segunda-feira, 9 de março de 2026
sábado, 7 de março de 2026
sexta-feira, 6 de março de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Review: 💡 BRUECKEN - 'Years that Answer' (2026, Moment of Collapse) 💡
“Há anos que
fazem perguntas e há anos que respondem.” – É a segunda metade desta filosófica
frase da autoria da romancista e antropóloga norte-americana Zora Neale Hurston
(1891 – 1960) encontrada no seu clássico literário de 1937 “Seus Olhos viram
Deus” que serve de bandeira para capitanear a imersiva, inspiradora,
transformadora e criativa narrativa sonora que climatiza o novo álbum lançado
pelo impactante quinteto germânico BRUECKEN através do selo discográfico
independente, seu conterrâneo, Moment of Collapse Records nos formatos LP,
CD e digital. Tendo como sua estrela polar um cinematográfico, fascinante,
apaixonante e atmosférico Post-Rock de beleza ambiental que tanto se amolece e embevece num onírico,
etéreo e letárgico Shoegaze de massagem cerebral, como se enegrece e sobreaquece num colérico,
incendiário e catártico Post-Hardcore de explosividade emocional, este impressionante terceiro
álbum sublimemente orquestrado pela formação alemã prepara e projecta o ouvinte
para uma desamarrada, determinada e gloriosa escalada até aos elevados picos da
plena apoteose. Com inspiração colhida em incontornáveis referências do género
como Caspian, Long Distance Calling, If These Trees Could Talk,
Leech, Red Sparowes, God is an Astronaut, pg.lost, Year
of No Light e This Will Destroy You, a musicalidade curativa, progressiva e motivacional de ‘Years that Answer’ desenvolve o ouvinte
de um estacionário estado de profunda introspecção, sufocante melancolia,
desalentada paralisia e enlutada prostração que lhe rouba o ar do peito e o
deixa indefeso numa total permeabilidade emocional, para uma radiosa condição mental
de indefectível esperança onde rebenta a vistosa floração da coragem e
resiliência suficientes para enfrentar e superar todos os desafios que se revelem
no firmamento da nossa existência. Reflexivo, anestésico, dinâmico e incisivo, ‘Years
that Answer’ é um disco tristemente belo que viaja o ouvinte das mais
profundas e opressivas trevas à mais diáfana e deífica luzência. Saturado por
um vasto espectro de emoções que nos levam das lágrimas gritadas aos sorrisos
suspirados, este é um registo medicinal, miraculoso e sensacional que fará da
noite dia. Uma aurora boreal de boas sensações brilhantemente musicada por duas
guitarras celestiais que conduzem riffs desarmantes e solos deslumbrantes,
um magnético baixo de linhas ondulantes, uma expressiva bateria de ritmos
marcantes, sintetizadores fantasistas que transformam colorida magia em estado
musical, e uma delicada voz murmurada, escoltada de perto por lustrosos coros
vocais de sensíveis ecos angelicais. Com uma década de vida, os BRUECKEN
têm em ‘Years that Answer’ o seu fruto mais maduro e suculento. Uma obra
honesta, vulnerável, reverenciável e humana que nos instiga à reflexão social,
à expurgação espiritual e à compreensão pelo próximo. Um interruptor de electricidade
consciencial e um potente motor de vidas. Lambam as vossas feridas e tornem-se
melhores pessoas com ele.
