quinta-feira, 13 de junho de 2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Review: ⚡ Knei - 'III' (2019) ⚡
Sendo eu um intratável e
insaciável admirador e consumidor de Blues Rock argentino (desde a sua raiz
setentista aos frutos mais contemporâneos), não poderia ter regressado do
novo álbum de Knei sem que o mesmo não tivesse provocado em mim toda uma
dominância de tal magnitude que prontamente me arremessara para esta sua elogiosa
dissertação escrita. ‘III’ é – tal como a sua designação sugere –
o terceiro álbum deste fascinante power-trio localizado na
cidade-capital de Buenos Aires, lançado no passado dia 7 de Julho
através das mais variadas plataformas digitais. Fundamentada num requintado, mélico,
lenitivo e aromatizado Psych Rock em harmonioso diálogo com um ostentoso,
oleado, torneado e fogoso Blues Rock, a deslumbrante e extasiante sonoridade
de ‘III’ é estofada de um carismático revivalismo que me
enfeitiçara, namorara e conquistara logo à primeira audição. São 31 minutos
atestados de uma esplendorosa conjugação entre a voluptuosidade, a destreza, a
delicadeza e a virtuosidade que me deixara pasmado, embriagado e convulsionado pelo prazer.
Uma ensolarada, odorosa e arrebatada exteriorização musical, pautada e temperada
por uma admirável simbiose instrumental. De alma sublimada e corpo pendulado
somos absorvidos e movidos por uma luxuosa guitarra que se envaidece em primorosos,
aristocráticos, enfáticos e airosos acordes e se esvoaça em cuidados, maravilhosos,
rebuscados e briosos solos de desarmante e incessante maviosidade, um baixo
pulsante de linhas buliçosas, fluidas e vistosas, uma faustosa bateria de
acrobacias audaciosas, cintilantes e talentosas, e ainda uma voz educada, suave
e delicada que timoneia toda esta caprichada e inspirada extravagância via auditiva.
‘III’ é um álbum produzido e nutrido a uma mestria transbordante
que me colocara os ouvidos em constante salivação e a alma em intensa enlevação.
Um registo de natureza apaixonante – portador de uma distinta e simétrica nobreza
– que promete cortejar a aceitação e consequente veneração dos ouvintes mais
exigentes, e ainda batalhar por um lugar de destaque na lista dos melhores
álbuns lançados em 2019. Um dos meus registos favoritos do ano está aqui, na acabada,
magnética, feérica e consagrada obra-prima de Knei. Inebriem-se e purifiquem-se
nela.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
domingo, 9 de junho de 2019
Review: ⚡ J A V A - 'Interstellar Translator' (2019) ⚡
Da grande cidade israelita
de Tel Aviv chega-nos ‘Interstellar Translator’, o adorável
álbum de estreia do recém-formado trio J A V A. Lançado na segunda metade
do passado mês de Maio pela mão do influente selo discográfico local Reality
Rehab Records (responsável máximo pela promoção do Psychedelic Rock
florescido nesta tão carismática cidade do Médio Oriente) em formato digital e sob
a forma física de CD (ultra-limitado à produção de apenas 50 cópias), este
registo do muito promissor tridente israelita é norteado por uma sonoridade
híbrida de onde facilmente se testemunha a fascinante sumptuosidade de um
majestoso, ensolarado e apetitoso Psych Rock em órbita de um relaxante,
sublimado e extasiante Surf Rock de feições Western, que tanto se
afogueia, euforiza e agiliza à rédea solta, como se aquieta, tranquiliza e
nebuliza numa doce, profunda e harmoniosa lisergia de meditação desmedida.
