quinta-feira, 1 de maio de 2025

Review: 🪐 Minerall - 'Strömung' (2025, Sulatron Records) 🪐

★★★★☆

Depois de na madrugada de 2024 ter sido revelado o seu cativante álbum de estreia ‘Bügeln’ (aqui trazido e julgado), o tridente Minerall apresenta agora o seu viajante segundo trabalho de longa duração – colhido na mesma sessão de onde resultara o primeiro – intitulado ‘Strömung’ e editado pela germânica Sulatron Records através dos formatos LP e digital (de salientar ainda que esta companhia discográfica acaba de lançar os dois álbuns de Minerall numa ultra-limitada edição de apenas 100 cópias em CD duplo). Com um pé firmado em território alemão e o outro apoiado em solo austríaco, este xamânico trio aponta os seus instrumentos à infindável vacuidade da noite cósmica, presenteando o ouvinte com uma propulsiva, admirável e explorativa odisseia espacial. Filtrado de experimentais, ácidas, alucinógenas e siderais jams puramente instrumentais – conduzidas e desenvolvidas a intuitiva simbiose –, este ‘Strömung’ faz da combinação de um intoxicante, caleidoscópico, hipnótico e lisérgico Psychedelic Rock e um anestésico, repetitivo, obsessivo e profético Space Rock o principal ingrediente do combustível que seduz, desenraíza da gravidade terrestre e conduz o ouvinte pelas secretas, admiráveis e inexploradas regiões alienígenas da infinidade astral. De olhar vendado e pálpebras maquilhadas por matéria estelar, cabeça sonolenta e pesada, e espírito febril, incensado por uma psicotrópica nebulosidade, embalamos – de membros relaxados e sentidos entorpecidos – numa amplificação consciencial pelas autoestradas galácticas de Minerall, deixando para trás um corpo desocupado, caído e inanimado. São 40 minutos de terapêutica, meditativa e narcótica transcendência, compartimentados em duas imersivas, longas e evolutivas faixas que nos alcoolizam, engolem e estacionam – apáticos, serenos e alheios a tudo o resto – num inamovível estádio de extasiante, doce e reconfortante letargia. Colorido por uma guitarra envolvente que se amaina em flutuantes, etéreos e enfeitiçantes riffs desdobrados em slow-motion, e alarma numa sónica tempestade de vertiginosos, mirabolantes e venenosos solos em psicótica efervescência, sombreado por um baixo tenro de linhas pulsantes, obesas, coesas e ondeantes, tiquetaqueado por uma bateria magnética de galope descomplicado, constante e descontraído, e magicado por um nebuloso sintetizador que exorciza todos os corpos celestes, ‘Strömung’ é um poderoso ansiolítico que nos afaga e naufraga nos mares eternos do Cosmos bocejante. Morfina via auditiva que nos amolece, paraliza, insensibiliza e embevece. Sintam-se diluir e submergir nas profundezas de Minerall e desaguar num imperturbável estado de completo zen sem a mais pequena vontade de despertar.

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quarta-feira, 30 de abril de 2025

🍄 Liz Buckingham // Electric Wizard

🍂 Witchcraft - "Spirit" (2025, Heavy Psych Sounds)

🔥 Montrose - "I Got the Fire" @ The Midnight Special (1975)

🌹 Rose City Band // KEXP

🐪 Camel - "The White Rider" @ Hammersmith Odeon (1976)

🦚 Dead Shrine - 'Cydonia Mensa' (2025, Kozmik Artifactz)

☄️ Earthless - 'Sonic Prayer' (2005)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

🔌 Van der Graaf Generator

🥁 John Bonham // Led Zeppelin

Review: 🐺 André Drage - 'Wolves' (2025, Drage Records) 🐺

★★★★★

Proveniente da insuspeita Noruega – aquele que é, aos meus olhos, o mais importante e populoso viveiro do Jazz Fusion em território europeu – dá à costa este espantoso registo que inundara de inefável prazer o meu cérebro, arregalara os meus olhos, fizera salivar os meus ouvidos e massajara todas as zonas erógenas do meu corpo. Formado e liderado pelo versátil e talentoso baterista, produtor e compositor norueguês André Drage (integrante da banda Draken), este engenhoso, irreverente e aparatoso quinteto natural da cidade-capital Oslo irriga o assombroso ‘Wolves’ com um enfeitiçante, inventivo, imersivo e provocante Jazz Fusion de extravagante caligrafia Avant-garde’esca e uma doce fragância oriental, em simbiótica, fascinante e ritualística comunhão com um agradável, lustroso, luxuoso e dançável Prog Rock de ameno clima Canterbury’esco. Lançado nos formatos LP e digital sob o exclusivo carimbo editorial de autor (via Drage Records), este criativo colectivo – de alma vendida aos místicos desígnios da música Jazz – partilha a genética de influentes referências locais da contemporaneidade como Bushman’s Revenge, Needlepoint, Soft Ffog, The Verge, Krokofant, Sex Magick Wizards, Elephant9, Jordsjø, Wobbler, WIZRD, e Kanaan, assim como comunga o precioso legado deixado por grandiosas lendas internacionais como King Crimson, Mahavishnu Orchestra, Soft Machine, Nucleus, Return to Forever, Herbie Hancock, The Eleventh House feat. Larry Coryell, Frank Zappa, Colosseum, Weather Report, Brand X, Caravan, National Health e Jean-Luc Ponty. Arquitectado por impressionantes, vibrantes, audaciosas e desafiantes composições – brilhantemente executadas a estimulante, requintada, cuidada e estonteante perícia – ‘Wolves’ caça-nos, enterra os seus longos e afiados caninos na nossa jugular e conquista-nos sem qualquer resistência da nossa parte. A sua sonoridade imensamente sedutora, esfíngica, mística e cativante viaja-nos, alucinados e sem travões, pelas curvas e contracurvas do seu corpo oleoso, sinuoso e invertebrado, desaguando-nos, desmaiados, absortos e deslumbrados, nas suas paradisíacas praias virginais de luzência deífica. A frenética euforia e a anestésica melancolia de mãos dadas. Nas asas de uma bateria bombástica, excêntrica e inflamante que se aventura e desventura em excitantes, extraordinárias, propulsivas e mirabolantes acrobacias, uma guitarra exótica, ciclónica e esdrúxula que se hasteia em angulosos, dramáticos, enfáticos e faustosos riffs e se meneia em solos intrincados, ziguezagueantes, vertiginosos e desvairados, um baixo elástico, esponjoso, gorduroso e hipnótico de linhas carregadas, pulsantes, bailantes e carnudas, um teclado sonhador que desata frescas, aromáticas, seráficas e romanescas harmonias, e um buliçoso, histérico e ostentoso violino de aura fabular e mugidos penetrantes, fugidios, luzidios e arrepiantes, percorremos as perfumadas, arejadas, verdejantes e encantadas planícies fantasiadas e realizadas por André Drage. Todo um utópico, extasiante, psicadélico e caleidoscópico delírio que durante 35 minutos nos aspira e centrifuga na sua profunda garganta rodopiante, e depois nos cospe, embriagados, entontecidos e desnorteados, para a cadeira da estranha e desconfortável realidade. Sumamente, este é um álbum verdadeiramente belo e viciante que extravasa as fronteiras da perfeição. Uma obra-prima notável onde o virtuosismo técnico é posto ao serviço da música e não o oposto. Em ‘Wolves’ nada há de censurável e tudo há de venerável. Vai ser fácil vê-lo digladiar-se pelo mais cobiçado lugar do pódio onde figurarão os melhores registos de longa duração do presente ano.

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