Oriunda
da cidade japonesa de Osaka chega-nos a mastodôntica onda de choque resultante
de mais uma psicotrópica explosão armadilhada e detonada pelo fantástico e irreverente
quarteto Hibushibire. Formado em 2012 e já com mais de duas dezenas de
trabalhos editados, este extravagante colectivo nipónico continua fiel à
vistosa pirotecnia psicadélica que os caracteriza desde a sua criação. Intitulado
‘Phantom Fuzzy Exotica’ e lançado com o carimbo da britânica companhia discográfica
independente Riot Season através dos formatos físicos de LP e CD-R, este
novo álbum de Hibushibire é cozinhado num borbulhante, fogoso e
fumegante caldeirão em constante e extravasante ebulição onde são remexidos e
sorvidos um intoxicante, desgovernado, alucinado e electrizante Heavy Psych
– fritado em gaseificada e abrasiva distorção – que nos ferve na sua multicolorida
e faiscante efervescência condimentada a intensa turbulência e convida à sónica
propulsão pelas autoestradas de um Cosmos em estado de sítio, e um letárgico,
mavioso, cerimonioso e mágico Psychedelic Folk de paisagem pastoral e
traje medieval que do interior das suas altas muralhas nos embevece, anestesia
e adormece nas orvalhadas, verdejantes e arejadas planícies embrumadas pela
tímida e embriagada madrugada de verão. Num incessante ricochete entre a
exótica combustão e a messiânica mansidão, vagueamos e derrapamos – de olhar
esfaimado, boca salivante e espírito imensamente fascinado – pelo criativo e desregrado experimentalismo
que (des)norteia a camaleónica, expressiva, invasiva e catatónica sonoridade deste
orgásmico ‘Phantom Fuzzy Exotica’. De rosto derretido, cabeça voadora e alma
aturdida somos subjugados, cativados e embalados na caleidoscópica vertigem desta viagem
desorientadora sem regresso garantido. Assombrados por esta fantasmagoria psicotrópica,
somos varridos e engolidos por um furioso vórtice que nos viola a sanidade
mental e reorganiza o nosso universo espiritual. São 38 minutos de um druídico ritual
que nos seduz, conquista e conduz aos inexplorados territórios domiciliados nas
longínquas costuras do espaço sideral. Aventurem-se e desventurem-se na
atmosfera atordoante de Hibushibire à estonteante boleia sonora de uma
guitarra monstruosa que chameja e gravita em torno de enfeitiçantes, ziguezagueantes
e poderosos riffs saturados de um misticismo oriental, e vomita todo um furacão
de venenosos, histéricos e sinuosos solos de elevada acidez, um dominante baixo
de linhas bailantes, hipnóticas e ondeantes, uma bateria estimulante de ritmos excitados,
suados e dinâmicos aliada a uma acrobática percussão de culto tribalista, um embruxado
theremin que com as suas enigmáticas frequências alienígenas exorciza o
Cosmos, e vocais ecoantes, distantes e celestiais de uma florescência espectral.
O belíssimo portal aponta os seus créditos de autor à artista visual japonesa Nakatsuka
Tomoco (também conhecida por aimaiworks). Uma imersiva e violenta radiação psicotrópica que nos encandeia, bronzeia a
pele e bombardeia a lucidez. Este é muito provavelmente o meu álbum favorito desta
prolífica banda japonesa e seguramente um dos registos mais espantosos e empolgantes de 2026.
Vivenciem-no com total entrega e imoderada emoção.
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