Contando ainda com elementos de natureza Funky e Jazzísticos
que perfumam, aprimoram e condimentam toda esta criativa, inspirada e intuitiva
exteriorização puramente instrumental, ‘Interstellar Translator’
é um fabuloso álbum portador de uma misticidade muito peculiar, capaz de nos provocar
e inflamar de um imersivo estádio de redentora exaltação, e fazer desaguar e
banhar num verdadeiro oásis espiritual onde mergulhamos nas profundezas da contemplativa
sedação. Uma milagrosa digressão de essência devocional debaixo de um cristalino
céu de tonalidade azul turquesa, farolizado por um distante Sol de bafagem ardente
e calorosa, e de pés despidos acima de um extenso deserto mareado e afagado por
sedosas, sépias, cálidas e arenosas dunas que se inclinam na direcção do firmamento
esbatido. De olhar vendado, sorriso perpetuado no rosto e corpo bamboleante somos
envolvidos, cortejados e invadidos por uma súbita sensação de bem-estar que nos
massaja o cerebelo e inebria os sentidos. Uma edénica consagração da alma que –
motivada pelas maviosas jams que se passeiam e desdobram por todo o
álbum – se esperneia e hasteia na direcção do transe. São 38 minutos aureolados
por uma beatitude e maviosidade verdadeiramente desarmantes, adubados pelos suavizantes,
sedutores e apaixonantes acordes que se elevam, envaidecem e logo de seguida desmaiam
em exuberantes, alucinógenos e uivantes solos de uma guitarra messiânica, as
ritmadas, murmurantes e torneadas linhas suspiradas por um hipnótico baixo que
sombreia, tonifica e escolta até os mais audaciosos devaneios da guitarra, e as
cativantes, requintadas e instigantes digressões rítmicas de uma bateria entregue
a ela mesma. ‘Interstellar Translator’ é um paradisíaco álbum
conduzido a uma estarrecedora e irresistível sensibilidade capaz de arrebatar
todo aquele que nele se aventurar. Inalem os frescos e revitalizantes ares de J A V A,
e vivenciem com total entrega e fascinação este seu importante contributo para a crescente
valorização do psicadelismo de origem israelita.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Reality Rehab Records
➥ Bandcamp
➥ Reality Rehab Records
sábado, 8 de junho de 2019
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Review: ⚡ Blind Monarch - 'What Is Imposed Must Be Endured' (2019) ⚡
Da populosa cidade inglesa
de Sheffield chegam-nos as tensas, obscuras, demoníacas e misantrópicas reverberações
sonoras exaladas e propagadas pelo álbum de estreia do quarteto Blind Monarch.
Designado de ‘What Is Imposed Must Be Endured’ e oficialmente lançado
no passado mês de Abril pela mão da editora discográfica inglesa Black Bow Records
sob a forma física de CD e cassete, este assombroso álbum vem possuído e atormentado
por um pavoroso, nocivo, corrosivo e infernal Doom Metal que se enlameia
e incendeia num poderoso, lodacento, ácido e viscoso Sludge Metal e se
entorpece e amortece num intrigante, melancólico, sinistro e hipnotizante Drone
Metal. A sua sonoridade de luminosidade tenebrosa e essência perversa
condena e arremessa o ouvinte para um cenário distópico que o esvazia de
esperança e o aprisiona num intenso estádio de prostração. De semblante
tombado, olhar semi-selado e alma inteiramente inebriada somos arrastados pelos
pântanos denegridos, brumosos e demonizados de ‘What Is Imposed Must Be
Endured’ ao enigmático e ritualístico som de uma guitarra profana que
se exorciza em riffs caliginosos, apocalípticos e tenebrosos, um baixo
sinistro de bafagem saturada, lastimosa, volumosa e embriagada, uma bateria
incisiva de ritmicidade ardente, explosiva e absorvente, e ainda uma liderante
voz de tez espinhosa, felina, sibilina e cavernosa que com os seus heréticos clamores
capitaneia toda esta sombria peregrinação aos lugares mais eclipsados e amaldiçoados da
existência humana. Este é um álbum prepotente capaz de nos enlutar e profanar a
alma, saturando-a de uma febril e vil sedação que nos narcotiza e climatiza do
primeiro ao derradeiro tema. São 54 minutos de uma maldita liturgia de adoração
pagã capaz de converter até o mais consagrado beato num perfeito subserviente
ao serviço de quem governa as trevas. Deixem-se dominar pela titânica e
luciférica sobranceria de Blind Monarch, e testemunhem toda a veemente supremacia
de um dos álbuns mais perturbadores do presente ano.
Links:
➥ Facebook
➥ Bandcamp
➥ Black Bow Records
➥ Bandcamp
➥ Black Bow Records
quinta-feira, 6 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
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