Links:
💡 Facebook
💡 Instagram
💡 Bandcamp
💡 Moment of Collapse Records
segunda-feira, 2 de março de 2026
sábado, 28 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Review: 🌻 Girasol - 'El Cielo Está Iluminado' (EP, 2026) 🌻
Oriundo do outro
lado do oceano Atlântico, chega-nos o electrizante EP ‘El
Cielo Está Iluminado’ da autoria do flamejante tridente argentino Girasol
– conjunto domiciliado na cidade sulista de Neuquén (Patagónia) – que acaba de
sair à rua através do formato digital e de uma caseira, rústica e estética edição em CD a fazer recordar o estiloso design brotado na emblemática década de 1970. Homenageando
clássicas lendas autóctones do género como Pappo’s Blues, Pescado Rabioso, Aquelarre,
Color Humano e os galácticos Aeroblus, assim como caminhando lado
a lado com consagradas referências da contemporaneidade argentina como Ambassador,
Hijo de la Tormenta, Madera Raíz, Almanegra e El
Triángulo, os radiosos Girasol venderam a sua alma ao libidinoso, picante, fogoso
e enleante Blues Rock de caleidoscópica coloração psicadélica e tracção setentista. A sua movediça, meneante,
viciante e atiradiça sonoridade de um amarelecido brilho vintage envolve e
revolve o ouvinte numa agitada, entusiasmada e transpirada dança pelas sinuosas
e escaldantes estradas percorridas pelos quatro vibrantes e coloridos temas que povoam este apimentado e apaixonante
registo de curta duração. São 20 minutos escaldados em viva comoção e trajados a vistosa refinação, centrifugados e viajados
nas asas de uma dançante e rodopiante guitarra de lubrificados, polposos, apetitosos
e invertebrados riffs – electrificados por uma distorção crocante e arenosa
– de onde escorrem e eclodem ziguezagueantes, uivantes, ácidos e delirantes solos de inquebrável elasticidade e toxicidade a perder de vista, um baixo magnético de empoladas, encaracoladas,
coesas e sombreadas linhas que fervem, borbulham e vagueiam livremente, uma
bateria buliçosa de inflamados, corridos, desenvoltos e assanhados ritmos de
calor e suor latinos, e uma liderante voz de tez sóbria e atitude impositiva
que capitaneia e incendeia toda esta tórrida e atraente atmosfera que encapsula ‘El
Cielo Está Iluminado’. De olhar espraiado no firmamento onde o reluzente Sol se debruça e desmaia, punhos firmemente cerrados no volante trepidante, motor ronronante, escape
fumegante e um penetrante odor a pneu queimado, aceleramos, maravilhados, pelos poeirentos e ensolarados desertos
de Girasol à irresistível boleia de um endiabrado Dodge Challenger
R/T de 1970. Este é um EP tremendamente cativante, atestado de um chamejante
poder de sedução que nos faz cravar os dentes nos lábios e revirar os olhos na
direcção do prazer. Derretam-se no lado mais ousado, afrodisíaco e açucarado do Blues superiormente executado à boa e velha moda argentina. É tão fácil cair nesta tentação.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Review: 🌿 Belzebong - 'The End is High' (2026, Heavy Psych Sounds) 🌿

★★★★☆
Depois de uma longa
e silenciosa abstinência com oito anos de duração que se seguira na ressaca deixada pelo lançamento
de ‘Light the Dankness’ (aqui trazido e elogiado), o fumarento quarteto
polaco Belzebong dá novamente lume ao seu borbulhante bongo, e dele exala
a esverdeada e vil fumaça do seu novo álbum intitulado ‘The End is High’, editado pela
companhia discográfica romana Heavy Psych Sounds através dos formatos
LP, CD e digital. Climatizada por um escaldante, rugoso, resinoso e intoxicante
Stoner Doom de marcha lenta e um forte odor canábico, a brumosa, pesada,
encorpada e pantanosa sonoridade deste tão aguardado novo trabalho de Belzegong
provoca no ouvinte uma plena sensação de bem-estar, relaxamento, sonolência,
sedação e a despersonalização. Incensado pelo quente e narcotizante bafo do
demónio, ‘The End is High’ vem atestado de Tetrahidrocanabinol
(THC) que nos enevoa a lucidez, turva a visão e incendeia de fascinação. De
pálpebras tombadas, narinas dilatadas e cabeça pesadamente baloiçada de ombro
em ombro, perseguimos compenetrada e devotamente as enleantes danças de duas guitarras diabrinas
