Um dos álbuns
por mim mais aguardados de 2025 acaba de sair à rua: ‘Rainbow Road’ é o
quarto trabalho do talentoso quarteto australiano Magic Machine –
domiciliado na artÃstica cidade de Sydney –, sucessor do incrÃvel ‘Castle
in the Sky’ lançado no passado ano e aqui desavergonhada e
imoderadamente reverenciado. A trote de um picante, empolgante, ritmado e dançante
Garage Rock agrilhoado a um apaixonante, caleidoscópico, prismático e
delirante Psychedelic Rock de invocação 60’s, a colorida, ensolarada,
agradável e entretida sonoridade de ‘Rainbow Road’ pincela no imaginário
do ouvinte um tapete desértico que se desdobra pela infinidade adentro, onde
imponentes cactos se espreguiçam na direcção de um cristalino céu azul-turquesa,
suaves brisas trazem uivos de coiotes famintos e volumosas montanhas rochosas recortam
o inalcançável horizonte. Um belicoso confronto entre The Black Keys, Spindrift
e The Murlocs. A banda-sonora de um carismático Western Spaghetti
através da lente de Quentin Tarantino que nos atira para as costas de um
cavalo cansado e jornadeia pelas areias do deserto de Sonora, debaixo de um Sol
impiedoso que cultiva verdejantes e curativas miragens no firmamento. A
aventura e a desventura de mãos dadas. De pele bronzeada, visão desfocada e
alma embriagada, banhada num alucinógeno oceano de mescalina, cavalgamos na
direcção do Sol posto, esporeando as tonificadas coxas do cavalo, empoeirando-nos
na cerrada bruma com forte odor a pólvora de caóticos tiroteios, driblando
balas esvoaçantes que silvam junto aos nossos ouvidos e, finalmente, relaxando de
cotovelos ancorados no balcão deste saloon onde se beberica o mélico e
urticante trago do bourbon e bate a sola da texana no velho e poeirento soalho
de madeira ao cativante som de uma guitarra gingona que se meneia em riffs
magnetizantes, baloiçantes, ondeantes e perfumados e incendeia em vertiginosos,
electrizantes, derrapantes e aparatosos solos, um baixo groovy de linhas
pulsantes, hipnóticas, elásticas e reconfortantes, uma bateria galopante de
ritmo estimulante, sedutor, libertador e incessante, um teclado enfeitiçante de
harmoniosos, intrigantes e polposos bailados, e uma voz esbranquiçada, diabrina
e avinagrada. São os Magic Machine de instrumentos fora do coldre Ã
conquista do velho oeste. Experienciem esta imersiva experiência
cinematográfica soberbamente musicada por estes australianos de ponchos sobre
os ombros, gatilhos sensÃveis e olhares desafiantes que cintilam na sombra
deixada pelos chapéus de aba larga. ‘Rainbow Road’ é um álbum lustroso, sorridente,
ardente e delicioso que poderá ser degustado muito em breve "in loco" no velho continente
(entre meados de Novembro e meados de Dezembro) a propósito da sua tour europeia que passará,
inclusive, por Portugal (com datas marcadas em Lisboa, Porto
e Paredes de Coura através da promotora nacional Ya Ya Yeah).
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