post-Rock de beleza ambiental que tanto se amolece e embevece num onírico, etéreo e letárgico Shoegaze de massagem cerebral, como se enegrece e sobreaquece num colérico, incendiário e catártico Post-Hardcore de explosividade emocional, este impressionante terceiro álbum sublimemente orquestrado pela formação alemã prepara e projecta o ouvinte para uma desamarrada, determinada e gloriosa escalada até aos elevados picos da plena apoteose. Com inspiração colhida em incontornáveis referências do género como Caspian, Long Distance Calling, If These Trees Could Talk, Leech, Red Sparowes, God is an Astronaut, pg.lost, Year of No Light e This Will Destroy You, a musicalidade curativa, progressiva e motivacional de ‘Years that Answer’ desenvolve o ouvinte de um estacionário estado de profunda introspecção, sufocante melancolia, desalentada paralisia e enlutada prostração que lhe rouba o ar do peito e o deixa indefeso numa total permeabilidade emocional, para uma radiosa condição mental de indefectível esperança onde rebenta a vistosa floração da coragem e resiliência suficientes para enfrentar e superar todos os desafios que se revelem no firmamento da nossa existência. Reflexivo, anestésico, dinâmico e incisivo, ‘Years that Answer’ é um disco tristemente belo que viaja o ouvinte das mais profundas e opressivas trevas à mais diáfana e deífica luzência. Saturado por um vasto espectro de emoções que nos levam das lágrimas gritadas aos sorrisos suspirados, este é um registo medicinal, miraculoso e sensacional que fará da noite dia. Uma aurora boreal de boas sensações brilhantemente musicada por duas guitarras celestiais que conduzem riffs desarmantes e solos deslumbrantes, um magnético baixo de linhas ondulantes, uma expressiva bateria de ritmos marcantes, sintetizadores fantasistas que transformam colorida magia em estado musical, e uma delicada voz murmurada, escoltada de perto por lustrosos coros vocais de sensíveis ecos angelicais. Com uma década de vida, os BRUECKEN têm em ‘Years that Answer’ o seu fruto mais maduro e suculento. Uma obra honesta, vulnerável, reverenciável e humana que nos instiga à reflexão social, à expurgação espiritual e à compreensão pelo próximo. Um interruptor de electricidade consciencial e um potente motor de vidas. Lambam as vossas feridas e tornem-se melhores pessoas com ele.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

🎪 The Eleventh House featuring Larry Coryell ‎- 'Level One' (1975)

🐎 Waylon Jennings - "I've Been a Long Time Leaving" (Live, 1975)

⚡ Uriah Heep - "Devil's Daughter" & "Prima Donna" (Live, 1975)

🔥 Roger Daltrey // The Who (1968)

✌🏿 Toots & the Maytals - "Pressure Drop" (1968)

🎷 The John Coltrane Quartet - 'The John Coltrane Quartet Plays' (1965)

🔈 Rory Gallagher (Queen Elizabeth Hall, London, 1971)