que se engrandecem, enegrecem e enrijecem em pegajosos, urticantes, trevosos e
anestesiantes riffs – desdobrados em slow-motion, e flamejados
pela incandescência e crocância do efeito Fuzz – de onde sobrevoam, gritam
e ecoam avinagrados, virulentos, bolorentos e embruxados solos, a carregada reverberação de um baixo opressivo que se enaltece com base nas linhas sufocantes, hipnóticas, herméticas e possantes, e na violenta sismicidade de uma potente bateria locomovida a altiva, vulcânica, titânica e explosiva ritmicidade. Contando ainda com a sua já característica utilização de cirúrgicos recortes de samples oriundos de clássicos filmes de culto,
os druidas Belzebong embrumam-nos num nebuloso, submerso, perverso e
poderoso ritual de essência instrumental que nos seduz, cativa e conduz ao lado
eclipsado da religião. São 35 minutos abrasivos, governados por uma
psicotrópica, sorumbática e pestilenta feitiçaria que prontamente nos converte
em seus fiéis peregrinos. Morfínico, alucinógeno, sisudo e ritualístico, ‘The
End is High’ amortalha-nos num inescapável estado de letargia que
mentalmente nos passeia numa devota romaria de encontro ao altar do profano. Este é um
álbum intensamente avassalador, magnético, enfático e arrebatador que nos
estremece e estarrece com as suas sísmicas vibrações demoníacas. A defumação da
alma. Inalem os malignos e peçonhentos vapores de Belzebong e experienciem todo o inquebrável
vigor deste seu apoteótico regresso ao fabrico de discos.
Links:
🌿 Facebook
🌿 Instagram
🌿 Bandcamp
🌿 Heavy Psych Sounds
domingo, 22 de fevereiro de 2026
sábado, 21 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Review: 🍽️ Sacri Suoni - 'Time to Harvest' (2026, Electric Valley Records) 🍽️
De Itália chega-nos o novo álbum da formação milanesa Sacri Suoni, intitulado ‘Time to Harvest’ e editado pelo influente selo discográfico local Electric Valley Records através dos formatos LP, cassete e digital. Este quarteto italiano encarvoa-se num esfíngico, lento, carregado, cinzento e monolítico Psychedelic Doom de propulsão cósmica que pendula entre dramáticas ambiências infernais de intimidante negrura e fantasmagóricas paisagens invernais de silêncios sepulcrais. Numa constante alternância entre o leve e o pesado, o tenso e o relaxado, o sufocante e o arejado, ‘Time to Harvest’ tanto revolve o ouvinte numa violenta, virulenta e demoníaca combustão infernal que o flameja sem só nem piedade, como o envolve numa embriagante, onírica e devaneante suspensão sacramental que o desamarra da gravidade terrestre. Conjugando a sorumbática e esmagadora explosividade de bandas como Electric Wizard, Windhand, Monolord, YOB e Bongripper com a mística e transformadora religiosidade de outras referências como OM e White Buzz, a enfeitiçante, melancólica, catártica e atemorizante sonoridade de Sacri Suoni mumifica-nos num perfeito estádio mesmérico que nos aterra e soterra na abissal pretura do vazio sidérico. Uma inescapável hipnose – oxigenada por um incenso psicotrópico – que nos faz levitar e gravitar em torno de duas guitarras soberanas que se agigantam em arrastados, rugosos, trevosos e encorpados riffs – consumidos pela queimante distorção – de onde são filtrados fluorescentes, fugidios, escorregadios e delgados solos de condimentada acidez, um baixo obeso de nervudas, tesas, coesas e sisudas linhas desenhadas a negrito, e uma trovejante bateria detonada a vigorosa, bombástica, enfática e fogosa ritmicidade. ‘Time to Harvest’ é um álbum altivo, massivo, morfínico, fúnebre e opressivo que nos anoitece, enluta e empalidece de desolada letargia. São 38 minutos viciantes – de uma imersiva e invasiva sedução – que nos envidraça o olhar e prende a respiração. Uma fascinante dança entre a tormenta e a quietude. Cerimonial, ocultista, intimista e emocional, este é um registo soberano que nos estarrece com a sua vil arrogância e amolece com a sua sensível elegância. Um disco de climas contrastados que vive de tempestades e bonanças. É impossível ouvi-lo apenas uma vez, duas ou três.
