Acordados de uma
longa hibernação com uma década de duração, os exóticos californianos Corima
– quinteto residente na cidade de Los Angeles – acaba de surpreender e
maravilhar todos os seus seguidores com o inesperado lançamento do seu tão
ansiado novo álbum intitulado ‘Hunab Ku’ e editado pelo carismático selo
discográfico francês – especializado no género – Soleil Zeuhl através de
uma bonita edição em CD. De denominação colhida no seio da ancestral civilização Maia, que
significa a fonte primordial, o coração da criação, ‘Hunab Ku’ simboliza uma miraculosa,
radiosa e curativa viagem no tempo e no espaço. Alicerçada num serpenteante, magnético,
profético e enleante Prog Rock de extravagante caligrafia Zeuhl e
alienígena idioma Kobaïan (linguagem artística criada e patenteada pelo engenhoso
baterista e compositor francês Christian Vander ao serviço dos seus enigmáticos
Magma), num combativo, arrojado, acicatado e impositivo Rock In
Opposition (RIO) de instrumentação desarrumada e em contramão, e
ainda num rebuscado, mirabolante, enfeitiçante e azafamado Avant-garde Jazz
sintonizado na frequência de John Coltrane e deflagrado numa colorida
combustão, a cerimonial, camaleónica, hipnótica e sensacional sonoridade de ‘Hunab
Ku’ passeia-nos, montados nas costas de um ziguezagueante dragão chinês, pelos frondosos, labirínticos, esfíngicos e formosos
jardins de Corima. De bússolas apontadas aos seminais Magma, bem
como a outras bandas francesas como Eskaton, Weidorje, Eider
Stellaire, Bernard Paganotti, Shub-Niggurath e Dün, às
nipónicas Ruins, Bondage Fruit e Koenji Hyakkei, e à belga
Univers Zéro, estes cinco druidas magicam cerebrais, esdrúxulas,
imprevisíveis e magistrais composições – de tempos acrobáticos – que nos
surpreendem e deslumbram a cada esquina. São 37 minutos de um caos superiormente
organizado por talentosos músicos disciplinados que se envolvem e revolvem em fascinantes
diálogos condimentados a afrodisíaca simbiose. A transcendência da alma aos límpidos
e ensolarados céus do Nirvana. Uma iguaria gourmet capaz de satisfazer os mais ousados
desejos de requinte dos ouvidos mais exigentes. Na génese deste sacramental fármaco de estirpe natural perfilam-se mântricos, angelicais e operáticos coros vocais que desfilam, hirtos, numa marcha marcial, fantásticos teclados de ofuscante magia metamorfoseada em
estado musical, um liderante violino de alucinantes, esvoaçantes e sedosos serpenteios,
um rebelde saxofone de excêntricos, psicóticos e berrantes devaneios, uma lunática
guitarra de solos esponjosos, sinuosos e angulares, um sombreado baixo de pulsantes,
bailantes e possantes linhas desenhadas a negrito, e uma flamejante bateria – deliciosamente
jazzy – de tarola rufante, timbalões galopantes e pratos cintilantes. A sublime,
estonteante e pormenorizada ilustração de tradicional inspiração oriental
aponta o seu crédito autoral ao artista Jee-Shaun Wang. Estamos na
presença de um singular álbum de inefável beleza, clima tribal e dimensão piramidal. Um
registo divinal, verdadeiramente sedutor, arrebatador e resplandecente, que cativa
o ouvinte num imaculado paraíso mental. O exotismo e o misticismo de mãos dadas
e sorriso no rosto. Um dos mais sérios candidatos a melhor álbum de 2026 está
aqui, no triunfante regresso dos notáveis Corima. Comunguem-no num transe religioso e expurguem-se
nele.
Links:
🐲 Facebook
🐲 Instagram
🐲 Bandcamp
🐲 Soleil Zeuhl

Sem comentários:
Enviar um comentário