📸 Robert Ellis

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

🦁 Carlos Santana

Review: 🌻 Girasol - 'El Cielo Está Iluminado' (EP, 2026) 🌻

★★★★★

Oriundo do outro lado do oceano Atlântico, chega-nos o electrizante EP ‘El Cielo Está Iluminado’ da autoria do flamejante tridente argentino Girasol – conjunto domiciliado na cidade sulista de Neuquén (Patagónia) – que acaba de sair à rua através do formato digital e de uma caseira, rústica e estética edição em CD a fazer recordar o estiloso design brotado na emblemática década de 1970. Homenageando clássicas lendas autóctones do género como Pappo’s Blues, Pescado Rabioso, Aquelarre, Color Humano e os galácticos Aeroblus, assim como caminhando lado a lado com consagradas referências da contemporaneidade argentina como Ambassador, Hijo de la Tormenta, Madera Raíz, Almanegra e El Triángulo, os radiosos Girasol venderam a sua alma ao libidinoso, picante, fogoso e enleante Blues Rock de caleidoscópica coloração psicadélica e tracção setentista. A sua movediça, meneante, viciante e atiradiça sonoridade de um amarelecido brilho vintage envolve e revolve o ouvinte numa agitada, entusiasmada e transpirada dança pelas sinuosas e escaldantes estradas percorridas pelos quatro vibrantes e coloridos temas que povoam este apimentado e apaixonante registo de curta duração. São 20 minutos escaldados em viva comoção e trajados a vistosa refinação, centrifugados e viajados nas asas de uma dançante e rodopiante guitarra de lubrificados, polposos, apetitosos e invertebrados riffs – electrificados por uma distorção crocante e arenosa – de onde escorrem e eclodem ziguezagueantes, uivantes, ácidos e delirantes solos de inquebrável elasticidade e toxicidade a perder de vista, um baixo magnético de empoladas, encaracoladas, coesas e sombreadas linhas que fervem, borbulham e vagueiam livremente, uma bateria buliçosa de inflamados, corridos, desenvoltos e assanhados ritmos de calor e suor latinos, e uma liderante voz de tez sóbria e atitude impositiva que capitaneia e incendeia toda esta tórrida e atraente atmosfera que encapsula ‘El Cielo Está Iluminado’. De olhar espraiado no firmamento onde o reluzente Sol se debruça e desmaia, punhos firmemente cerrados no volante trepidante, motor ronronante, escape fumegante e um penetrante odor a pneu queimado, aceleramos, maravilhados, pelos poeirentos e ensolarados desertos de Girasol à irresistível boleia de um endiabrado Dodge Challenger R/T de 1970. Este é um EP tremendamente cativante, atestado de um chamejante poder de sedução que nos faz cravar os dentes nos lábios e revirar os olhos na direcção do prazer. Derretam-se no lado mais ousado, afrodisíaco e açucarado do Blues superiormente executado à boa e velha moda argentina. É tão fácil cair nesta tentação.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

🌋 The Who - Live at Tanglewood 1970

Review: 🌿 Belzebong - 'The End is High' (2026, Heavy Psych Sounds) 🌿


★★★★☆

Depois de uma longa e silenciosa abstinência com oito anos de duração que se seguira na ressaca deixada pelo lançamento de ‘Light the Dankness’ (aqui trazido e elogiado), o fumarento quarteto polaco Belzebong dá novamente lume ao seu borbulhante bongo, e dele exala a esverdeada e vil fumaça do seu novo álbum intitulado ‘The End is High’, editado pela companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds através dos formatos LP, CD e digital. Climatizada por um escaldante, rugoso, resinoso e intoxicante Stoner Doom de marcha lenta e um forte odor canábico, a brumosa, pesada, encorpada e pantanosa sonoridade deste tão aguardado novo trabalho de Belzegong provoca no ouvinte uma plena sensação de bem-estar, relaxamento, sonolência, sedação e a despersonalização. Incensado pelo quente e narcotizante bafo do demónio, ‘The End is High’ vem atestado de Tetrahidrocanabinol (THC) que nos enevoa a lucidez, turva a visão e incendeia de fascinação. De pálpebras tombadas, narinas dilatadas e cabeça pesadamente baloiçada de ombro em ombro, perseguimos compenetrada e devotamente as enleantes danças de duas guitarras diabrinas que se engrandecem, enegrecem e enrijecem em pegajosos, urticantes, trevosos e anestesiantes riffs – desdobrados em slow-motion, e flamejados pela incandescência e crocância do efeito Fuzz – de onde sobrevoam, gritam e ecoam avinagrados, virulentos, bolorentos e embruxados solos, a carregada reverberação de um baixo opressivo que se enaltece com base nas linhas sufocantes, hipnóticas, herméticas e possantes, e na violenta sismicidade de uma potente bateria locomovida a altiva, vulcânica, titânica e explosiva ritmicidade. Contando ainda com a sua já característica utilização de cirúrgicos recortes de samples oriundos de clássicos filmes de culto, os druidas Belzebong embrumam-nos num nebuloso, submerso, perverso e poderoso ritual de essência instrumental que nos seduz, cativa e conduz ao lado eclipsado da religião. São 35 minutos abrasivos, governados por uma psicotrópica, sorumbática e pestilenta feitiçaria que prontamente nos converte em seus fiéis peregrinos. Morfínico, alucinógeno, sisudo e ritualístico, ‘The End is High’ amortalha-nos num inescapável estado de letargia que mentalmente nos passeia numa devota romaria de encontro ao altar do profano. Este é um álbum intensamente avassalador, magnético, enfático e arrebatador que nos estremece e estarrece com as suas sísmicas vibrações demoníacas. A defumação da alma. Inalem os malignos e peçonhentos vapores de Belzebong e experienciem todo o inquebrável vigor deste seu apoteótico regresso ao fabrico de discos.