Links:
⚡ Facebook
⚡ Instagram
⚡ Bandcamp
⚡ Electric Valley Records
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Review: 🦧 Orangotango - 'Empyrean' (2026) 🦧
Acordados de uma
longa hibernação de quase cinco anos de duração, o tridente ofensivo português Orangotango
está de regresso à produção de nova música com o lançamento do seu terceiro álbum
de estúdio, denominado ‘Empyrean’ e editado sob as formas de CD e digital
com o respectivo selo autoral. Baloiçada entre um delirante, místico, afrodisíaco
e intoxicante Psychedelic Rock de vertiginosa e estrepitosa propulsão
astral, e um arenoso, sisudo, fogoso e carnudo Desert Rock que surfa
voluptuosas e sedosas dunas, a cinematográfica, envolvente, eloquente e
seráfica sonoridade de ‘Empyrean’ comunga o mesmo ADN de bandas como Colour
Haze, Sungrazer, Karma to Burn, The Atomic Bitchwax e Somali
Yacht Club. Vibrante, entusiástica, bombástica e enfeitiçante, a colorida, entretida
e tropical sonoridade de Orangotango lança o ouvinte num aventuroso e emocionante
safari pelas exóticas e virginais selvas de um psicadelismo inflamante que lhe
subtrai a lucidez e o atesta de um febril estádio de intensa embriaguez. De cabeça
rodopiante, olhar semi-cerrado, narinas dilatadas e a pele bronzeada pelo
sedutor fulgor de ‘Empyrean’, somos desenraizados da gravidade terrestre
e catapultados para os braços da eterna noite cósmica. Uma admirável odisseia
espacial de afago sensorial, dilatação consciencial e floração espiritual que
nos jornadeia pelas distorcidas coordenadas do espaço-tempo, driblando o magnético
abraço de colossais e solitários planetas que se desenterram e desvelam no
negro solo sideral, trespassando fantasmagóricas e matizadas nebulosas que
vagueiam livremente pela vacuidade cósmica, e escorregando pelas alucinantes tubagens
de monstruosos buracos negros que tudo aspiram no seu caminho. Depois de dois álbuns povoados por temas
aparentados e integralmente instrumentais, este novo registo do trio portuense é
governado por uma surpreendente heterogeneidade que tem como principais inovações
o acréscimo de vocais em dois dos temas que o compõem (o convidado especial Miguel
Vieira cerra firmemente os dois punhos no microfone e empresta a sua elástica, avinagrada
e melódica voz ao antepenúltimo “None of Us Have Lived”, e o próprio
baterista da banda Filipe Ferreira enrijece, enegrece e estremece o
penúltimo “So Long” com recurso aos seus rugosos, urticantes e
cavernosos clamores), assim como a inesperada e carismática presença da tão nossa guitarra portuguesa de
musicados sentimentos superiormente dedilhados pelo músico convidado Dani
Valente. De resto, a base é a de sempre: uma escaldante guitarra de resinosos,
ondulados, torneados e infecciosos riffs – electrificados e chamejados pelo crocante
e flamejante efeito Fuzz – de onde são desatados solos fugidios, luzidios,
escorregadios e alucinados, um baixo monolítico de linhas sombreadas, tonificadas,
carregadas e reptilianas, e uma bateria potente de ritmos violentos, explosivos,
abrasivos e turbulentos. O chamativo artwork que nos convida a passar os
olhos pela lente de um poderoso telescópio com vista desimpedida para o coração
de um Cosmos pulsante e em constante transformação aponta os seus créditos de
autor à talentosa ilustradora portuguesa Echo Echo Illustrations. São 50
minutos saturados de um misticismo ultraterrestre que nos seduz, conduz e abandona
à deriva no espaço. Um banho de imersão na incandescente lava de um vulcão. Uma
sónica germinação perceptual pela infinidade astral. Uma estonteante aceleração
ao volante de um velho Ford Mustang – de vidros abertos, motor ronronante
e olhar afogueado, cravado no firmamento desfocado pelo Sol – a desbravar as poeirentas
estradas que trilham os imensos desertos da alma. Este é, de longe, o álbum mais sofisticado e progressista de Orangotango. Um registo simultâneamente viril e frágil, apressado e sossegado, rochoso e aquoso. Bem-vindos à Sumatra.