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🦅 Johnny Winter

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Grannie - "Coloured Armageddon" (1971)

Review: 🍽️ Sacri Suoni - 'Time to Harvest' (2026, Electric Valley Records) 🍽️


★★★★★

De Itália chega-nos o novo álbum da formação milanesa Sacri Suoni, intitulado ‘Time to Harvest’ e editado pelo influente selo discográfico local Electric Valley Records através dos formatos LP, cassete e digital. Este quarteto italiano encarvoa-se num esfíngico, lento, carregado, cinzento e monolítico Psychedelic Doom de propulsão cósmica que pendula entre dramáticas ambiências infernais de intimidante negrura e fantasmagóricas paisagens invernais de silêncios sepulcrais. Numa constante alternância entre o leve e o pesado, o tenso e o relaxado, o sufocante e o arejado, ‘Time to Harvest’ tanto revolve o ouvinte numa violenta, virulenta e demoníaca combustão infernal que o flameja sem só nem piedade, como o envolve numa embriagante, onírica e devaneante suspensão sacramental que o desamarra da gravidade terrestre. Conjugando a sorumbática e esmagadora explosividade de bandas como Electric Wizard, Windhand, Monolord, YOB e Bongripper com a mística e transformadora religiosidade de outras referências como OM e White Buzz, a enfeitiçante, melancólica, catártica e atemorizante sonoridade de Sacri Suoni mumifica-nos num perfeito estádio mesmérico que nos aterra e soterra na abissal pretura do vazio sidérico. Uma inescapável hipnose – oxigenada por um incenso psicotrópico – que nos faz levitar e gravitar em torno de duas guitarras soberanas que se agigantam em arrastados, rugosos, trevosos e encorpados riffs – consumidos pela queimante distorção – de onde são filtrados fluorescentes, fugidios, escorregadios e delgados solos de condimentada acidez, um baixo obeso de nervudas, tesas, coesas e sisudas linhas desenhadas a negrito, e uma trovejante bateria detonada a vigorosa, bombástica, enfática e fogosa ritmicidade. ‘Time to Harvest’ é um álbum altivo, massivo, morfínico, fúnebre e opressivo que nos anoitece, enluta e empalidece de desolada letargia. São 38 minutos viciantes – de uma imersiva e invasiva sedução – que nos envidraça o olhar e prende a respiração. Uma fascinante dança entre a tormenta e a quietude. Cerimonial, ocultista, intimista e emocional, este é um registo soberano que nos estarrece com a sua vil arrogância e amolece com a sua sensível elegância. Um disco de climas contrastados que vive de tempestades e bonanças. É impossível ouvi-lo apenas uma vez, duas ou três.

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 Electric Valley Records

🎯 Beggar's Opera @ Beat-Club (1971)

🦇 Tony Iommi // Black Sabbath

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

❤️ Deep Purple - "Child In Time" (Live, 1970)

🧹 All Them Witches - "Red Rocking Chair" (2026)

🦂 Scorpions - "Lonesome Crow" (1972)

Review: 🦧 Orangotango - 'Empyrean' (2026) 🦧

★★★★

Acordados de uma longa hibernação de quase cinco anos de duração, o tridente ofensivo português Orangotango está de regresso à produção de nova música com o lançamento do seu terceiro álbum de estúdio, denominado ‘Empyrean’ e editado sob as formas de CD e digital com o respectivo selo autoral. Baloiçada entre um delirante, místico, afrodisíaco e intoxicante Psychedelic Rock de vertiginosa e estrepitosa propulsão astral, e um arenoso, sisudo, fogoso e carnudo Desert Rock que surfa voluptuosas e sedosas dunas, a cinematográfica, envolvente, eloquente e seráfica sonoridade de ‘Empyrean’ comunga o mesmo ADN de bandas como Colour Haze, Sungrazer, Karma to Burn, The Atomic Bitchwax e Somali Yacht Club. Vibrante, entusiástica, bombástica e enfeitiçante, a colorida, entretida e tropical sonoridade de Orangotango lança o ouvinte num aventuroso e emocionante safari pelas exóticas e virginais selvas de um psicadelismo inflamante que lhe subtrai a lucidez e o atesta de um febril estádio de intensa embriaguez. De cabeça rodopiante, olhar semi-cerrado, narinas dilatadas e a pele bronzeada pelo sedutor fulgor de ‘Empyrean’, somos desenraizados da gravidade terrestre e catapultados para os braços da eterna noite cósmica. Uma admirável odisseia espacial de afago sensorial, dilatação consciencial e floração espiritual que nos jornadeia pelas distorcidas coordenadas do espaço-tempo, driblando o magnético abraço de colossais e solitários planetas que se desenterram e desvelam no negro solo sideral, trespassando fantasmagóricas e matizadas nebulosas que vagueiam livremente pela vacuidade cósmica, e escorregando pelas alucinantes tubagens de monstruosos buracos negros que tudo aspiram no seu caminho. Depois de dois álbuns povoados por temas aparentados e integralmente instrumentais, este novo registo do trio portuense é governado por uma surpreendente heterogeneidade que tem como principais inovações o acréscimo de vocais em dois dos temas que o compõem (o convidado especial Miguel Vieira cerra firmemente os dois punhos no microfone e empresta a sua elástica, avinagrada e melódica voz ao antepenúltimo “None of Us Have Lived”, e o próprio baterista da banda Filipe Ferreira enrijece, enegrece e estremece o penúltimo “So Long” com recurso aos seus rugosos, urticantes e cavernosos clamores), assim como a inesperada e carismática presença da tão nossa guitarra portuguesa de musicados sentimentos superiormente dedilhados pelo músico convidado Dani Valente. De resto, a base é a de sempre: uma escaldante guitarra de resinosos, ondulados, torneados e infecciosos riffs – electrificados e chamejados pelo crocante e flamejante efeito Fuzz – de onde são desatados solos fugidios, luzidios, escorregadios e alucinados, um baixo monolítico de linhas sombreadas, tonificadas, carregadas e reptilianas, e uma bateria potente de ritmos violentos, explosivos, abrasivos e turbulentos. O chamativo artwork que nos convida a passar os olhos pela lente de um poderoso telescópio com vista desimpedida para o coração de um Cosmos pulsante e em constante transformação aponta os seus créditos de autor à talentosa ilustradora portuguesa Echo Echo Illustrations. São 50 minutos saturados de um misticismo ultraterrestre que nos seduz, conduz e abandona à deriva no espaço. Um banho de imersão na incandescente lava de um vulcão. Uma sónica germinação perceptual pela infinidade astral. Uma estonteante aceleração ao volante de um velho Ford Mustang – de vidros abertos, motor ronronante e olhar afogueado, cravado no firmamento desfocado pelo Sol – a desbravar as poeirentas estradas que trilham os imensos desertos da alma. Este é, de longe, o álbum mais sofisticado e progressista de Orangotango. Um registo simultâneamente viril e frágil, apressado e sossegado, rochoso e aquoso. Bem-vindos à Sumatra.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Review: 🌞 Rostro del Sol - 'Universo 25' (2026, Stoners Dealer Records) 🌞