Links:
➥ Facebook
➥ Instagram
➥ Bandcamp
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Review: 🌞 Rostro del Sol - 'Universo 25' (2026, Stoners Dealer Records) 🌞
Cinco anos após
o lançamento do seu impactante álbum de estreia ‘Rostro del Sol’ (aqui
analisado) e sensivelmente dois anos após a projecção do sedutor sucessor ‘Blue
Storm’ (aqui examinado), a minha banda mexicana de eleição Rostro
del Sol edita agora o seu tão aguardado novo álbum intitulado ‘Universo
25’ que merecera a confiança das companhias discográficas Echodelick Records, Clostridium Records, Stoners Dealer Records e Smogles
Records. Este registo de dimensão piramidal, tipologia puramente
instrumental e natureza conceptual – inspirado no cruel experimento laboratorial
com esse mesmo nome que na década de 1960 levara ao trágico colapso de toda uma populosa
e desregrada comunidade de roedores vigiada sob a orientação do psicólogo e
etólogo americano John B. Calhoun que na ressaca desse vil estudo viria a
constatar que “os efeitos da superpopulação em ratos de laboratório foram um
sombrio modelo experimental para prever o futuro da raça humana.” –,
trata-se da obra mais completa e desafiante criada até à data pela banda domiciliada
na Cidade do México. Com base numa formação de habilidosos músicos
parcialmente renovada e uma cuidada e inspirada concepção arquitectada e
executada entre 2024 e 2025, este talentoso, aventureiro e espirituoso sexteto
azteca tem em ‘Universo 25’ uma pitoresca, colorida, ritmada e
carnavalesca fanfarra de reluzente brilho vintage, doce fragância oriental, emancipação
sensorial e consagração espiritual, que mistura um elegante, extravagante,
majestoso e desarmante Jazz-Rock irrepreensivelmente executado na senda
de vultosas referências do género tais como Colosseum, Soft Machine, Ian
Carr’s Nucleus, Mahavishnu Orchestra, Frank Zappa, Sweet
Smoke, Soft Heap, Iceberg e Psicomagia, um condimentado,
cerebral, sensacional e caprichado Progressive Rock de graciosas feições
sinfónicas que colhe inspiração em clássicas referências como Mogul Thrash,
Matching Mole, Arti & Mestieri, Nuova Idea, Banco
del Mutuo Soccorso, Semiramis e Sloche, e um caleidoscópico,
deslumbrante, reconfortante e exótico Psychedelic Rock de radioso clima Canterbury’esco
com agradáveis ecos de Caravan, suor e calor latino a fazer recordar os picantes Chango,
e um dançante e apimentado corante Funk à boa moda de Cymande. Místico,
prismático, delirante e afrodisíaco, este terceiro trabalho de Rostro del
Sol é um psicotrópico banquete onde nos divertimos e saciamos os mais ousados
e exigentes desejos de requinte. Um registo verdadeiramente conquistador – de
essência cerimonial e presença monumental – que nos incendeia e prazenteia numa
sagrada devoção. Estonteante, nutritiva, inventiva e enfeitiçante, a camaleónica
e histriónica sonoridade de ‘Universo 25’ trauteia por industriosas, movediças,
portentosas e inebriantes composições que nos deixam de pupilas dilatadas,
queixos tombados e bocas salivantes. Um emaranhado novelo de instrumentos em sónica
e simbiótica debandada que se vai deslindando, organizando e desfilando sob o
nosso olhar esbugalhado, ouvidos esfaimados, espírito empolgado e dominado por uma
inapagável sensação de ardente fascinação que nos trava a respiração. Neste borbulhante,
multicolorido e fumegante caldeirão são remexidos uma maravilhosa guitarra de vistosa
e extravagante caligrafia árabe que se manifesta vaidosamente em enleantes,
magnéticos, estéticos e serpenteantes riffs de onde são desatados angulosos, virtuosos,
caleidoscópicos e ácidos solos, um hipnótico baixo que nos incita a percorrer e
sussurrar as suas pulsantes, elásticas, enfáticas e vagueantes linhas, uma
bateria circense de desembaraçadas, aparatosas, vertiginosas e alucinadas acrobacias
realizadas a fina sensibilidade jazzística, um embruxado teclado de absorventes
e harmoniosos bailados eruditos e imponentes e polposos mugidos cósmicos, um esdrúxulo
saxofone de gritos estimulantes, histéricos, burlescos e ziguezagueantes, e bailantes
congas tribais de provocantes ritmos tropicais. A distinta ilustração de
atmosfera alienígena e mutante que confere rosto a esta irretocável criação
musical é da responsabilidade da artista espanhola Elena Ibañez. São 50
minutos desassossegados de um sensacional, mirabolante e vibrante carnaval – de
poderosa absorção e constante mutação – que nos prende e surpreende a cada
audição. Um álbum tremendamente sedutor, oxigenado a criatividade sem
fronteiras e administrado por um experimentalismo sem barreiras, que pendula
entre misteriosas, brumosas e sonolentas ambiências mergulhadas em anestésica introspecção,
e transpiradas, desavergonhadas e luxuriosas galopadas de instrumentos hiperativos
que se lançam em entusiásticas e garridas correrias desenfreadas. Muito eu
esperava deste novo rasgo criativo de Rostro del Sol e tudo ele meu deu.
‘Universo 25’ é um álbum assombroso que toca a perfeição e um fortíssimo
candidato a melhor álbum de um ano de 2026 que promete vir a ser musicalmente
abastado.
Presenteio-vos com alguns códigos para download
gratuito que poderão ser usados em: www.bandcamp.com/yum
mz4g-j3wr
9ypn-gsld
3u9l-u45c
wmth-jm2w
c8zj-ygs4
su38-b7ha
swvt-wvqb
psgy-hygw
unhq-cqz4
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Review: 👑 Hällas - 'Panorama' (2026, Äventyr Records) 👑
Proveniente da Suécia
– mais concretamente da cidade sulista de Jönköping – chega nesta
sonolenta madrugada de 2026 um dos lançamentos por mim mais ansiados do
presente ano. ‘Panorama’ é o nome de batismo dado ao novo álbum de
estúdio dos fascinantes Hällas, que acaba de ser editado pelo seu recém-criado
selo discográfico caseiro Äventyr Records através dos formatos físicos
LP e CD. Com base no seu autoproclamado e aclamado Adventure Rock – que não
mais representa do que a junção entre um astral, místico, onírico e cerimonial Progressive
Rock de ares sinfónicos e um melódico, ostentoso, aparatoso e epopeico Hard
Rock de trajes principescos –, este talentoso quinteto escandinavo continua,
desta forma, a sua aventurosa e auspiciosa exploração e aquisição de novos
territórios num universo musical por si criado e que parece não ter fim à vista. Com o valioso
préstimo de múltiplas influências colhidas em clássicas e vultosas referências desabrochadas
no fértil jardim setentista como Genesis, Deep Purple, Rush,