★★★★

Cinco anos após o lançamento do seu impactante álbum de estreia ‘Rostro del Sol’ (aqui analisado) e sensivelmente dois anos após a projecção do sedutor sucessor ‘Blue Storm’ (aqui examinado), a minha banda mexicana de eleição Rostro del Sol edita agora o seu tão aguardado novo álbum intitulado ‘Universo 25’ que merecera a confiança das companhias discográficas Echodelick Records, Clostridium Records, Stoners Dealer Records e Smogles Records. Este registo de dimensão piramidal, tipologia puramente instrumental e natureza conceptual – inspirado no cruel experimento laboratorial com esse mesmo nome que na década de 1960 levara ao trágico colapso de toda uma populosa e desregrada comunidade de roedores vigiada sob a orientação do psicólogo e etólogo americano John B. Calhoun que na ressaca desse vil estudo viria a constatar que “os efeitos da superpopulação em ratos de laboratório foram um sombrio modelo experimental para prever o futuro da raça humana.” –, trata-se da obra mais completa e desafiante criada até à data pela banda domiciliada na Cidade do México. Com base numa formação de habilidosos músicos parcialmente renovada e uma cuidada e inspirada concepção arquitectada e executada entre 2024 e 2025, este talentoso, aventureiro e espirituoso sexteto azteca tem em ‘Universo 25’ uma pitoresca, colorida, ritmada e carnavalesca fanfarra de reluzente brilho vintage, doce fragância oriental, emancipação sensorial e consagração espiritual, que mistura um elegante, extravagante, majestoso e desarmante Jazz-Rock irrepreensivelmente executado na senda de vultosas referências do género tais como Colosseum, Soft Machine, Ian Carr’s Nucleus, Mahavishnu Orchestra, Frank Zappa, Sweet Smoke, Soft Heap, Iceberg e Psicomagia, um condimentado, cerebral, sensacional e caprichado Progressive Rock de graciosas feições sinfónicas que colhe inspiração em clássicas referências como Mogul Thrash, Matching Mole, Arti & Mestieri, Nuova Idea, Banco del Mutuo Soccorso, Semiramis e Sloche, e um caleidoscópico, deslumbrante, reconfortante e exótico Psychedelic Rock de radioso clima Canterbury’esco com agradáveis ecos de Caravan, suor e calor latino a fazer recordar os picantes Chango, e um dançante e apimentado corante Funk à boa moda de Cymande. Místico, prismático, delirante e afrodisíaco, este terceiro trabalho de Rostro del Sol é um psicotrópico banquete onde nos divertimos e saciamos os mais ousados e exigentes desejos de requinte. Um registo verdadeiramente conquistador – de essência cerimonial e presença monumental – que nos incendeia e prazenteia numa sagrada devoção. Estonteante, nutritiva, inventiva e enfeitiçante, a camaleónica e histriónica sonoridade de ‘Universo 25’ trauteia por industriosas, movediças, portentosas e inebriantes composições que nos deixam de pupilas dilatadas, queixos tombados e bocas salivantes. Um emaranhado novelo de instrumentos em sónica e simbiótica debandada que se vai deslindando, organizando e desfilando sob o nosso olhar esbugalhado, ouvidos esfaimados, espírito empolgado e dominado por uma inapagável sensação de ardente fascinação que nos trava a respiração. Neste borbulhante, multicolorido e fumegante caldeirão são remexidos uma maravilhosa guitarra de vistosa e extravagante caligrafia árabe que se manifesta vaidosamente em enleantes, magnéticos, estéticos e serpenteantes riffs de onde são desatados angulosos, virtuosos, caleidoscópicos e ácidos solos, um hipnótico baixo que nos incita a percorrer e sussurrar as suas pulsantes, elásticas, enfáticas e vagueantes linhas, uma bateria circense de desembaraçadas, aparatosas, vertiginosas e alucinadas acrobacias realizadas a fina sensibilidade jazzística, um embruxado teclado de absorventes e harmoniosos bailados eruditos e imponentes e polposos mugidos cósmicos, um esdrúxulo saxofone de gritos estimulantes, histéricos, burlescos e ziguezagueantes, e bailantes congas tribais de provocantes ritmos tropicais. A distinta ilustração de atmosfera alienígena e mutante que confere rosto a esta irretocável criação musical é da responsabilidade da artista espanhola Elena Ibañez. São 50 minutos desassossegados de um sensacional, mirabolante e vibrante carnaval – de poderosa absorção e constante mutação – que nos prende e surpreende a cada audição. Um álbum tremendamente sedutor, oxigenado a criatividade sem fronteiras e administrado por um experimentalismo sem barreiras, que pendula entre misteriosas, brumosas e sonolentas ambiências mergulhadas em anestésica introspecção, e transpiradas, desavergonhadas e luxuriosas galopadas de instrumentos hiperativos que se lançam em entusiásticas e garridas correrias desenfreadas. Muito eu esperava deste novo rasgo criativo de Rostro del Sol e tudo ele meu deu. ‘Universo 25’ é um álbum assombroso que toca a perfeição e um fortíssimo candidato a melhor álbum de um ano de 2026 que promete vir a ser musicalmente abastado.