Eloy, Gentle Giant, Uriah Heep, Yes, Wishbone
Ash, Styx, Boston, Premiata Forneria Marconi, Kayak
e Klaatu, a fresca, misteriosa, gloriosa e romanesca sonoridade de ‘Panorama’
– irrepreensivelmente executada a uma imaculada e apurada perícia orquestral e condimentada
a deslumbrante pirotecnia espacial – encandeia o olhar do ouvinte com
cintilante poeira estelar, provoca nos ouvidos do mesmo um torrencial salivar e
incendeia o seu espírito com uma estrondosa erupção de emocionada devoção. Imaginativa,
inspiradora, sedutora e expansiva, esta nova campanha dos templários suecos Hällas desenvolve-se numa imersiva tela cinematográfica
de elementos medievais e mitos acordados com vista desabrigada para a eterna noite cósmica onde
pulsam pálidos corpos astrais. Climatizada por uma narrativa verdadeiramente comovente
e enfeitiçante que nos relata com (des)colorida vivacidade uma distópica
paisagem onde um resignado eremita de espírito derrotado observa um mundo negligenciado,
escravizado pela exploração desmesurada, esta consumada obra-prima dos nórdicos
tem o raro dom de nos enternecer e embevecer. Capitaneado por composições
majestosas, gloriosas e cerebrais, como pode ser testemunhado no épico,
monumental e profético tema inaugural “Above the Continuum” – cantado em
dois idiomas, com o seu longo corpo temporal e a sua esplendorosa alquimia
celestial –, encantadoras, singelas e sonhadoras canções de fácil digestão e
imediata fascinação como “Face of an Angel”, “The Emissary” e “At
the Summit”, e ainda por uma lacrimosa, sombria, contemplativa e tristemente
bela balada denominada “Bestiaus” que nos rouba o ar do peito e sufoca
de doce nostalgia, ‘Panorama’ é um registo intensamente elegante, sublime
e apaixonante que cravara com uma afiada flecha de Cupido o meu coração. Uma
peça de alta-costura superiormente fabricada por duas emocionantes guitarras
siamesas que bailam serpenteantes, grandiosos, charmosos e triunfantes riffs, e magicam
virtuosos, refinados, detalhados e tortuosos solos numa enlouquecedora escadaria percorrida em espiral,
um baixo hipnótico e liderante de linhas musculadas, torneadas e elásticas, uma
bateria galopante de ritmos propulsivos, invasivos e estimulantes, um alienígena
teclado de intrigantes sirenes cósmicas e exóticas texturas electrónicas, e uma
melodiosa, vistosa e messiânica voz de alma trovadora e sotaque aristocrático –
ocasionalmente sombreada de perto por um luminoso e sideral coro vocal – que
completa na perfeição esta poderosa, caprichosa e sofisticada criação de imponente
natureza teatral. A bonita ilustração de ambiência fabular – e que muito faz
recordar a capa do álbum ‘Trespass’ (1970) de Genesis – aponta os seus créditos
autorais à artista espanhola Marta Maldonado (Branca Studio).
Este é um álbum dramático, fantasista, ritualista e catártico, de elevada
precisão técnica e escultural beleza arquitectónica, que decerto conquistará um
lugar de grande destaque por entre os mais consagrados álbuns forjados em 2026.
Longa vida ao reinado de Hällas.
Links:
➥ Facebook
➥ Instagram
➥ Bandcamp
➥ Website






%20ph%20Henrik%20Sch%C3%BCtt%20-%20C%C3%B3pia.jpg)




%20in%201968%20-%20C%C3%B3pia.jpg)



