Links:

Presenteio-vos com alguns códigos para download gratuito que poderão ser usados em: www.bandcamp.com/yum


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🖤 Support EL COYOTE

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Review: 👑 Hällas - 'Panorama' (2026, Äventyr Records) 👑

★★★★

Proveniente da Suécia – mais concretamente da cidade sulista de Jönköping – chega nesta sonolenta madrugada de 2026 um dos lançamentos por mim mais ansiados do presente ano. ‘Panorama’ é o nome de batismo dado ao novo álbum de estúdio dos fascinantes Hällas, que acaba de ser editado pelo seu recém-criado selo discográfico caseiro Äventyr Records através dos formatos físicos LP e CD. Com base no seu autoproclamado e aclamado Adventure Rock – que não mais representa do que a junção entre um astral, místico, onírico e cerimonial Progressive Rock de ares sinfónicos e um melódico, ostentoso, aparatoso e epopeico Hard Rock de trajes principescos –, este talentoso quinteto escandinavo continua, desta forma, a sua aventurosa e auspiciosa exploração e aquisição de novos territórios num universo musical por si criado e que parece não ter fim à vista. Com o valioso préstimo de múltiplas influências colhidas em clássicas e vultosas referências desabrochadas no fértil jardim setentista como Genesis, Deep Purple, Rush, Eloy, Gentle Giant, Uriah Heep, Yes, Wishbone Ash, Styx, Boston, Premiata Forneria Marconi, Kayak e Klaatu, a fresca, misteriosa, gloriosa e romanesca sonoridade de ‘Panorama’ – irrepreensivelmente executada a uma imaculada e apurada perícia orquestral e condimentada a deslumbrante pirotecnia espacial – encandeia o olhar do ouvinte com cintilante poeira estelar, provoca nos ouvidos do mesmo um torrencial salivar e incendeia o seu espírito com uma estrondosa erupção de emocionada devoção. Imaginativa, inspiradora, sedutora e expansiva, esta nova campanha dos templários suecos Hällas desenvolve-se numa imersiva tela cinematográfica de elementos medievais e mitos acordados com vista desabrigada para a eterna noite cósmica onde pulsam pálidos corpos astrais. Climatizada por uma narrativa verdadeiramente comovente e enfeitiçante que nos relata com (des)colorida vivacidade uma distópica paisagem onde um resignado eremita de espírito derrotado observa um mundo negligenciado, escravizado pela exploração desmesurada, esta consumada obra-prima dos nórdicos tem o raro dom de nos enternecer e embevecer. Capitaneado por composições majestosas, gloriosas e cerebrais, como pode ser testemunhado no épico, monumental e profético tema inaugural “Above the Continuum” – cantado em dois idiomas, com o seu longo corpo temporal e a sua esplendorosa alquimia celestial –, encantadoras, singelas e sonhadoras canções de fácil digestão e imediata fascinação como “Face of an Angel”, “The Emissary” e “At the Summit”, e ainda por uma lacrimosa, sombria, contemplativa e tristemente bela balada denominada “Bestiaus” que nos rouba o ar do peito e sufoca de doce nostalgia, ‘Panorama’ é um registo intensamente elegante, sublime e apaixonante que cravara com uma afiada flecha de Cupido o meu coração. Uma peça de alta-costura superiormente fabricada por duas emocionantes guitarras siamesas que bailam serpenteantes, grandiosos, charmosos e triunfantes riffs, e magicam virtuosos, refinados, detalhados e tortuosos solos numa enlouquecedora escadaria percorrida em espiral, um baixo hipnótico e liderante de linhas musculadas, torneadas e elásticas, uma bateria galopante de ritmos propulsivos, invasivos e estimulantes, um alienígena teclado de intrigantes sirenes cósmicas e exóticas texturas electrónicas, e uma melodiosa, vistosa e messiânica voz de alma trovadora e sotaque aristocrático – ocasionalmente sombreada de perto por um luminoso e sideral coro vocal – que completa na perfeição esta poderosa, caprichosa e sofisticada criação de imponente natureza teatral. A bonita ilustração de ambiência fabular – e que muito faz recordar a capa do álbum ‘Trespass’ (1970) de Genesis – aponta os seus créditos autorais à artista espanhola Marta Maldonado (Branca Studio). Este é um álbum dramático, fantasista, ritualista e catártico, de elevada precisão técnica e escultural beleza arquitectónica, que decerto conquistará um lugar de grande destaque por entre os mais consagrados álbuns forjados em 2026. Longa vida ao reinado de Hällas.

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